quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1.5

A parte 2 tá demorando, eu sei, mas ainda não consegui ler o material que está programado para dar as caras por lá. Em compensação, consegui colocar minhas mãos em mais hqs argentinas. Encontrei um encadernado com a primeira parte de BORDERLINE, hq cyberpunk de Trillo e Risso - que a Dynamic Forces ficou de lançar isso nos states ano passado - assim como um compilado de UN TAL DANERI, de Trillo e Breccia Pai, com várias hqs, textinho introdutório e seção de bocetos (esboços, seus malandrinhos). De qualquer maneira, os comentários virão só depois. O que interessa no momento é que também consegui algumas edições mais recentes de revistas que eu havia comentado na parte 1.

BASTION UNLIMITED 3 e 4

Edição 3

O mix é o mesmo, com a adição de mais uma série, ANGELA DE LA MORTE, e de outra historinha tapa-buracos, PASOS DE COMEDIA.

Das hqs importadas, a revista traz três hqs curtinhas de SIN CITY: O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO e E ATRÁS DA PORTA NÚMERO TRÊS..., que já foram publicadas por aqui, no especial A DAMA DE VERMELHO, que a funesta Pandora lançou em 2000, e uma outra, com os dois assassinos eruditos Fat Man e Little Boy. Essa eu não sei se saiu (trava língua para notívagos) no Brasil. Note que eu parei de acompanhar a série na época da Pandora. Também tem a metade da segunda edição original de CHOSEN, em p&b, que vai ser publicada pela Mythos, conforme anunciado.

Já na produção nacional (deles), temos, como eu disse lá em cima , PASOS DE COMEDIA, com roteiro de Roberto Andrés Pulitano e arte de Rodrigo Luján, que não é ruim, de qualquer maneira. É uma história quase muda, ao que parece baseada num caso real. O roteiro é preciso, e o traço de Luján agrada. Mas faltou algo.

O segundo capítulo de DALLILAH continua chamando mais atenção pelos desenhos do que pelo roteiro.

Contudo, no também segundo capítulo de EL HOMBRE PRIMORDIAL, a história é outra, com o perdão do trocadilho. Os roteiros de Mauro Mantella já tinham caído no meu gosto desde o primeiro capítulo, mas nesse aqui fica claro que o cara tem é talento mesmo. Além disso, o traço de German Erramouspe não fica atrás e o cara mostra serviço. Nesse capítulo, Máximo Redland, o Homem Primordial, descobre um pouco mais sobre seus poderes, além de ter um encontro inusitado na última página. Mas esse capítulo serve apenas de prelúdio para o que vem na sequência.

E a surpresa ficou para ANGELA DE LA MORTE, escrita e desenhada por Salvador Sansz. É uma versão cyberpunk de LINHA MORTAL (lembra desse?) e acho que não há melhor maneira de explicar do que copiar aqui a recapitulação que está no segundo capítulo, na edição 4.

Para leer esta historieta, usted debe enterarse de los tres descubrimientos que realizó el Doctor Sibeliuz:

1) Mediante un procedimiento médico, se puede separar el alma del cuerpo y tanspantarla a otro cuerpo con vida, pero sin alma: um desalmado.

2) El alma fuera del cuerpo sólo sobrevive durante 35 minutos, a causa del tercer descubrimiento.

3) La muerte existe como forma de vida, y se mueve en su proprio ecosistema, donde es el máximo predador: se alimenta de las almas que vagan fuera del cuerpo. 35 minutos es el tiempo que tarda en encontrarlas.


Esse primeiro capítulo serve de introdução para a série, que pode ser resumida como: “agentes secretos têm suas almas trocadas de corpo, cumprem as missões, dão o fora dos seus corpos de mentirinha (invariavelmente através do suicídio) e tratam de voltar rapidinho pros corpos originais, antes que a morte, que parece mais uma água-viva ectoplásmica, inclua-os no cardápio do dia”.

Parece ridículo, mas não ficou não, viu?

Interessante é o modo como as agências rivais induzem a quase-morte dos seus agentes: a primeira, da qual Angela faz parte, opta por uma forca high-tech. A segunda já utiliza algo que parece uma banheira.

Em tempo 1: esqueci de comentar que tem materiazinha sobre o Conan.

Edição 4

De novo, do lado de lá, mais duas curtinhas de SIN CITY. A FILHINHA DO PAPAI e RATOS. A primeira publicada no especial APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO (e, curiosamente, suprimiram as poucas cores nessa versão), a segunda, não faço a mínima idéia se teve versão nacional ou não. Mais um capítulo de CHOSEN, equivalente à segunda metade da segunda edição original.

E do lado argentino, o derradeiro capítulo de DALLILAH, que já foi tarde.

Na terceira parte (de 6, conforme anunciado) de EL HOMBRE PRIMORDIAL, Máximo, após descobrir que é a 457º reencarnação de Adão - e eu só contei isso porque tá lá no release da editora - começa a se interar mais de seu papel na trama, que começa, vejam só, no Brasil. Eu tô babando o ovo dessa dupla, porque os caras sabem o que fazem, desde os pequenos detalhes, como, por exemplo, o símbolo da maçã, que teima em aparecer de tudo quanto é jeito justo na história onde Max descobre-se uma versão moderna de Adão, até na pesquisa, onde Mantella desfia uma teoria bíblica que não sei se tirou de algum evangelho apócrifo ou de sua cabeça. De um jeito, ou de outro, é interessante assim mesmo. E a construção da histórias, sempre em 12 páginas, que valem mais do que muita de 22 que se vê por aí. Recomendo, e recomendo de novo.

ANGELA DE LA MORTE, também tem estrutura fixa, 11 páginas por história. Nessa história, conhecemos um pouco do passado de Angela, além de ser introduzido mais um antagonista. E, pra completar, tem gancho no final. É esperar pra ver.

Em tempo 2: esqueci de comentar que tem materiazinha bacana sobre o Aeon Flux (as animações e o filme).

VÍRUS 3

Dizem minhas fontes portenhas que foi a derradeira e no site da editora já não há menção ao título. E eu até entendo o motivo.

O problema, a meu ver, foi que eles insistiram na fórmula que acreditavam ser seu maior mérito, mas que eu sempre vi como ponto fraco: a diversidade. Ter um leque variado, mas dentro de gêneros que costumam andar de mãos dadas, como terror+ficção, ou fantasia+ficção, por exemplo, é muito mais proveitoso do que se enfiar numa revista qualquer hq que dê na veneta dos editores. Pô, nessa edição tem hq de humor, terror trash, terror que se diz sério mas também é trash, fantasia medieval, fantasia gótica (alguém aí disse Vertigo?), espionagem, policial, ficção científica, drama e sei lá mais o quê. Já gostei muito de revistas que também serviam esse tipo de salada (ANIMAL, CIRCO, etc), mas hoje não me descem muito bem.

Várias hqs estão de volta: ABBADON apareceu no número 1, assim como EL EFECTO RAMSES, ANGIE e MOTOQUERO. IMPERIO SOLAR (que eu gostei), já tinha aparecido no número 2 e Q-BIL, MIL NAVES FANTASMAS e ESLABONES são séries regulares.

Uma, que eu achei bacana, justamente por chutar o pau da barraca, foi BOWLING SANGRIENTO, texto e desenhos de Setro. ESLABONES, de Mr. Exes, também mantém o ritmo.

Além disso, a edição conta com uma matéria sobre a trajetória dos Ramones nas hqs.

Se a revista tiver acabado mesmo, é pena, porque é um espaço a menos. Mas é interessante notar como as grandes editoras, sejam daqui, sejam de lá, sempre metem os pés pelas mãos quando querem entrar de sola no mercado de quadrinhos.

Em tempo 3: E a capa seguiu o padrão boazuda photoshopada. Trabalho constrangedoramente ruim, se querem saber.

Em tempo 4: Na verdade, a matéria não fala da trajetória dos Ramones nas hqs, e sim de hqs que contam a trajetória dos Ramones, mais precisamente a coleção WEIRD TALES OF THE RAMONES, lançada ano passado num box chiquérrimo com cds, dvd e o escambau. Viu como a ordem dos fatores altera o resultado?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

ROSENROT

Não fosse pelo Kenji, eu não saberia, muito menos teria ouvido, a nova pedrada do Rammstein.

Bão demais da conta, as always.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

PORNO

Nada disso, seus capetinhas.

Só pra constar: mais um do Irvine Welsh (como se tivessem muitos...) em bom português, vertido novamente, aliás, pelo garboso Daniel Pellizzari.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

domingo, 1 de janeiro de 2006

HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1

Em minhas andanças pelo lado de lá do Rio da Prata, uma das coisas com que me encasquetei foi saber mais sobre o quadrinho argentino, e nada melhor do que uma pesquisa de campo (eufemismo para “torrar todo o meu rico dinheirinho!”), mas o tempo exíguo e minha total inépcia em localizar o equivalente de uma comic shop (a título de curiosidade: lá se chamam comiquerias) em tempo hábil não me deixaram ir fundo em minha empreita, para o bem do meu orçamento doméstico, seja dita a verdade.

Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.

A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)

VIRUS

A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.

Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.

Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.

Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:

1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.

Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.

PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.

ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.

EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.

Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.

A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.

Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.


BASTION COMIX

A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.

De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.

Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.

Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.

A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.

DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.

E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.

CALLEJONES ROJOS

Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.

Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.

Bom, por hoje é só.

Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.

OROBORO

Este outro blog vai ser uma tentativa de concatenar meus pensamentos de maneira palatável a mim e a eventuais leitores.

A bola da vez será aquela velha paixão platônica que vocês já devem estar carecas de saber qual é: quadrinhos.

Ele vai servir de abrigo pruma série de textos pseudojornalísticos (matérias, uma...a-hã...coluna e talvez entrevistas) que vão dar as caras ao longo do ano, e sei que poderia fazer isso tudo aqui mesmo, mas o blogsome tem algumas vantagens em relação ao blogger (como sistema de categorização e busca já vinculados) e eu também fiquei curioso pra saber como funciona o bichinho.

O Urobouro tem valor sentimental (já entrou no quarto ano, pô!), então minhas lamentações, pitacos, achismos e piadas sem graça ainda continuam por aqui, valeu?

A propósito, já é tarde para dar Feliz Ano Novo?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

A CONSPIRAÇÃO NATIMORTA

Não existe, peixe. Foi só pra chamar sua atenção mesmo.

Mas, se liga.

Lourenço Mutarelli já lançou três romances, O CHEIRO DO RALO, O NATIMORTO e JESUS KID. Contudo, os maiores sites de quadrinhos ignoram solenemente o segundo.

Por quê?

Embora seja apenas fruto da minha imaginação, a resposta parece ser óbvia: a DEVIR, que publica o CHEIRO e JESUS também possui um vasto catálogo de quadrinhos, e, provavelmente, os romances devem ter ido em algum dos pacotes de cortesia que eles certamente enviam pros editores desses sites. Nem no site oficial do artista (hospedado dentro do site da Devir, diga-se) existe menção ao livro.

Já a DBA, editora com um catálogo mais, hmmm..., sofisticado, deve estar de olho em outra fatia de público, e nem deve ter se lembrado dos antigos fãs do Mutarelli.

Mas, de quem seria a visão estreita, afinal?

Dos editores dos sites, por não terem divulgado esse trabalho somente por ter sido publicado por uma casa que não tem nada a ver com hqs? Ou, pior ainda (e isso é a mais pura conjectura maldosa de minha parte, preste atenção), por não terem ganhados seus exemplares na faixa?

Ou da própria DBA, que não se tocou nos potenciais consumidores desse produto em especial?

E aí?

Hã?

Hã?

BOILING POINT

O Hector deu a letra que ia sair filme novo do Takeshi Kitano (BROTHER, ZAITOCHI, etc) e mandou link pra um site de fã do cara.

Mas o que eu achei o maior barato foi o cartaz desse filme. Puta cartaz bonito.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

QUASE 100.000 REAIS

É a bagatela que nossos ilustríssimos deputados vão faturar pelo ócio criativo dos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.

Também, num país onde há MOVIMENTO de magistrados A FAVOR do NEPOTISMO, não era de se esperar o contrário.

Sabe de uma coisa? Me sinto cada vez mais um personagem secundário de algum conto do Philip K. Dick. Deve ser porque está passando MINORITY REPORT na tv, hoje.

OS 9 DIAS DE SODOMA E GOMORRA

Começaram no sábado.

9 dias ininterruptos com o restante do clã?

Confere

9 dias sem por os pés em nenhuma fábrikkka?

Confere

9 dias para acumular mais um monte de tecido adiposo em frente à tv?

Confere

9 dias para tirar a poeira da papelada e chacoalhar os neurônios?

Confere

9 dias sem me preocupar com horários?

Confere

Mas que podiam ser 120, podiam.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

JESUS KID

É onde foi parar o marcador da COLEÇÃO AUTO-ESTIMA. Mais uma dessas outras deliciosas ironias, já que o livro do Mutarelli guarda muitas semelhanças com a última residência do meu - agora - marcador predileto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

MONSTROS

ERO-GURO é apenas o que o título diz ser.

TROUBLE EVERY DAY (SANGRE CANÍBAL, do lado de lá, DESEJO E OBSESSÃO, do lado de cá) tinha tudo pra NÃO me agradar, mas agradou. É uma produção tri-nacional, mas digamos que o lado francês (com todas as conotações que isso pode carregar) predominou. Nem vale a pena ficar comentando muito, já que o filme foi dissecado por pessoas que entendem muito mais do babado do que eu. O único ponto negativo foi uma ceninha bem Deus Ex-Machina lá pelo final do filme que foi uma derrapada fenomenal.

E a trilha sonora é fudida! Tenho que achar esse cd.

Só não se deixe enganar pela publicidade. O filme tem suas cenas gore sim (e a capa [desculpa aí, mas não achei imagem melhor] da versão portenha do dvd só ajuda a reforçar isso), mas o incômodo é muito maior na cabeça do que no estômago.

MONSTROS, coletânea de hqs curtas, todas escritas por Wellington Srbek, por sua vez, não me fisgou, e os roteiros deixaram a desejar (e olha que sou fã do cara!), mas, a capa de Carlos Fonseca (que não tá muito visível na imagem dessa reportagem), por coincidência o mesmo ilustrador da Manticore 3, é belíssima, uma das mais bonitas do ano, mesmo. Vale lembra que a sugestão partiu do Srbek.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

AUTO-ESTIMA

Engraçado, só depois que terminei NO SUFOCO fui reparar que estava marcando o livro com uma singela propaganda da COLEÇÃO AUTO-ESTIMA, “clássicos da auto-ajuda e espiritualidade”. Me amarro nessas ironias do acaso, se você quer saber.

A propósito, o saldo geral foi bom, mas faltou o “punch” do CLUBE DA LUTA ou do SOBREVIVENTE.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

PAPAI NÓIA

Isso ainda tá na cabeça.

No último sábado, fomos eu, a patroa e rebento a um supermercado próximo aqui de casa para - não poderia ser diferente - fazer compras.

Desconfio que as crianças têm algum tipo de sentido extra e sazonal, dedicado à localização de qualquer simulacro da figura comemorativa da vez. Como não poderia deixar de ser, o pequeno encontrou o indefectível Papai Noel do mercado mais rápido do que eu, e partiu desgovernado em direção ao cara.

Chegando perto, por alguns momentos acreditei que o pessoal do mercado tivesse confundido a data: a primeira figura que me vem à cabeça quando vejo "olhos vermelhos" é o coelhinho da Páscoa. Mas era o Bom Velhinho mesmo. E o cara tava muito louco! Não falava coisa com coisa, e a prova inconteste foi o bafo de cachaça, que tava brabo, devo dizer:

Para alívio da moça do mercado que o acompanhava, ele se desvencilhou - muito educadamente, que fique bem claro- das crianças e foi repor o estoque de balas.

A situação, pelo menos em minha cabeça, não deixou de ter sua própria ironia: o cara tinha bebido antes do trabalho por que estava pouco se fodendo, ou estava bêbado por que estava
muito fodido?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

SUPERNOVELAS

Olha só: eu fiquei até curioso pra ver o que vai dar essa tosqueira aqui, mas dizer que vai ser o futuro dos quadrinhos? Tenha dó, né Millar!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

PROPOSTA DO DEMO

Calma, ninguém aqui vai ter que fazer pactos com o diabo ou coisa do tipo.

Mas se você quer saber como se vende o peixe pra uma editora gringa (e, quem sabe, pruma nacional também), eis aqui sua resposta.

Só pra ir adiantando, DEMO foi uma máxi-série em 12 publicada pela AiT, com texto de Brian Wood e arte de Becky Cloonan; uma história de adolescentes com superpoderes, mas não super-heróis, sacam?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

PORTFÓLIO

Estava eu aqui, tentando montar um portfólio de roteiros para enviar a uma editora, e não é que já estou com um catatau de 82 páginas em mãos? Para os meus padrões, isso é uma grandeza astronômica. Resta saber se o recheio vai impressionar tanto quanto o tamanho.

sábado, 3 de dezembro de 2005

MIDRAXE 6

Tá no ar, moçada, tá no ar.

Para receber, se você ainda NÃO tem perfil no yahoo groups, basta ir lá em cima, onde está escrito USUÁRIO NOVO. É rápido, indolor, e periga ser gostoso.

Se você JÁ tem perfil, é só “cricar” naquele botãozão azul baitola. O resto cê já sabe.

E, embora isso já esteja ganhando contornos de lenda urbana, não custa nada repetir: NÃO precisa pagar NADA.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

PROJETO INTEMPOL

Vamos lá: se você é admirador desse gênero fictício que se convencionou chamar FC e já passou pelo menos alguns minutos de sua vida navegando na internet, certamente já ouviu falar da INTEMPOL. Se não, um breve resumo (porque o tempo urge):

A INTEMPOL, ou Polícia Internacional do Tempo, foi criada por Octávio Aragão no conto EU MATEI PAOLO ROSSI, publicado na antologia OUTRAS COPAS, OUTROS MUNDOS, editada pela Ano-Luz, em 1998. Se quer saber mais, dá um pulo lá no site, ô cabeção! Vou dar só mais uma palhinha, tá? O conceito fez sucesso, e o público exigiu mais. Daí, Mr. Aragão, numa jogada de mestre - e, pelo que me consta, inédita nos meandros ficcionais tupiniquins - abriu as portas do seu universo para que outros escritores e artistas pudessem brincar com as idéias que ele tinha lançado em EU MATEI...

