quinta-feira, 12 de junho de 2008

CURIOSIDADE MÉDICA - UM ROTEIRO DE HQ

De dias pra cá meu interesse pela narrativa e pela narração de histórias em quadrinhos vem voltando gradativamente, talvez pelo fato de ter feito a leitura consecutiva de vários livros sobre o assunto, talvez por ter botado as mãos num pacotinho de edições nas quais estava de olho fazia tempo.

Ano passado, se não me falha a memória, o Leonardo Santana enviou um email para várias pessoas - eu incluso - onde solicitava hqs curtas para publicar numa edição temática da Prismarte, que ele ajuda a editar. O tema, aliás, era o terror, e essa edição acabou sendo a de número 45.

Bem, eu tinha uma pequena idéia que tinha começado a desenvolver anteriormente e achei que ela caberia numa edição assim. Fiz meus cálculos e concluí que três páginas seriam o suficiente. Não me lembro exatamente qual foi o estopim da coisa toda, mas eu queria misturar alguns elementos que me interessavam na época. Então me propus a escrever e entregar essa história, que batizei de CURIOSIDADE MÉDICA.

Resumindo a ópera: logo eu, o (pretenso) roteirista metódico e pontual, que sempre reclamou dos desenhistas furões, furei. A vida no mundo real começou a cobrar mais atenção, e, paralelamente, meu interesse pela feitura de hqs começou a declinar vertiginosamente. Deixei esse e outros roteiros de lado e fui cuidar de outros assuntos. Até semana passada.

Mais uma vez, minha vontade de escrever para quadrinhos voltou. Tive algumas idéias e reencontrei outras que me agradavam. Acabei desenterrando, entre outras coisas, esse roteiro.

Reescrevi praticamente tudo, e talvez ainda falte alguma coisa, mas é um roteiro que eu gostaria de ver desenhado.

O roteiro, aliás, pode ser baixado aqui (lá embaixo, em “Attachment”).

Alguém se habilita?

P.S.: Em tempos recentes, desenvolvi um procedimento terapêutico contra a angústia provocada por desenhistas furões: inscrevo os emails deles nas newsletters de tudo quanto é site de zoofilia que encontro internet afora. Podem chamar isso de “compensação”.

P.S.2: Brincadeirinha!!!!

P.S.3: até agora há pouco o link estava quebrado, e quem avisou foi o Daniel. Valeu, cara!

sábado, 7 de junho de 2008

MANTENDO SEU TRABALHO A SALVO

Já ouvi verdadeiras histórias de terror sobre escritores que perderam meses, até anos de trabalho porque não tomaram os devidos cuidados na hora de manterem seus backups em dia (isso para não falar daqueles que preferem escrever em cadernos...).

Manter um backup atualizado é um hábito que qualquer um que leve a sério a atividade de escrever deveria cultivar.

Embora a grande maioria dos programas recentes tenha ferramentas que realizam salvamentos automáticos em períodos determinados, as combinações Ctrl+S (ou Ctrl+B em alguns casos ) têm que ser tão naturais quanto respirar.

Contudo, criar o hábito de salvar seus arquivos dentro do seu computador é só o primeiro passo, uma vez que o próprio computador pode quebrar.

O preço de um pen-drive não é mais desculpa. Um dispositivo de uma marca boa, com 1 Giga de capacidade custa, hoje em dia, numa loja que cobra caro, cerca de 45 reais. Para quem pretende entupir sua unidade de armazenamento com músicas, .ppts cheios de mensagens enaltecedoras e vídeos com pegadinhas russas, 1 Giga realmente não é muita coisa. Mas para guardar roteiros (e outros documentos de texto, em geral), é espaço mais do que suficiente.

Fazendo uma conta simples: Um roteiro parrudo, de 120 páginas, seguindo a formatação padrão, no formato .rtf, costuma ficar com um tamanho de 300 e 400 KB. Se utilizarmos a notação SI, 1 GB equivale à 1000 MB, e 1MB, por sua vez, equivale a 1000 KB. Portanto, 1 Gb vale o mesmo que 1.000.000 KB, ou seja, num pen-drive de um giga cabem 2.500 roteiros. Nada mal, não? Vendo por outro lado, um disquete de 3 1/2” HD (o mais comum) já seria suficiente para guardar pelo menos três roteiros, embora não se aconselhe utilizar esse tipo de mídia nos dias de hoje.

Outra alternativa, que pode ser utilizada em paralelo, são os hds virtuais. Hds virtuais permitem o armazenamento de uma determinada quantidade de dados em servidores externos. Obviamente esse tipo de serviço não é aconselhável para aqueles que tem níveis de paranóia muito elevados.

Por outro lado, eles oferecem grande flexibilidade pelo fato de ser possível baixar o documento a partir de qualquer computador com acesso à internet. Normalmente esse tipo de serviço se apresenta nas modalidades paga e gratuita, sendo que na gratuita, obviamente, o espaço disponível é bem menor. Alguns exemplos são o Mozy e o Esnips, onde a manipulação dos arquivos é feita através de um software instalado localmente na máquina do usuário. Existem ainda outros, como o 4Shared e o já vetusto Rapidshare, onde todo o processo é controlado via browser. Na pior das hipóteses, o usuário pode simplesmente criar uma conta de email num serviço que ofereça mais de 1 GB de espaço - praticamente todos os grandes provedores - e enviar seu trabalho para esta conta-arquivo.

Há ainda casos como o do Celtx, que já tem essa opção integrada ao próprio software. Basta fazer um upload privado do seu projeto e ele ficará armazenado no servidor da Greyfirst, podendo ser baixado de qualquer computador. Some isso ao fato do programa rodar diretamente de dentro de um pen-drive, e temos uma ferramenta poderosa.

Outro ponto importante: seja você fã ardoroso do Final Draft, admirador do Movie Magic, evangelista do Celtx ou viúva do Sophocles, sempre, mas SEMPRE, salve uma cópia do seu roteiro num formato neutro. O bom e velho .txt é o melhor, mas a grande maioria dos programas também entende o .rtf ou o .html.
Ter o seu trabalho salvo num formato neutro vai evitar muitas dores de cabeça caso seu programa preferido resolva, de um dia para o outro, não funcionar mais.

Pegando um exemplo pessoal, no início deste ano redigi um roteiro de noventa páginas utilizando o Sophocles. Por um problema técnico, acabei ficando quase duas semanas sem meu computador, onde estava instalado o programa. Como eu tinha o roteiro salvo em .txt, importei-o no Celtx - instalado num pen-drive - e continuei trabalhando em outro computador, como se nada tivesse acontecido. Quando meu pc ficou em condições, reinstalei o Sophocles, exportei o roteiro do Celtx, importei no Sophocles, e dei sequência por lá.

Recentemente, o site do programa saiu do ar e começaram as especulações sobre o que teria acontecido. Aparentemente, o programa foi descontinuado. O Sophocles possui um sistema de ativação pela internet. Cada vez que o programa é reinstalado, seja ele um demo, uma versão beta ou uma versão paga, ele tem que ser reativado pela internet. E se o site da empresa está fora do ar... Isso até faria sentido numa empresa monolítica como a Microsoft, mas no caso da pequena Sheenan Software, parece não ter sido uma das escolhas mais acertadas, o que acabou deixando vários usuários que pagaram pelo programa em maus lençóis.

