É isso aí.
segunda-feira, 23 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
EYE OF THE INRI
Lendo só agora uns feeds antigos, dei de cara com um link, que me levou a outro, que me levou a outro, que me levou ao vídeo abaixo:
Se olharem os vídeos relacionados, verão que há outras versões místicas para sucessos do pop. Fiquei sem palavras.
Se olharem os vídeos relacionados, verão que há outras versões místicas para sucessos do pop. Fiquei sem palavras.
terça-feira, 17 de março de 2009
CRAYONS OF WAR
Crayon Physics Deluxe é uma das coisas mais legais em termos de vídeo-games que eu vi ultimamente.
(via Laboratório do Dr. Careca)
E ainda no reino dos games, mas num sentido tematicamente oposto, também acabei esbarrando num teaser de God of War 3 (o que me lembra que ainda não terminei nem o primeiro).
(via Laboratório do Dr. Careca)
E ainda no reino dos games, mas num sentido tematicamente oposto, também acabei esbarrando num teaser de God of War 3 (o que me lembra que ainda não terminei nem o primeiro).
MERLIN MANN & O CELTX
Taí uma coisa que eu não esperava: Merlin Mann, guru da produtividade pessoal e de assuntos correlatos, falando do Celtx, ferramenta sobre a qual vocês já devem estar carecas de ler por aqui.
sábado, 14 de março de 2009
O BREVE VERBO
Conheço o Antonio há um bom tempo. E me lembro bem dele ter comentado mais de uma vez sobre um projeto antigo que ele levava em banho-maria, O BREVE VERBO.
De uns tempos pra cá, ele vêm publicando parte desse material, em forma de tiras, em seu blog. Abaixo, tomei a liberdade de reproduzir a tira mais recente. Eu gostei.

E para não perder o embalo, ele também vem publicando CLÁSSICOS DA LITERATURA EM QUATRO QUADRINHOS. Novamente, surrupio outra de suas tirinhas, à guisa de exemplo.
Mais uma vez, atesto e dou fé.
De uns tempos pra cá, ele vêm publicando parte desse material, em forma de tiras, em seu blog. Abaixo, tomei a liberdade de reproduzir a tira mais recente. Eu gostei.

E para não perder o embalo, ele também vem publicando CLÁSSICOS DA LITERATURA EM QUATRO QUADRINHOS. Novamente, surrupio outra de suas tirinhas, à guisa de exemplo.
Mais uma vez, atesto e dou fé.
REVISTAS DE BORDO
Elas não são tão inúteis quanto parecem.
Anos atrás, pela primeira vez ouvi falar de (ou melhor, li sobre) Qorpo Santo em uma delas.
E anteontem descobri o que era um Gastrovac.
Legal, né?
Anos atrás, pela primeira vez ouvi falar de (ou melhor, li sobre) Qorpo Santo em uma delas.
E anteontem descobri o que era um Gastrovac.
Legal, né?
FOCULATE
No anúncio que está na última edição da Script Magazine está bem mais engraçado que no site, porque linka o, hã... "suplemento" ao fim do writer's block, inclusive (como não poderia deixar de ser), com depoimento de roteirista "sastisfeito" com o produto.
Passem longe desta URL:
http://www.foculatelabs.com
Passem longe desta URL:
http://www.foculatelabs.com
quinta-feira, 5 de março de 2009
BIOHAZARD!

Fazendo uma pesquisasinha básica, acabo me deparando com o a origem do símbolo BIOLOGICAL HAZARD, conhecido vulgarmente como Biohazard.
E se Charles Baldwin não gostou de ver o símbolo usado numa gravata, imagina se soubesse que tenho um tatuado no antebraço esquerdo?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
CELTX + DROPBOX
(Não sabe do que estou falando? Talvez esse post esclareça tudo. Não faz nem ideia do que pode ser o Celtx? Ok, pergunte-nos)
A questão é que para fazer backups e compartilhar arquivos na rede existem dezenas de serviços, com maior ou menor grau de sofisticação. Mas um que já me fisgou há algum tempo, e que funciona muito melhor do que o antigo Web Services chama-se Dropbox.
Posso trabalhar num desktop com Windows, pular para um Macbook e dar sequência num eeePC com o Ubuntu instalado, sem me preocupar em ficar trasferindo arquivos via pendrives ou emails. Obviamente, os três computadores citados no exemplo acima tem que estar preparados para trabalhar com os tais arquivos.
=> NOTA: o Celtx também está disponível para estes três sistemas operacionais.
A estrutura de diretórios criada pelo Dropbox pode ser alterada à vontade, mas alguns desses diretórios são "espertos" e tem funções específicas. E é possível compartilhar qualquer diretório com outros usuários do Dropbox.
De qualquer maneira, um screencast vale mais do que mil palavras, então recomendo que vocês assistam ao vídeo abaixo e depois dêem uma olhada no tour do site deles.
O serviço conta com duas modalidades: a Free, onde o usuário tem "apenas" 2 GB de espaço para armazenamento. E a paga, onde o espaço é de 50 GB.
A dica é simples. Você cria seu projeto do Celtx dentro de um dos subdiretórios do Dropbox e beleza, ele será salvo automaticamente sempre que você fizer uma cópia. E se você quiser compartilhar, basta que a pessoa a quem você quer enviar o projeto também abra uma conta no Dropbox.
