segunda-feira, 31 de maio de 2010

#DELL #WINDOWS7 #EPIC #FAIL

Ou ainda: crônica de uma entrega não-realizada.


Senta que lá vem história.



Em Outubro do ano passado comprei um notebook da Dell. O segundo em um período de 5 anos. Para ser mais preciso, um Latitude E6500 tunado, que me saiu bem carinho (digamos que foi bem mais caro que um MacBook Pro de 13", e mais barato que um de 15").


Realizei a compra através de uma Pessoa Jurídica. E é praxe que equipamentos comprados por pessoas jurídicas sejam entregues nos respectivos endereços comerciais. Mas, no meu caso, devido à natureza do meu trabalho (viagens constantes), devido ao fato da empresa estar sendo transferida e devido à diversos outros motivos, pedi que o notebook fosse entregue em meu endereço residencial, que fica em outro estado. Houve certa relutância do vendedor, mas essa era uma condição para que o negócio fosse fechado. Ele concordou, eu comprei e o computador foi entregue. Ok.

Alguns dias depois, me inscrevi no programa 
Dell Windows7. O computador veio com o Windows Vista Business, mas por eu tê-lo comprado pouco antes do lançamento do 7, tive o direito, como outros clientes, a um upgrade gratuito do primeiro para o segundo. Seria necessário pagar um valor aproximado de 35,00R$, referente às despesas de envio. Pra mim tava bom.
O processo de inscrição em si é um tanto quanto bizantino, e tive que esperar SEMANAS até saber se teria direito ao upgrade. Mas teria. Beleza.

MESES depois recebi o boleto referente às despesas de envio. Como gato escaldado tem medo de água fria, entrei em contato com a Dell para conferir em qual endereço o kit seria entregue. Era o comercial. Expliquei novamente a situação para a atendente 1. Ela concordou, cancelou o primeiro boleto e emitiu outro, dessa vez referente ao meu endereço residencial, que paguei na mesma data. Tava tudo certo. Era só esperar vinte dias e receber o Sieben em casa.

Vinte dias depois, a mesma atendente entra em contato querendo saber se eu tinha recebido a mercadoria. Não tinha. Ela me pediu que enviasse o comprovante de pagamento. Enviei. Ela se desculpou pelos transtornos e disse que no máximo, dentro de MAIS vinte dias eu receberia o tal Windows. Tudo bem.

Uma semana depois, me ligam da transportadora querendo confirmar meu endereço. Como eu temia, eles tinham o endereço comercial. Mais uma vez, dei o endereço residencial. Mas a transportadora só poderia efetuar a entrega com a autorização da Dell. Entrei em contato com a Dell. Falei com a atendente 1. Ela disse que iria verificar a situação. Mais tarde, recebo um email da Atendente 2, pedindo meu SERVICE TAG. Envio.


Se passam + vinte dias. Tento entrar em contato com as duas, mas não consigo falar com nenhuma.

Espero MAIS duas semanas (estão contando os dias?) e ligo para o serviço de pós-vendas. Falo com a atendente 3. Isso foi numa sexta-feira. Ela me diz que entrariam em contato comigo até na quarta da próxima semana. Ok.

Na segunda, a atendente 4 me liga. Não pude atender. Ela me envia um email, requisitando meu endereço residencial. Envio o endereço, pela sei-lá-gésima vez.

Entre a quarta e sexta-feira, tento falar com a atendente 4, para saber em que é estava aquela história, mas não consigo.

E então, sexta-feira, dia 28/05/10, às 17:24, recebo uma ligação da atendente 4. Ela me explica que não seria possível entregar o kit em um endereço diferente do meu endereço comercial. Quero saber por quê. Ela derrapa nas explicações, mas é veemente de que não seria possível. Tento argumentar que a EMPRESA JÁ TINHA SE COMPROMETIDO a entregar o kit em minha residência, mais de DOIS MESES ANTES. Ela continuou dizendo que não era possível. Pergunto como foi possível entregar um equipamento MUITO MAIS CARO, nas mesmas circunstâncias. Ela continuou dizendo que não era possível. Pergunto por que era possível entregar até a publicidade da Dell em meu endereço residencial. Ela continuou dizendo que não era possível entregar o kit. Desisti e pedi o reembolso das despesas de envio que paguei em MARÇO.
"Peraí, Massula! Esse mimimi por causa de um Windows? Mas cê não usa Ubuntu?"


Na maioria do tempo, sim. E, depois que eu comprei esse computador, consigo resolver a maioria dos meus problemas com a combinação Ubuntu+VirtualBox.

Contudo, existem casos onde tenho que rodar softwares que funcionam apenas no Windows em todo o esplendor do meu hardware (mais sobre isso qualquer dia desses) e, portanto, mantenho o Vista Business que veio junto com o notebook em uma partição nas redondezas.

E já que ia rolar o upgrade para o 7, pensei, por que não?

O que me chateou nem foi o fato de ficar sem um produto do qual estou me distanciando cada vez mais. Eu acho até que fui paciente desse jeito justamente pelo fato do 7 não estar me fazendo falta.

O que me deixou fodido da cara foi ter sido tratado como um idiota, principalmente no dia 28/05.


Se a regra tivesse valido desde o início, tudo bem, eu entenderia. Mas, porra, por que um atendente diz que pode e outro diz que não pode? E por que eles não podem entrega uma caixinha com um DVD, mas puderam entregar um notebook? E ainda, por que eles podem me envia folders e panfletinhos publicitários?
Entenderam o problema?

Até então, na minha cabeça, a Dell era a epítome da eficiência. Agora não é mais.

Fiquei muito decepcionado com o andamento do pedido e com o atendimento dado pela empresa que, pelo número de mal-entendidos e informações incorretas, conseguiu ficar em pé de igualdade com as operadoras de telefonia celular. E, para mim, isso é o fundo do poço.


Em contrapartida, houve um lado bom nessa quizumba toda: fui empiricamente convencido de que não devemos depositar nossos ovos numa mesma cesta, ou numa marca. Se ainda não tenho o que reclamar dos produtos da Dell, já não posso dizer o mesmo do atendimento ao cliente. Os produtos podem ser trocados, mas minhas impressões não.