Voltando a mim. Embora o Sophocles que eu tenho continue funcionando, decidi abandonar a ferramenta de vez, em detrimento do Celtx. Bastou que eu importasse meu .txt atualizado, procedesse com algumas correções (a perda de formatação em alguns trechos é comum nesse tipo de operação) e pronto. Posso trabalhar tranquilo, sabendo que estou parcialmente imune a panes e pandemônios eletrônicos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CELTX 1.0 NO AR

É isso aí, macacada. Meu brinquedinho preferido deixou de ser beta. Entre as novidades, um template específico para escrita de quadrinhos. Algo que eu esperava havia muito tempo. Na verdade, não curti muito o formato escolhido - aquele que emula alguns roteiros televisivos, com descrições num quadro, diálogos em outro, etc, muito usado em quadrinhos europeus. Também achei que fez falta a exportação para um formato mais parrudo, como o .ODT, assim como a exportação offline para .PDF. Mas tá valendo.

As novidades podem ser conferidas aqui.

sábado, 31 de maio de 2008

OPEN THE SOURCE

É fato que as pessoas - pelo menos as que lêem - tem certo interesse, algumas até fascínio, pelo que se convencionou chamar de “processo criativo” dos escritores. Mas estávamos falando de escritores. O que dizer dos beletristas?

Embora eu ache que exista pouca gente querendo saber em que sentido giram as engrenagens na minha cachola, acho que a tentativa de verbalizar o que se passa durante o processo de concepção de uma narrativa me ajuda a colocar as coisas em perspectiva. A olhar de longe e pensar no que pode ser melhorado no futuro. Mas fiquem tranquilos. Não vou tentar explicar a piada.

Pode parecer meio prematura tentar falar das entranhas de um conto - ADSENSELESS - que ainda está em sua segunda parte. Parte esta, aliás, que foi publicada com um atraso de pelo menos três meses (uma vez que estabeleci uma deadline pessoal de trinta dias entre um capítulo e outro).

Lá em cima, utilizei a palavra beletrista sem falsa modéstia ou intenção de ser engraçado. Embora a palavra tenha uma carga pejorativa indelével a essa altura do campeonato, beletrismo, segundo o Houaiss, também pode significar, entre outras coisas, “atividade literária diletante ou puramente recreativa”. Acho que é o meu caso.

Eu, literalmente, escrevo quando dá. Embora esteja numa relação quase simbiótica com um laptop, um smartphone com tecladinho QWERTY e um bloquinho, a escrita - pelo menos a de ficção, essa que me dá prazer - ocorre aos poucos, em doses homeopáticas. Acredito que parte disso se deva ao fato de eu passar uma boa parte do dia macetando as teclinhas de plástico do Dellzão. Não ter uma rotina - meus horários de trabalho costumam variar bastante - também pesa. Às vezes, contudo, escrevo no trabalho. Me considero, aliás, o Alt + Tab mais rápido do Oeste. 

A idéia de ADSENSELESS veio quando eu estudava mais sobre o Google Adsense. Comecei a tomar notas para o que seria um continho, quase uma anedota, sobre a publicidade nesse começo de século XXI. Quem surgiu primeiro foi, claro, Macanudo.

Quando publiquei a primeira parte, a segunda já estava praticamente escrita. Só que não gostei do texto e resolvi deixá-lo cozinhando. Enquanto isso, no mundo real, muita coisa aconteceu, e acabei deixando o texto meio de lado. Voltei à segunda parte dias atrás. Mexi aqui, ali, e, embora tenha achado o resultado satisfatório, penso que talvez ele não tenha transmitido todas as idéias que planejei. Paciência.

O “processo” varia. Neste caso, para cada parte do conto, crio um arquivo separado. Fica mais fácil manipular o texto. Também criei um outro arquivo, onde despejo tudo quanto é tipo de informação que julgo interessante: links, trechos de diálogos, notas e por aí vai. Nesse mesmo arquivo há pequenas bios dos personagens que apareceram e ainda vão aparecer, assim como um roteirinho dos 6 capítulos originalmente planejados.

O capítulo 3 nem foi iniciado ainda. Com exceção de quarenta e sete palavras no arquivo de notas que descrevem em linhas bem gerais o que vai acontecer, não há mais nada.

A parte 4, por sua vez, já tem pouco mais de 100 palavras, além daquelas no arquivo de notas. 

A parte 5, vejam vocês, já passou das 1000, e provavelmente terá que ser dividida, o que aumentará o número de partes para um cabalístico 7.

E, por fim, a parte 6 (que provavelmente será a 7, note) também não existe, a não ser por uma frase que define o que será o clímax da história.

Não considero ADSENSELESS ficção-científica, propriamente dita. Não que não goste do gênero, muito pelo contrário. Mas acho que para chamar minha ficção de científica, terei que comer mais um pouco de feijão. Sim, há technobubble, infodump e essas coisas, mas é mais uma maneira de extravasar minha tecnofilice do que qualquer outra coisa. O que me interessa na ficção, de qualquer gênero, são as possibilidades.

Ok, eu sei que o Ellis já fazia isso há dez anos, mas mesmo assim, vamos lá: ouça, no talo, Release, do disco A Fine Day To Exit, da banda britânica Anathema. Leia Kafka à beira-mar, de Haruki Murakami, que eu ainda não finalizei, mas, até o momento, compensa cada página.

sábado, 24 de maio de 2008

ESCRIBA - SOFTWARE PARA ESCRITA DE ROTEIROS

Voltando ao assunto do penúltimo post, agora Frank Baiz divulgou o nome do seu programa - Escriba - assim como seu novo site.

Agora, se entendi direito, o software é construído em cima de uma teoria desenvolvida pelo próprio Baiz, então ao invés de evocar a imagem do Movie Outline, agora a coisa me parece mais com o já famoso combo Movie Magic + Dramatica.

Particularmente não curto muito softwares para "construção" de histórias, como o Dramatica, mas estou curioso para ver como será o Escriba.

(e sim, só pra variar, eu vi esta notícia no Blogacine)

terça-feira, 20 de maio de 2008

ADSENSELESS - Parte 2

Demorou mais do que planejei, mas saiu. O endereço é o que segue:

http://txt.blogsome.com

ADSENSELESS - Parte 2

Márcio Massula Jr.

Idosos são, em sua grande maioria, neoludditas.

Mas sempre existem as exceções à regra. E, neste caso, a exceção era bem simpática, contudo, devido a sua estatura, obrigava Macanudo a se curvar num ângulo que dentro em breve faria com que caísse e cravasse a cabeça no concreto.
***
Você vai chamar atenção por onde for. Esse é o objetivo. Nunca desvie os olhos de quem estiver olhando para você. Seja simpático. Sorria. Cative as pessoas.

Macanudo não se lembrava em qual momento do treinamento este tópico tinha vindo à tona, mas as palavras do instrutor ribombavam em seu crânio exatamente como no dia em que ele as ouviu.
Após uma semana entre os odores anódinos do Centro de Recuperação da Googolplex, ter as narinas incendiadas pela mistura quase alquímica de sudorese e gás carbônico do mundo real era como tomar um murro no meio do rosto. E foi assim que Macanudo iniciou sua jornada pelo centro da cidade. 

Desorientado, com medo e sentindo dores em lugares bem estranhos.

