BANG BANG
Grata surpresa este álbum binacional, lançado primeiro nos states pra só depois dar as caras aqui. Já se falou muito dele pela rede, então vamos deixar de rodeios.
Como toda coletânea, a qualidade é heterogênea, mas o resultado final é mais do que satisfatório, principalmente no quesito arte. A distribuiçao das histórias está harmônica, com as quatro hqs grandes intercaladas pelas seis menores.
Das grandes, gostei muito de RIO ABAIXO, com roteiro de Ricardo Giassetti e arte de Fábio Cobiaco, e principalmente de UMA NOVA LIBERDADE, com texto Jeremy Nilsen e arte de Jefferson Costa, protagonizado pelo famoso escapista Harry Houdini. Muito legal.
Das menores, A PEIXARIA DA FAMÍLIA LAO, de Rafael Grampá é simplesmente fantástica, 4 páginas numa narrativa silenciosa com um traço belíssimo, que lembra muito - mas não emula - Geoff Darrow.
A CAIXA DE AREIA
Árido como o deserto habitado por Carlton e Kleiton. Só posso dizer isso da mais nova hq de Lourenço Mutarelli. Interessante é que todas as resenhas que li até então davam a impressão que o autor tava numa fase mais light, e uma página que vi na rede - a 19, para se mais exato – me convenceu mesmo dessa balela. Tudo mentirinha. Mutarelli, aqui, abandonou (ou apenas deixou de lado) as gorezices com as quais costumava povoar suas hqs, mas não perdeu a mão quando o assunto é causar aquele desconforto, aquele friozinho na barriga ao final da leitura, algo que domina tão bem. Mas a função da arte, ou Arte, ou ARTE, ou, whatever, é despertar emoções, não é mesmo?
Gostei do formato escolhido, gostei da história, gostei do traço e do acabamento interior, mas a devir continua ca#$%do no p#* no que diz respeito às capas. Não, não é da ilustração que tô falando, mas da qualidade gráfica mesmo. Porra, nem uma orelhinha!
HATTER M 1
Essa é uma daquelas compras circunstanciais que você acaba adorando ter feito. Comprei simplesmente por que tinha dinheiro na ocasião, e por causa da arte de Ben Templesmith. Se não tivesse a grana na hora, certamente não teria voltado para pegá-la quando os caraminguás surgissem.
Pelo que entendi, essa hq é uma espécie de interlúdio da série de livros THE LOOKING GLASS WARS. A premissa é pra lá de interessante: Hatter Madigan, o Hatter M. do título (um trocadilho óbvio com Mad Hatter, Chapeleiro Louco) é um garda-costas real, cuja missão era proteger a princesa Alyss, do País das Maravilhas, que agora está perdida em nosso mundo. Sim, é uma distorção da obra de Lewis Carrol, que também entra na jogada, através da Lewiss Carrol Society, grupo que sabe da existência do País das Maravilhas, mas quer a todo custo esconder o segredo da humanidade, através da, tá-dá!, ficção.
A história da hq começa com Hatter Madigan chegando em nosso mundo, à procura da princesa. O cara é um tipo de super-espadachim, que faz lâminas brotarem de todas as aberturas de seu casaco, cuja principal arma é o chapéu semi-sensciente, que se transforma em uma lâmina-bumerangue-com-cara-de-molusco bem esquisita. Além disso, pode ver o “creative glow” das pessoas e dos objetos, ou seja, coisas ou pessoas criativas são como faróis para ele. Hilária a parte onde um jovem Júlio Verne é confundido por ele com Leonardo da Vinci. A propósito, tudo se passa na Paris de 1859. Mas não se engane, em “nosso” mundo, mágos picaretas podem despertar zumbis antropófagos e coisas do tipo.
O roteiro é de Liz Cavalier e Frank Bedor, autor dos livros originais. E a arte, fodassa, é do Ben Templesmith. A edição tá muito bonita, tendo direito, inclusive, a excertos fictícios (um em francês!) de jornais da época.
Aqui tem uma entrevista com Frank Bedor.
E aqui, um preview da edição 2.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
MANHWA??? QUÊ ISSO TIO? É DE COMER OU DE PASSAR NO CABELO?
Quando CONCHU, o primeiro manhwa chegou ao Brasil, houve certo estardalhaço, mas não dei muita bola, pelo tema, que não me interessa muito. Mas foi engraçado saber num dia que uma editora estaria lançando somente este tipo de quadrinho em solo tupiniquim (ou melhor, focando sua linha editorial nesse produto) e, já no outro, encontrar exemplares dos seus dois primeiros títulos em tudo quanto é banca por onde passei. Até em parada de ônibus em beira de estrada eu vi.
E não deixa de ser curioso o fato de uma nova editora, a LUMUS, já ir chegando de sola no mercado, lançando dois títulos coreanos com distribuição da Chinaglia, assim, na velocidade da luz. Mas eu até fico feliz com isso, sabe? Um mercado ativo de hqs pode ser um bom sinal e significar oportunidades pro pessoal aqui da terrinha também.