Eu estava pensando em aumentar o nosso "parque tecnológico" com um netbook do mesmo fabricante. Estava. O netbook virá, mas certamente terá outro logotipo estampado na carcaça.


Sei que um gato pingado como eu não deve ser exatamente uma das prioridades de uma empresa do tamanho da Dell, mas não posso deixar de registrar minha queixa.


Adeus Dell. Foi bom enquanto durou.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

BORGES E OS ORANGOTANTOS ETERNOS, 2° ED.

Cheguei de viagem ontem. Surpresa.

Minha irmã me enviou um presente. Um livro. Ela sabe dos meus gostos. Moramos juntos por tempo suficiente.

O livro? A segunda edição de BORGES E OS ORANGOTANTOS ETERNOS. O único do Verissimo filho que li. E vou te dizer: adorei.

Mas aí é que tá. Eu JÁ tinha a primeira edição. 

Aparentemente, não há nenhum extra. A única diferença é a capa, que não faz questão de vincular o título à coleção dentro da qual foi originalmente lançado, LITERATURA OU MORTE. Na verdade, não há nenhuma indicação disso no livro, a não ser a mini-bio do escritor-personagem. Que seja.

Expliquei a situação para minha irmã, e, num primeiro momento, pensei em trocar o livro. Mas gostei da capa mais style1, (obra de Kiko Farkas e sua onipresente Máquina) e então, não sei. Grandes chances de eu ficar com esse e dar um sumiço na edição anterior. Chances maiores ainda de eu ficar com os dois. Coração de mãe.

Obrigado, rimãzinha. 

:* do gordo.

1[porque stylish é para fracos]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O CÍRCULO DE OSSOS


Só mesmo o Mandarino para me fazer ler uma história cujo tema é fantasia medieval. História disponível em português E inglês, aliás.


A propósito, você também deveria dar uma lida. E depois batizar seus próximos filhos com nomes Inuítes/élficos como Hnuu ou Layaan.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

LIVROS, 13/05/10



Tava eu ontem (13/05/10, se você ainda não sacaram...) no mercado, à procura de um alicate que vi por lá uns dias atrás.
Não encontrei a ferramenta.


Mas na volta me deparo com uma banca de livros em promoção. 


Paro.


Mesmo tendo prometido a mim mesmo que não compraria mais livros esse ano (e nem nos próximos), perdi completamente o controle das minhas faculdades motoras e comecei a garimpar aquela montanha (estou sendo dramático, ok?) celulósica.


Tava até feliz porque esse ano o saldo dos livros lidos estava maior do que o dos livros comprados. A última vez que isso aconteceu foi em 2000. E garimpar banquinhas de promoção de livro em supermercados e megastores é meu equivalente moral a dar um pulo no sebo. 


Estou numa idade onde já não tenho saco ou disposição para tirar meu popozão do sofá com o objetivo de ficar escarafunchando livros empoeirados em corredores estreitos. A rinite também não ajuda. Mas se a montanha veio até mim, qual seria o problema de perder uns minutinhos ali?

Entre títulos de auto-ajuda e outros atentados à vida vegetal desse nosso 
planetão Terra, consegui achar alguns volumes que me interessaram. Consequentemente, trouxe-os para casa.

A lista:



ANDREI SIMÕES - PUTREFAÇÃO

Não conhecia o autor e muito menos sua obra. Mas o livro foi lançado na 
coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, que nos presenteou com algumas pérolas, mas também com coisa legal. A capa me interessou, o texto da quarta capa também, então resolvi conceder-lhe o benefício da dúvida. E, cara, tava só 4,90!

JOSÉ DOMINGOS BRITO (
ORG.) - POR QUE ESCREVO?/LITERATURA E CINEMA


Eu já tinha a primeira edição (1999) do livro POR QUE ESCREVO?, que como você já deve ter imaginado, é uma coletânea com depoimentos de vários escritores famosos, acerca de suas motivações literárias.


Mas essa edição que encontrei no mercado é a terceira, a mais recente, e como eu suspeitava, há bem mais extras do que na primeira edição. Não comparei uma com a outra para saber exatamente que extras são esses, mas uma olhada rápida já diz que a terceira edição tem quase cem páginas a mais, então meu palpite de que haveria mais bônus nessa encarnação estava certo.


POR QUE ESCREVO é o primeiro de uma coleção que totaliza cinco volumes. De lambuja, consegui trazer também o volume 4, LITERATURA E CINEMA, que a essa altura do campeonato você já deve ter deduzido que se trata de uma coletânea de depoimentos de escritores sobre a relação do cinema com suas obras e com a literatura em geral.


Pra quem se interessa pela mecânica da escrita, é um prato cheio. E, cara, cada um tava só 4,90! GLAUCO MATTOSO - POÉTICA NA POLÍTICA
Meu eu lírico não se dá muito bem com poesia. Mas Glauco Mattoso é uma exceção. E, cara, tava só 4,90!


P.S.: Por fora a edição tá legal, mas os cadernos se descolaram assim que abri o livro. Nem vou me dar ao trabalho de ir lá trocar. 


IAN MCEWAN - PRIMEIRO AMOR, ÚLTIMO SACRAMENTO & ENTRE LENÇÓIS


Essa é a tradução de uma edição inglesa de 1995 que junta os dois primeiros livros de McEWAN, ambos coletâneas de contos escritos na década de 1970. Como nunca li nenhum dos contos do cara, pensei: é nózes!


E, cara, tava só 4,90!

ROBERTO FREIRE - O MOMENTO CULMINANTE


Talvez minha admiração pela obra de Roberto Freire se deva ao fato de ter lido COIOTE em tenra idade. Pelo que diz a sinopse, é o primeiro romance policial dele. Não tinha conhecimento deste, ou disto. Nem sei se saíram outros do mesmo estilo. Mas é Roberto Freire é Roberto Freire. E, cara, tava só 4,90!

RICARDO 
PIGLIA - RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL


Piglia também é Piglia (estamos ficando redundantes, não?). Entretanto, confesso que até ontem não fazia a mínima ideia de qual era o mote de RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL. Mas sabia que o livro foi premiado, aclamado e saracoteado pela crítica e pelo público. Então pensei: por que não? E, cara, tava só 4,90! 