Era estranho ser o centro das atenções. Ele tentava, na medida em que podia, dar um sorriso bem grande, daqueles capazes de buscar a reciprocidade dos cafundós das personalidades apressadas dos transeuntes. Mesmo assim, a maioria das pessoas simplesmente virava o rosto. O desejo de chegar logo em casa aumentava a cada pedestre que passava direto – o que não era bom para os negócios – até que a exceção estacou-se em sua frente, tombou a cabeça um pouco de lado num gesto de curiosidade, e deixou escapar o mais bonito – e único – sorriso que Macanudo vira naquela manhã.

A exceção, uma senhora que já tinha passado há muito dos sessenta, fez um pequeno sinal com o indicador minúsculo, na direção da testa de Macanudo.

- O que é isto?

Era a deixa. E Macanudo praticamente vomitou o texto que havia decorado durante o curso de preparação na Googolplex.


***

- Olha só os preços disso!

- Disso o quê?

- Meu Deus do céu!

A mulher estende o dedo em direção à tarja de Macanudo, que, sem saber exatamente o que fazer, permanece parado. Ela detém a falange a poucos centímetros da testa de Macanudo.

- Posso?

- Bem...acho que pode sim.

- Você pode se abaixar só um pouco?

Macanudo não sabe o que pensar. Por que a mulher quer tocar sua testa? Ele até entende que há uma curiosidade natural pela novidade, e até esperava esse comportamento de uma criança, mas, bem, isso era estranho. A velha deslizava os dedos por sua testa, talvez experimentando a textura. Inclinado daquela maneira, Macanudo, para amenizar um pouco o constrangimento, fixou os olhos nos sapatos da mulher, duas pecinhas muito delicadas que já haviam saído de moda havia um bom tempo, e, mesmo assim, continuavam impecavelmente bonitos. A mulher dava pequenos toques em sua testa, como se estivesse manipulando um dispositivo touch-screen. E, até onde Macanudo sabia, a tarja não era touch-screen.

- Você não tem um teclado?

- Como?

- Um teclado virtual.

- Hã...presumo que não, senhora.

- Ah!

- O quê?

- Tem sim!

- Tenho?

- Tem. Ele apareceu aqui. Espere só um pouco.

E seguiu-se mais uma sequência de toques na testa. Às vezes a mulher parecia esquecer que atrás daquela tela havia uma cabeça e pressionava tão forte que Macanudo ficava a ponto de perder o equilíbrio. Depois ele se preocuparia com a funcionalidade que desconhecia. O que importava agora era agradar a cliente. Momentos depois, a mulher se deu por satisfeita.

- Obrigado.

- A senhora, hããã...encontrou todos os dados que procurava?

- Bem, na verdade eu estava verificando meus e-mails. Esqueci meu smartphone no escritório. Sabe como é...

- A senhora viu seus emails na minha testa?

- Vi sim. Você não sabia que fazia isso?

- Ah, claro! Sabia sim. É que, bem, os usuários não costumam dar muita bola para esse recurso, sabe? - 
Macanudo tentou disfarçar com um sorrisinho cambeta.

- Certo, certo. Muito obrigado, então. Tchau!

O mulher dá alguns passos e depois vira-se.

- Gostei da novidade!

Esse episódio foi como uma injeção de ânimo. Macanudo passou a sentir-se mais seguro, o que, de certa forma, passou a mesmerizar as pessoas. No restante do caminho - que incluiu uma viagem de metrô - ele seguiu à risca os procedimentos indicados no manual. As pessoas olhavam umas para as outras, paravam e sempre havia aquele mais extrovertido, que acabava tomando a frente da situação e perguntava:

- Mas que porra é essa na sua testa?

***

Obviamente, a primeira coisa que Macanudo fez ao chegar em casa foi ver sua página pessoal na Googolplex para checar quanto tinham lhe rendido as conversas que tivera rua afora. Os créditos ainda não constavam, mas ele sabia que poderia haver um período de vinte e quatro horas até que o saldo do Vetor estivesse devidamente atualizado. Estava no manual. Então ele se lembrou das funcionalidades que desconhecia e ligou para o número que lhe deram.

- Centro de Atendimento ao Vetor. Em que posso ajudá-lo, senhor...Macanudo?

- Como você sabe que sou eu?

- Bom, nós somos o Centro de Atendimento ao Vetor. Este número só é dado aos Vetores. E o senhor é único Vetor, sabe?

- Ahhhh...

- Em que posso ajudá-lo?

- Bom, é meio constrangedor falar isso, mas, bem, me aconteceu uma coisa meio estranha hoje na rua, em minha primeira empreitada, e, bem, vamos lá: eu tenho um browser na minha tarja?

- Tem sim senhor. Assim como um pacote de escritório completo e todo o restante do nosso portfólio. Tudo acessado pelo seu browser, na verdade.

- E porque ninguém me avisou disso?

- É que essa tecnologia foi desenvolvida após sua alta do nosso Centro de Recuperação.

- Mas eu saí de lá faz três horas!

Silêncio no outro lado da linha. Macanudo tem a impressão de ouvir o leve matraquear de um teclado.

- Desculpe, senhor. Isso foi uma coincidência, devo dizer. O senhor não foi notificado?

- Notificado? Como?

- Via email.

- Não, não fui não. Estou com minha caixa de entrada aberta e não há nenhuma mensagem de...
Macanudo se viu obrigado a interromper o comentário quando, repentinamente, surge uma mensagem da Googolplex em seu computador, indicando ter sido enviada quase quatro horas antes.

- Ei, recebi sua mensagem só agora!

- Veja só o senhor. Hoje é mesmo o dia das coincidências, não? Deve ter sido algum problema nos nossos servidores.

- É, deve ter sido mesmo. Tudo bem. Obrigado então. Como é seu nome?

- Pode me chamar de Junior.

- Tá bom, Junior. Acho que ainda vamos nos falar muitas vezes.

- Vamos sim, senhor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

MAIS UM SOFTWARE PARA ESCRITA DE ROTEIROS

É! Só que desta vez desenvolvido pelo roteirista Venezuelano Frank Baiz Quevedo, mantenedor da famosa La Página del Guión.

Pelo que entendi, o objetivo do software é mais estruturar uma história (como o Movie Outline) do que redigir o roteiro em si, embora ele também vá contar com um processador de textos exclusivo para isso. Será interessante ver quão diferente um produto criado sob a ótica de um roteirista sul-americano será. Estou curioso para ver resultado.

(como não poderia deixar de ser, via Blogacine)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

ENTRE IDAS E VINDAS

Nesse fim de semana dei um pulo em casa - para quem não sabe, o ramo épsilon-teta-gama do clã dos Massula, após muita deliberação, decidiu sediar sua base de operações, permanentemente, em Curitiba - e vi aceso novamente meu interesse pela anatomia de uma história em quadrinhos.

Talvez por ter achado NARRATIVAS GRÁFICAS, do Eisner, mais um dos bons livros que eu comecei e, sabe-se lá porque, larguei pela metade. Não me vejo, pelo menos não num futuro próximo, perdendo tempo digitando o que quer que seja que tenha a intenção de se transformar numa história em quadrinhos. Muito suór, sofrimento e decepção, vocês já devem ter lido a história alguma vez por aqui.

De qualquer maneira, eu já estava com o livro do Peter David aqui no hotel - outro que há certo tempo aguarda para ser lido - e não é que, no aeroporto, descubro que saiu DESENHANDO QUADRINHOS, o livro novo do McCloud?