Deixa eu sonhar, tá?
Bom, voltando ao que interessa, não existe nada que chame muito a atenção nos dois títulos iniciais da LUMUS.
PRIEST vai na linha do faroeste-sombrio, que não é necessariamente novidade: Mágico Vento, Jonah Rex do Lansdale e do Tim Truman, outras hqs do Lansdale, alguns rpgs e por aí vai. Ivan Isaacs vendeu a alma ao tinhoso pra poder voltar do mundo dos mortos e resolver umas pendengas por aqui. Sei que você já viu isso por aí, mas se a premissa fosse tão ruim assim, não tava sendo usada até hoje, peixe.
Hyung Min-Woo tem um traço bastante característico, frenético, e a parte visual me lembrou um pouco Hellsing, aquele anime doidão que passa no Animax. Além disso, a estrutura da história já foi entregue de bandeja na mandala que recorre durante todo o volume. Tipo video-game, tá ligado?
Gostei.
Já PLANET BLOOD não caiu muito em minhas graças. Talvez por tornar-se uma fantasia medieval bem da previsível após as primeiras vinte páginas (não parei pra contar, mas estimo que este primeiro volume tenha lá suas duzentas). Como já falei lá em cima, não sou muito chegado em fantasia não senhor. Existem as exceções, evidentemente, mas a balança aqui costuma pesar contra esse gênero específico.
O traço de Kim Tae-Hyung já é bem menos nervoso que o de seu companheiro aí de cima, e os desenhos são até bonitinhos, mas não desceu muito não.
O engraçado é que, pela proximidade geográfica e cultural, fica difícil dissociar esses quadrinhos de seus vizinhos japoneses, mesmo que as diferenças estejam a olhos vistos (Sacaram? Sacaram?).
E não deixa de ser curioso o fato de uma nova editora, a LUMUS, já ir chegando de sola no mercado, lançando dois títulos coreanos com distribuição da Chinaglia, assim, na velocidade da luz. Mas eu até fico feliz com isso, sabe? Um mercado ativo de hqs pode ser um bom sinal e significar oportunidades pro pessoal aqui da terrinha também.
Deixa eu sonhar, tá?
Bom, voltando ao que interessa, não existe nada que chame muito a atenção nos dois títulos iniciais da LUMUS.
PRIEST vai na linha do faroeste-sombrio, que não é necessariamente novidade: Mágico Vento, Jonah Rex do Lansdale e do Tim Truman, outras hqs do Lansdale, alguns rpgs e por aí vai. Ivan Isaacs vendeu a alma ao tinhoso pra poder voltar do mundo dos mortos e resolver umas pendengas por aqui. Sei que você já viu isso por aí, mas se a premissa fosse tão ruim assim, não tava sendo usada até hoje, peixe.
Hyung Min-Woo tem um traço bastante característico, frenético, e a parte visual me lembrou um pouco Hellsing, aquele anime doidão que passa no Animax. Além disso, a estrutura da história já foi entregue de bandeja na mandala que recorre durante todo o volume. Tipo video-game, tá ligado?
Gostei.
Já PLANET BLOOD não caiu muito em minhas graças. Talvez por tornar-se uma fantasia medieval bem da previsível após as primeiras vinte páginas (não parei pra contar, mas estimo que este primeiro volume tenha lá suas duzentas). Como já falei lá em cima, não sou muito chegado em fantasia não senhor. Existem as exceções, evidentemente, mas a balança aqui costuma pesar contra esse gênero específico.
O traço de Kim Tae-Hyung já é bem menos nervoso que o de seu companheiro aí de cima, e os desenhos são até bonitinhos, mas não desceu muito não.
O engraçado é que, pela proximidade geográfica e cultural, fica difícil dissociar esses quadrinhos de seus vizinhos japoneses, mesmo que as diferenças estejam a olhos vistos (Sacaram? Sacaram?).
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1.5
A parte 2 tá demorando, eu sei, mas ainda não consegui ler o material que está programado para dar as caras por lá. Em compensação, consegui colocar minhas mãos em mais hqs argentinas. Encontrei um encadernado com a primeira parte de BORDERLINE, hq cyberpunk de Trillo e Risso - que a Dynamic Forces ficou de lançar isso nos states ano passado - assim como um compilado de UN TAL DANERI, de Trillo e Breccia Pai, com várias hqs, textinho introdutório e seção de bocetos (esboços, seus malandrinhos). De qualquer maneira, os comentários virão só depois. O que interessa no momento é que também consegui algumas edições mais recentes de revistas que eu havia comentado na parte 1.
BASTION UNLIMITED 3 e 4
Edição 3
O mix é o mesmo, com a adição de mais uma série, ANGELA DE LA MORTE, e de outra historinha tapa-buracos, PASOS DE COMEDIA.