As possibilidades são muitas: é possível, por exemplo, criar diretórios distintos para compartilhar projetos com pessoas ou empresas diferentes. Ou seja, tudo o que você quiser compartilhar com o fulaninho, vai para o diretório, Fulaninho. Com o zézinho, diretório Zézinho. Com a agência Picaretas Inc., para o diretório picas, e por aí vai.
E como todo bom serviço Web 2.0, é possível acessar seus arquivos mesmo de computadores que não tenham o software instalado, bastando para isso um browser e uma conexão com a internet.
E não se esqueçam: tanto o Celtx 2.0 como o novo Web Services serão lançados hoje à noite, dia 25/02/09 (será que tem Carnaval no Canadá também?).
*brincadeira. Até que - pelo menos até agora - as reclamações estão em volume bem menor do que eu imaginei.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
CELTX 2.0 - O QUE VEM POR AÍ
Aproveitei o feriado para colocar alguns assuntos em dia, e um deles era bandear pelos fóruns do Celtx para saber das novidades.
A nova versão do Celtx estava prometida para fins de janeiro deste ano, mas como o programa estava sendo reescrito a partir do engine do Firefox 3, houve um atraso e eles prometeram entregar o programa na segunda quinzena de fevereiro. Novamente, outro atraso, mas como no fim de janeiro, o pessoal da Greyfirst se pronunciou explicando os motivos da demora, que, ao que parece, vai valer a pena.
A nova versão do Celtx, que vai se 2.0 mesmo, trará muitas novidades, entre elas:
TOOLBOX: uma vez que o Celtx é baseado no Firefox, nada mais natural do que ele dispor de um recurso que talvez seja o maior fator por trás do sucesso do Firefox: as extensões (ou complementos). Na nova versão do Celtx, qualquer um - com os devidos conhecimentos, evidentemente - vai poder criar extensões para inserir novas funcionalidades ou melhorar as já existentes. Alguém aí falou em geração local de pdfs?
NOVO "CELTX WEB SERVICES": Com ferramentas como o Zhura, o Plotbot e o Scripped dando sopa por aí, eu já imaginava que o pessoal do Celtx, que sempre prezou essa parada de conectividade, também partiria nessa direção.
A partir do dia 24/02/09, os Web Services do Celtx, como conhecemos, não existirão mais, e darão lugar a uma versão melhorada - mas paga. Por melhorada entenda que, através do seu browser, você vai poder fazer tudo o que sempre fez no software. Se entendi bem, será possível criar projetos, editar roteiros e ter todas as outras funcionalidades presentes no software. PREÇO: 50$ por ano (só não sei se são dólares americanos ou canadenses).
PROJECT CENTRAL: O Project Central continua existindo e sendo gratuito, mas não sei como vai funcionar.
EXPORTAÇÃO PARA PDF: Como essa é uma funcionalidade que depende dos servidores da Greyfirst, o assunto gerou dúvidas, mas a exportação para PDF continuará sendo gratuita.
ATENÇÃO CRIANÇADA!: o *software* continuará sendo gratuito, livre, leve e solto. O que será cobrado é o novo serviço Web, apenas. Você não poderá deixar seus backups nos servidores do Celtx, a menos que assine o serviço (falarei mais sobre isso depois). Mas pode continuar produzindo seus roteiros e projetos normalmente, com o software para desktop.
MAIS DETALHES: neste e neste tópicos dos fóruns.
A nova versão do Celtx estava prometida para fins de janeiro deste ano, mas como o programa estava sendo reescrito a partir do engine do Firefox 3, houve um atraso e eles prometeram entregar o programa na segunda quinzena de fevereiro. Novamente, outro atraso, mas como no fim de janeiro, o pessoal da Greyfirst se pronunciou explicando os motivos da demora, que, ao que parece, vai valer a pena.
A nova versão do Celtx, que vai se 2.0 mesmo, trará muitas novidades, entre elas:
TOOLBOX: uma vez que o Celtx é baseado no Firefox, nada mais natural do que ele dispor de um recurso que talvez seja o maior fator por trás do sucesso do Firefox: as extensões (ou complementos). Na nova versão do Celtx, qualquer um - com os devidos conhecimentos, evidentemente - vai poder criar extensões para inserir novas funcionalidades ou melhorar as já existentes. Alguém aí falou em geração local de pdfs?
NOVO "CELTX WEB SERVICES": Com ferramentas como o Zhura, o Plotbot e o Scripped dando sopa por aí, eu já imaginava que o pessoal do Celtx, que sempre prezou essa parada de conectividade, também partiria nessa direção.
A partir do dia 24/02/09, os Web Services do Celtx, como conhecemos, não existirão mais, e darão lugar a uma versão melhorada - mas paga. Por melhorada entenda que, através do seu browser, você vai poder fazer tudo o que sempre fez no software. Se entendi bem, será possível criar projetos, editar roteiros e ter todas as outras funcionalidades presentes no software. PREÇO: 50$ por ano (só não sei se são dólares americanos ou canadenses).
PROJECT CENTRAL: O Project Central continua existindo e sendo gratuito, mas não sei como vai funcionar.