Sim, eu sei, o livro saiu ano passado e foi anunciado em tudo quanto é blog/site de quadrinhos. Mas eu, que não tenho passado mais tanto tempo surfando por essas bandas, não vi. Comprei, obviamente.

Para muita gente, pode parecer estranho alguém que um dia se auto-proclamou “roteirista de quadrinhos” (hahaha...) mostrar interesse por um livro que tem a palavra *desenhando* no título, certo? Errado.

Primeiro: apesar do nome, o livro não é sobre desenho em si. É sobre narrativa, algo que todo roteirista wannabe deveria se preocupar em conhecer. Na verdade, a tradução do título foi meio infeliz, uma vez que o original - MAKING COMICS - cobre um espectro maior do que o ato de desenhar, somente..

Segundo: qualquer atividade, seja criativa ou técnica, está relacionada a outras. O mínimo que alguém que deseja ser bom em algo precisa fazer é saber o que se passa à volta do seu ofício.

Terceiro: Eu sou fã do McCloud.

SCRIPPED.COM

Mais um formatador online para roteiros cinematográficos. De qualquer maneira, continuo preferindo o Zhura.

terça-feira, 6 de maio de 2008

SOPHOCLES SCREENWRITING SOFTWARE - R.I.P.?


Embora eu seja defensor ferrenho do Celtx e tenha feito o projeto do meu primeiro roteiro de longa nele, o roteiro em si foi redigido no Sophocles, que tem alguns recursos mais atraentes que o programa canadense. Cheguei mesmo a considerar seriamente a possibilidade de comprá-lo.

Mas, há dias o site do Sophocles está fora do ar, e bandeando pela internet acabei esbarrando neste fórum, que me levou a este outro, onde um longo tópico - que, evidentemente, termina descambando para outro assunto - tece teorias sobre o que realmente aconteceu.

Se o programa dançou mesmo, é uma pena. Era uma boa ferramenta.

ATUALIZANDO: E a coisa ganha contornos cada vez mais tragicômicos...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

MIRAGE MAN!!!

Kick Ass? Watchmen? La verga!

O negócio é Mirage Man, filme chileno que mistura pancadaria, vigilantismo e, por que não, humor.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O NOME DA ÁGUIA - CONVITE PARA O LANÇAMENTO

Bom, pessoal, segue abaixo o convite para o lançamento de O NOME DA ÁGUIA, livro do meu camarada Alexandre Lobão, que mencionei em meu último post.

Quem estiver em Brasília no dia 03 de Maio, apareça por lá.

sábado, 19 de abril de 2008

LIVROS, LIVROS E MAIS LIVROS

Sábado passado, chegando ao aeroporto de Curitiba, fui, como quem não quer nada, dar uma passadinha na livraria.

E não é que me surpreendo - e estamos falando de uma grata surpresa - com uma pequena pilha do O NOME DA ÁGUIA, novo livro do meu camarada digital Alexandre Lobão, junto aos best-sellers do momento (e não entremos aqui em méritos de valor estético de uns e de outros, certo?).

Mais tarde, fui a uma outra livraria, à cata d'O NOME. Não encontrei meu alvo, mas não é que me surpreendo - de novo! - com mais dois lançamentos dos quais não fazia a mínima idéia?

O primeiro a ser avistado foi KAFKA À BEIRA-MAR, catatau parido por Haruki Murakami. A propósito, só agora descobri o hotsite da Alfaguarara, selo editorial da Objetiva.

O segundo foi AS REVELAÇÕES PICANTES DOS GRANDES CHEFS, “novo” do escocês Irvine Welsh, autor de Trainspotting, Porno e outras doideiras.

Cofrei os dois.

Enquanto isso, terminei de devorar VOLÁTEIS, de Paulo Scott (?). Comprei esse livro há mais de um ano (28/2/2007, para ser mais preciso. Sim, tenho o - mau - hábito de anotar as datas em que compro meus livros, assim como povoar qualquer texto com travessões). Sei lá porque teimava em associar a literatura do Paulo a um certo nicho que não me faz muito a cabeça. Ledo engano. O romance é permeado de personagens interessantes - uns fazendo apenas rápidas aparições, a propósito. A narrativa é sólida, o texto flui e o final surpreende. O que mais um leitor poderia querer?

Voltando a'O NOME DA ÁGUIA, comprei meu exemplar um dia depois, e Lobão já começao livro chutando o pau da barraca logo nos agradecimentos, com uma pegadinha (bem, presumo que seja uma pegadinha) que vai passar batida para muita gente.

Por fim, trouxe na bagagem também WRITING FOR COMICS WITH PETER DAVID, cujo título se auto-explica. Embora continue momentâneamente resoluto em não perder mais tempo escrevendo roteiros de hq, o assunto sempre vai me interessar, e David é um dos roteiristas de quem mais gosto.

E, a propósito, o Absma dá mais um passo em direção ao milésimo blog. E meta é alcançar esse número nesssa encarnação. Vai lá!

segunda-feira, 31 de março de 2008

DEXTER, PRIMEIRA TEMPORADA.

Dexter é semelhante a vários outros programas de tv, que sempre quis assistir, mas nunca consegui.

De qualquer maneira, na época do DVD e do bitTorrent, tempo não é mais desculpa, e dentro em breve tentarei, aham!, matar minha vontade.

Anyway, acho do grandecíssimo caralho a imagem do box de DVDs da primeira temporada.

sábado, 29 de março de 2008

[ROTEIRO DE CINEMA]

Foi ao ar uma colaboraçao minha - a primeira de muitas, espero - para o site [roteiro de cinema], mantido pelo Fernando Marés.

E, como não poderia deixar de ser, a bola da vez foi minha ferramentinha preferida.

Siga o link.

domingo, 23 de março de 2008

SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL E OUTROS BICHOS

De um tempo pra cá, o assunto que dá nome a esse post tem me interessado por demais - prometo que tento desenvolver mais qualquer dia desses -, e hoje acabei esbarrando neste post interessantíssimo que fala da tentativa da Microsoft homologar seu OOXML como (*outro*) padrão ISO para documentos eletrônicos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

W.T.F.?

Sei que não ando atualizando muito o blog, e a situação deve permanecer a mesma por um bom tempo. De qualquer maneira, vez ou outra posto algum link ou bobagem no Twitter (do seu lado esquerdo, onde está escrito "Twitter Updates"), então, caso seja do seu interesse, dê uma passada lá de vez em quando.

sábado, 8 de março de 2008

PAGO PARA ANUNCIAR EM SEU CORPO

Não poderia ser mais engraçado.

Artigo do Fábio Fernandes, que fala sobre a Língua Patrocinada, que, por sua vez, tem muito a ver com o post aí de baixo.

E mais não digo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ADSENSELESS

“Macanudo Geist vinha de uma tradicional linhagem de tecnófilos, - o bom-senso do escrivão foi a única coisa a impedir que seu nome do meio fosse Playstation 2 - e todos acharam perfeitamente natural sua decisão de se filiar ao programa de Marketing CorporAltivo da Googolplex”.

Quer ler o resto? Go!

ADSENSELESS - Parte 1

Márcio Massula Jr.

        Macanudo Geist vinha de uma tradicional linhagem de tecnófilos, - o bom-senso do escrivão foi a única coisa a impedir que seu nome do meio fosse Playstation 2 - e todos acharam perfeitamente natural sua decisão de se filiar ao programa de Marketing CorporAltivo da Googolplex.