Das hqs importadas, a revista traz três hqs curtinhas de SIN CITY: O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO e E ATRÁS DA PORTA NÚMERO TRÊS..., que já foram publicadas por aqui, no especial A DAMA DE VERMELHO, que a funesta Pandora lançou em 2000, e uma outra, com os dois assassinos eruditos Fat Man e Little Boy. Essa eu não sei se saiu (trava língua para notívagos) no Brasil. Note que eu parei de acompanhar a série na época da Pandora. Também tem a metade da segunda edição original de CHOSEN, em p&b, que vai ser publicada pela Mythos, conforme anunciado.
Já na produção nacional (deles), temos, como eu disse lá em cima , PASOS DE COMEDIA, com roteiro de Roberto Andrés Pulitano e arte de Rodrigo Luján, que não é ruim, de qualquer maneira. É uma história quase muda, ao que parece baseada num caso real. O roteiro é preciso, e o traço de Luján agrada. Mas faltou algo.
O segundo capítulo de DALLILAH continua chamando mais atenção pelos desenhos do que pelo roteiro.
Contudo, no também segundo capítulo de EL HOMBRE PRIMORDIAL, a história é outra, com o perdão do trocadilho. Os roteiros de Mauro Mantella já tinham caído no meu gosto desde o primeiro capítulo, mas nesse aqui fica claro que o cara tem é talento mesmo. Além disso, o traço de German Erramouspe não fica atrás e o cara mostra serviço. Nesse capítulo, Máximo Redland, o Homem Primordial, descobre um pouco mais sobre seus poderes, além de ter um encontro inusitado na última página. Mas esse capítulo serve apenas de prelúdio para o que vem na sequência.
E a surpresa ficou para ANGELA DE LA MORTE, escrita e desenhada por Salvador Sansz. É uma versão cyberpunk de LINHA MORTAL (lembra desse?) e acho que não há melhor maneira de explicar do que copiar aqui a recapitulação que está no segundo capítulo, na edição 4.
Para leer esta historieta, usted debe enterarse de los tres descubrimientos que realizó el Doctor Sibeliuz:
1) Mediante un procedimiento médico, se puede separar el alma del cuerpo y tanspantarla a otro cuerpo con vida, pero sin alma: um desalmado.
2) El alma fuera del cuerpo sólo sobrevive durante 35 minutos, a causa del tercer descubrimiento.
3) La muerte existe como forma de vida, y se mueve en su proprio ecosistema, donde es el máximo predador: se alimenta de las almas que vagan fuera del cuerpo. 35 minutos es el tiempo que tarda en encontrarlas.
Esse primeiro capítulo serve de introdução para a série, que pode ser resumida como: “agentes secretos têm suas almas trocadas de corpo, cumprem as missões, dão o fora dos seus corpos de mentirinha (invariavelmente através do suicídio) e tratam de voltar rapidinho pros corpos originais, antes que a morte, que parece mais uma água-viva ectoplásmica, inclua-os no cardápio do dia”.
Parece ridículo, mas não ficou não, viu?
Interessante é o modo como as agências rivais induzem a quase-morte dos seus agentes: a primeira, da qual Angela faz parte, opta por uma forca high-tech. A segunda já utiliza algo que parece uma banheira.
Em tempo 1: esqueci de comentar que tem materiazinha sobre o Conan.
Edição 4
De novo, do lado de lá, mais duas curtinhas de SIN CITY. A FILHINHA DO PAPAI e RATOS. A primeira publicada no especial APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO (e, curiosamente, suprimiram as poucas cores nessa versão), a segunda, não faço a mínima idéia se teve versão nacional ou não. Mais um capítulo de CHOSEN, equivalente à segunda metade da segunda edição original.
E do lado argentino, o derradeiro capítulo de DALLILAH, que já foi tarde.
Na terceira parte (de 6, conforme anunciado) de EL HOMBRE PRIMORDIAL, Máximo, após descobrir que é a 457º reencarnação de Adão - e eu só contei isso porque tá lá no release da editora - começa a se interar mais de seu papel na trama, que começa, vejam só, no Brasil. Eu tô babando o ovo dessa dupla, porque os caras sabem o que fazem, desde os pequenos detalhes, como, por exemplo, o símbolo da maçã, que teima em aparecer de tudo quanto é jeito justo na história onde Max descobre-se uma versão moderna de Adão, até na pesquisa, onde Mantella desfia uma teoria bíblica que não sei se tirou de algum evangelho apócrifo ou de sua cabeça. De um jeito, ou de outro, é interessante assim mesmo. E a construção da histórias, sempre em 12 páginas, que valem mais do que muita de 22 que se vê por aí. Recomendo, e recomendo de novo.
ANGELA DE LA MORTE, também tem estrutura fixa, 11 páginas por história. Nessa história, conhecemos um pouco do passado de Angela, além de ser introduzido mais um antagonista. E, pra completar, tem gancho no final. É esperar pra ver.