EXPORTAÇÃO PARA PDF: Como essa é uma funcionalidade que depende dos servidores da Greyfirst, o assunto gerou dúvidas, mas a exportação para PDF continuará sendo gratuita.
ATENÇÃO CRIANÇADA!: o *software* continuará sendo gratuito, livre, leve e solto. O que será cobrado é o novo serviço Web, apenas. Você não poderá deixar seus backups nos servidores do Celtx, a menos que assine o serviço (falarei mais sobre isso depois). Mas pode continuar produzindo seus roteiros e projetos normalmente, com o software para desktop.
MAIS DETALHES: neste e neste tópicos dos fóruns.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
LIVROS SOBRE ROTEIROS DE HQ
Recentemente, duas novidades pouco comuns no ramo editorial brasileiro despertaram meu interesse. Ambos são livros sobre roteiros de hq.
O primeiro é o PRÁTICA DA ESCRITA - HISTÓRIAS EM QUADRINHOS , coletânea que tem uma proposta parecida (guardadas as devidas proporções, evidentemente) com algo que tentei fazer tempos atrás. A obra ao que parece tem um viés mais acadêmico, mas deve ser bem interessante justamente por explorar a pluralidade existente na composição de um roteiro de hq, essa arte tão desconhecida.
O segundo é o ROTEIRO PARA HISTÓRIAS EM QUADRINHOS , do Gian Danton , que dispensa apresentações. Se não estou enganado, esse trabalho é uma edição revisada de um livro que pode ser encontrado internet afora (foi disponibilizado pelo próprio Gian) e que também serviu de referência
para um curso online sobre roteiros promovido pela Popmídia e pelo Gian. Tenho boas lembranças do curso e do material, e a edição impressa me instigou.
Ambos podem ser adquiridos, por preços convidativos, nos links indicados acima.
O primeiro é o PRÁTICA DA ESCRITA - HISTÓRIAS EM QUADRINHOS , coletânea que tem uma proposta parecida (guardadas as devidas proporções, evidentemente) com algo que tentei fazer tempos atrás. A obra ao que parece tem um viés mais acadêmico, mas deve ser bem interessante justamente por explorar a pluralidade existente na composição de um roteiro de hq, essa arte tão desconhecida.
O segundo é o ROTEIRO PARA HISTÓRIAS EM QUADRINHOS , do Gian Danton , que dispensa apresentações. Se não estou enganado, esse trabalho é uma edição revisada de um livro que pode ser encontrado internet afora (foi disponibilizado pelo próprio Gian) e que também serviu de referência
para um curso online sobre roteiros promovido pela Popmídia e pelo Gian. Tenho boas lembranças do curso e do material, e a edição impressa me instigou.
Ambos podem ser adquiridos, por preços convidativos, nos links indicados acima.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
RESIDENT EVIL 5
O último que joguei foi o 3. Deu até uma emoção vendo os trailers.
Esse é melhor
E uma palhinha do jogo em si
Para XBox360 e Playstation 3.
Esse é melhor
E uma palhinha do jogo em si
Para XBox360 e Playstation 3.
domingo, 7 de dezembro de 2008
GRAMPÁ NO CONSTANTINE
Confesso que quando li a notícia noTrabalho Sujo, achei que ia ser, pelo menos, um arco. Me empolguei, reconheço. Mas tá valendo.
O lance é que o Rafael Grampá, artista foderoso, vai desenhar uma hq do nosso bom e velho John Constantine para a edição comemorativa a ser lançada ainda esse mês.
Se liga na qualidade.

Há ainda uma outra página no blog do homem. Eu já gostei mais do Azzarello antes do que gosto hoje, mas só pelo fato dele ter se dado ao trabalho de enfiar um demônio numa história do Constantine, já fiquei curioso. Como diz a molecada por aí, vou cofrar.
O lance é que o Rafael Grampá, artista foderoso, vai desenhar uma hq do nosso bom e velho John Constantine para a edição comemorativa a ser lançada ainda esse mês.
Se liga na qualidade.
Há ainda uma outra página no blog do homem. Eu já gostei mais do Azzarello antes do que gosto hoje, mas só pelo fato dele ter se dado ao trabalho de enfiar um demônio numa história do Constantine, já fiquei curioso. Como diz a molecada por aí, vou cofrar.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
LIBRA, UM ESBOÇO
Já falei de LIBRA por aqui, antes. E esse post é particularmente esclarecedor.
Se você está com preguiça de ler velharia, recapitulo:
A idéia surgiu em 2005. LIBRA seria uma série de pequenas hqs de oito páginas, com histórias auto-contidas mas interligadas. Escrevi três roteiros (que hoje acho constrangedores), esbocei mais uns, e fiz o outline da série. Os roteiros passaram pelas mãos de três desenhistas, sendo que um deles chegou a fazer uns model sheets dos personagens e esboçar as primeiras páginas do primeiro capítulo. Como tudo em minha vida que envolve a feitura de quadrinhos - com raras exceções - não dá certo, o projeto acabou engavetado.
Depois, num arroubo de empolgação, decidi espremer tudo num roteiro de cinema para um filme de uma hora e meia. Escrevi trinta páginas. Então me dei conta de que, se para (não) produzir uma hq de oito páginas já tinha sido um verdadeiro parto, o que dizer de um filme. Engavetei.