        Esse nome, aliás, um trocadilho pouco brilhante com palavras de ordem da empresa em questão, foi execrado num dos vários brainstormings feitos pelo filial regional, responsável pela criação e desenvolvimento do programa. Mas um executivo comentou com um subalterno, que comentou com outro, que enviou um email a uma publicação especializada em tecnologia, que lançou o termo no mercado antes mesmo que o serviço fosse anunciado oficialmente.

        O funcionário que deu a idéia não recebeu os créditos, aliás.

        O princípio era muito simples: a Googolplex colocaria anúncios nos corpos das pessoas, mediante um pagamento justo, evidentemente.

        Merchandising em peças de vestuário era algo que vinha sendo feito desde o século passado, portanto essa opção foi a primeira a ser descartada. As primeiras tentativas foram com a utilização de tatuagens UV. O problema era que os anúncios estavam restritos a um nicho muito específico de clientes potenciais – os frequentadores de casas noturnas. Uma evolução foram os pigmentos fotorreativos, que eram ativados de acordo com espectros de luz ambiente pré-programados. Mas, novamente, houve o problema de penetração dos anúncios, uma vez que eles eram definidos de acordo com o perfil do Vetor (o termo que a empresa utilizava para se referir às pessoas que se dignavam a gravar os anúncios em suas peles), e mudanças repentinas de religião, estado civil ou político costumavam por tudo a perder. Havia ainda os Vetores arrependidos - que não eram poucos. Eles renderem muita dor de cabeça aos advogados da empresa, já calejados em enfrentar nos tribunais pessoas que queriam que as tatuagens fossem retiradas antes do término do contrato. Mesmo que houvesse uma cláusula bem definida a respeito da quebra de contrato por parte dos contratados, no caso, os Vetores. Os contratos, aliás, eram verdadeiros labirintos jurídicos, redigidos em estilo quase barroco, expandindo o jargão legal para limites que iam além das capacidades cognitivas de uma pessoa normal. Os candidatos simplesmente desistiam na terceira ou quarta página, pulavam para o final - onde estavam grafados os valores que receberiam - e assinavam. Afinal, qual o problema de se andar com um anúncio estampado em seu próprio corpo por um período determinado de tempo?

        O próximo passo foi o que os técnicos da Googolplex chamaram de "Faixa de Anúncios", um dispositivo composto por uma tela de espessura microscópica, ligada a outros periféricos, que deveriam, por sua vez, ser implantados na caixa craniana dos Vetores. Essa mudança de processo acarretou, como era de se esperar, um aumento substancial nos pagamentos dos Vetores assim como no número de cláusulas e letras pequenas dos contratos de adesão.

        O funcionamento da Faixa de Anúncios, é tecnicamente complexo, mas funcionalmente simples: o dispositivo consiste de uma tarja de papel eletrônico, ultrafina, implantada na testa do usuário. A tarja é alimentada por uma bateria recarregada por movimento pendular ou por luz ambiente. Ela também conta com uma antena que pode captar sinais em qualquer localidade onde haja uma conexão Wi-Max disponível, o que significa - com exceção de umas poucas dezenas de comunidades com restrições religiosas - no mundo inteiro. Há também uma micro-câmera, de definição muito pequena, mas suficiente para captar trejeitos e expressões corporais de qualquer pessoa que conversasse com um Vetor. Ela ainda conta com microfones que captam as palavras-chave trocadas numa conversa e contextualizam os anúncios de acordo com as mesmas. Há ainda a ferramenta de condução, que são dois micromotores nos quais, nas pontas dos eixos, eram soldados pesos excêntricos que, assim como em smartphones e joysticks, ao girarem, provocam vibrações pequenas mas incômodas nas têmporas do Vetor, onde são implantadas. E, por fim, há um complexo sistema de biometria que monitora o estado físico do usuário, e, por exemplo, desliga a tarja ou ainda deixa-a em modo stand-by caso o Vetor não esteja conversando com alguém.

        Pelas cláusulas do contrato, os Vetores receberiam por produção. Isso significava que não era necessário cumprir horários ou metas, mas ficar em casa o dia inteiro não seria nada lucrativo. O contrato também não imputava qualquer tipo de restrição às ocupações pregressas dos Vetores, que poderiam continuar trabalhando e executando quaisquer outras atividades que lhe eram familiares. O sistema de crédito era um tanto obscuro, mas basicamente dependia do Vetor travar uma conversa que desse margem a todo tipo de assunto possível, que, por sua vez, daria margem a todo tipo de anúncio possível. O sistema da Faixa de Anúncios faria uma varredura no interlocutor do Vetor e mediria o interesse deste pelas mensagens e propagandas exibidas na tarja. Quanto maior o interesse, fosse demonstrado verbal ou gestualmente, maior o pagamento.

        A grande questão era que um Vetor, além de ter que ser extremamente desinibido - afinal, andar com uma tela implantada na testa não era tarefa para os mais comedidos - tinha também que ter muita, mas muita lábia. Porque, se para a maioria das pessoas, a oportunidade de entabular conversa com um desconhecido no meio da rua já não gerava boas expectativas, o que dizer de um desconhecido cuja testa cintilava anúncios diferentes a cada segundo? O trabalho do Vetor era prender a atenção de uma pessoa o maior tempo possível, sem se tornar um estorvo. A conversa deveria variar, ir de um lado ao outro, sem que o interlocutor percebesse. Embora houvesse um intenso treinamento, as capacidades inatas dos candidatos contavam muito, e tipos acanhados já eram eliminados logo nos primeiros estágios do processo seletivo. O Vetor deveria ter a capacidade de mudar o tema da conversa sem que o cliente percebesse. Tinha que ser dialético, de um jeito hegeliano. Ou heinsenbergiano. Enfim, tinha que vender o peixe. E bem.

        Ainda sob efeito de sedativos e analgésicos, ofuscado pela luz do sol e com a cabeça prestes a explodir de tanta dor, Macanudo passa pelas portas do centro médico da Googolplex.

        Ele tem que chegar em casa. Mas antes, tem que falar com uma pessoa. Qualquer uma.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

CONVERTENDO ARQUIVOS DO CELTX PARA .ODT

Um cara criou um programa para converter os arquivos .html do Celtx em arquivos .odt, utilizados pelo processador de textos Writer, do Br/OpenOffice.

O processo é meio trabalhoso - requerendo, inclusive, a instalação do Python - mas testei aqui e, com exceção da página-título, funcionou legal.

Mais detalhes no fórum.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

CLUBE DA MÚSICA

Clube da Luta, musical????

E eu só ouço falar disso agora?

(atentem para o vídeo ao final da reportagem...)

Eu *realmente* queria ver isso.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

THE DEVIL YOU KNOW - MIKE CAREY

Ainda falando em livros, não sabia que o Mike Carey tinha lançado um romance. Ou melhor, vários. Esse é primeiro de uma série, ao que parece. Sempre gostei do trabalho dele como roteirista. Será que segura as pontas sozinho?

BRASYL, DE IAN McDONALD

Fiquei curioso pra ler isso. Comentários?


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

LOTUS SYMPHONY

Instalei dia desses o Lotus Symphony, a suíte de escritório da IBM baseada no OpenOffice e já deu para ter as primeiras impressões a respeito do produto.

Nada mal. Para um Beta.