ALESSANDRO BARICCO - CITY


Desse nunca ouvi falar MESMO. Mas a capa é bonita, o título é sonoro e a sinopse me chamou a atenção. E, cara, tava só 4,90!


ALDOUS HUXLEY - CONTRAPONTO


Huxley dispensa comentários, e é outro pilar nas minhas referências literárias. Também li ADMIRÁVEL MUNDO NOVO quando estava numa idade muito mais impressionável, e até hoje me pergunto como o cara escreveu aquilo na década de 1930.


Esse aqui tem um valor especial porque é uma edição antiga mesmo, de 1987. Apesar disso, o acabamento estava impecável. Capa lisinha, sem marcas de nenhum tipo. Mas, chegando em casa e tirando o livro do plástico, surpresa: ao abrí-lo, assim como aconteceu como livro do Glauco, alguns cadernos também se descolaram.


Mas, ok, porque cara, tava só 9,90!

CONCEIÇÃO PENTEADO - 
PSICOPATOLOGIA FORENSE


Edição de 1996. Não faço a mínima ideia do conteúdo. Mas o título me interessou. E, cara, tava só 2,90!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PANEL ONE

A principal influência para isso aqui (se é que alguém ainda se lembra) foi o livro PANEL ONE: Comic Book Scripts by Top Writers.

Dia desses tava de bobeira em casa, reencontrei o bicho na estante e comecei a folheá-lo. De lá pra cá, acabei relendo quase tudo.

PANEL ONE é uma coletânea composta por nove roteiros, ora comentados pelos autores, ora pelo editor do livro, Nat Gertler (que, por sinal, também possui um roteiro lá).

Não é um livro que vá mudar sua vida. E os roteiros não incluem nenhum grande clássico, mas quando li da primeira vez, deu uns insights. E a releitura recente deixou tudo mais legal.

É um trabalho interessante porque evidencia as pequenas idiossincrasias que todo roteirista tem. Embora seja relativamente fácil encontrar roteiros de hq na internet, o fato do livro trazer vários deles juntos e contextualizados tem suas vantagens.

Apenas um dos autores - Gaiman - não é americano. Mesmo assim, fez sucesso escrevendo comics. Então, obviamente, há alguns pontos de tangência, e o livro pode não ser tão plural quanto alguns gostariam. De qualquer maneira, continua sendo uma leitura mais do que válida pra quem se interessa pelo assunto

Sem mais delongas, os roteiros:

Neil Gaiman - MIRACLEMAN 17

O roteiro é bem classicão, do tipo fullscript.

Naquela época, final da década de 1980, Gaiman era mais prolixo e, talvez indo um pouco no vácuo do escritor que o antecedeu - ninguém mais, ninguém menos do que o nosso bom e velho Maconheiro Mágicko de Northampton - se perdia em detalhes que, a julgar pela minha leitura de roteiros (nem tão) mais recentes, talvez ache irrelevantes hoje em dia.

O que me impressionou foi que ele tinha o PÉSSIMO HÁBITO DE ESCREVER AS DESCRIÇÕES DO PAINEL EM CAIXA ALTA, O QUE, CONSEQUENTEMENTE, DEIXA A MAIORIA DO ROTEIRO EM CAIXA ALTA, O QUE, POR SUA VEZ, TORNA A LEITURA INCÔMODA. Os diálogos e recordatórios foram poupados dessa barbaridade tipográfica, graças aos deuses.

Sempre achei isso meio esquisito, por que para mim tinha que ser justamente o contrário. Descrição de painel com maiúsculas E minúsculas, enquanto recordatórios e diálogos -  que vão ser copiados e colados na página desenhada - somente em MAIÚSCULAS. Isso, aliás, costuma ser o padrão de letreiramento.

Em alguma das encarnações anteriores do site do Warren Ellis, ele comenta algo sobre o fato de que escrever os diálogos e recordatórios em caixa alta ajudava a ter uma noção de como aquilo ia ficar na página finalizada.

De qualquer forma, na época em que esse roteiro foi entregue, provavelmente as hqs ainda eram letreiradas manualmente. Então pra que se preocupar em facilitar a vida do letrista com o Ctrl+C,Crtl+V?

Essa hq é bacana, e foi desenhada por Mark Buckingham.

Marv Wolfman - THE MAN CALLED A-X 5 (volume 2)

Confesso que antes de ter lido esse livro, nunca tinha ouvido falar nesse título.

Esse roteiro foi escrito por Wolfman no estilo que ele chama de Plot Style (comumente chamado de Marvel Way).

Não há divisões de painéis ou informações mais detalhadas. Ele apenas indica a página e, em um parágrafo, dá todas as coordenadas ao desenhista, salpicando alguns trechos de diálogos aqui e acolá.

Os roteiros no estilo Marvel Way que eu já tinha lido até hoje eram mais sintéticos, e esse do Wolfman me lembrou mais o que alguns roteiristas de cinema americanos chamam de scriptment, que é uma mistura de roteiro (script) com argumento (treatment), cuja "criação" foi imputada ao diretor James Cameron.

De qualquer forma, as exigências no que diz respeito a um roteiro de quadrinhos são bem menores do que as de um roteiro de cinema, então, se a mensagem é bem passada, tá valendo (quase) tudo.

Aliás, nessas andanças, acabei descobrindo que Wolfman comercializa versões impressas dos seus roteiros.

Dwayne McDuffie - DEATHLOK 5

Vou confessar que estava até surpreso lendo um roteiro do McDuffie que não tocava em determinados assuntos, quando lá pela página 17 ele diz explicitamente ao desenhista (Denys Cowan) que gostaria de fazer um paralelo entre alguns personagens da hq (a saber, ciborgues e mutantes) com outras minorias. Aí pensei: "tá tudo bem agora".

Anyway...

O roteiro é antigo e em seu foreword McDuffie afirma que atualmente (leia-se: 2002, época da publicação do livro) escreve melhor e que na verdade gostaria de incluir o roteiro de ICON 42, que, segundo o próprio, estava publicado na seção de roteiros em seu site. Da última vez que passei por lá (tipo, dois minutos atrás), não tava mais.