O problema era que a história falava alto. Ficava cochichando nos meus ouvidos. Não me deixava dormir. Não me deixava em paz.
E só havia uma maneira, a meu alcance, de dar vazão a isso: a prosa. Mais uma vez, tentei dar sequência na história de Ramiro, Matilda e companhia. Juntei todo o material e comecei a castigar as teclinhas pretas. Saiu um capítulo. Depois outro. E parou. Por motivos que não vêm ao caso, deixei o material de lado.
Mas é aquela história. Recentemente a coceira recomeçou e me vi pensando em lugares, cenas, personagens, etc et al.
Decidi TENTAR (notem a caixa-alta) escrever um capítulo disso por mês. Para um wannabe normal, acho que não seria tão difícil assim desovar umas três mil palavras a cada trinta dias. Mas, para mim...
Obviamente, esse trabalho vai correr em paralelo com as outras coisas que pretendo publicar (com uma periodicidade menor) no TXT.
A idéia não é postar a história, capítulo a capítulo, mas dar ao leitor um vislumbre da coisa toda. Um capítulo aqui. Um perfil de personagem ali. Um excerto acolá. Uma idéia sendo considerada. Uma notícia. Uma notinha. Um link. Sei lá.
Enfim, um, com o perdão do trocadilho, livro aberto (pero no mucho).
LÍNGUAS MORTAS, o primeiro capítulo, está repleto de erros e incongruências. Mas é um esboço , um rascunho, e até o fim da história, muita coisa pode e deve mudar. Como sempre, conto com a opinião de vocês.
LIBRA, UM ESBOÇO
Já falei de LIBRA por aqui, antes. E esse post é particularmente esclarecedor.
Se você está com preguiça de ler velharia, recapitulo:
A idéia surgiu em 2005. LIBRA seria uma série de pequenas hqs de oito páginas, com histórias auto-contidas mas interligadas. Escrevi três roteiros (que hoje acho constrangedores), esbocei mais uns, e fiz o outline da série. Os roteiros passaram pelas mãos de três desenhistas, sendo que um deles chegou a fazer uns model sheets dos personagens e esboçar as primeiras páginas do primeiro capítulo. Como tudo em minha vida que envolve a feitura de quadrinhos - com raras exceções - não dá certo, o projeto acabou engavetado.
Depois, num arroubo de empolgação, decidi espremer tudo num roteiro de cinema para um filme de uma hora e meia. Escrevi trinta páginas. Então me dei conta de que, se para (não) produzir uma hq de oito páginas já tinha sido um verdadeiro parto, o que dizer de um filme. Engavetei.
O problema era que a história falava alto. Ficava cochichando nos meus ouvidos. Não me deixava dormir. Não me deixava em paz.
E só havia uma maneira, a meu alcance, de dar vazão a isso: a prosa. Mais uma vez, tentei dar sequência na história de Ramiro, Matilda e companhia. Juntei todo o material e comecei a castigar as teclinhas pretas. Saiu um capítulo. Depois outro. E parou. Por motivos que não vêm ao caso, deixei o material de lado.
Mas é aquela história. Recentemente a coceira recomeçou e me vi pensando em lugares, cenas, personagens, etc et al.
Decidi TENTAR (notem a caixa-alta), a partir do ano que vem, escrever um capítulo disso por mês. Para um wannabe normal, acho que não seria tão difícil assim desovar umas três mil palavras a cada trinta dias. Mas, para mim...
Obviamente, esse trabalho vai correr em paralelo com as outras coisas que pretendo publicar (com uma periodicidade menor) no TXT.
A idéia não é postar a história, capítulo a capítulo, mas dar ao leitor um vislumbre da coisa toda. Um capítulo aqui. Um perfil de personagem ali. Um excerto acolá. Uma idéia sendo considerada. Uma notícia. Uma notinha. Um comentário. Um link. Sei lá.
Enfim um, com o perdão do trocadilho, livro aberto (pero no mucho).
LÍNGUAS MORTAS, o primeiro capítulo, está repleto de erros e incongruências. Mas é um esboço , um rascunho, e até o fim da história, muita coisa pode e deve mudar. Como sempre, conto com a opinião de vocês.
Se você está com preguiça de ler velharia, recapitulo:
A idéia surgiu em 2005. LIBRA seria uma série de pequenas hqs de oito páginas, com histórias auto-contidas mas interligadas. Escrevi três roteiros (que hoje acho constrangedores), esbocei mais uns, e fiz o outline da série. Os roteiros passaram pelas mãos de três desenhistas, sendo que um deles chegou a fazer uns model sheets dos personagens e esboçar as primeiras páginas do primeiro capítulo. Como tudo em minha vida que envolve a feitura de quadrinhos - com raras exceções - não dá certo, o projeto acabou engavetado.
Depois, num arroubo de empolgação, decidi espremer tudo num roteiro de cinema para um filme de uma hora e meia. Escrevi trinta páginas. Então me dei conta de que, se para (não) produzir uma hq de oito páginas já tinha sido um verdadeiro parto, o que dizer de um filme. Engavetei.
O problema era que a história falava alto. Ficava cochichando nos meus ouvidos. Não me deixava dormir. Não me deixava em paz.