Esses comentários vão se basear quase que exclusivamente nas impressões que tive do Symphony Documents, o processador de textos da suíte. Este post, inclusive, foi escrito nele.

A suíte tem quase os mesmos recursos que o OpenOffice, entre eles a exportação para PDF e compatibilidade com os antigos formatos do Office.

[Nota: o nome OpenOffice me soa melhor - questão de costume, talvez - mas todos os links levam ao site do BrOffice, o braço brasileiro do projeto, que é a versão que uso, aliás ]

Entre as pequenas vantagens que vi em relação ao OpenOffice, estão:

BROWSER INTEGRADO

Além das três ferramentas principais (processador de textos, de planilhas e de apresentações) o Symphony conta com um browser integrado. Não é nenhum Firefox, mas pelo fato de também trabalhar dentro de uma aba no programa, pode ser uma mão na roda

INTERFACE MAIS BEM ACABADA

A interface do Symphony tem uma acabamento melhor e mais moderno que a do OpenOffice. Além disso ela é mais simples e intuitiva. Em relação a outros programas da mesma categoria, são poucos os botões e menus disponíveis.

BARRA DE FERRAMENTAS SENSÍVEL AO CONTEXTO

Como no Office 2007, o Symphony possui uma barra de ferramentas lateral que é sensível ao contexto, ou seja, quando selecionamos um texto, ele disponibiliza ferramentas específicas para a formatação de textos. Quando selecionamos uma figura, as ferramentas disponíveis passam a ser para edição de figuras, e assim por diante.

INTERFACE COM ABAS

Um recurso que faz falta no OpenOffice. E as abas podem conter documentos diferentes. É possível editar um documento de texto numa aba, uma planilha em outra e uma apresentação numa terceira, tudo na mesma instância do programa.

ESTÁ DISPONÍVEL EM PORTUGUÊS

O programa está disponível em português, inclusive com recursos - pobres, diga-se - de correção gramatical.


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Mas, até por ser um produto que está em fase Beta, ainda há algumas características que continuarão me mantendo com o OpenOffice.

ASSOCIA A TODA HORA OS ARQUIVOS ODF.

Ao se instalar o Symphony, ele automaticamente associa todos os subformatos derivados do ODF (.ODT, .ODS e .ODP) com os quais trabalha. Ok. Como minha suíte de escritório preferencial é o OpenOffice, reassociei os formatos manualmente. Mas cada vez que edito ou crio algo no Symphony, ele associa *de novo* todos esses formatos. Embora não seja o fim do mundo, isso pode ser um saco pra quem usa muito o OO, como eu. E cadê a liberdade de escolha, afinal?

TEM MENOS FERRAMENTAS – MAS É MAIS PESADO – DO QUE O OPENOFFICE.

Não sei se é por rodar tudo numa mesma instância, mas o Symphony, mesmo tendo praticamente a metade das ferramenas que as versões mais recentes do OpenOffice, ainda é bem mais pesado que seu irmão mais velho.

Como eu disse acima, o Symphony conta com um processador de textos, um de planilhas, um de apresentações e um browser, ou seja, quatro ferramentas.

O OpenOffice conta com um processador de textos, um de planilhas, um de apresentações, um editor de desenhos, um gerador de bancos de dados e um editor de equações.

A primeira pergunta que vem à mente é: se o Symphony é baseado no OpenOffice, porque ele tem menos recursos?

Lendo por aí descobri que ele foi construído em cima do OpenOffice 1.1.4, que ainda não contava com o Base, mas já dispunha do Draw e do Math. De qualquer maneira, o fato é que a maioria esmagadora dos usuários só vai utilizar mesmo os três aplicativos disponíveis no Symphony. Mas o OpenOffice continua sendo uma opção mais atrativa a quem deseja mais funcionalidades.

MENOS FORMATOS COMPATÍVEIS.

No comando “Salvar Como...” do OO Writer, contando com o formato nativo, existem vinte e uma opções de formatos para salvamento do arquivo. No Symphony existem oito. No Writer, é possível exportar o arquivo para quatro formatos diferentes, no Symphony, existe apenas uma opção de exportação.

NÃO É POSSÍVEL FAZER O “DOCK” DE ALGUMAS CAIXAS DE FERRAMENTAS.

Ao contrário do OpenOffice, não é possível "encaixar" algumas caixas de ferramentas na tela, como o Navegador e o Styler. Pra quem não sabe, o Navegador é uma ferramenta mapeia o documento e indica todos os elementos que foram inseridos, como tabelas, notas, gráficos, marcadores, títulos, etc. É extremamente útil em documentos extensos com alta carga de formatação. Principalmente se ficar *fora* da área do documento.

INTERFACE INTUITIVA E BEM SIMPLIFICADA.

Não, eu não estou ficando louco. Elogiei essa característica lá em cima e agora a listei como um defeito. Mas vamos às explicações.

O problema da interface intuitiva do Symphony é o mesmo do Office 2007. Li, em algum lugar, que a Microsoft resolveu alterar a interface do Office devido a uma pesquisa que afirmava que 95% dos usuários entrevistados *nunca* tinha alterado sua área de trabalho, fosse movendo botões, fosse criando barras de ferramentas novas.

Menus sensíveis ao contexto promovem um ganho de produtividade nas atividades mais comuns, mas podem ser um estorvo para usuários que necessitam customizar sua área de trabalho com ferramentas específicas. E eu me incluo nesse grupo.

CUSTOMIZAÇÃO

Ainda não fiz os devidos testes, e nem me dei ao trabalho de tentar descobrir que linguagem são escritas as macros do Symphony (alguma variante do Basic, certamente), mas presumo - e, notem, *presumo* - que o fato de não se poder customizar a interface seria um impedimento a determinados tipos de programação. Eu mesmo costumo aninhar em barras de ferramentas e menus as macros que crio em um documento. E no Symphony, como ficaria?

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FREEWARE, MAS NÃO OPEN SOURCE

Um observação importante: o Symphony é freeware, ou seja, pode ser usado e distribuído sem ônus algum, contudo, ao contrário do OpenOffice, não possui código aberto. Isso não é, evidentemente, nenhuma calamidade, uma vez que o Symphony é baseado no OO, que por sua vez é Open Source.

Enfim, vou continuar utilizando o OpenOffice, mas vale a pena ficar de olho no Symphony.

sábado, 5 de janeiro de 2008

O QUE É A BODEGA?




[o Meme da semana]

Leonardo Santana pediu para avisar:

A BODEGA é uma loja virtual de quadrinhos independentes. Nela, você vai poder encontrar diversos títulos de quadrinhos independentes brasileiros e vai poder colocar o seu título à venda, alcançando assim, um número maior de leitores.


Na BODEGA você vai poder encontrar títulos como: AVENIDA, BRADO RETUMBANTE, CRÂNIO, DEFENSORES DA PÁTRIA, ENCANTARIAS, GARAGEM HERMÉTICA, HERÓIS BRAZUCAS, HOMEM GRILO, LEÃO NEGRO, MÁSCARA NOTURNA, METEORO, O GAÚCHO, PRISMARTE, QUADRINHÓPOLE, RAIO NEGRO, TURMA DO XAXADO, VELTA e muitos outros.


São títulos nos mais variados temas como AVENTURA, CLÁSSICOS, FICÇÃO, FOLCLORE, HISTÓRICOS, INFANTIL, POLICIAL, SEXO, SUPER-HERÓIS, TERROR, WESTERN e outros.