Mas, por razões contratuais, ele só pôde ceder este, o que nos trás de volta ao Deathlok. McDuffie ainda observa que esse roteiro é o quarto e último capítulo de um arco, e o leitor não teria a mesma vantagem de Cowan, que teve 66 páginas para se adaptar ao "McDuffiês" até chegar a essa altura do campeonato. Particularmente, não vi nada demais.

Além da obsessão de McDuffie por grifar palavras e trechos dos diálogos (para que sejam destacados pelos letristas), não há muita pirotecnia no texto, que segue uma formatação proto-hollywoodiana.

Fiquei curioso pra ler esse material, mas a história em si é bem paia.

Jeff Smith - ROSE 1

Até já ouvi falar de quadrinistas* que passam pelo processo de redigir um roteiro, no sentido clássico, antes de botar a mão no lápis.

Mas, no caso desses caras, parar para escrever um roteiro costuma ser perda de tempo. A história geralmente brota de um amontoado de notas e desenhos esparsos, que já vão tomando forma em páginas "rafeadas" com indicações de diálogos. O processo é mais orgânico, obviamente pelo fato das partes mais importantes do mesmo dependerem de apenas uma cabeça.

E, Jeff Smith, criador de Bone, não é exceção.

Sua contribuição para o livro são 30 páginas rafeadas (esboçadas para você, ó, herege) com indicações de diálogos e tudo mais.

Mas os rafes não eram para consumo próprio e sim para Charles Vess, figurinha tarimbada no mundo dos quadrinhos.

Não li ROSE, e me bateu uma curiosidade para saber como ficou o resultado final. Embora um esboço dê uma ideia legal de como vai ficar a página, os estilos dos dois são muitos diferentes.

*Profissional Completo: desenhistas que também escrevem, ou roteiristas que também desenham, você escolhe.

Trina Robbins - GOGIRL 3

Esse roteiro da Trina Robbins chama a atenção porque parece ter sido escrito no corpo da mensagem de um email. Inclusive, é reproduzido com os campos de Subjetc, Date, From e To, característicos das nossas boas e velhas mensagens de correio eletrônico.

Já ouvi falar disso. Gente que escrevia verdadeiras epopeias no Outlook (e agora no Gmail). Mas não fica claro se ela escreveu assim, ou se abriu o editor/processador de textos, copiou e colou tudo no email.

Trina também é detalhista e passa bastante tempo criando a ambientação da cena, mas seu texto não é enfadonho.

Mas isso não foi suficiente para despertar minha curiosidade pela GoGirl.

Kurt Busiek - ASTRO CITY 1/2

Uma das coisas que me chamou a atenção nesse segmento do livro foi a uma observação que Busiek faz em seu texto introdutório sobre algo que ainda não tinha me dado conta, pelo menos conscientemente.

Ele fala que, para escrever seus roteiros, tomou emprestada uma técnica utilizada por Frank Miller. Em vez de escrever uma descrição completa e linear do painel/página, ele descreve antes o que estará em primeiro plano, ou seja, o que será imediatamente visto pelo leitor. Depois dá os detalhes restantes. Embora isso polua o roteiro com "CLOSEs", "ONs", "WE SEEs" e outras indicações, fez sentido para mim.

Busiek faz algo que fiz durante muito tempo (e hoje não faço mais): coloca um pequeno glossário na primeira página do roteiro.

Baseado neste e num outro roteiro que já li, acho que ele exagera um pouco nas indicações ao letrista. ISSO PRA NÃO FALAR QUE TAMBÉM ESCREVE AS DESCRIÇÕES DE PAINEL EM MAIÚSCULAS! #porrabusiek!

Nunca fui muito fã de ASTRO CITY, mas já li essa hq e me lembro de ter gostado, porque  Busiek subverteu em um clichezão das histórias de super-heróis.

Greg Rucka - WHITEOUT:MELT 1

Caras que vieram da prosa para os quadrinhos - como é o caso de Rucka - costumam pesar a mão nos diálogos e descrições, demorando um pouco a sacar o ritmo da escrita de quadrinhos. Alguns nunca sacam, aliás.

Mas esse não é o caso dele. Se não estou enganado, WHITEOUT:MELT (continuação de WHITEOUT) foi um dos seus primeiros quadrinhos publicados, e aqui seu estilo já está bem telegráfico, seco mesmo.

Uma coisa que notei nesse roteiro é que Rucka *sempre* grafa os nomes dos personagens em maiúsculas, destacando-os do restante do texto. Gostei disso e talvez me apodere desse truque.

Ele utiliza algumas siglas estranhas (FG, BG, EBG e CU[hihihi...]), que, se presumi bem, devem significar Foreground, Background, E-?-background e Close-up.

Há também umas notas finais (endnotes). Assim como Gertler, acho que também nunca vi um roteiro com isso. E também não li WHITEOUT.

Nat Gertler - DEGENERATION (publicada em Fol 8)

Nat Gertler, editor do livro, deixou sua aparição para o final. Malandrão.

Nesse caso, também há a hq que se originou do roteiro, desenhada por Steve Lieber. E como pude ler e como pude ler um após o outro, na sequência, acho que vou dar meus 0,02R$ sobre a história.

DEGENERATION foi publicada na Fol, uma revista literária turca(!), dirigida a um público mais, hmmm..., sofisticado. Se entendi bem, sua confecção é semi-artesanal e o formato é pra lá de gigante.

Os autores fizeram a história, o editor da revista traduziu o texto para o turco e devolveu-o a Lieber, que fez o letreiramento em um idioma que desconhece totalmente. No início do roteiro Gertler já avisa que estava numa vibe meio "Alanmooreana", então solta o verbo pra cima do pobre Steve (e de nós, pobre leitores).

Gertler ficou preocupado demais com o público, bem... sofisticado da revista, então decidiu que seria melhor não distinguir os papéis dos dois artistas nos créditos da história, para não passar a impressão de produção mecanizada/industrial/artificial/yankee/colonizadora/grandesatanizadora.