E só havia uma maneira, a meu alcance, de dar vazão a isso: a prosa. Mais uma vez, tentei dar sequência na história de Ramiro, Matilda e companhia. Juntei todo o material e comecei a castigar as teclinhas pretas. Saiu um capítulo. Depois outro. E parou. Por motivos que não vêm ao caso, deixei o material de lado.
Mas é aquela história. Recentemente a coceira recomeçou e me vi pensando em lugares, cenas, personagens, etc et al.
Decidi TENTAR (notem a caixa-alta), a partir do ano que vem, escrever um capítulo disso por mês. Para um wannabe normal, acho que não seria tão difícil assim desovar umas três mil palavras a cada trinta dias. Mas, para mim...
Obviamente, esse trabalho vai correr em paralelo com as outras coisas que pretendo publicar (com uma periodicidade menor) no TXT.
A idéia não é postar a história, capítulo a capítulo, mas dar ao leitor um vislumbre da coisa toda. Um capítulo aqui. Um perfil de personagem ali. Um excerto acolá. Uma idéia sendo considerada. Uma notícia. Uma notinha. Um comentário. Um link. Sei lá.
Enfim um, com o perdão do trocadilho, livro aberto (pero no mucho).
LÍNGUAS MORTAS, o primeiro capítulo, está repleto de erros e incongruências. Mas é um esboço , um rascunho, e até o fim da história, muita coisa pode e deve mudar. Como sempre, conto com a opinião de vocês.
[LIBRA] CAP. 1 - LÍNGUAS MORTAS
- Dona Matilda, não é melhor irmos?
- Calma, Gládio. Calma. Acho que hoje ainda vamos conseguir ouvir alguém. Vamos continuar.
- Sim senhora.
Para Ramiro, na hora do almoço, quando o sol bate inclemente e as pessoas inundam as ruas, a cidade parece irreal. Ele está há pelo menos quatro horas caminhando atrás de um emprego, de uma oportunidade, de um vislumbre, de pelo menos uma chance de sair do poço que ele mesmo cavou e que fica mais fundo a cada dia. Seus pés doem, sua cabeça lateja, o suor escorre pelo seu corpo, empapando suas roupas, descendo entre os filetes da pasta plástica que contém um punhado de currículos desatualizados e mal-impressos, que provavelmente terão o efeito contrário do esperado por ele, que, aliás, não teve nenhuma participação na elaboração dos mesmos, deixando o trabalho duro a cargo da filha mais velha, que ainda não passou dos treze anos de idade e dá os primeiros passos no mundo do processamento de textos.
- Quem?
- Mulher, casa dos trinta, aliança na mão direita, vestida casualmente.
- Quando?
- Esquece. Entrou numa loja ali na esquina.
- Certo. Quem?
Um mar de gente. Era essa a analogia que sua cabeça inflamada evocava para o turbilhão de pessoas que pipocava nas ruas, descrevendo movimentos que um dia provavelmente seriam equacionados por matemáticos e físicos, mas que agora só podiam ser explicados como isso, um mar de gente, que ia para lá e para cá, rebentando nas fachadas coloridas dos shoppings, dos centros comerciais, dos bancos, dos restaurantes e das agências de empregos.
- Homem, casa dos quarenta, aliança na mão esquerda. Carregando uma pasta transparente cheia de papéis.
- Quando?
- Agora.
Seu olhar deteve-se numa bunda particularmente redonda e vistosa, e ele quase não viu o paredão formado pelo gigante negro parado à sua frente, acompanhado por uma mulher já madura, que lhe pareceu uma apresentadora de telejornal.
O homem era, literalmente, do tamanho de um armário. Dos bem grandes. A mulher usava óculos escuros enormes, mas que caíam bem em seu rosto. Era uma mulher pequena, magra, contudo, atraente, e em tempos de vacas gordas, Ramiro certamente dispararia uma cantada chula à queima-roupa. Mas o momento não era dos melhores. E havia o gigante.
Então, a mulher falou.
- Senhor, será que podemos nos falar por uns minutos?
Mesmo com todo ranço exalado pela cidade, era possível sentir o cheiro da mulher, um aroma tênue de... rosas.
- Olha, dona, agora não vai dar não.
- Prometo que não vamos tentar vender nada, nem convertê-lo a qualquer religião. É apenas uma pesquisa.
- Que tipo de pesquisa. É pro governo?
- Digamos que tenha cunho social.
- E a opinião do senhor é muito importante para nós. - o gigante pela primeira vez abriu a boca, e disse isso com um trejeito até bonachão, o que, curiosamente, dissipou a atmosfera predatória que o envolvia.
Ramiro só começou a desconfiar quando já tinha passado da terceira cerveja. Os dois estavam bebendo refrigerantes. Os detalhes já tinham ganhado contornos esfumaçados, e até que estava bom. Os dois realmente não tinham, até aquele momento, tentado vender nada, nem convertê-lo a qualquer religião.
Ramiro, com a garganta lubrificada, disparou a falar sobre amenidades, ao passo que os dois, vez ou outra, se entreolhavam, esboçavam sorrisos e teciam algum comentário vago sobre o que quer que estivesse sendo discutido. Quando terminou seu repertório, Ramiro passou a observar os transeuntes, enquanto pensava qual seria o número de garrafas de cerveja necessário para ultrapassar o limite das boas maneiras.