Em tempo 2: esqueci de comentar que tem materiazinha bacana sobre o Aeon Flux (as animações e o filme).
VÍRUS 3
Dizem minhas fontes portenhas que foi a derradeira e no site da editora já não há menção ao título. E eu até entendo o motivo.
O problema, a meu ver, foi que eles insistiram na fórmula que acreditavam ser seu maior mérito, mas que eu sempre vi como ponto fraco: a diversidade. Ter um leque variado, mas dentro de gêneros que costumam andar de mãos dadas, como terror+ficção, ou fantasia+ficção, por exemplo, é muito mais proveitoso do que se enfiar numa revista qualquer hq que dê na veneta dos editores. Pô, nessa edição tem hq de humor, terror trash, terror que se diz sério mas também é trash, fantasia medieval, fantasia gótica (alguém aí disse Vertigo?), espionagem, policial, ficção científica, drama e sei lá mais o quê. Já gostei muito de revistas que também serviam esse tipo de salada (ANIMAL, CIRCO, etc), mas hoje não me descem muito bem.
Várias hqs estão de volta: ABBADON apareceu no número 1, assim como EL EFECTO RAMSES, ANGIE e MOTOQUERO. IMPERIO SOLAR (que eu gostei), já tinha aparecido no número 2 e Q-BIL, MIL NAVES FANTASMAS e ESLABONES são séries regulares.
Uma, que eu achei bacana, justamente por chutar o pau da barraca, foi BOWLING SANGRIENTO, texto e desenhos de Setro. ESLABONES, de Mr. Exes, também mantém o ritmo.
Além disso, a edição conta com uma matéria sobre a trajetória dos Ramones nas hqs.
Se a revista tiver acabado mesmo, é pena, porque é um espaço a menos. Mas é interessante notar como as grandes editoras, sejam daqui, sejam de lá, sempre metem os pés pelas mãos quando querem entrar de sola no mercado de quadrinhos.
Em tempo 3: E a capa seguiu o padrão boazuda photoshopada. Trabalho constrangedoramente ruim, se querem saber.
Em tempo 4: Na verdade, a matéria não fala da trajetória dos Ramones nas hqs, e sim de hqs que contam a trajetória dos Ramones, mais precisamente a coleção WEIRD TALES OF THE RAMONES, lançada ano passado num box chiquérrimo com cds, dvd e o escambau. Viu como a ordem dos fatores altera o resultado?
BASTION UNLIMITED 3 e 4
Edição 3
O mix é o mesmo, com a adição de mais uma série, ANGELA DE LA MORTE, e de outra historinha tapa-buracos, PASOS DE COMEDIA.
Das hqs importadas, a revista traz três hqs curtinhas de SIN CITY: O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO e E ATRÁS DA PORTA NÚMERO TRÊS..., que já foram publicadas por aqui, no especial A DAMA DE VERMELHO, que a funesta Pandora lançou em 2000, e uma outra, com os dois assassinos eruditos Fat Man e Little Boy. Essa eu não sei se saiu (trava língua para notívagos) no Brasil. Note que eu parei de acompanhar a série na época da Pandora. Também tem a metade da segunda edição original de CHOSEN, em p&b, que vai ser publicada pela Mythos, conforme anunciado.
Já na produção nacional (deles), temos, como eu disse lá em cima , PASOS DE COMEDIA, com roteiro de Roberto Andrés Pulitano e arte de Rodrigo Luján, que não é ruim, de qualquer maneira. É uma história quase muda, ao que parece baseada num caso real. O roteiro é preciso, e o traço de Luján agrada. Mas faltou algo.
O segundo capítulo de DALLILAH continua chamando mais atenção pelos desenhos do que pelo roteiro.
Contudo, no também segundo capítulo de EL HOMBRE PRIMORDIAL, a história é outra, com o perdão do trocadilho. Os roteiros de Mauro Mantella já tinham caído no meu gosto desde o primeiro capítulo, mas nesse aqui fica claro que o cara tem é talento mesmo. Além disso, o traço de German Erramouspe não fica atrás e o cara mostra serviço. Nesse capítulo, Máximo Redland, o Homem Primordial, descobre um pouco mais sobre seus poderes, além de ter um encontro inusitado na última página. Mas esse capítulo serve apenas de prelúdio para o que vem na sequência.
E a surpresa ficou para ANGELA DE LA MORTE, escrita e desenhada por Salvador Sansz. É uma versão cyberpunk de LINHA MORTAL (lembra desse?) e acho que não há melhor maneira de explicar do que copiar aqui a recapitulação que está no segundo capítulo, na edição 4.
Para leer esta historieta, usted debe enterarse de los tres descubrimientos que realizó el Doctor Sibeliuz:
1) Mediante un procedimiento médico, se puede separar el alma del cuerpo y tanspantarla a otro cuerpo con vida, pero sin alma: um desalmado.