Lieber segue as indicações à risca, Gertler tem algumas idéias interessantes em relação à concepção visual de duas páginas, o título é mais alusivo do que aparenta e os parafusos foram todos bem apertados, mas Degeneration não é uma história que vai ficar gravada na sua cabeça.

Quanto ao roteiro propriamente dito, Gertler usa uma formatação esquisita para seus recordatórios (essa hq não tem diálogos), com fontes diferentes do restante do texto, inclusive no tamanho. Isso me incomodou um pouco.

Kevin Smith - Jay and Silent Bob: Walt Flanagan's Dog  (publicada em Oni Double Feature 1)

É assim: dos filmes eu só assisti Jay and Silent Bob Strike Back. Dos quadrinhos, li alguma coisa de Clerks, o run com Quesada no título do Demolidor e algumas edições do Arqueiro Verde. Da fase do Demolidor eu até gostei, mas até hoje não entendi todo o hype em cima desse cara. Mas pode até ser que eu não tenha experimentado a parte boa da torta.

Esse foi o primeiro roteiro publicado por Smith, e seu texto já tem uma pegada cinematográfica. Smith é econômico (como Rucka), e os diálogos dos seus personagens costumam ocupar mais espaço do que as descrições dos painéis.

Além disso, suas raízes cinematográficas ficam claras quando ele coloca cabeçalhos de cena (INT. CASA DA MÃE JOANA - DIA) para estabelecer o cenário. Já fiz isso no passado e hoje não faço mais. Mas o recurso pode ajudar, dependendo do caso.

*****

Pra quem realmente se interessa pelo assunto o livro é um prato cheio, e serve para confirmar uma coisa: não há jeito certo ou errado de se escrever um roteiro para uma história em quadrinhos. Há sim o jeito claro e o confuso. E o último, acredite você, tem que ser evitado a todo custo.

Ah!, antes que eu me esqueça: se alguém lhe disser que os profissionais escrevem assim ou assado, pode rir na cara dele. E diga que fui eu quem mandou.

PANEL ONE tem uma continuação, PANEL TWO: More Comic Book Scripts by Top Writers. A única diferença digna de nota em relação a seu irmão mais velho é que, dessa vez, os desenhistas também tem a palavra. E há o argumento do Judd Winick. Mas isso é conversa pra outra ocasião.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

POR QUE NÃO TEMOS BONS ROTEIRISTAS DE QUADRINHOS NO BRASIL #12003945656

Essa discussão já é velha e costuma entrar em loop rapidamente.


Confesso que comecei a ler meio com má vontade, mas alguns argumentos do Forastieri fazem sentido.

domingo, 18 de abril de 2010

PIERCE WHITE-CARTER

Não há um dia sequer no qual você não ouça/veja/leia/receba pelo menos um relato de uma desgraça.

Algumas são tragédias de grandes proporções, outras não.

Contudo, a menos que estejamos ligados de alguma maneira com a desdita, mais cedo ou mais tarde acabamos nos esquecendo dela.

Só que uma conversa com minha esposa, na tarde da última sexta-feira, me deixou com um aperto no coração que não quer ir embora de jeito nenhum.

Ela me falou sobre Pierce White-Carter, um moleque inglês de 8 anos, portador de um câncer raro, incurável e já em fase terminal. A família decidiu parar com a quimioterapia, que não estava surtindo efeito, e segundo os médicos o menino não tem muito tempo de vida.

Pierce sabe de sua condição, e fez uma lista de desejos que gostaria de realizar antes de morrer.

Um deles é poder segurar no colo o irmãozinho ou irmãzinha que ainda está na barriga de sua mãe, que conseguiu na justiça o direito de antecipar o parto em 3 semanas.

Se fosse ficção, teria um final bem piegas, com direito a reviravolta milagrosa.

Mas é real. E é triste. Muito triste.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

PIXELS, DE PATRICK JEAN

Meu irmão me mandou isso hoje, e, sinceramente, não sei se já vi esse link dando bobeira por aí (Twitter?). De qualquer maneira, (re)vi.

Nostalgia.


PIXELS by PATRICK JEAN.
Enviado por onemoreprod. - Ver os videos os mais originais da rede

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COBRA QUE COME COBRA...

Um amigo me enviou o link hoje, e, por motivos óbvios, compartilho-o por aqui.


É como diz a sabedoria popular: cobra que come cobra acaba comendo o próprio rabo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

MURIEL

Conseguimos mais informações a respeito da segunda onda dos invasores do Planeta Barriga.

Na verdade, uma invasora.

Na verdade mesmo, uma invasorinha.

Clique para ampliar

É essa gatinha que você pode ver na foto acima.

Caso você ainda não tenha percebido, ela está batendo continência para a sonda ultrassônica, que teima em estabelecer contato, interrompendo sua série diária de piruetas amnióticas.

E o nome dela, segundo fontes fidedignas, será MURIEL.

Agora, um pouco de história familiar.

Quando a Patroa estava grávida de nosso primeiro filho, ela tinha certeza que seria uma menina, e me coagiu, digo, convenceu, a dar-lhe o nome de Muriel. Achei bonito (e já tinha visto o filme).

Mas aí veio o destino, esse fanfarrão, e colocou um pintinho, digo, pontinho a mais naquele emaranhado de manchas.

Tínhamos feito uma aposta, e quem acertasse o sexo da criança poderia escolher o nome. Como fui eu quem acertou, a honra caberia a mim.

Dei algumas sugestões, todas prontamente negadas, e a Patroa me aparece com uma listinha, contendo algumas opções.

- Mas eu não posso escolher o nome que quero?

E ela me respondeu, docinha que só:

- Pode, desde que seja um desses.

Ok. Deliberamos, digo, deliberei e escolhemos, digo, escolhi o nome. Assim veio ao mundo o Murilo, primeiro invasor do... cê já sabe, né?

Ano passado, chegou o Daniel, nosso segundo filho, que também veio de outra mundo, embora não seja nativo do Planeta Barriga que consta em nossos registros.

Aí, quando soubemos que o terceiro membro do nosso power trio mirim seria uma mocinha, a Patroa não teve dúvidas, digo, nós não tivemos dúvidas sobre qual seria o nome dela: Muriel.