E o fruto disso foi:


INTEMPOL, DAS BUCH

O livro INTEMPOL, lançado pela mesma Ano-Luz nos idos de 2000, traz dez histórias passadas no mesmo universo ficcional. Mesmo já tendo suas cinco primaveras, eu nunca tinha visto a edição antes, e a qualidade gráfica me surpreendeu, embora eu preferisse uma capa mais “clean”, somente com o emblema ou algo do tipo. Mas, como já diz a sabedoria popular, “nunca julgue um livro pela capa”.

No interior do dito cujo, alguns erros de diagramação e algumas frases repetidas (que um leitor desatento, como eu, poderia confundir com alguma representação alfabética dos bizarros efeitos colaterais do deslocamento temporal, ou ainda, com um déjà vu, - falha na Matrix, para os entendidos. Ops! Universo ficcional errado...), mas nada que desabone a edição.

A introdução de Arthur Dapieve situa muito bem o leitor, principalmente no que é o maior mérito dessa antologia: “Difícil dizer se você tem em mãos um romance repartido em contos mais ou menos independentes ou um livro de contos que mais ou menos se articulam num romance”. Alguém aí disse Princípio da Incerteza? O fato é que o material, mesmo sendo composto por estilos totalmente distintos, converge de maneira esplêndida para o mesmo ponto.

Mas vamos ao que interessa. Os contos.

O HOMEM QUE NUNCA EXISTIU - de Lúcio Manfredi

Este pequeno conto de Manfredi é a prova cabal de que, se tratando de literatura, tamanho definitivamente não é documento.

EU MATEI PAOLO ROSSI - de Octávio Aragão

Uma das melhores sensações que um homem pode ter é a de ir demolindo pequenos preconceitos de maneira prazerosa, e foi exatamente isso o que aconteceu durante a leitura dessa história. Na verdade, foi AQUI que tudo começou. Esse conto havia sido publicado em outro compêndio de FC - lançado dois anos antes - OUTRAS COPAS, OUTROS MUNDOS, e marcou a primeira aparição da Intempol, seus agentes e suas traquitanas.

Mesmo estando de posse dessa informação, confesso que sempre fui meio avesso ao esporte bretão, e não estava seguro de que entraria de cabeça - se me permitem o trocadilho - na história. Ledo engano. Octávio Aragão espalha todas as pecinhas de seu quebra cabeças cronológico sabendo muito bem a hora exata - ops!, mais outro. Escapou. - de encaixá-las.

As confusões temporais em que um rapaz se mete devido a uma discussão futebolística são de dar nó na cabeça do Professor Brown, mas a leitura é tão fluída que sublima esse detalhe.

O FURACÃO MARILYN - de Jorge Nunes

Fiquei sem saber ao certo o que pensar desse conto. A premissa é interessante, embora eu não tenha compreendido um trecho em particular. E é aqui que a Intempol começa a ganhar seus contornos, como direi?, malandros. Só acho que, pruma história que envolve dois dos maiores símbolos sexuais do mundo ocidental, faltaram umas cenas de amor mais tórridas.

THE LONG YESTERDAY - de Osmarco Valladão

Comentários lá embaixo. Lá embaixo.

A MORTÍFERA MALDIÇÃO DA MÚMIA - de Carlos Orsi Martinho

Esse aqui é um caso particular, praticamente um spin-off , já que Martinho criou toda uma sub-mitologia dentro do universo Intempol com sua trilogia M, que ainda conta com MELISSA, A MERETRIZ DO MAL e A MACABRA MORTE DE MCMURDOCK, ambas disponíveis para download gratuito no site.

O homem é bom e não deixa a peteca cair nenhuma vez durante as 38 páginas cheias de referências lovecraftianas, nazistas, armas bacanas e mulheres sedutoras. E, cá pra nós, uma das cenas finais é simplesmente impagável.

UM MUSEU DE VELHAS NOVIDADES - de Octávio Aragão

O Dono da Bola ataca novamente! Dessa vez com uma história mais sombria, e que insere mais uma penca de elementos importantes no universo Intempol.

Aqui Octávio brinca - à sua maneira - com o looping temporal, uma das idéias mais legais que costuma andar de mãos dadas com o assunto “viagem no tempo”, e que já deu as caras em filmes como Feitiço do Tempo e 12:01.

SAVIANA - de Jorge Nunes

É a continuação d’O Furacão Marilyn. Talvez, para compensar a atmosfera totalmente bucólica e introspectiva desse conto (o que destoa do restante do livro, mas não é, de maneira alguma, demérito), Jorge Nunes situou o clímax em Cracatoa, 27/08/1883, para ser mais exato. Nem preciso dizer mais, né?

QUESTÃO DE PONTO DE VISTA - de Paulo Elache

Me perdi um pouco aqui, e uma segunda leitura será bem-vinda. Acho que o objetivo de Elache era justamente dar uma entortada na cabeça do leitor, com seus paradoxos temporais e consanguíneos.

A VINGANÇA DA AMPULHETA - de Fábio Fernandes

Em minha humilde opinião, o melhor. Fábio Fernandes, pai de uma das coisas mais legais que li na internet até hoje, destilou toda sua verve nesse conto, soberbo na construção e no desenvolvimento. Falar demais vai estragar a surpresa, mas, só procê ficar com a pulga atrás da orelha, um dos personagens fala por meio de haicais! E nem vou dizer com quem esse mesmo cara é confundido, à certa altura do campeonato.

SÃO OS DEUSES CRONONAUTAS? - de Gerson Lodi-Ribeiro

A função dessa história foi colocar ordem na casa. Gerson pega um gancho da história anterior (A VINGANÇA DA AMPULHETA) e parte desse ponto para amarrar um punhado de pontas soltas, e desamarrar outras tantas. Embora seja um conto muito expositivo, e que talvez tenha sepultado precocemente alguns dos mistérios da Empresa, eu gostei. Gerson tem estilo, e também é pai de outra das minhas histórias preferidas, CAMINHOS SEM VOLTA, publicada na edição 2 da finada revista QUARK.

O HOMEM QUE NUNCA EXISTIU (parte 2) - de Lúcio Manfredi

Pra fechar com chave de ouro. E não se fala mais nisso.


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THE LONG YESTERDAY, O ÁLBUM - Por Osmarco Valladão e Manoel Magalhães.

No tocante aos quadrinhos, sou suspeitíssimo para falar, já que não é segredo para ninguém o pendor das minhas preferências estéticas pela arte sequencial, e, só para continuarmos no contexto, devo confessar que essa releitura se saiu muito melhor do que o conto original. Talvez pelo fato do roteirista, Osmarco Valladão, ser também o autor do conto, talvez pelo fato do próprio Osmarco ser designer, e também manjar de ilustração, talvez pela amizade de longa data entre ele e Manoel Magalhães, o desenhista.

O roteiro é econômico, preciso, e, principalmente, honesto. Segundo Osmarco, o objetivo era simplesmente fazer com que o leitor esquecesse um pouco da vida nos trinta e poucos minutos de leitura. Já a arte remete à escola européia (só não saberia dizer qual delas!) e resvala também no estilo difundido por Bruce Timm e companhia nos anos 90. Muito bonita. Além disso, Manoel é sucinto nas cores, mas usa isso a seu favor. E, claro, não poderíamos nos esquecer da qualidade gráfica do álbum, soberba para os padrões nacionais.

Uma curiosidade (ou infelicidade, dependendo do ponto de vista) é que, na época do lançamento, bastou o título em inglês para que as patrulhas ideológicas já entrassem em DEFCON 2, mas o que essa turminha parece desconhecer é a diferença abissal entre um pastiche e uma referência, ou melhor, homenagem. E fica claro, seja pela introdução assinada por Aragão, seja pela nota colocada por Osmarco ao fim do álbum, seja pela própria história, que o caso aqui é a segunda opção.

Dizem as lendas que vem mais coisa desse naipe por aí. É hora de cruzar os dedos.

MAS, E DAÍ?

A despeito dos méritos estéticos e artísticos (acho que fui redundante, não?) das obras, o que chama realmente a atenção é o caldeirão no qual elas foram gestadas. Como eu disse lá em cima, até onde sei, a iniciativa é inédita por aqui.

Essas observações poderiam ser rebatidas simplesmente argumentando-se que as editoras de quadrinhos americanas já fazem isso há décadas. Isso, sem mencionar os milhares de tie-ins que pipocam nas livrarias quando um blockbuster hollywoodiano que entra em cartaz, quando um novo videogame é capa de todas as revistas, etc, etc. Contudo, o PROJETO INTEMPOL está isento de quaisquer interferências mercadológicas e executivas. Não que exista uma aura romântica ao redor do projeto e os autores não pretendam capitalizar suas idéias, mas o poder de decisão está apenas nas mãos de Octávio - "Deus em seu próprio universo", como ele mesmo diz - que costuma deixar as rédeas bem soltas, fazendo com que o único fator limitante às histórias seja o próprio bom senso dos artistas.