- É tudo por nossa conta, seu Ramiro. Pode ficar tranquilo, certo? - A mulher, que tinha se apresentado como Matilda, quebrou o silêncio.
- Não leva a mal não, dona. Mas é que tô achando essa pesquisa meio estranha.
- Bem, na verdade, estamos tentando quebrar o gelo, porque o assunto sobre o qual iremos falar é, um tanto... como direi? Indigesto.
Os pêlos da nuca dele se eriçaram.
- Como assim?
- Só um momento, Ramiro. Primeiro, vamos às formalidades. O Gládio aqui vai cuidar dos detalhes.
O assistente de Matilda, todo sorriso, abriu a valise que carregava consigo e tirou um formulário.
- Gládio? - e só então Ramiro se deu conta de que ainda não sabia o nome do homem - Desculpa a curiosidade, mas é um nome bem diferente.
Gládio, que preenchia um dos formulários, respondeu, sem tirar os olhos do papel, mas, mesmo assim, parecendo simpático o suficiente.
- Na verdade é sobrenome.
- Ah, tá.
- Pronto.
Gládio olhou para Matilda e em seguida apontou sua arcada dentária imaculadamente branca para Ramiro, que já formulava a hipótese de que, se um homem daquele tamanho não estava quebrando costelas e cabeças num ringue de vale-tudo, só podia ser gay.
- Se o senhor não se importar, claro, vamos necessitar de alguns dos seus dados. Mas nenhum deles é obrigatório, entende. O senhor só vai cedê-los se assim desejar.
Quase dava vontade de rir ouvindo a mulher falar, com seu português empolado.
- Escuta dona Matilda. É... eu vou ganhar alguma coisa com isso?
Gládio se adiantou.
- Pode ser que sim.
- Mas não prometemos nada, certo? - Matilda finalizou, encarando Gládio. Parecia não ter gostado da interrupção do seu assistente.
- Profissão, seu Ramiro?
- Metalúrgico.
- Casado?
- Sim.
- Filhos?
- Dois. Quer dizer, duas.
- Formação?
Ramiro ignorou a última questão. Alguma coisa lhe afligia naquela situação toda e ele ainda não sabia muito bem o quê. Virou-se para Matilda.
- Escuta dona, não leva a mal, mas essa pesquisa é sobre o quê, afinal? Cês me pegaram na rua, me pagaram uma cerva, a gente tava aqui batendo um papo legal. Só que, quando a esmola é muita, o pobre desconfia, né não?
Ao invés de responder, Matilda esticou o braço em direção a Gládio e ficou com a mão estendida, esperando algo que ele já tirava de dentro de sua valise. Ramiro percebeu que a desenvoltura dela o assustava. Gládio depositou nas mãos dela uma pasta-arquivo parda, volumosa e meio surrada pelo manuseio constante.
- Mas o senhor é curioso mesmo, hein? - para Ramiro, o comentário soou mais como um gracejo do que como uma reprimenda, embora a linguagem corporal de Matilda não tenha feito nada para corroborar isso. - Tudo bem. Vamos ao que interessa.
Matilda coloca a pasta na mesa e pousa as duas mãos espalmadas sobre ela.
- Como eu havia dito no caminho até aqui, nossa pesquisa é opinativa. Vamos confrontar o senhor a uma situação... extrema, e, bem, está vendo esta pasta? - Ela deu um tapinha na pasta, para enfatizar a última palavra.
O garçom coloca mais uma garrafa de cerveja na mesa, em frente a Ramiro, que resmunga:
- Pô, dona, é claro que tô! Tá achando que eu sou... hã... desculpa. Desculpa.
Ela esboçou um sorriso fantasmagórico que durou mais do que Ramiro considerava suficiente.
- Tudo bem. Sem problema. Eu convivo muito bem com a minha cegueira.
Ramiro tratou logo de encher seu copo de cerveja, mais uma vez. Embora não fosse fazer muita diferença, ele evitou olhar para ela. Gládio, como sempre, parecia estar em outro planeta.
- Nessa pasta existe um dossiê completo sobre o caso da pedreira, o senhor se lembra? Passou em todos os jornais...
Ela empurrou a pasta na direção de Ramiro.
- Daquela menininha?
Ele ficou olhando para a pasta, como se ela estivesse contaminada com todo tipo de praga altamente infecciosa conhecida pelo homem.
- Sim, ela mesma.
Ele começa a abrir a pasta, mas hesita.
- Olha dona, eu não sei se quero ver isso não, hein?
- Se não quiser olhar, não precisa, seu Ramiro. Mas seria importante para o nosso trabalho.
Ramiro engole em seco e abre a primeira página. Seus batimentos cardíacos aceleram. Ele havia se preparado para ver a coisa mais horrível de sua vida, e um boletim de ocorrência não era bem o que estava esperando. Sem perceber, ele deixa escapar o ar que tinha prendido devido à tensão, o que arranca uma risadinha de Gládio e um dos outros sorrisos macabros de Matilda.
- Ela ficou em cativeiro por dez dias...
Ramiro vai examinando a pasta, lentamente, compenetrado, tentando atravessar todo o léxico jurídico daqueles documentos e, subconscientemente, evitando encontrar qualquer descrição explícita ao que acontecera com a menina.