2) El alma fuera del cuerpo sólo sobrevive durante 35 minutos, a causa del tercer descubrimiento.
3) La muerte existe como forma de vida, y se mueve en su proprio ecosistema, donde es el máximo predador: se alimenta de las almas que vagan fuera del cuerpo. 35 minutos es el tiempo que tarda en encontrarlas.
Esse primeiro capítulo serve de introdução para a série, que pode ser resumida como: “agentes secretos têm suas almas trocadas de corpo, cumprem as missões, dão o fora dos seus corpos de mentirinha (invariavelmente através do suicídio) e tratam de voltar rapidinho pros corpos originais, antes que a morte, que parece mais uma água-viva ectoplásmica, inclua-os no cardápio do dia”.
Parece ridículo, mas não ficou não, viu?
Interessante é o modo como as agências rivais induzem a quase-morte dos seus agentes: a primeira, da qual Angela faz parte, opta por uma forca high-tech. A segunda já utiliza algo que parece uma banheira.
Em tempo 1: esqueci de comentar que tem materiazinha sobre o Conan.
Edição 4
De novo, do lado de lá, mais duas curtinhas de SIN CITY. A FILHINHA DO PAPAI e RATOS. A primeira publicada no especial APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO (e, curiosamente, suprimiram as poucas cores nessa versão), a segunda, não faço a mínima idéia se teve versão nacional ou não. Mais um capítulo de CHOSEN, equivalente à segunda metade da segunda edição original.
E do lado argentino, o derradeiro capítulo de DALLILAH, que já foi tarde.
Na terceira parte (de 6, conforme anunciado) de EL HOMBRE PRIMORDIAL, Máximo, após descobrir que é a 457º reencarnação de Adão - e eu só contei isso porque tá lá no release da editora - começa a se interar mais de seu papel na trama, que começa, vejam só, no Brasil. Eu tô babando o ovo dessa dupla, porque os caras sabem o que fazem, desde os pequenos detalhes, como, por exemplo, o símbolo da maçã, que teima em aparecer de tudo quanto é jeito justo na história onde Max descobre-se uma versão moderna de Adão, até na pesquisa, onde Mantella desfia uma teoria bíblica que não sei se tirou de algum evangelho apócrifo ou de sua cabeça. De um jeito, ou de outro, é interessante assim mesmo. E a construção da histórias, sempre em 12 páginas, que valem mais do que muita de 22 que se vê por aí. Recomendo, e recomendo de novo.
ANGELA DE LA MORTE, também tem estrutura fixa, 11 páginas por história. Nessa história, conhecemos um pouco do passado de Angela, além de ser introduzido mais um antagonista. E, pra completar, tem gancho no final. É esperar pra ver.
Em tempo 2: esqueci de comentar que tem materiazinha bacana sobre o Aeon Flux (as animações e o filme).
VÍRUS 3
Dizem minhas fontes portenhas que foi a derradeira e no site da editora já não há menção ao título. E eu até entendo o motivo.
O problema, a meu ver, foi que eles insistiram na fórmula que acreditavam ser seu maior mérito, mas que eu sempre vi como ponto fraco: a diversidade. Ter um leque variado, mas dentro de gêneros que costumam andar de mãos dadas, como terror+ficção, ou fantasia+ficção, por exemplo, é muito mais proveitoso do que se enfiar numa revista qualquer hq que dê na veneta dos editores. Pô, nessa edição tem hq de humor, terror trash, terror que se diz sério mas também é trash, fantasia medieval, fantasia gótica (alguém aí disse Vertigo?), espionagem, policial, ficção científica, drama e sei lá mais o quê. Já gostei muito de revistas que também serviam esse tipo de salada (ANIMAL, CIRCO, etc), mas hoje não me descem muito bem.
Várias hqs estão de volta: ABBADON apareceu no número 1, assim como EL EFECTO RAMSES, ANGIE e MOTOQUERO. IMPERIO SOLAR (que eu gostei), já tinha aparecido no número 2 e Q-BIL, MIL NAVES FANTASMAS e ESLABONES são séries regulares.
Uma, que eu achei bacana, justamente por chutar o pau da barraca, foi BOWLING SANGRIENTO, texto e desenhos de Setro. ESLABONES, de Mr. Exes, também mantém o ritmo.
Além disso, a edição conta com uma matéria sobre a trajetória dos Ramones nas hqs.
Se a revista tiver acabado mesmo, é pena, porque é um espaço a menos. Mas é interessante notar como as grandes editoras, sejam daqui, sejam de lá, sempre metem os pés pelas mãos quando querem entrar de sola no mercado de quadrinhos.
Em tempo 3: E a capa seguiu o padrão boazuda photoshopada. Trabalho constrangedoramente ruim, se querem saber.
Em tempo 4: Na verdade, a matéria não fala da trajetória dos Ramones nas hqs, e sim de hqs que contam a trajetória dos Ramones, mais precisamente a coleção WEIRD TALES OF THE RAMONES, lançada ano passado num box chiquérrimo com cds, dvd e o escambau. Viu como a ordem dos fatores altera o resultado?