Vale lembrar que o projeto também tem caráter multimídia, e as incursões que ainda não foram tentadas, o serão, em breve.

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Quê que cê tá fazendo que ainda tá aqui, hein? Corre , corre.

sábado, 26 de novembro de 2005

FELL - UM ADENDO

Um ponto importante no qual esqueci de tocar (ui!) é o MOTIVO da revista ter esse formato (menos páginas): o preço.

Sim, o que motivou Ellis a pensar em algo nesse formato foi a possibilidade de disponibilizar algo que fosse mais atraente do ponto de vista financeiro, algo, como ele mesmo disse, que você pudesse comprar com os trocados que achasse nos bolsos da calça.

O estopim, segundo ele, foram pessoas que iam pedir autógrafos a ele, mas levavam pedaços de papel, camisas de malha baratas de 2 dólares e sei lá mais o quê. Quando perguntou a alguém o motivo daquilo, a resposta, ao que parece, foi fulminante: “não tenho dinheiro pra comprar suas revistas”.

FELL custa USD$ 1,99, 50 centavos menos do que a média das revistas gringas. Teoricamente, isso não é nada, mas, é uma diferença que ele crê substancial. 50 cents a mais podem ser um café, uma passagem de ônibus ou qualquer outra coisa relevante nos bolsos de uma pessoa. Esse preço, na minha opinião, refletiu bem até aqui. Eu só compro essa revista porque, mesmo com o dólar livro na casa dos R$ 4,70 reais, a revista ainda sai menos de 10 pratas. Algo a se pensar.

FELL

Eu ia falar de um monte de coisas do Ellis que li nos últimos meses, mas a preguiça e a empolgação convergiram no mesmo sentido e vamos nos ater a um ponto específico da bibliografia do Velho Bastardo.

Indo meio que na contra-mão do atual mercado gringo, o embrião de FELL foi a forma (foi pra travar a língua mesmo!), ou seja, uma revista com 20 páginas no miolo, sendo 16 de quadrinhos (ao invés das 22 usuais) e 4 com material adicional. Além disso, as histórias são, até agora, auto-contidas (fórmula que o Ellis já usou em GLOBAL FREQUENCY e PLANETARY e na selo-fake APPARAT, por exemplo), porém aqui o buraco é mais embaixo, já que o número de páginas é bem reduzido. Contudo, isso foi até benéfico, já que o Ellis, pelo menos nessa revista, está jogando toda aquela bobagem de descompressão-pseudo-mangática no lixo, fazendo páginas densas, mas fluídas, graças também à arte maravilhosa de Ben Templesmith, que é um show à parte, diga-se. Das sugestivas capas à palheta de cores, Templesmith acertou a mão legal nesse título (não que seja de fazer bobagens, vejam bem!).

Já o material adicional, reunido sob o título de BACK MATTER, fala do processo criativo, tem excertos dos roteiros e também traz as origens dos casos que o detetive Richard Fell tem que resolver até a página 16. Pra quem se interessa pela concepção de uma hq, é um prato cheio.

E o pior de tudo é que, agora há pouco, remexendo em uns jornais velhos (a privada do cachorro, se você faz questão de saber), esbarrei com uma notícia dantesca que tem todos os contornos para se transformar num plot dessa revista. Pena que o único site onde encontrei a dita cuja exige cadastro.

CHUKA-COMICS

Não sabia disso.

Existe uma seção de quadrinhos no site do homem (Palahniuk), onde um maluquinho tá disponibilizando graphic novels baseadas nos livros do Chuka. Estão lá uma versão de INVISIBLE MONSTERS (que ainda não foi publicado em português), e agora ele disponibilizou LULLABY (aqui, CANTIGA DE NINAR). A primeira é “downloadável” - mas é um arquivo de 19 mega. A segunda, por enquanto, tem que ser lida no site.

Dei uma olhada rápida, e pelo que vi, achei muito artístico, mas pouco quadrinístico, apesar da melhora visível entre INVISIBLE (a mais antiga) e LULLABY. De qualquer maneira, vale pela curiosidade, e, como disse antes, não li ainda. Vai que eu mude de idéia.

EU SOU DESOLATION JONES.

Copiaram a minha tatuagem! E até o braço é o mesmo! Nunca mais troco idéias com esses caras, vou te falar, viu...

P.S.: Antes que você ache que eu estou falando sério, é brincadeirinha, tá? Sobre a cópia, não sobre a tatuagem, que fique claro. Mas que foi engraçado, foi. A minha é um pouquinho diferente (mas é um biohazard), e, além de mim, só vi mais um caboclo até hoje com uma no mesmo lugar (o que, definitivamente, não quer dizer que milhares de outras pessoas espalhadas pelo mundo não possam ter tido a mesma idéia, que, convenhamos, nem é tão original assim, vai).

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

OLD BOY

Depois de uma série de recomendações enfáticas do Vetusto, passei na locadora e assisti Old Boy.

Que filmaço! Uma das melhores coisas que vi esse ano.

Até então, eu estava pensando que se tratava de mais um filme de gangsters e pancadaria.

Tem pancadaria e gangsters, sim, mas não para por aí não, viu?

Agora fiquei curioso pra ler o mangá.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

RESOLUÇÃO DE FIM DE ANO

(Ou de Ano-novo. Sempre me confundo com essas coisas)

Querido diário,

Dia desses eu tava pensando em fazer um ou dois apartes sobre as filigranas de se escrever um roteiro pra hq e, em meio a tudo, anunciar minha retirada estratégica do meio. Os motivos são muitos, e o Hector acabou tirando as palavras da minha boca, enumerando um bom punhado deles aqui.

E, afinal de contas, por que desisti?

Desisti de desistir, digo.

Simples.

Com minha aposentadoria já mentalmente decretada, me peguei burilando sobre uma hqzinha de três páginas (originalmente duas), que já tinha um plot escrito há muito tempo, mas que, por razões que já atingiram velocidade de escape e não se encontram mais na órbita de minha memória, engavetei. O lance é que eu gosto pra caralho de escrever roteiros. Não faço a mínima idéia se possuo ou não tino pra coisa, mas que eu gosto, gosto. Talvez esteja escrito em algum lugar que meu destino é ficar esmurrando ponta de faca. E, se tiver de ser, será.

Piegas é essa última frase, hein? Certo.

Então, com tudo devidamente esclarecido e reorganizado na cachola, decidi que focarei melhor minhas energias. Isso significa menos roteiros, menos ainda do que a quantidade ridícula que costumo produzir. Além disso, desencanei com um punhado de coisas que estavam em andamento há mais tempo do que deveriam, e estou apostando minhas poucas moedas em iniciativas mais modestas.

Mas, em contrapartida, voltei meus olhos novamente para a boa e velha PROSA. Nela, pelo menos, a responsabilidade pelo naufrágio de alguma idéia que eu julgue boa o suficiente para botar no papel será totalmente minha.

Vamos ver.

MARKED

Embora as estatísticas estejam contra, isso aqui parece ser até interessante, pelo simples fato do cara, aparentemente, NÃO querer chutar cachorro morto. Resta saber até onde vai essa tal “subversão”.

De qualquer maneira, quadrinho bíblico de macho é esse aqui.

SIMPLES

A SIMPLES e outras revistas de “prêibói” costumavam fazer parte da minha dieta, num passado nem tão remoto assim.

Da SIMPLES, em especial, eu gostava bastante. Embora a esmagadora maioria das matérias estivesse a anos-luz da minha esfera de interesses, vez ou outra pintava um texto bacana, e convenhamos, a parte gráfica é do grande caralho, é uma revista muito bonita mesmo.

Tinham uma cara que eu não via uma, e, vejam só, encontrei a última edição numa lojinha aqui do bairro. Mas vem cá, eu preferia muito mais a versão acéfala de tempos idos.

Ativismo-fashion de c#, é rola!

terça-feira, 15 de novembro de 2005

NO SUFOCO

Mais um do Palahniuk (um dos preferidos da casa) em português.

Cortesia do Sr. Yeoman.

Menos 40,00 pratas no orçamento doméstico e contando...

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

CASANOVA

Tinha ouvido falar disso antes, mas só hoje, ao ver o anúncio na contracapa da edição 1 de Fell (dependendo do tamanho e definição do seu monitor, a capa vai estar lá embaixo) é que fui dar atenção. Puta desenho bacana. Notem que não faço a mínima idéia do que se trata. Mas, vindo de quem vem, deve vir coisa boa por aí. E, para que não haja dúvidas, sim, é um dos irmãos Bá.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

PERFILCÍDIO

Na tentativa de administrar melhor meu tempo em frente ao computador, além de ter me descadastrado de várias listas de discussão, promovi uma chacina em grande parte dos meus perfis virtuais espalhados por aí. Que eu me lembre, dançaram o Gazzag, o Beltrano, Hi5, SMS.AC.