Já são quase 100 títulos a sua disposição. E, toda semana, temos novidades.


O endereço da BODEGA é :


Caso queira saber como colocar o seu título em nossa loja, mande um e-mail para:

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

PLOTBOT

Outro formatador para roteiros online (não requer nenhum tipo de instalação), com o Scriptbuddy.

A interface é melhorzinha, os recursos também, e no Plotbot você não precisa adquirir uma conta Pro como a do Scriptbuddy - 45US$ por uma assinatura de um ano - para exportar seus roteiros. O Plotbot exporta para .rtf e para .xml. Fiz um pequeno teste e a acentuação veio toda avacalhada. Além disso, o sistema de escrita, baseado em caixas de diálogos ao invés da tradicional combinação TAB + ENTER + BACKSPACE é, como dizem os americanos, a pain in the ass.

De qualquer maneira, vale a pena ficar de olho nesse tipo de ferramenta.

NEW BESTIALITY RESTAURANT LETS YOU PORK YOUR PORK

O título fala por si só. Um hoax, provavelmente.

É claro que eu roubei no Ellis.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

AINDA ORANGOTANGOS



(clique no orangotango terrorista)

Mais um da série "por essa eu não esperava": recebo hoje um email de divulgação do filme AINDA ORANGOTANGOS, baseado no livro homônimo, de Paulo Scott. Dele tenho o Voláteis (que ainda não li, confesso, mas que já furou a fila na pilha de leitura. Podem me chamar de frívolo).

O que me chamou a atenção, além do fato de ser um filme baseado num autor, hmmmm..., fresco (pega mal falar assim?), algo que - graças a Fotamecus - está se tornando frequente, é que o filme é o, de acordo com o site, primeiro longa feito em plano-sequência no Brasil. Pra quem não sabe, planos-sequência são cenas sem corte, cuja feitura é, no mínimo, espinhosa. Fiquei curioso e já adicionei à lista dos filmes que quero ver antes da próxima encarnação.

domingo, 16 de setembro de 2007

QUADRINHOS ONLINE, ADSENSE E COMICPRESS

Post interessante do Cadu Simões, pai do Homem-Grilo.

(que me lembra que eu já deveria ter postado aqui, há muito tempo, a outra parte das minhas considerações sobre o assunto).

Ainda falando em quadrinhos, Leonardo Santana também revela o processo de tentar publicar sua hq, F.D.P. (sim, significa isso mesmo que você está pensando) pelas editoras tradicionais.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Celtx 0.9.9.5

Versão nova do Celtx disponível para download.

Por enquanto, só em inglês:

http://www.celtx.com/download.html

As mudanças:

http://www.celtx.com/releaseDetails.html

Aparentemente, bastante coisa nova. Vou instalar por aqui e depois comento.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

TAKASHI MIKE + QUENTIN TARANTINO + WESTERN SPAGHETTI = SUKIYAKI WESTERN DJANGO!



FANTÁSTICO!

Por essa eu não esperava! É isso mesmo, macacada. Um dos faroestes italianos mais cabulosos que já passou pelas telas de cinema ganhou um remake japonês.

E se você tem mais de trinta, é bem provável que saiba o que tinha dentro daquele caixão.

(isso tudo me lembra que tenho que rever meu DVD de DJANGO VEM PARA MATAR, uma das 300 de Esparta "continuações" não-oficiais)

(granjeado en Blogacine, ¿donde más?)

domingo, 9 de setembro de 2007

O DOBRO DE CINCO - DA MOVIE & DANIEL PELLIZZARI NO AMORES EXPRESSOS



Bem, como eu vi a notícia em vários lugares ao longo da semana, vou citar a fonte original, que é o Rafael Grampá.

A primeira vista eu não tinha botado muita fé, mas após ver a foto do ator Cacá Carvalho maquiado como Diomedes e saber que o filme vai ter os cenários feitos em CG, acho que vai sair coisa interessante daí. No aguardo e ansioso.

E por falar em Mutarelli, ele anda postando em seu novo blog, que faz parte do polêmico Amores Expressos.

Confesso que, por certo tempo, cheguei a pensar que ele, o meu preferido neste grupo, tivesse desistido, já que não havia nem uma notinha a respeito do mesmo na antiga versão do site do Amores.

Mas, peralá! Eu disse meu preferido?

Ledo engano, caro leitor! Agora que Daniel Pellizzari está na parada, a supremacia do Mutarelli corre sério risco (embora ele ainda ganhe por um esquilo novaiorquino de distância).

Na dúvida, comprarei os dois, assim que saírem.

sábado, 8 de setembro de 2007

THEY CALL HIM MR. PITCH

Artigo interessante para ilustrar a diferença abissal entre a indústria do cinema dos EUA e a nossa(foi piada, gente!).

Basicamente, é sobre um cara que vive de vender idéias aos estúdios. Não roteiros, mas apenas idéias. Como disse um dos entrevistados para a matéria: ''If you buy a script, even if it needs work, you at least have 120 pages you can fix or add dialogue or jokes to. But if you buy a pitch, you have no real blueprint. You're sort of buying air.''

O cara, um tal Bob Kosberg, ainda tem um site onde recolhe e ajuda a vender idéias de terceiros. Mas, como era de se esperar, para que se possa submeter idéias ao Mr. Pitch é necessário adquirir um CD-ROM que custa 20 doletas. Uma pechincha pra quem pode ganhar 50,000 verdinhas por algumas linhas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

CREATESPACE.COM

Uma fábrica de produtos culturais sob demanda. A diferença de outras que tem por aí é que esta é uma empresa da Amazon, ou seja, conta com toda a estrutura de distribuição deles.

Algo para dar uma olhada mais cuidadosa qualquer hora dessas.

Surrupiado do Vovô Ellis, as always.

SMOKING BUDDHA



Não faço a mínima idéia do que trata o roteiro, mas só o título e a ilustração(!) já valem a leitura.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

MOVIE MAGIC SCREENWRITER 6



Nunca fui muito com a cara do Movie Magic, mas esta nova versão está pelo menos mais simpática, além de contar com um recurso que acho muito útil, que é esse "navegador" que fica ao lado esquerdo da página, semelhante ao do Sophocles (meu software pago preferido).

De qualquer maneira, a menos que você seja um profissa e ganhe a vida com isso, aconselho o Celtx (que também pode ser usado sem problemas por profissas, note).

ATUALIZANDO: tinha me esquecido. O Demo ainda não está disponível.

sábado, 1 de setembro de 2007

THE UMBRELLA ACADEMY - PREVIEW

Bacana essa ferramenta que a Dark Horse usou para soltar esse preview.

É possível ver a criação da página em cinco etapas, que vão do roteiro ao letreiramento. Quanto ao roteiro do Gerard Way eu não sei, mas o traço do Bá é supimpa e estou na fissura de ler essa parada.

(via Bigorna)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

ASSOMBRO



Mais um do Palahniuk traduzido.

O preço tá meio salgado, mas esse é um que eu quero ter na estante.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

LIVRO SOBRE ROTEIROS DE HQ - A CONVOCAÇÃO

Sem rodeios e vamos lá!

A IDÉIA

Publicar um livro em formato eletrônico (.pdf, provavelmente), de distribuição GRATUITA, seguindo a permissão CREATIVE COMMONS (http://www.creativecommons.org.br), que reúna trechos de roteiros de hq, com comentários dos respectivos autores. Algo nos moldes dos livros Writers on Comic Scriptwriting ou Panel One/Two.