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
ROSENROT
Não fosse pelo Kenji, eu não saberia, muito menos teria ouvido, a nova pedrada do Rammstein.
Bão demais da conta, as always.
Bão demais da conta, as always.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
domingo, 1 de janeiro de 2006
HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1
Em minhas andanças pelo lado de lá do Rio da Prata, uma das coisas com que me encasquetei foi saber mais sobre o quadrinho argentino, e nada melhor do que uma pesquisa de campo (eufemismo para “torrar todo o meu rico dinheirinho!”), mas o tempo exíguo e minha total inépcia em localizar o equivalente de uma comic shop (a título de curiosidade: lá se chamam comiquerias) em tempo hábil não me deixaram ir fundo em minha empreita, para o bem do meu orçamento doméstico, seja dita a verdade.
Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.
A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)
VIRUS
A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.
Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.
Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.
Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:
1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.
Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.
PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.
ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.
EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.
Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.
A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.
Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.
BASTION COMIX
A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.
De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.
Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.
Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.
A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.
DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.
E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.
CALLEJONES ROJOS
Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.
Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.
Bom, por hoje é só.
Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.
Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.
A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)
VIRUS
A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.
Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.
Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.
Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:
1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.
Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.
PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.
ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.
EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.
Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.
A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.
Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.
BASTION COMIX
A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.
De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.
Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.
Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.
A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.
DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.
E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.
CALLEJONES ROJOS
Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.
Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.
Bom, por hoje é só.
Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.
OROBORO
Este outro blog vai ser uma tentativa de concatenar meus pensamentos de maneira palatável a mim e a eventuais leitores.
A bola da vez será aquela velha paixão platônica que vocês já devem estar carecas de saber qual é: quadrinhos.
Ele vai servir de abrigo pruma série de textos pseudojornalísticos (matérias, uma...a-hã...coluna e talvez entrevistas) que vão dar as caras ao longo do ano, e sei que poderia fazer isso tudo aqui mesmo, mas o blogsome tem algumas vantagens em relação ao blogger (como sistema de categorização e busca já vinculados) e eu também fiquei curioso pra saber como funciona o bichinho.
O Urobouro tem valor sentimental (já entrou no quarto ano, pô!), então minhas lamentações, pitacos, achismos e piadas sem graça ainda continuam por aqui, valeu?
A propósito, já é tarde para dar Feliz Ano Novo?
A bola da vez será aquela velha paixão platônica que vocês já devem estar carecas de saber qual é: quadrinhos.
Ele vai servir de abrigo pruma série de textos pseudojornalísticos (matérias, uma...a-hã...coluna e talvez entrevistas) que vão dar as caras ao longo do ano, e sei que poderia fazer isso tudo aqui mesmo, mas o blogsome tem algumas vantagens em relação ao blogger (como sistema de categorização e busca já vinculados) e eu também fiquei curioso pra saber como funciona o bichinho.
O Urobouro tem valor sentimental (já entrou no quarto ano, pô!), então minhas lamentações, pitacos, achismos e piadas sem graça ainda continuam por aqui, valeu?
A propósito, já é tarde para dar Feliz Ano Novo?
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
A CONSPIRAÇÃO NATIMORTA
Não existe, peixe. Foi só pra chamar sua atenção mesmo.
Mas, se liga.
Lourenço Mutarelli já lançou três romances, O CHEIRO DO RALO, O NATIMORTO e JESUS KID. Contudo, os maiores sites de quadrinhos ignoram solenemente o segundo.
Por quê?
Embora seja apenas fruto da minha imaginação, a resposta parece ser óbvia: a DEVIR, que publica o CHEIRO e JESUS também possui um vasto catálogo de quadrinhos, e, provavelmente, os romances devem ter ido em algum dos pacotes de cortesia que eles certamente enviam pros editores desses sites. Nem no site oficial do artista (hospedado dentro do site da Devir, diga-se) existe menção ao livro.
Já a DBA, editora com um catálogo mais, hmmm..., sofisticado, deve estar de olho em outra fatia de público, e nem deve ter se lembrado dos antigos fãs do Mutarelli.
Mas, de quem seria a visão estreita, afinal?
Dos editores dos sites, por não terem divulgado esse trabalho somente por ter sido publicado por uma casa que não tem nada a ver com hqs? Ou, pior ainda (e isso é a mais pura conjectura maldosa de minha parte, preste atenção), por não terem ganhados seus exemplares na faixa?
Ou da própria DBA, que não se tocou nos potenciais consumidores desse produto em especial?
E aí?
Hã?
Hã?
Mas, se liga.
Lourenço Mutarelli já lançou três romances, O CHEIRO DO RALO, O NATIMORTO e JESUS KID. Contudo, os maiores sites de quadrinhos ignoram solenemente o segundo.
Por quê?