O que acontece é que no Paraná, ou pelo menos em Curitiba, cidade onde moro, Muriel também é um nome masculino, e chega a ser engraçada a cara interrogação de algumas pessoas quando dizemos qual foi o nome que escolhemos para nossa filha.

Some isso ao fato de que só percebemos DEPOIS um acrônimo involuntário com os nomes dos meninos (MURIlo + daniEL), e a confusão está feita.

Pra complicar ainda mais a gênese "epítetonímica", o Murilo comprou a história do acrônimo como se fosse a verdadeira, e não pensa duas vezes em dividí-la com qualquer ser humano que lhe conceda meio dedo de prosa :))

Enfim, isso tudo foi só pra avisar que se eu ouvir você dizendo "Mas Muriel não é nome de homem?", ou ainda "Ahhhh, tá. Muriel de Murilo + Daniel, né?" colocarei, sem pestanejar, seu nome na boca do sapo!

quinta-feira, 25 de março de 2010

ZHURA UNE-SE AO SCRIPPED

Duas das mais utilizadas ferramentas online para formatação de roteiros se juntarão, e o filhote deles dará as caras no dia 31 de Março, mas a partir da próxima segunda, dia 29, todos os acessos ao Zhura (que desaparecerá) levarão ao site do Scripped.

Pelo que entendi dos comunicados enviados por ambos os sites (com poucos minutos de diferença), a marca será do Scripped, mas o "motor" será o do Zhura, que na minha opinião, é o melhor da "catiguria".

Segundo as duas empresas, os roteiros hospedados no Zhura permanecerão intactos, e o usuário poderá se logar com as credenciais do Zhura no site do Scripped.

Com exceção dos comunicados propriamente ditos, as únicas menções ao negócio estão na página do Scripped no Facebook e num post no Socaltech.

O primeiro tratamento de A BREVE HISTÓRIA DE FARADAY SILVA, minha história pro Inkshot, foi escrita no Zhura.

Aguardemos a segunda-feira.

IRON MAN EXTREMIS MOTION COMIC

Pra você que já passou dos trinta: lembra daqueles desenhos toscos dos personagens da Marvel que a gente adorava, onde eles só mexiam as bocas e, muito raramente, um braço ou perna?

Hoje em dia chamam isso de motion comic, mas na nossa época a gente costumava chamar de desenho desanimado.

E grandpa Ellis divulga que estão fazendo algo semelhante com a mini EXTREMIS, do bom e velho Homem de Ferro.

Clique no link e assista o vídeo no site da EW.

Mas como estamos no século 21, em vez da tv, agora o negócio vai ser distribuído nas lojas virtuais mais próximas da sua casa.

Acho que gostei do produto, mas não do conceito de distribuição. E, cá pra nós, em época de CG e animações em Flash, será que isso vai colar mesmo?

terça-feira, 23 de março de 2010

DREAM THEATER, CURITIBA, 18/03/10

Comecei a escrever esse post assim que cheguei do show, na madrugada de quinta para sexta da semana passada. Era pra ter ido ao ar na sequência, mas o cansaço me impediu de elucubrar muito, era minha semana e de folga, e esse texto acabou ficando perdido aqui no meu GDocs, até agora.

Entretanto, o impacto causado pela performance de uma das minhas bandas preferidas ainda ecoa na cabeça, então achei melhor tentar colocar para fora algumas das impressões que tive naquele dia.

Primeiro: quem gosta de Dream Theater (e de prog metal em geral), gosta de firula. Então não adianta vir me falar que as músicas são muito virtuosas ou demoradas, ou que isso e aquilo. Você estará perdendo seu tempo.

Há anos não vou a um show. Quer dizer, fui no U2, em 2006, mas o único objetivo foi proteger o patrimônio (leia-se: acompanhar a esposa). Teve o Franz Ferdinand (com a qual simpatizo mais), e tal, mas a verdade é que, nesses mega shows você tem que estar muito na vontade pra conseguir chegar perto do palco e ficar espremido no meio de um monte de gente suada. Se não for o seu caso, como não era o meu, lhe restará o telão e a aparelhagem de som.

Fora isso, o último evento roquenrou que teve a honra de contar com a minha presença foi em... deixa pra lá.

Não conhecia o Curitiba Master Hall. Além de um site que parece ter sido feito no Word 2000 (ok, tá em desenvolvimento), o local é do tamanho de um ovo. Primeira impressão ruim.

Ainda na fila para entrar no local, presenciei uma das cenas mais bizonhas em toda a minha carreira como notívago. Todo mundo que já foi num show sabe que costuma-se vender de tudo nas filas. Camisas, bebidas, cds, revistas, e até tatuagens.

Ok.

Mas arroz, feijão e farinha?!?! Foi a primeira vez, que vi isso. Sério. De qualquer maneira, tem explicação: é que a casa vende meia-entrada mesmo para quem não tem carteirinha de estudante (falsificada), desde que a pessoa leve um quilo de alimento não-perecível. Só que isso não era avisado em lugar nenhum! Nem no site acima. Eu mesmo só fiquei sabendo porque fui comprar o ingresso pessoalmente, e a moça da loja fez a gentileza de avisar. Muita gente que comprou online ou deixou pra ir lá no dia foi pega de surpresa. Já ouvi falar que isso é costume da casa, e achei a iniciativa legal. Mas, custava colocar em algum luga no site da Ticketmaster ou deles mesmo?

Saí de lá sem me lembrar exatamente da setlist do show, mas pra que serve a internet, afinal de contas?

Se você não clicou no último link, eles abriram com A NIGHTMARE TO REMEMBER, passaram pela dobradinha THE MIRROR/LIE, A RITE OF PASSAGE, SOLINHO DE TECLADO, SACRIFICED SONS, SOLITARY SHELL, IN THE NAME OF THE GOD, e fecharam com TAKE THE TIME. Depois, houve bis, com THE COUNT OF TUSCANY.

Não houve muita pirotecnia, além daquelas animações em CG que rolavam no telão, dignas da equipe que nos trouxe o Dollynho.