Do lado dos vivos, ainda estão o do Multiply (por ser um modelo de social networking muito mais bacana e eficiente), o do Stumble (por ser deveras útil. Esse aqui também é meu, mas nem tente estabelecer contato, visto que não tenho mais a senha, e eles dizem que não existe nenhuma conta de e-mail associada ao perfil), e o do Myspace (por curiosidade). O do Orkut estava no corredor da morte, mas seus advogados entraram com um recurso de última hora, e enquanto rolam os trâmites legais, ele ainda continua neste plano imaterial. A propósito, se vocês me encontrarem por aí, em algum lugar que não esteja entre os citados acima, podem me dar um toque, porque acho que ainda tenho um ou dois parafusos a apertar até me declarar expert em meu próprio modus operandi.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

TODO MUNDO PELADO, JÁ!

Calma, calma. É só pra avisar que já saiu a nova edição (turbinada, se me permitem o trocadinho) de ALMOÇO NU, do Burroughs.

Agora, de volta à nossa programação normal.

ALMOST BLUE

Em essência, é um livro policial, e Carlo Lucarelli não reinventa a roda, mas, porra, a MANEIRA como ele conduz a história é muito, muito foda.

À guisa de curiosidade, virou filme. Quero ver também.

sábado, 29 de outubro de 2005

MANDRÁGORA & LIBRA

Costumo ser reservado no que diz respeito a idéias em andamento, mesmo porquê elas costumam ficar pelo meio do caminho, mas estou me sentindo especialmente empolgado com dois pequenos conceitos que venho desenvolvendo, e, não há motivos pra ficar escondendo o leite, não é mesmo?

MANDRÁGORA é minha tentativa de brincar com o conceito de “mulher-misteriosa-com-poderes-paranormais/vegetais-que-foge-de-organização-milenar-que-tem-planos-escusos-envolvendo-o-destino-do-mundo”. Nenhuma novidade, como você já deve ter notado, mas embebido em minha própria vaidade, só fui notar que a idéia era MUITO parecida com a da ORQUÍDEA NEGRA, do Gaiman, agora. Corri para as minhas caixas de papelão e tive que reler o material (mais comentários depois), mas para meu alívio, os conceitos são quase antípodas, se podemos dizer assim. Fui traído pela memória, talvez pelo fato de só ter lido ORQUÍDEA uma vez na vida.

Mandrágora vai ser uma sériezinha de terror/gore e pretendo ir construindo tudo em pequenos capítulos de 8 páginas, um número que eu considero bem adequado: nem grande demais - pra ficar inviável tecnicamente, nem pequeno demais - pra ser insípido ou confuso.

O primeiro tratamento do primeiro capítulo já está pronto, mas é necessário que eu apare várias arestas e pesquise um pouco mais sobre determinados assuntos. Também não existe desenhista na jogada, mas isso vai ser uma preocupação que só quero ter quando tiver algo mais sólido nas mãos (e se alguém vier com piadinhas fálicas sobre minha última frase vai tomar umas piabas, hein!).

LIBRA já vai na contramão da sua irmã mais velha. O roteiro do primeiro capítulo também já está pronto, e estou em negociações com um desenhista que vai acrescentar muito, acredito. Se ele topar mesmo, vocês ficarão sabendo quem é. O conceito da série é bem mais simples, resumindo-se a uma pergunta (que por, enquanto, não vou dizer qual é), e aqui pretendo fazer algo diferente de Mandrágora. Os capítulos também terão 8 páginas, mas as histórias, serão, na medida do possível, auto-contidas. Não deixei de lado meus devaneios megalomaníacos, e é óbvio que a perspectiva de quem ler tudo vai ser diferente de quem ler um só capítulo, mas aqui, até por tratar de um conceito bem mais simples, quero fazer algo mais “reader-friendly”. Além disso, em Libra trabalharemos com as rédeas mais soltas, e não há a vontade de fidelizar a série a um gênero específico. Vamos ver se dá certo.

Além das semelhanças óbvias, uma coisa engraçada que aconteceu - talvez por eu ter escrito ambas em paralelo - foi a repetição, ou melhor, reverberação de algumas idéias. Mas nada que diminua uma ou outra.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

WE’RE DEALING WITH THE UNREAL.

Lembra que comentei sobre uma entrevista foderosa com Mr. Moore (o Alan, não o Michael)? Então, ela foi republicada na Engine Comics, no começo deste ano (já tinha saído serializada em outra revista em 2002), e tomei conhecimento da bicha através de um e-mail enviado pelo arauto-mor do barbudão em terras tupiniquins, o José Carlos Neves, que, para quem ainda não sabe (difícil, muito difícil), mantém o ótimo site ALAN MOORE, SENHOR DO CAOS.

Nela, o cara desnuda um pouco mais seu processo criativo, algo que muito me interessa,.

Dois trechos bateram forte na cachola. O primeiro foi a frase que escolhi pra ser o título desse post. O segundo tá aí embaixo:

Writing will consume your life, because so much of writing happens in your head – you don't need to be ‘at work', you don't even need to be awake. You're not gonna get a respite from writing when your head hits the pillow, you're not gonna get a respite from writing when you go on a holiday caravan to Great Yarmouth, or anywhere – the moon – you can't get away from it, it's in your head. And if it's working properly, it's probably obsessive. If you've got a story on the boil, and if you're a writer you probably will have, you're probably thinking about problems with that story, good things about it that you wanna enhance and make even better, and you're probably thinking that all the time. You might be thinking that when you're having sex. You might be thinking that when you're eating dinner, you might be thinking that on public transport. This is something that will take over your life. Surrender. Surrender to it right from word one. Don't fight. It's bigger then you are, it's more important than you are, just do what it says. Even if that seems to be completely ruining your life, do what it says. Even if it tells you to do something stupid – if it tells you to jump off a cliff, do it. (laughter).

A COR DO SOM

Carai, eu me amarro em sicronicidades. Mesmo quando elas só existem em minha cabeça. Se é que existem, claro.

Ontem iniciei ALMOST BLUE, bacanérrimo até o momento, e, vejam só, um dos personagens - que é cego - desenvolve um sistemas de associações para tentar descrever as cores. Um tipo de sinestesia psicológica, por assim dizer. E não venha ficar puto(a) comigo que isso rola bem no início do livro.

Hoje, lendo uma entrevista deliciosa (mais comentários depois) com o Maconheiro Mágicko de Northampton, não é que o barbudão, num longo discurso sobre a linguagem, vem com umas conversas desse naipe? A definição do Moore era mais ampla, mas a idéia era a mesma. Legal, né?

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1

Em minhas andanças pelo lado de lá do Rio da Prata, uma das coisas com que me encasquetei foi saber mais sobre o quadrinho argentino, e nada melhor do que uma pesquisa de campo (eufemismo para “torrar todo o meu rico dinheirinho!”), mas o tempo exíguo e minha total inépcia em localizar o equivalente de uma comic shop (a título de curiosidade: lá se chamam comiquerias) em tempo hábil não me deixaram ir fundo em minha empreita, para o bem do meu orçamento doméstico, seja dita a verdade.

Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.

A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)

VIRUS

A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.

Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.

Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.

Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:

1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.

Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.

PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.

ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.

EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.

Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.

A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.

Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.


BASTION COMIX

A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.

De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.

Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.

Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.

A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.

DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.

E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.

CALLEJONES ROJOS

Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.

Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.

Bom, por hoje é só.

Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

7 DAYS TO FAME

EU QUERO.

Enquanto isso, os caras ficam lançando CRISE DE IDENTIDADE (mais comentários depois). Pfffff.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

MIDRAXE 5

Já saiu.

Para assinar, TOTALMENTE DE GRAÇA, é só vir aqui e seguir as instruções.

E, só para nos darmos a oportunidade de praticar um pouco de publicidade agressiva, o tema incidental (e porque não, acidental) dessa edição é: PUTARIA!

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

WE3 PELA PANINI

Finalmente caiu a ficha desse pessoal, e eles resolveram variar o cardápio, primeiro com EX-MACHINA, da qual só li a primeira edição (que tava de grátis lá no site da DC), e, se não achei essas coisas logo de cara, os elogios que ouvi/li das mais diversas fontes me fizeram continuar curioso em relação a esse material.

Já com WE3, a coisa é diferente. MARAVILHOSA seria o termo certo para defini-la.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

COWBOY BEBOP - O FILME

É bem legal mesmo. Trilha sonora maravilhosa, cenas de luta bacanas. O senão fica por conta da narrativa, que é muito linear, o que acabou fazendo com que o filme ficasse um pouquinho, só um pouquinho, com cara de episódio estendido. Mas como eu nunca assisti a série mesmo...

E tenho dado sorte encontrando filmes do meu agrado a preços convidativos. Sábado foi a vez de PI, adquirido por menos de 15 caraminguás numa dessas banquinhas de promoção. E outro dia achei JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES, o irmão mais novo de SNATCH, em local diferente, mas situação semelhante.

BIZARRE BRAZIL - LINE UP

Aqui.

REVISTA ENTRE LIVROS

A Duetto tem seguido um caminho que parece promissor com suas revistas de dupla-nacionalidade, e essa não foge à regra.