Obviamente, não haverá qualquer tipo de pagamento pelo material.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Qualquer um que já tenha escrito um roteiro de hq, tenha sido ele desenhado ou não.

SOBRE O ENVIO DO MATERIAL

O material enviado pelos autores deve ser composto por:

- 1 página de roteiro. Não importa a extensão do texto, qual página é, etc e tal. Caso a história já tenha sido publicada, também devem vir os dados/links respectivos.

- Um texto de no máximo 1000 palavras (fonte Times New Roman, corpo 12, espaço simples) falando sobre o processo criativo e/ou sobre a composição da página em questão.

- Uma biografia de no máximo quinhentas palavras, onde podem (e devem) constar informações de contato do autor.

- Todo o material deve ser enviado em um único arquivo, extensão .doc, .odt, .rtf ou .txt. Aquele que me enviar um .docx terá convocadas sobre si as cinquenta mil legiões viróticas de Fotamecus.

- Ao enviar o material, o autor concorda que está cedendo os direitos para publicação nesse livro, sem qualquer ônus para o organizador, no caso, eu.

AS CONDIÇÕES:

- Não custa nada repetir: NÃO haverá qualquer tipo de remuneração. A publicação se dará na internet, de maneira GRATUITA, num e-book no formato PDF, no esquema CREATIVE COMMONS. Obviamente, o material pertence a seus respectivos autores.

- Como me autoproclamei "editor/organizador", me dou o direito de sugerir modificações e não publicar o material caso estas mesmas modificações não tenha sido executadas.

- Mais uma vez lanço mão de minha onipotência despótica e digo: "material enviado" não quer dizer "material publicado".

- Dependendo da quantidade e da qualidade do material, pode ser que role uma segunda edição.

- O prazo final para entrega do material é dia 30 de Setembro de 2007. Após esse período ainda haverá a fase de edição e adequação do material, que, presumo, vai durar mais uns dois meses.

- Inicialmente, publicarei em meu fórum desabitado no Ning (http://contagio.ning.com). No futuro, outros canais serão estudados.


Mais detalhes à medida em que os trabalhos forem sendo feitos.

Bom, é isso pessoal.

Vocês sabem onde me encontrar.

Falou!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A CONSPIRAÇÃO DOS ANTEPASSADOS - A CAPA



Falei do livro uns posts atrás e agora deixo com vocês o press-release (clique na imagem para ampliar), que inclui a a capa, que pode ser vista com mais detalhes aqui.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A CONSPIRAÇÃO DOS ANTEPASSADOS

David Soares colocou trechos do primeiro e segundo capítulos de seu novo romance.

E meu palpite estava certo.

Vai na fé que vale a pena.

domingo, 12 de agosto de 2007

CONVITES PARA O POWNCE

Embora eu não tenha descoberto nenhuma utilidade prática para o sistema (pelo menos uma que já não exista), criei um perfil lá e tenho 6 convites sobrando.

Se quiser um, me dá um toque.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

DOKTOR SLEEPLESS N°1

(Já aviso que daqui em diante os spoilers vão comer soltos, então, se você pretende ler a revista num futuro próximo, é melhor parar já)


Uma moça descobre que seu amigo estava morto porque ele ficou offline no instant messenger que ela acessa através de uma lente de contato. Sim, você leu isso mesmo. Essa é só uma das idéias maluquinhas (pero no mucho) que tempera DOKTOR SLEEPLESS, a mais nova empreitada autoral de Warren Ellis.

O mote por trás da série é: onde está o futuro?Aquele com carros voadores, teletransporte (fótons não valem)ou alienígenas bonzinhos?

E foi isso o que me chamou a atenção. Porque há a pergunta, mas em contrapartida, há uma - presumo - resposta: o futuro é agora!

Se não temos os itens relacionados acima, temos smartphones, nanotecnologia, internet e sei lá mais quais avanços técnicos que são tão ubíquos que mal os percebemos.

É óbvio que tenho em mente que os avanços sociais, os que realmente importam, não acompanham nem de longe os tecnológicos. Mas as mudanças têm que começar por algum lugar, não é?

Essa revista é um filhote ideológico de TRANSMETROPOLITAN, mas sem a pegada cyberpunk-histriônica de Spider Jerusalém e trupe. Aparentemente, é mais, como direi?, contida.

DOKTOR SLEEPLESS, assim como DESOLATION JONES ou FELL (edição 1 inteira no 0800, aqui), é um repositório para todas as bizarrices que Ellis encontra internet afora, mas parece que há uma sintonia maior aqui. Diferente de muito autor consagrado que tem por aí, ele nunca escondeu suas referências. Muito pelo contrário: ele é o rei do ctrl+c, ctrl+v. Só para dar um exemplo, na história SOL POENTE, uma hq de 11 páginas publicada na Pixel Magazine 3, as várias referências ao filme MEN BEHIND THE SUN (ou Hak taai yeung 731, no original. Só para estômagos fortes, pessoal) já começam no título. E isso porque eu nem falei de PLANETARY. Série da qual sou fã, só para nos situarmos.

Warren Ellis é um escritor irregular, mas não se pode negar que ele sempre está um passo à frente da maioria dos seus colegas no que diz respeito à novas propostas e insights sobre o meio.

O ponto mais interessante em DOKTOR é a idéia por trás do título. A edição conta com uma seção chamada DATASHOW, 3 páginas de extras onde Ellis explica melhor alguns conceitos que criou/remixou para a série. Esse mesmo conteúdo vai aparecer no site da revista, que é um wiki, um site que pode ser editado pelos usuários - nesse caso, dentro de certos limites. E, segundo o próprio autor, alguns "verbetes" vão aparecer primeiro no site, outros, na versão impressa, não havendo ordem ou hierarquia muito definida..

Embora esse tipo de obra interativa não seja exatamente novidade (me lembro das notas de rodapé do livro do Rushkoff, mas acho que já ouvi falar de outros casos parecidos), ainda sim dá margem a muitas possibilidades legais.

Agora, pra não dizer que tudo são flores, se Ellis é muito bom na hora de tratar de idéias, já não posso dizer o mesmo quando falo dos seus personagens. John Reindhart, o Doktor Sleepless, opera no mesmo mood cínico e niilista de praticamente todos os protagonistas das séries do Ellis que eu consigo me lembrar, quase como um extensão da rabugenta persona literária que ele criou para si (tenho cá minhas dúvidas de que no mundo real ele seja maleta daquele jeito).

Outra coisa que também me incomodou foram os desenhos, que não são um detalhe tão pequeno se levarmos em conta que histórias em quadrinhos são, eminentemente, um meio visual. Sei lá porque, cismei que a arte seria de Raulo Caceres, que fez a capa "wraparound" (dupla, para os hereges). Não que o traço de Ivan Rodriguez seja ruim, mas, sei lá, achei que não acompanha muito o contexto. Meio caretão mesmo, sacam? A arte mais nervosinha e esquisita de Caceres cairia melhor aqui. Mas isso é opinião de nerd. E vocês sabem como são os nerds, né?

Contudo, DOKTOR SLEEPLESS é um gibi que, por enquanto, vale a pena acompanhar. Nem tanto pelo que é, mas sim pelo que propõe.