Mas aí é que tá: os caras não precisam disso. A música deles é tão meticulosa que você simplesmente não consegue desgrudar os olhos do palco. Às vezes, me sentia no Japão, onde, reza a lenda, o pessoal costuma ficar sentada em shows de metal. Fora um ou outro momento de empolgação - de minha parte, inclusive - não houve pula-pula, mosh, stage dive (ambos muito confundidos pela juventude transviada de hoje em dia) ou qualquer outra manifestação física por parte dos ouvintes. Todo mundo hipnotizado pelo que ocorria no palco, simples assim. Finquei os pés num canto da pista e só saí de lá quando o show terminou.

Registrei alguns vídeos na câmera de 2.000 kilopixels e zoom ótico de 0x do meu telefone esperto, mas o resultado não ficou muito legal. Talvez eu poste lá nos tubos, quando houver oportunidade.

Apesar de ser muito chegado numa tecladêra e do cara já estar há mais de 10 anos na banda, nunca tinha me dado conta do papel de Jordan Rudess. Até então, na minha cabeça, ele sempre tinha sido o "terceiro tecladista". Tecnicamente perfeiro, definitivamente integrado à banda, mas, ainda sim, o terceiro tecladista.

Mas vê-lo tocando ao vivo, duelando com seu próprio avatar, ou ainda fazendo música num Ipod Touch mudou meus conceitos. Já tinha ouvido falar de gente tocando em Ipods, Iphones e em outros dispositivos touchscreen, mas nunca tinha visto um músico de verdade fazendo aquilo.

Evidentemente, não dá pra esquecer dos outros. LaBrie, cuja voz, ao contrário de muitos outros vocalistas do gênero, funciona perfeita no palco. Portnoy, que às vezes se empolga e mói a batera de pé mesmo. Petrucci, cujas mãos são mais rápidas que os olhos. E Myung, que mesmo com o baixo, - dessa vez e com o perdão do trocadilho - baixo mesmo, funciona, em sua sisudez ninja, como contraponto à toda grandiosidade da banda.

E lembra que eu falei que o Curitiba Master Hall é um ovo. Pois é. Como tudo na vida, isso teve um lado bom. Mesmo lá atrás, dava pra ver o palco numa boa. Massa.

Valeu a pena, e se voltarem pra cá, vou de novo.

terça-feira, 9 de março de 2010

PALM FOLEO, RELOADED?

Alguém aí se lembra do Palm Foleo?

Era um dispositivo que se conectaria aos Treos (ou quaisquer outros smartphones da Palm), possibilitando que o usuário pudesse operar seu smartphone de maneira mais produtiva, visto que teria uma tela maior e um teclado de verdade.

Se o produto final não agradava, a IDÉIA era muito boa. Poucos meses antes, eu tinha adquirido um E62, e entendia na pele que, por melhor que fosse a interface de um smartphone, com ou sem touchscreen, um tecladão e um monitor ocasionais fariam milagres. E um post no blog do Charlie Stross só aguçou minha curiosidade.

Contudo, o mundo pareceu discordar de nós dois e dos poucos gatos pingados que resolveram dar algum crédito ao conceito. O Foleo era caro, a empresa foi duramente criticada e finalmente, quatro meses após seu anúncio, o produto foi cancelado, sem ao menos ter sido lançado oficialmente.

Poucos meses depois, vieram os netbooks. Sacaram?

Sim, mesmo o mais modesto netbook tinha especificações bem mais generosas que o Foleo, e além de tudo, eles funcionavam sozinhos. Já o Foleo precisava, necessariamente, de um Treo.

Contudo, a intenção era a mesma: reduzir o espectro de atuação de um computador ao básico, que é o que 90% dos usuários de computadores precisam.

Esse, (entre outros) erro(s) de timing da Palm lhe custou caro e a empresa, que dominou o mercado de dispositivos móveis durante muito tempo, ainda hoje tenta se recuperar do tombo.

Pois bem.

Dias atrás esbarrei nesse post, no blog do Eric S. Raymond. Resumindo a ópera, ele afirma que nunca acreditou muito que os notebooks iriam decretar o fim dos desktops. Por mais que goste do seu notebook, segundo o próprio, no dia-a-dia nada substitui o bom e velho desktop. Mas ele está "revendo seus conceitos" no que diz respeito aos smartphones. Não esses que temos hoje, mas seus descendentes.

Num exercício de especulação, ele imagina o que seria seu gadget ideal: um computador que fosse poderoso o bastante para lidar com todas as suas necessidades, mas que coubesse em seu bolso. Esse mesmo computador, quando necessário, poderia ser facilmente encaixado numa base/berço/dock/whatever que, por sua vez, estaria ligado a um conjunto de periféricos como - notem - tecladão, monitor, impressora e tal. Esse berço poderia ser tanto o da sua casa como o de uma lan house, de uma cafeteria, uma biblioteca ou qualquer outro local público.

As pessoas realmente levariam seus computadores consigo, mas de uma maneira muito mais orgânica. Hoje em dia já tem gente que consegue tirar tudo o que precisa de seus smartphones mas, para a grande maioria dos mortais, computação pessoal ainda é sinônimo de notebook. E, cá pra nós, já pode ter sido muito cool carregar nas costas um computador de dois quilos + uma mochila repleta de tralhas todo santo dia mas hoje é, no mínimo, contraproducente.

E hoje leio um artigo no Linux Journal que bate na mesma tecla que Raymond. Dando nome aos bois e me lembrando que um dia existiu o Foleo.

E aí vem o Google e diz que a computação em desktops, no sentido mais amplo da palavra, não importa mais (perdi o link).

Afirmar que "dispositivos móveis são o futuro" é chover no molhado, mas ainda quero ver o que vai sair da combinação entre Cloud Computing, netbooks/smartphones descartáveis e estações de trabalho públicas.

E agora, diretamente de 2007, deixo a palavra com Jeff Hawkins:

sábado, 6 de março de 2010

FREEKSCAPE

Bacaninha essa reportagem do UOL TV sobre a produção do game Freekscape: Escape from Hell (para PSP).



Embora eu não seja o melhor jogador de vídeo games do mundo, já manifestei aqui mesmo meu interesse por escrever para essa mídia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

PARKOUR MOTION REEL & VIDEOGIOCO



Alguém se atreveria a me dizer o nome dessa técnica? Quem me mandar ao Google é mulher do padre.