Não tinha dado muita idéia quando vi da primeira vez. Mas e edição desse mês (edição 6 - Outubro) touxe uma matéria de capa especialmente saborosa, e não é que a revista é boa mesmo?

Consegui a edição anterior, o que me ajudou a tirar a prova dos nove, e daqui pra frente vou ficar de olho na parada. A revista é bacana, não tem tantos excessos acadêmicos, tem um caderno de resenhas legal (mas não leia as da Janice Nimura. Ela conta a história TODA), e ainda traz colunas do Milton Hatoun e do Umberto Eco, véi!

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

BABY VAN GOGH

Cabeça vazia é oficina do capeta. Se liguem na orelhinha do bode.

ORKUT

Eu, que já fui entusiasta ferrenho da parada, estava meio afastado, mas resolvi dar uma passeada por lá hoje, e, bem, não paro de me surpreender com as bizarrices que encontro. Nada a ver com a teoria (bastante difundida, e, aparentemente, aceita) de que o Jatobá, da novela das oito, é na verdade, o DEMOLIDOR (em sua versão cinematográfica, pelo que pude entender).

O que me gelou os ossos mesmo foi ISSO. Cruz-credo!

A MORTE DE VISHNU

Sabe esses livros magnéticos, que te dão vontade de sair lendo logo que você põe as mãos neles? Então, ontem por menos de 10 pratas, catei esse aqui (e não consegui extrair o link da página da editora, fiquem sabendo) numa dessas banquinhas de promoção num supermercado (ou devo dizer hipermercado?) daqui.

Nunca tinha ouvido falar, nem do criador, nem da criatura.

domingo, 2 de outubro de 2005

BIZARRE BRAZIL

Lembram que eu falei que ia sair uma versão reloaded de TRUKO? Pois é, vai ser aqui, ó.

O Hector está editando a parada, pelo selo dele, o NightOffice, que já lançou ZOMBINGO, da qual eu já falei por aqui.

EXPRESSO

Só pude ler agora, mas achei o material muito bom. EXPRESSO é uma série escrita e desenhada por Alexandre Lancaster, disponibilizada gratuitamente no site Ação Total, e, ao que parece, além de mais capítulos da danada, haverão outras séries.

EXPRESSO é um steampunk passado em terras tupiniquins (ao que parece, só nesse primeiro capítulo), leve, agitado e, o mais importante, divertido, o que toda história deveria ser, afinal de contas.

E também foi muito feliz a idéia de se incluir material de referência destinado a novos autores. Fique de olhos abertos! (Sacaram? Sacaram? Mangás. Olhos puxados, olhos grandes...)

sábado, 1 de outubro de 2005

ESPECIALIZAÇÃO

Um ser humano deverá ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, esquartejar um porco, desenhar a planta de um edifício, comandar um navio, escrever um soneto, controlar finanças, construir um muro, reduzir uma fratura, confortar o agonizante, cumprir ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver uma equação, analisar um problema novo, revolver estrume, programar um computador, preparar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer corajosamente. A especialização é para os insetos.

Robert Heinlein

P.S.: Não faço a mínima idéia de onde ele escreveu isso (e olha que já procurei), mas desde que li esse parágrafo num livro do tio Antonio Vilson, isso não me sai da cabeça.

CONSTANTINE

Vi ontem. Gostei.

Embora tenham descaracterizado totalmente o personagem, fizeram isso de maneira competente e, ora, se está se fazendo uma ADAPTAÇÃO, acho que o mínimo que se pode fazer é brincar com as variações sobre o mesmo tema. Eu gostei da nova versão do Gabriel, do Tinhoso, e até da pirotecnia que reina durante toda a película.

A única cagada - homérica - fica por conta do Chas, o fiel escudeiro do Constantine, que ganhou uma versão muito, mas muito piorada no filme.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

CIDADE FANTASMA

Bandeando por aí para verificar se a alguém já ocorreu a idéia de registrar um blog com certos títulos que me interessam (talvez a cobra que come o própio rabo tenha mais um irmãozinho), fiquei meio impressionado com a quantidade de blogs que estão desativados desde 2002, alguns sem nem um postzinho sequer. Não que essa quantidade seja remotamente significativa, e eu mesmo já abandonei essa parada por um ano, e, o que tem a ver isso, afinal?

terça-feira, 27 de setembro de 2005

O CULTO

Por US$ 1,65 ao mês, o Chucka vai te dar uns toques sobre literatura. Talvez até te convide pra integrar o CLUBE DA LUTA.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

MAIS OUTRO

HARUKI MURAKAMI.

COMO PODEM VIVER OS MORTOS

Novo do Will Self, que pariu o petardo MINHA IDÉIA DE DIVERSÃO.

JONATHAN STRANGE & MR. NORRELL

Não chamou muito minha atenção quando vi pela primeira vez, mas dois homens que muito admiro e que tem gostos parecidos com os meus já elogiaram, o que me fez ficar curioso. Site oficial aqui.

SNAKES & LADDERS

Achei numa comiquixópi daqui por um precinho pra lá de camarada (11 reáu). Tô curiosão pra saber qual é, tipo, se o Campbell conseguiu apreender uma parcela, que seja, do que foram as performances rituais.E também fiquei curioso pra saber se ele é um ...aham!...iniciado, ou se ilustrou só pelas possibilidades plásticas da parada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

CAVEIRA DE BURRO

Estreou. Vai lá, nego! Vai lá!

O HOMEM DEMOLIDO

Nunca li nada do Bester (de quem já ouvi falar muito bem, diga-se de passagem), mas sempre achei esse título do grandecíssimo caralho com asas.

FF

Ainda não li QUARK, mas a primeira impressão, que não foi das melhores, só foi dirimida pelo conhecimento das circunstâncias nas quais essa hq foi gerada, ou melhor, por quem.

O traço tá esquisito, meio toscão, abaixo mesmo da média da maioria dos mangás genéricos (leia-se: feitos no ocidente), parecendo coisa de fanzine. Tudo bem, provavelmente o van Kooten não contou com hordas de assistentes para desenharem cenários e não sei o que lá mais. Além disso, pra uma edição de quase 10 mangos, tá paupérrima, indo na contramão do material que a Ediouro tem lançado. Mas tem coisa mais bacana que saber de uma mangá escrito por um HOLANDÊS de 66 anos? E desenhado por outro de 44?

Pode ser impressão minha, mas essa coisa de mangá, na minha cabecinha fraca, tá muito conectada com a minha própria geração. Daí o estranhamento.

***

Dentre as minhas teorias literárias, eu costumo sustentar que Dante era gay. Não que importe o fato do florentino gostar da fruta ou não, claro, mas seria interessante pensar na mudança de perspectiva que isso causaria, não? Imaginar que, ao invés de estar na captura de sua musa, Beatriz, o cara atravessou o Inferno e o Purgatório só pra dar uma bulida no ídolo Virgílio. Mas pra quê ele foi para o Céu, zé-ruela? Ué, vai dizer que se você tivesse a oportunidade, não aproveitaria?

Também sustento, quase sempre mentalmente (porque existem poucas pessoas dispostas a dar sequência nisto. E eu até entendo o porquê), que Don DeLillo tem uma semelhança - que extrapola a simples coincidência fenotípica - com a Rita Cadilac. Refiro-me apenas ao rosto, claro.

E, ainda sobre o Novaiorquino, sou só eu que acho que ele foi a inspiração para John Trause, personangem do Auster no livro NOITE DO ORÁCULO?

***

Dia desses tava folheando O LIVRO DAS COUSAS QUE ACONTECEM, de Daniel Pellizzari, e, puta livro, hein? Daí, atrás de DEDO NEGRO COM UNHA, sua mais recente cria, fui dar umas bandas no site da editora DBA, a mesma que editou o romance o NATIMORTO, do Muttarelli, e CAVERNAS E CONCUBINAS, do lendário Cardoso, mas o site, lindão, está desatualizado e no catálogo não consta ainda esse quitute.

sábado, 17 de setembro de 2005

TECLAS

Do lado de cá as coisas andam meio paradas.

TRUKO!, publicada na Manticore 03 (tão comentada por aqui) está sendo retrabalhada e deve dar as caras numa versão reloaded. Essa hq foi originalmente concebida para ser desenhada em duas páginas, mas na época em que a revista estava sendo fechada sobrava apenas uma página, e o milagroso Élcio Chicanoski (com a devida orientação do Antonio Eder) conseguiu espremer tudo em uma única página. Se por um lado perdeu-se a surpresa proporcionada pelo virar da página, a concisão de tudo foi um dos motivos que gerou elogios por parte de algumas pessoas. Bem, agora recebemos uma proposta de um jovem editor (que não direi quem é por enquanto porque não sei se já posso falar disso publicamente) pra republicar a história, desta vez no formato original, ou quase. Quase porque a história volta a ter duas páginas, mas com um lay-out diferente do original, sugestão do Editor X, e que na minha opinião, ficou bem melhor. Recebi essa semana a página dois, e, putaqueopariu!, ficou fodassa!