- ...quando os animais descobriram que a polícia já tinha uma boa pista sobre o caso...
- Minha Virgem Santíssima!!!!
- ... fizeram o que presumo que o senhor esteja vendo nesse exato momento.
A foto era bem nítida e estava solta entre as folhas dos relatórios. Havia outras, mas seus olhos se detiveram nessa. Uma menina com não mais de quatro anos jazia sobre um pedaço de lona preta, ao lado de um buraco aberto na terra. Não era possível ver muito do cenário, mas, pela quantidade de vegetação rasteira, era fácil presumir que a foto foi tirada no matagal onde acharam o corpo. Havia uma cratera no que um dia tinha sido o rostinho da menina. Toda a metade direita do crânio estava afundada. Ela foi morta a marretadas. Ramiro não pôde evitar imaginar como os sequestradores tinham feito aquilo. Teriam eles segurado a criança? Ou simplesmente deram-lhe um golpe, sem que ela percebesse? “E na cabecinha dela, meu Deus do Céu!” O que teria se passado? O estômago dele manifestou-se e, num gesto de asco, ele empurrou a pasta em direção à Matilda.
- Como o senhor deve saber, os sequestradores foram pegos, e tiveram vida curta na prisão. Mas o que ninguém sabe é que o verdadeiro culpado ainda está à solta.
- Como assim?
- A foto dele está na última página.
Ramiro puxa para si a pasta e procura a foto, tomando cuidado para não abrir novamente no laudo da perícia.
- Ele era sócio do pai da criança. Foi ele quem planejou o sequestro e também foi ele quem avisou a polícia.
- Mas que linguarudo filha-da... desculpa, dona.
- Não há de quê, ele é realmente isso que você ia falar. Mas agora finalmente chegamos ao ponto, seu Ramiro.
O álcool já lhe embotava o raciocínio, e a única coisa na qual Ramiro conseguia pensar era no que faria se aquilo tivesse acontecido com uma das suas filhas.
- Se o senhor tivesse os recursos e a oportunidade de punir este homem, o que você faria? Esqueça as leis. Eu quero saber o que Ramiro, homem e pai, faria.
- Olha dona, na minha terra a gente ia pegar um infeliz desses e ia arrancar a língua dele, só pra começar. Não é assim que fazem lá nas arábia?
- Acho que a idéia é a mesma. Então era isso o que o senhor faria mesmo? Esta seria a sua decisão?
- Seria dona. Seria sim.
- Sabe, me ocorreu uma coisa interessante agora...
- O quê?
- Só uma curiosidade. A palavra decisão vem do latim de-cidere. Significa separar, cortar.
- Hã?
- É latim. Uma língua morta, seu Ramiro.
- Pô, dona! Eu sei o que é latim. Eu não tinha era entendido o que a senhora tinha falado.
- Bom, então acho que agora é minha vez de pedir desculpas.
Nesse momento, Gládio desceu da estratosfera e se reintegrou à conversa. Pediu licença a Ramiro, puxou a pasta-arquivo e guardou-a em sua valise. Depois, sem se virar para Matilda, disse:
- Vamos?
- Sim. Acho que já acabamos por aqui. Bem, era só isso, seu Ramiro. Agradecemos a sua cooperação.
Os dois se levantaram e Ramiro ficou apreensivo com a possibilidade de ter que arcar com as despesas sozinho, mas Gládio se dirigiu ao interior do bar, de carteira em punho, e Ramiro conseguiu perceber a troca de notas entre o gigante e o caixa do bar. Matilda ficou parada ao lado da mesa, como uma estátua, fitando (metaforicamente, é claro) algum ponto oculto no horizonte. Assim que Gládio se aproximou, Matilda, como se tivesse feito um movimento ensaiado, alinhou-se à ele e começou a andar, em direção ao centro da cidade. Após dar uns poucos passos, ela se virou, apontando as lentes escuras enormes em direção de Ramiro e disse.
- Obrigada, mais uma vez.
E, mais uma vez, a temperatura do sangue dele ficou abaixo de zero. Depois, quando ela estava de costas, Ramiro finalmente conseguiu divisar os contornos de uma bundinha que ainda deveria estar bem firme. E isso foi suficiente para afastar as impressões negativas que veio colecionando ao longo da tarde.
***
Ramiro não tinha comentado com a esposa a entrevista do dia anterior. Pelo menos, não aquela. Na verdade, o acontecimento já tinha sido quase que totalmente eclipsado por necessidades mais urgentes, a saber, um emprego.
Sobre a mesa da sala, havia várias páginas de jornal. Os classificados, obviamente. Havia anúncios circulados em amarelo, outros marcados com um "x" vermelho, outros cobertos de verde, e várias outras combinações possíveis entre as cores e formas, que constituíam a simbologia do desespero desse homem. Com uma caneta pendurada na orelha e alguns pincéis coloridos nas mãos, ele observava tudo da mesma maneira que um general vislumbra o mapa do terreno onde fará seu próximo ataque.