Embora seja apenas fruto da minha imaginação, a resposta parece ser óbvia: a DEVIR, que publica o CHEIRO e JESUS também possui um vasto catálogo de quadrinhos, e, provavelmente, os romances devem ter ido em algum dos pacotes de cortesia que eles certamente enviam pros editores desses sites. Nem no site oficial do artista (hospedado dentro do site da Devir, diga-se) existe menção ao livro.
Já a DBA, editora com um catálogo mais, hmmm..., sofisticado, deve estar de olho em outra fatia de público, e nem deve ter se lembrado dos antigos fãs do Mutarelli.
Mas, de quem seria a visão estreita, afinal?
Dos editores dos sites, por não terem divulgado esse trabalho somente por ter sido publicado por uma casa que não tem nada a ver com hqs? Ou, pior ainda (e isso é a mais pura conjectura maldosa de minha parte, preste atenção), por não terem ganhados seus exemplares na faixa?
Ou da própria DBA, que não se tocou nos potenciais consumidores desse produto em especial?
E aí?
Hã?
Hã?
BOILING POINT
segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
QUASE 100.000 REAIS
É a bagatela que nossos ilustríssimos deputados vão faturar pelo ócio criativo dos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
Também, num país onde há MOVIMENTO de magistrados A FAVOR do NEPOTISMO, não era de se esperar o contrário.
Sabe de uma coisa? Me sinto cada vez mais um personagem secundário de algum conto do Philip K. Dick. Deve ser porque está passando MINORITY REPORT na tv, hoje.
Também, num país onde há MOVIMENTO de magistrados A FAVOR do NEPOTISMO, não era de se esperar o contrário.
Sabe de uma coisa? Me sinto cada vez mais um personagem secundário de algum conto do Philip K. Dick. Deve ser porque está passando MINORITY REPORT na tv, hoje.
OS 9 DIAS DE SODOMA E GOMORRA
Começaram no sábado.
9 dias ininterruptos com o restante do clã?
Confere
9 dias sem por os pés em nenhuma fábrikkka?
Confere
9 dias para acumular mais um monte de tecido adiposo em frente à tv?
Confere
9 dias para tirar a poeira da papelada e chacoalhar os neurônios?
Confere
9 dias sem me preocupar com horários?
Confere
Mas que podiam ser 120, podiam.
9 dias ininterruptos com o restante do clã?
Confere
9 dias sem por os pés em nenhuma fábrikkka?
Confere
9 dias para acumular mais um monte de tecido adiposo em frente à tv?
Confere
9 dias para tirar a poeira da papelada e chacoalhar os neurônios?
Confere
9 dias sem me preocupar com horários?
Confere
Mas que podiam ser 120, podiam.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
MONSTROS
ERO-GURO é apenas o que o título diz ser.
TROUBLE EVERY DAY (SANGRE CANÍBAL, do lado de lá, DESEJO E OBSESSÃO, do lado de cá) tinha tudo pra NÃO me agradar, mas agradou. É uma produção tri-nacional, mas digamos que o lado francês (com todas as conotações que isso pode carregar) predominou. Nem vale a pena ficar comentando muito, já que o filme foi dissecado por pessoas que entendem muito mais do babado do que eu. O único ponto negativo foi uma ceninha bem Deus Ex-Machina lá pelo final do filme que foi uma derrapada fenomenal.
E a trilha sonora é fudida! Tenho que achar esse cd.
Só não se deixe enganar pela publicidade. O filme tem suas cenas gore sim (e a capa [desculpa aí, mas não achei imagem melhor] da versão portenha do dvd só ajuda a reforçar isso), mas o incômodo é muito maior na cabeça do que no estômago.
MONSTROS, coletânea de hqs curtas, todas escritas por Wellington Srbek, por sua vez, não me fisgou, e os roteiros deixaram a desejar (e olha que sou fã do cara!), mas, a capa de Carlos Fonseca (que não tá muito visível na imagem dessa reportagem), por coincidência o mesmo ilustrador da Manticore 3, é belíssima, uma das mais bonitas do ano, mesmo. Vale lembra que a sugestão partiu do Srbek.
TROUBLE EVERY DAY (SANGRE CANÍBAL, do lado de lá, DESEJO E OBSESSÃO, do lado de cá) tinha tudo pra NÃO me agradar, mas agradou. É uma produção tri-nacional, mas digamos que o lado francês (com todas as conotações que isso pode carregar) predominou. Nem vale a pena ficar comentando muito, já que o filme foi dissecado por pessoas que entendem muito mais do babado do que eu. O único ponto negativo foi uma ceninha bem Deus Ex-Machina lá pelo final do filme que foi uma derrapada fenomenal.
E a trilha sonora é fudida! Tenho que achar esse cd.
Só não se deixe enganar pela publicidade. O filme tem suas cenas gore sim (e a capa [desculpa aí, mas não achei imagem melhor] da versão portenha do dvd só ajuda a reforçar isso), mas o incômodo é muito maior na cabeça do que no estômago.