Terminei também um roteiro pra uma hq sem-pé-nem-cabeça que devia há muito tempo pro nosso Editor X. Essa hq nasceu junto com TRUKO! e na época a intenção era oferecer as duas pruma publicação gringa independente da qual nunca mais ouvimos falar. De qualquer maneira, essa (nem tão) nova história, cujo plot original previa 4 páginas, acabou ficando com 12! O problema agora é decidir exatamente o que limar. Pelos meus cálculos, consigo tirar duas páginas, mas estou encontrando dificuldades nisso.

Outra coisa que me ocorreu esse dias foi uma idéia pruma série de hqzinhas curtas, 8 páginas por capítulo, nos moldes das revistas inglesas das quais tanto gosto e que nos deram V de Vingança, Zenith, Sláine e mais um punhado de historinhas publicadas nesse formato. É uma série de terror, baseada numa criatura mitológica que já foi usada e abusada pela literatura e pelos quadrinhos, mas que, mesmo assim, não perdeu seu charme, pelo menos para mim. Tenho os plots pros primeiros 5 capítulos (psicografados numa manhã especialmente entediante no trabalho), e os contornos do roteiro do primeiro capítulo já começaram a aparecer, mas vou dar um tempo até resolver a parada aí de cima.

Do lado da prosa careta, estou digitando um conto escrito há pelo menos seis meses, e que deve dar as caras muito em breve na nova edição do MIDRAXE, quase morto por inanição. Também já tenho outro no gatilho, e o que me falta, mais do que tempo, imagino, é disposição pra levar isso adiante.

FOME ANIMAL

E não é que acho o DVD deste CLÁSSICO por módicos 19,90 (acompanhado de uma edição pra lá de antiga da também ótima CINE MONSTRO)? Ainda não assisti, mas pelo que andei pesquisando pela internet, dizem que a qualidade do filme não tá muito boa não. Veremos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

PARADISE LOST

Ó, cheu te falar: acho que sou ou único ser humano na face da Terra que ainda gosta deses caras, mas não custa nada dizer que saiu disco novo. Mas não podiam escolher um título, como direi, menos auto-referente não?

TRÊS

Por algum motivo, deixei de lado O ENIGMA DO QUATRO, que um maluquinho disse ser o equivalente a um hipotético romance escrito à seis mãos por Fitzgerald, Eco e Brown (sim, ele mesmo). E eu, tolinho, acreditei. Ficou um resquício de curiosidade, mas estou me divertindo muito mais com a releitura do clássico DESVENDANDO OS QUADRINHOS (presente da Dignissíma Senhora Massula), que tem sido o melhor recarregador de baterias quadrinísticas nessas horas conturbadas, onde uma página tem um período de gestação igual ao seu ou ao meu. Ó ceus, ó azar.

E por último, mas não menos importante, estou me divertindo muitíssimo com LA VÍA DEL TAROT, do titio (ou deveria dizer vovô?) Jodorowsky, mestre em reinventar e retroalimentar as próprias origens.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

EXÚ CÔMICO

Grant Morrison desenvolveu o dom da trilocação, e aparece ao mesmo tempo em três novas e apetitosas entrevistas. Cortesia do Sr. M.A.Lobato.

Aqui. (a mais interessante)

Aqui.

E aqui.

E, também, vejam só, tem entrevista com o Mágico Manfredi (que dessa vez não é o Lúcio) no UHQ. E ontem, inadvertidamente, descobri que o mesmo Manfredi é citado, en passant, n’O LIVRO DOS VAMPIROS.

GOLCONDA

Diz aí: que nome filhadaputamente foderoso prum selo de hq, né não? (e como eu não pensei nisso antes, ora pois!)

O catálogo de hqs da Ediouro começou pra lá de esquisito, com mangás franceses, fumetti, Star Wars e sei lá mais o quê, mas não é que tá ficando legal?

Do que li, não gostei muito da mini do NATHAN NEVER, que é meu personagem Bonnelli preferido, mas que não tava muito bem nessa mini. Acredito que o motivo de terem escolhido essas histórias sejam as revelações a respeito do passado do cara, mas quer um conselho do titio aqui? Passe longe.

Mas, por outro lado, AQUABLUE e ARTHUR me surpreenderam, principalmente a segunda, visto a minha notória ojeriza pelo gênero Capa e Espada. As revistas encareceram esse mês, mas deram uma garibada no material e as edições ficaram supimpas! Só quero ver até quando vai durar a festa. Dá um pulo lá no site, que é bacaninha (mas os hot-sites tão fora do ar, não sei o porquê).

O GRITO AMERICANO

Isso (e isso também) me lembrou uma hq do Milligan. Ou melhor, parece hq escrita pelo dito cujo.

Os caras conseguem botar uma nação que fica a meio mundo de distância de joelhos em menos de uma semana, mas se atrapalham todos para ajudar os próprios conterrâneos quando a merda acontece no próprio quintal. Vai saber...

DE VOLTA À ATIVIDADE

Rápido e rasteiro:

EVANGELION - the Iron Maiden 2nd - Fumino Hayashi

Um dos meus mangás preferidos em versão shojo. Pffff...

E alguém sabe quê diabos é esse “2nd”?

***

PROCURADO - Mark Millar e J.G. Jones

Tava indo tudo bem. Não era o que se poderia chamar de inesquecível, mas tava divertida, mas como sempre, Mr. Millar peida na farofa e a deixa a parte final dessa história pavorosa (e entenda isso da maneira mais pejorativa que conseguir imaginar). O engraçado é que o mesmo capítulo final, com o mesmo plot, conduzido por alguém com mais tarimba, daria uma história substancialmente melhor. E teve gente que disse que era o novo Watchmen. Há!

***

KAOS 3 - Vários

Taí uma iniciativa que deu gosto de acompanhar. A fórmula dos caras, sucintamente descrita em todas as capas (Quadrinhos + Entrevistas), foi muito bem executada. Pena que foi a última edição, pelo menos por enquanto, acho. Tem um material lá - A HISTÓRIA DE GERB -, que só posso imaginar ser um preview. E, ora bolas!, pra quê um preview numa revista com o pé na cova? Mistérios, mistérios...

***

DEMOLIDOR 19 - Vários

Tinha abandonado, mas comprei porque ouvi comentários favoráveis a respeito.

Na história do Demolidor, o Bendis consegui deixar a coisa numa velocidade acima de cágado manco, e a história ficou legalzinha sim.

Surpresa foi a mini do Mercenário, um dos meus vilões preferidos. Pena que, ao tentarem revelar a origem dele, os caras esteja botando uma pá de cal numa história que poderia ser bem melhor. Será que esse pessoalzinho não percebeu que humanizar arquétipos é coisa dos anos 80? Ainda tenho esperança que a suposta origem do cara seja apenas um ardil pro mesmo dar a partida numa carnificina desmedida e acéfala, como todos nós gostamos.

E por último, tem o Justiceiro, sob a bandeira MAX, que eu ainda não tinha lido. Tudo que ouvi a respeito é verdade. Livre das rédeas da continuidade normal, Ennis abandonou o humor negro em favor de cabeças explodindo e tal. Antes tivesse ficado fora do selo MAX.

***

MARVEL MAX 24 - Vários.

E pra não dizer que não falei das flores, a última edição de MARVEL MAX continuou onde sempre esteve: na média. Eu gosto de PODER SUPREMO, que recicla a mesmoa proposta pela zilionésima vez, mas é bem conduzida, e pra mim isso já está de bom tamanho. A mini do DR. ESPECTRO é totalmente dispensável. Pra encher linguiça mesmo. E por último, tem a mini da VIÚVA NEGRA, dessa vez a original. Se o Richard K. Morgan não segura a onda nos textos, pelo menos a arte finalizada pelo Sr. Bill Sienkiewicz tá boa demais da conta.

A verdade é que o selo MAX vai ter que comer muiiiiito feijão pra chegar aos pés do que a Vertigo representou. O pessoal da Marvel sempre vai ser mais careta que a rapaziada da DC, e enquanto isso não mudar, sem chance. Pena que a maioria esmagadora dos leitores de hq de supas pensa diferente de mim. Bobos.

***

X-MEN - Grant Morrison e mais um punhado de gente.

Como seu discípulo fez em PROCURADO, o Morrison, que tava conduzindo a série de maneira irregular - mais pra boa do que pra ruim - trinca os ovos deste gordinho aqui com esse arco final da sua estadia no título dos X-Men, ECOS DO AMANHÃ. Tá certo que ele amarrou todas as pontas e deixou um ou dois ganchos pros sucessores se divertirem, mas eu esperava mais do tio Careca, muito mais. Mas ele tá se redimindo com SEVEN SOLDIERS, que eu prometi resenhar aqui sabe-se lá Papai do Céu quando e até hoje não fiz. Mas não demora não, pode confiar.

***

RONIN SOUL - Fabrício Velasco e Rod Pereira

Essa aqui foi uma surpresa. A despeito da proposta, muito parecida com CAMELOT 3000, da temática, que não me apetece muito, e dos desenhos, que, a princípio, me deram impressão errada, comprei. Fizeram um alarde da porra por causa da tiragem, colossal pros padrões nacionais.

O engano em relação à arte foi logo desfeito. As cores, que imaginei estarem aos pés de DK2, ficaram maravilhosas, e o traço de Rod Pereira é muito bom. Além disso, a história está sendo bem conduzida e me deixou curioso pra ler a sequência. Veremos.