Em tempo:

Um dos comentários na página do vídeo acima me levou a esse outro aqui, tão legal quanto

GRANDE SABEDORIA DO ORKUT

Sob os auspícios da interpretação desse sítio de internet que já acompanho há algum tempo, o Orkut voltou a ser um local assaz (pra não dizer Super) interessante.

Onde mais eu descobriria que não existem pessoas AC, que a picadura de um homem pode ter efeitos bem distantes daqueles que suas mentezinhas poluídas teimam em presumir, ou ainda que você NUNCA, MAS NUNCA MESMO!, deve duvidar que algum dia farão um parque temático do Harry Potter?

quarta-feira, 3 de março de 2010

E.Q.M.

Remexendo em coisas velhas, acabei encontrando essa proposta, que escrevi bem no comecinho de 2007,  tendo em mente um hipotético colaborador.

Naquela época eu ainda pensava grande e achava que conseguiria escrever & publicar uma mini-série de 24 edições, 20 páginas cada. Pois é.

O que você vai (espero) ler abaixo é o embrião da história. Só Dadá sabe porque, mas depois de um certo tempo deixei o computa de lado e comecei a tomar notas analogicamente, numa cadernetinha que ainda mantenho comigo, e não vou digitar isso agora, de jeito maneira.

Você vai perceber que há redundância, incongruências, idéias pela metade e coisas sem sentido. Normal, visto que até então esse - ahem! -  documento era para consumo próprio. Resolvi deixar do jeito que está.

UMA OBSERVAÇÃO:

Tempos depois, pesquisando internet afora, acabei esbarrando com outro E.Q.M., um romance do escritor Ibrahim Cesar. 

Na época, o livro estava disponível para download gratuíto no antigo site do autor (hoje em dia, pode ser encontrado no Overmundo), e também é(era?) possível encomendar uma cópia impressa com o próprio.

Fiz o download, mas ainda não o li, e, portanto, não sei até onde vão os pontos de tangência da idéia dele com a minha. E, sinceramente, isso não me importa. A Noosfera, não se esqueçam.

De qualquer maneira, o Ibrahim foi muito mais longe. Ele *escreveu* um romance, pô!

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E.Q.M.  (N.D.E.)

A PREMISSA

Num dia atípico, várias pessoas de todos os cantos do país passaram, praticamente ao mesmo tempo, por Experiências de Quase Morte.

Contudo, os relatos feitos por elas, mesmo sendo consistentes em sua convergência à mesma mensagem, diferem dos relatos clássicos, porque agora, ao invés de uma grande paz interior, essas pessoas sentiram medo, muito medo.

Alguma coisa de ruim aconteceria ao mundo. Em breve.

E nenhuma delas sabia o que.

ESTRUTURA

- A idéia é utilizar o formato que a Image Comics vem adotando em seus gibis da linha slimline (Fell e Casanova), ou seja, 16 páginas de hq, 4 de material extra mais as capas.

- Capítulos auto-contidos em 16 páginas (analisar a opção de fazer em 22).

- Os primeiros 8 capítulos formarão o primeiro arco (ou volume), que será a apresentação dos 8 personagens principais. Uma edição para cada um.

- No primeiro arco (VIDAS APÓS A MORTE), para dar uma identidade visual a cada personagem, cada edição será desenhada por um artista diferente.

- A partir do segundo arco, um artista fixo (de preferência, outra pessoa além dos oito iniciais) assume o título.

- No segundo arco (edições 9 a 16)

PERSONAGENS

Os números a seguir representam as edições nas quais os personagens vão aparecer.

1 - Ulisses: jovem/ex-traficante

2 - Felipe: nerd

3 - Magda: moça, que passa pela experiência grávida

4 - Damião: policial

5 – Sílvia: dona de casa/evangélica

6 - Fonseca: operário

7 - Camille: cocotinha budista

8 - Vander: lutador de vale-tudo

- Existirá um nono personagem, Genaro, que é obcecado por fenômenos inexplicáveis. Ele será o narrador onisciente e também o ponto de ligação entre os personagens.

- Há ainda um décimo, que também passou por uma E.Q.M., contudo acha que o que vai acontecer DEVE acontecer, e trabalha no desenvolvimento do que ele chama de O PORTAL, que é uma droga capaz de liberar o acesso consciente à noosfera.

O QUE ACONTECE, AFINAL.

No primeiro arco, VIDAS APÓS A MORTE, somos apresentados a oitos dos personagens que são as principais peças do quebra-cabeças que deverá ser montado até o final da história, sendo que toda a narração em off será feita por Genaro, personagem que só dará as caras na edição 9.

No segundo arco, CAPTANDO, que se inicia na edição 9, Genaro junta as pontas, reúne os personagens e tenta esclarecer com eles qual é o real propósito de terem visto o que viram do outro lado. Genaro também passou por uma E.Q.M., mas ele se lembra razoavelmente bem do que viu. Além disso, é um teórico da conspiração com carteirinha, e foi justamente este o motivo dele juntar os pontos.

APÓS A MORTE.

Em E.Q.M., quando uma pessoa morre, ela se torna uma IDÉIA. E como toda idéia, ou mais precisamente, lembrança, ela vai repousar na Noosfera.

Porém, o mundo está indo de vez para o buraco, e toda a violência e “maus-fluídos” pensados num planeta cada vez mais populoso começam a poluir a Noosfera, que está a ponto de se romper. Essas pessoas, que também quase se tornaram idéias, voltaram com a missão de impedir que isso aconteça. Só que não sabem como (nem eu, aliás).

LOGO

Pensei no acrônimo E.Q.M., numa fonte fanstamagórica. Logo abaixo, uma linha semelhante àquelas dos monitores de sinais vitais: ela vem, com as curvas características de uma pulsação, chega à letra "E.", então fica reta, sublinhando o acrônimo, dando a idéia de morte, para, logo após o "M.", voltar a pulsar. Sacou?

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Se você chegou até aqui, deve ter percebido que o terceiro volume não foi citado.  Não foi mesmo. O que existe sobre ele está naquela cadernetinha que mencionei lá em cima. 

Um dia, talvez.