O fato de não ter que pagar aluguel era uma das poucas coisas que mantinha Ramiro a uma distância saudável (mas cada vez menor) de um infarto. Desempregado havia dois anos, ele e Cida viviam dos bicos que ambos faziam. Eles souberam administrar o dinheiro da rescisão de Ramiro e atacavam em duas frentes: Cida era confeiteira competente e nunca ficava sem trabalho. Ele tinha comprado uma Kombi usada e a princípio tinha tentado a sorte no ramo dos transportes ilegais, mas a fiscalização e as máfias foram eficazes em abreviar seu empreendimento. Por fim, ele pregou algumas folhas impressas na velha jato-de-tinta, onde podia-se ler FAZ-SE CARRETO em letras um tanto quanto coloridas, outra das obras de Vivian. Na verdade, as coisas nem estavam tão ruins, por assim dizer. As contas estavam sob controle (homem que não tem dívida não é homem era um dos seus mantra pessoais), mas a simples perspectiva de que as tudo pudesse dar para trás de uma hora para outra era demais para ele, o que tornava quase religiosa sua obsessão por um emprego fichado.
A casa tinha sido projetada e construída por ele mesmo, o que significava que boa parte dos preceitos básicos da arquitetura tinham sido desconsiderados. A luz costumava vir por ângulos estranhos, a chuva se empoçava em locais específicos da laje e as instalações elétricas vez ou outra presenteavam os habitantes com choques na válvula do chuveiro e sabe-se lá mais onde. De qualquer maneira, isso era o que menos lhe importava. A casa própria, erguida contra todas probabilidades, funcionava como uma espécie de talismã auto-afirmativo. Ele costumava pensar que, se pôde fazer aquilo, poderia fazer qualquer coisa.
As duas gestações de Cida tinham deixado sua marca e ela não era mais a mulher esbelta que Ramiro conhecera muitos anos antes. Mas, mesmo depois desse tempo todo, ele continuava achando sua mulher muito atraente, embora nunca verbalizasse isso, nem sob tortura
- E aí, cê acha que vai conseguir alguma coisa logo?
- Vou sim, minha nega, acho que vou sim. Quem sabe hoje eu não consigo alguma coisa?
A campainha tocou.
- Deixa que eu atendo. - ela se dirigiu à porta, enxugando as mãos num pedaço de pano velho. Passados alguns minutos, ela retornou, carregando uma caixa embrulhada em papel pardo.
- Cê encomendou alguma coisa?
- Não. Porquê?
- Essa caixa tá com o seu nome.
- Pra mim? Ué?
- Bonita, né? Quem será que mandou?
Fora o nome e endereço de Ramiro, não havia mais nenhuma indicação na caixa. Ele ficou contemplando o embrulho, tentando puxar da memória quem poderia ter mandado aquilo, ou que data especial poderia ser o dia de hoje. Então lhe ocorreu que poderia ser o prêmio que Matilda disse que talvez ganhasse. Decidiu que não comentaria nada, por enquanto. Cida era uma mulher pacata, mas seu humor poderia se transformar completamente caso ela soubesse que o marido tinha bebido cerveja com uma mulher. Mesmo que a mulher estivesse acompanhada por um dos maiores homens que ele já tinha visto, mesmo que fosse só uma pesquisa (estranha, é verdade), mesmo que a imagem da criança com o rosto esmagado tenha escapado dos recônditos de sua memória como uma erupção vulcânica.
- Cê não vai abrir?
- Vou sim.
Ela trouxe uma faca de manteiga e ele começou a abrir o embrulho. Abaixo do papel de embrulho, havia o papelão em si, muito bem lacrado com fita-adesiva e sem nenhum adereço que indicasse a sua procedência. Ramiro ficou intrigado. A caixa era leve. Ele chacoalhou e percebeu que havia alguma coisa solta lá dentro. Aparentemente, seu prêmio não passaria de um brinde. O que seria? Uma agenda?
Um conjunto de canetas? Um calculadora? A espera deixava Cida cada vez mais angustiada e ela rodeava o marido num misto de atração e reverência, como uma mosca ao redor de uma lâmpada incandescente.
Ramiro passou a faca pelo adesivo que mantinha a caixa lacrada e viu o que havia lá dentro antes que o cheiro chegasse às suas narinas.
- Minha Virgem Santíssima!!!
Ele arremessou a caixa num canto da sala, fazendo com que seu conteúdo ficasse esparramado no chão.
Cida, ainda movida pela curiosidade, se aproximou do objeto, mas desviou a rota assim que percebeu do que se tratava, indo vomitar no quintal.
Ramiro ficou estático, tremendo. Não sabia o que fazer. Ouvia sua mulher devolver a comida e teve vontade de lhe perguntar o que acontecia, mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Ela voltou, meio receosa, como se o que quer que estivesse dentro da caixa fosse criar vida e sair correndo atrás dela. Ambos se aproximaram, bem devagar, protegendo as narinas.
- Quê que é isso, Miro?
- Acho que é uma... língua.
P.S.: Para os curiosos, as palavras em azul marcam os trechos que estão com comentários no arquivo original.
MOTOMAN COZINHEIRO
E agora, ele montando uma câmera (e quando eu penso que não pode haver mais nenhuma bizarrice na tv japonesa).
Quando as fabricantes tradicionais de robôs industriais começam a entrar na brincadeira, é porque tem coelho nesse mato.
A propósito, eu já programei uns ancestrais desses caras.
(Roubei tudo no Engadget)
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