***

ROCK’N’ROLL - Bá, Moon, Bruno D’Angelo e Kako

Saiu ano passado, mas só li agora. Sei lá.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

DIGITADOR 01

Coluna nova do Hector lá no site d'A ARCA.

Quê que cê tá fazendo que ainda não foi lá?

O CHALAÇA

Zentem,

Amanhã o compadre Antonio Eder estará lançando aqui em Curitiba o livro O CHALAÇA, com arte dele e roteiro do André Diniz, e o evento vai ser lá na ITIBAN, que fica na Av. Silva Jardim, 845, Centro, às 18:30. Também haverá alguns exemplares da Manticore 3 (preview aqui), coletânea de horror-ficção da qual participei ao lado dos dois e de mais uma galera de gente lelé-da-cuca, e eu, em companhia do restante do Clã Massula, estarei lá, de bobeira.

Se forem de Curitiba, ou estiverem por aqui amanhã, apareeeeçam!

domingo, 28 de agosto de 2005

LOS SORIAS

Estava dando uma pesquisada prum post que deve dar as caras por aqui logo, logo, e não é que ao abrir o site da Gárgola Ediciones, me deparo com isto.

Fiquei, no mínimo, interessado.

Um pouco mais, aqui.

HIATO

Mais um hiato de algumas semanas, e, após completar mais uma primavera, informo que, como todo jovem de idade avançada, continuarei falando das mesmas coisas aqui.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Pra me desintoxicar, na sequência do TRAINSPOTTING, veio esse.

Eu sempre gostei dos livros do Jô Soares. Dos seus romances, digo. E vamos esquecer o talk-show por enquanto, certo?

Quando li O XANGÔ DE BAKER STREET, achei-o deveras iconoclasta, pelo simples fato de colocar um ícone da cultura pop, sisudo, fleumático e normalmente associado à retidão de caráter vitoriana, dando um tapa num cigarrinho do capeta, ou ainda tendo um ataque de piriri, em meio a uma perseguição. Obviamente, eu via as coisas de maneira muito diferente em 1995.

O HOMEM QUE MATOU GETÚLIO VARGAS também caiu nas minhas graças. Era engraçada a maneira em que foi costurada a biografia do assassino hexadigital Dimitri Borja e todos os eventos que fizeram parte da história do período no qual viveu.

O gosto do Gordo por personagens bizarros em situações insólitas esbarra nas minhas próprias preferências literárias, e o cara é, pra não dizer outra coisa um erudito.

Mas acho que temos um padrão se formando aqui. A impressão que tive, lendo esse novo romance, é que ele é uma mistura dos dois anteriores. Os mesmos ingredientes, misturados em proporções diferentes é verdade, mas com o mesmo sabor. E a composição dos livros, obra da editora, presumo, também só contribui pra reforçar minha impressão. A mesma tipologia, a mesma diagramação, etc, etc.

É divertido? É, e talvez lhe valha algumas risadas. Eu dei as minhas, mas esperava mais. Mas penso que, como disse antes, as coisas tenham mudado muito nos últimos 10 anos.

Vamos ver o que o próximo livro - sobre o Império Romano, se bem me lembro - nos reserva.

E agora, vamos em direçao À ESPINHA DORSAL DA MEMÓRIA/MUNDO FANTASMO, do Bráulio Tavares.

TRAINSPOTTING

Terminei.

Como era esperado, a leitura me agradou, até o fim. Talvez pelo fato de Welsh ter construído a narrativa daquela maneira caleidoscópica, obrigando o leitor a, na maioria das vezes, inferir qual é a seqüência lógica – que existe, mas está devidamente maquiada - na maçaroca tragicômica formada pelas vidas de Renton e cia. Eu acho que TRAINSPOTTING realmente se tornou um “romance” da metade pra frente. As coisas pareciam mais esparsas no início do livro, dando a impressão de que Welsh resolveu amontoar todas aquelas histórias sob o mesmo teto bem depois de tê-las iniciado. Mas, como disse, eu apenas acho. E não vou ao Google pra saber qual é que é. Prefiro continuar com meus achismos.

Às vezes, inclusive, acho que esses buscadores, mesmo com todas as vantagens óbvias que trouxeram prum monte de gente como eu e você, acabaram com a graça de se afirmar categoricamente algo que é de seu total desconhecimento.

Mas, voltando ao livro, recomendo. Divertidíssimo, se é que você é capaz de achar graça na desgraça de mentirinha dos outros. E eu sei que cometi um atentado à língua-mae na frase anterior. Aliteração, acho.

O filme está todo lá. John Hodge, autor do roteiro da adaptação, conseguiu pinçar ótimos momentos, embora tenha feito alguns ajustes pra deixar tudo mais redondinho, e claro, tenha deixado muita coisa boa de fora, em prol dos sagrados cento e vinte minutos cinematográficos. De gelar os ossos, especialmente, me vem à cabeça NÃO PRECISA NEM DIZER (que está no filme) e SANGUE RUIM (que não está).

sexta-feira, 22 de julho de 2005

quarta-feira, 20 de julho de 2005

SOUTH AMERICAN GHOST RIDE

É engraçado como as idéias para histórias surgem.

Recentemente estive conversando com um amigo e ele me disse que lera em algum lugar que, durante a Guerra das Malvinas, os ingleses haviam se preparado para deflagrar um artefato nuclear sobre território argentino, caso o caldo entornasse para o lado deles. A bomba seria lançada em Córdoba, para ser mais preciso.

Verdade, ou não, esse pequeno fragmento me interessou bastante, e, relembrando isso no dia seguinte, meu cérebro, numa dessa misteriosas associações que nossas mentes costumam fazer, teve a bondade de desenterrar o título de uma música do Ghatering - banda que gosto muito - dos recônditos da minha memória. É verdade que a música é instrumental, mas o nome por sí só já é pra lá de emblemático.

O nome da música?

South American Ghost Ride.

Agora faça suas próprias associações.

CÁPSULAS

Ei, você!

O quê que cê ainda tá fazendo, que não foi no blog do Vetusto dar uma olhada nas pequenas pérolas que ele distribui (aos porcos só se a carapuça servir, hein!) todo dia e que batizou, de maneira sublime, de Cápsulas?

Cápsulas é uma série de micro-histórias, hqs de uma página, que são histórias fechadas, mas que, nas palavras do próprio Velho da Montanha (ou da Baixada), fazem parte de um castelo de cartas muito maior.

Pra quem se interessa por roteiros de hq e curte saber um pouquinho da mecânica por trás da coisa, é um prato cheio.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

HERRAR É O MANO!!!!

Depois do festival de disparates do último post, nada melhor do que colocar os pingos nos is...

1 - Nao sei de onde tirei que J. K. Rowling é escocesa. Quem mandou consultar AQUELE-QUE TUDO SABE...

2 - Irvine Welsh nao escreve em scotisch, mas em scots. Sei lá de onde tirei esse sufixo. Quem mandou nao consultar AQUELE-QUE TUDO SABE...

3 - Eu disse que a obra do Dick é tratada com muito mais respeito por aqui, mas só depois vi que a ediçao do Valis que comprei nao é argentina, mas espanhola. Ediçoes Minotauro, pra ser mais preciso.

So sorry, people.

domingo, 17 de julho de 2005

AH, ESSES ESCOCÊSES...

Estava aqui pensando com meus botoes, e, pode crer, me surpreendi com esses números. Muito provável que seja jogada de marketing, mas eu tenho minhas dúvidas, já que hoje fui a uma livraria aqui (que é bem longe de lá, e daí também) e vi uma senhora comprando as duas versoes (gringas) descritas na reportagem.

O engraçado é que por agora, o livro que me diverte também é obra de um escocês, Irvine Welsh. Sim, estou falando de TRAINSPOTTING, que deu origem a um filmaço, e que aportou em terra brasilis pelas maos competentes do malignos Pellizzari e Galera. Sublime! Temos que tirar o chapéu pros caras, porque titio Welsh tem o "mau" hábito de escrever em scotisch, quase um dialeto urbano falado nas ruas de Edimburgo e sei lá mais onde. Tipo assim, muito doido.

A história é, na verdade, um amontoado de pequenos contos que, quando unidos, dao uma história maior. Adoro esse tipo de narrativa fragmentada.

Por falar nisso, voltando à livraria, tive que comprar um exemplar de Valis, do maluco (mesmo!), Philip K. Dick. Por aqui a obra dele é tratada com muito mais respeito, nao se limitando a esses tie-ins do cacete - com foto do Tom Cruise ou do Ben Affleck na capa - que as editoras só tem a bondade de publicar no rastro (entendeu? entendeu?) de mais alguma derrapada holliwoodiana.

E só pra continuar nas cercanias de Edimburgo, eu já deveria ter dito algo sobre SEVEN SOLDIERS aqui, magnífica máxi-série do Careca. Depois faço isso. Tchau!

THE SINGHSONS

Via Rodolfo Andrade, lá do Hypervoid.

Fiquei curioso pra saber se é só zoeira (a resposta provável), ou se existe mais material desse por aí.