MONSTROS, coletânea de hqs curtas, todas escritas por Wellington Srbek, por sua vez, não me fisgou, e os roteiros deixaram a desejar (e olha que sou fã do cara!), mas, a capa de Carlos Fonseca (que não tá muito visível na imagem dessa reportagem), por coincidência o mesmo ilustrador da Manticore 3, é belíssima, uma das mais bonitas do ano, mesmo. Vale lembra que a sugestão partiu do Srbek.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
AUTO-ESTIMA
Engraçado, só depois que terminei NO SUFOCO fui reparar que estava marcando o livro com uma singela propaganda da COLEÇÃO AUTO-ESTIMA, “clássicos da auto-ajuda e espiritualidade”. Me amarro nessas ironias do acaso, se você quer saber.
A propósito, o saldo geral foi bom, mas faltou o “punch” do CLUBE DA LUTA ou do SOBREVIVENTE.
A propósito, o saldo geral foi bom, mas faltou o “punch” do CLUBE DA LUTA ou do SOBREVIVENTE.
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
PAPAI NÓIA
Isso ainda tá na cabeça.
No último sábado, fomos eu, a patroa e rebento a um supermercado próximo aqui de casa para - não poderia ser diferente - fazer compras.
Desconfio que as crianças têm algum tipo de sentido extra e sazonal, dedicado à localização de qualquer simulacro da figura comemorativa da vez. Como não poderia deixar de ser, o pequeno encontrou o indefectível Papai Noel do mercado mais rápido do que eu, e partiu desgovernado em direção ao cara.
Chegando perto, por alguns momentos acreditei que o pessoal do mercado tivesse confundido a data: a primeira figura que me vem à cabeça quando vejo "olhos vermelhos" é o coelhinho da Páscoa. Mas era o Bom Velhinho mesmo. E o cara tava muito louco! Não falava coisa com coisa, e a prova inconteste foi o bafo de cachaça, que tava brabo, devo dizer:
Para alívio da moça do mercado que o acompanhava, ele se desvencilhou - muito educadamente, que fique bem claro- das crianças e foi repor o estoque de balas.
A situação, pelo menos em minha cabeça, não deixou de ter sua própria ironia: o cara tinha bebido antes do trabalho por que estava pouco se fodendo, ou estava bêbado por que estava
muito fodido?
No último sábado, fomos eu, a patroa e rebento a um supermercado próximo aqui de casa para - não poderia ser diferente - fazer compras.
Desconfio que as crianças têm algum tipo de sentido extra e sazonal, dedicado à localização de qualquer simulacro da figura comemorativa da vez. Como não poderia deixar de ser, o pequeno encontrou o indefectível Papai Noel do mercado mais rápido do que eu, e partiu desgovernado em direção ao cara.
Chegando perto, por alguns momentos acreditei que o pessoal do mercado tivesse confundido a data: a primeira figura que me vem à cabeça quando vejo "olhos vermelhos" é o coelhinho da Páscoa. Mas era o Bom Velhinho mesmo. E o cara tava muito louco! Não falava coisa com coisa, e a prova inconteste foi o bafo de cachaça, que tava brabo, devo dizer:
Para alívio da moça do mercado que o acompanhava, ele se desvencilhou - muito educadamente, que fique bem claro- das crianças e foi repor o estoque de balas.
A situação, pelo menos em minha cabeça, não deixou de ter sua própria ironia: o cara tinha bebido antes do trabalho por que estava pouco se fodendo, ou estava bêbado por que estava
muito fodido?
segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
SUPERNOVELAS
Olha só: eu fiquei até curioso pra ver o que vai dar essa tosqueira aqui, mas dizer que vai ser o futuro dos quadrinhos? Tenha dó, né Millar!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
PROPOSTA DO DEMO
Calma, ninguém aqui vai ter que fazer pactos com o diabo ou coisa do tipo.
Mas se você quer saber como se vende o peixe pra uma editora gringa (e, quem sabe, pruma nacional também), eis aqui sua resposta.
Só pra ir adiantando, DEMO foi uma máxi-série em 12 publicada pela AiT, com texto de Brian Wood e arte de Becky Cloonan; uma história de adolescentes com superpoderes, mas não super-heróis, sacam?
Mas se você quer saber como se vende o peixe pra uma editora gringa (e, quem sabe, pruma nacional também), eis aqui sua resposta.
Só pra ir adiantando, DEMO foi uma máxi-série em 12 publicada pela AiT, com texto de Brian Wood e arte de Becky Cloonan; uma história de adolescentes com superpoderes, mas não super-heróis, sacam?
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
PORTFÓLIO
Estava eu aqui, tentando montar um portfólio de roteiros para enviar a uma editora, e não é que já estou com um catatau de 82 páginas em mãos? Para os meus padrões, isso é uma grandeza astronômica. Resta saber se o recheio vai impressionar tanto quanto o tamanho.
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