domingo, 4 de julho de 2010

I AM NOT A SERIAL KILLER

Tomei conhecimento desse livro através de uma newsletter do Goodreads. 




Abaixo, a sinopse, que não me atrevo a tentar traduzir essa hora da noite:


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John Wayne Cleaver is dangerous, and he knows it.


He’s spent his life doing his best not to live up to his potential.


He’s obsessed with serial killers, but really doesn’t want to become one. So for his own sake, and the safety of those around him, he lives by rigid rules he’s written for himself, practicing normal life as if it were a private religion that could save him from damnation.


Dead bodies are normal to John. He likes them, actually. They don’t demand or expect the empathy he’s unable to offer. Perhaps that’s what gives him the objectivity to recognize that there’s something different about the body the police have just found behind the Wash-n-Dry Laundromat---and to appreciate what that difference means.


Now, for the first time, John has to confront a danger outside himself, a threat he can’t control, a menace to everything and everyone he would love, if only he could.


Dan Wells’s debut novel is the first volume of a trilogy that will keep you awake and then haunt your dreams.


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Tempos atrás, lendo uns feeds com a data de validade vencida, acabei esbarrando num post no blog do John Scalzi onde o autor, Dan Wells, fala um pouco sobre as idéias por trás da história.


P.S.: aliás, o que me levou a acompanhar o blog do Scalzi foi justamente a seção onde o post está contido, THE BIG IDEA, onde ele convida autores a falarem sobre as sementes de seus romances.

THE SETUP

Eu já tinha lido a do RMS, mas só fui me ligar que isso era uma *série* de entrevistas quando Mark Pilgrim anunciou a sua.

A epígrafe já diz tudo: a bunch of nerdy interviews.

E a epígrafe da epígrafe dá mais alguns detalhes: what do people use to get the job done?

Nas entrevistas, as pessoas respondem cinco perguntas simples: quem são, o que fazem, qual hardware usam, qual software software usam e que qual seria sua configuração (setup) dos sonhos.

As respostas variam em teor e extensão e, embora a maioria dos entrevistados seja composta por webdesigners e outros luminares da internet americana (o que significa, invariavelmente, Macbooks rodando Snow Leopard), algumas entrevistas são especialmente interessantes, como a do Game Designer Jason Rohrer, que aparente ter uma certa tara em trabalhar com sucata, a do próprio Mark Pilgrim, a do já citado RMS (dessa vez, atipicamente lacônico), a do Steve Jackson (sim, ele mesmo, o pai do GURPS) e a desse indivíduo, que tem considerações especialmente interessantes sobre o que seria seu dream setup./Há menos tempo ainda, me liguei que há vários clones internacionais (e um interestadual) do site original: alemães, eslovacos, romenos, vietnamitas, húngaros, franco-canadenses e até como-se-chama-quem-nasce-no-Wisconsin?


E hoje acabei vendo que Cory Doctorow publicou na Locus um artigo de teor semelhante.

Enfim, não é para todos os gostos, mas esse tipo de coisa é para mim como a pornografia deve ser para muitos de vocês :P

(UM ADENDO: como disse no post seguinte, estava cansado demais na hora em que publiquei isso, mas hoje de manhã o hemisfério peonesco do meu cérebro fez conexões que me levaram a perceber que a frase anterior foi, no mínimo, infeliz. Desconsidere quaisquer conotações que envolvam trabalho braçal. Obrigado.)


Talvez um dia, num belo exercício de auto-afirmação, eu também exponha meu setup por aqui.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

COMPUTAÇÃO PESSOAL

Charlie Stross, parece ter gostado do iPad (com as devidas ressalvas). Esse é o terceiro post sobre o bicho em menos de um mês.

Obviamente, os comentários acabaram descambando para a (já) velha discussão "reinvenção da roda/campo de distorção da realidade" X "inovação foderosa demais para ser grokkada por simples mortais".

Quem me conhece sabe minha opinião sobre os brinquedos da Apple e, de qualquer maneira, isso não vem ao caso.

Mas um comentário me chamou a atenção:

O leitor Michael Parsons afirma que seu desktop pessoal está confinado em uma máquina virtual, e que seu desktop físico é uma máquina genérica (física), sem qualquer tipo de personalização. Ou seja, o "personagem" principal deixa de ser o host e passa a ser o guest.

Eu, que já sou usuário de máquinas virtuais há muito tempo, nunca tinha visto as coisas por esse ângulo.

Para mim (e presumo que para a maioria dos usuários não corporativos), as máquinas virtuais sempre foram ferramentas criadas com propósitos específicos. Ligo, uso, desligo. Praticidade, acima de tudo. E agora que tenho um computador que aguenta o tranco, isso se tornou mais evidente.

Entretanto, achei interessante o raciocínio de Parsons.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A MÃE DO DOURADO VAI PISAR NA LUA


Mês passado chego de viagem, tarde da noite. Daniel já tinha sido vencido pelo sono. Murilo, meu filho mais velho (6 anos recém-completados) me espera, louco pra fazer o update de tudo que rolou durante os dias em que estive fora.

Entre a descrição de novas "técnas" para abater os monstrinhos do Sonic Unleashed, ele me pergunta se eu sabia que a mãe do Dourado ia pisar na Lua. 

0_0!

Sim, as dúvidas que passaram pela minha cabeça no momento devem ser as mesmas que estão passando pela sua, agora. Quis saber mais sobre aquela manchete tão singular. Como suspeitei, o Dourado a quem ele se referia era mesmo aquele que eu e você imaginamos, mas continuei sem conseguir traçar quaisquer relações entre a genitora do último campeão do #BBB e as pretensões secretas do programa espacial brasileiro.

Então vem a Patroa e me esclarece: provavelmente ele ouviu alguma variante dessa notícia em algum desses programas de fofoca, e sua cabecinha de quem está sendo alfabetizado processou a informação da maneira que nos foi apresentada.

Ele está numa fase onde tenta reconstruir gramaticalmente tudo o que ouve. Quer saber quais letras formam essa ou aquela palavra. Pede para soletrarmos, e não é raro a gente perceber que ele pensa bastante antes de responder perguntas corriqueiras, cujas respostas, antes, eram devolvidas de sopetão.

Uma das coisas das quais mais me arrependo é de não ter registrado com mais zelo essas pequenas pérolas que meu filho costuma jogar ao vento (como todas as outras crianças do planeta Terra, aliás). 

Corrigirei isso.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

#DELL #WINDOWS7 #EPIC #FAIL

Ou ainda: crônica de uma entrega não-realizada.


Senta que lá vem história.



Em Outubro do ano passado comprei um notebook da Dell. O segundo em um período de 5 anos. Para ser mais preciso, um Latitude E6500 tunado, que me saiu bem carinho (digamos que foi bem mais caro que um MacBook Pro de 13", e mais barato que um de 15").


Realizei a compra através de uma Pessoa Jurídica. E é praxe que equipamentos comprados por pessoas jurídicas sejam entregues nos respectivos endereços comerciais. Mas, no meu caso, devido à natureza do meu trabalho (viagens constantes), devido ao fato da empresa estar sendo transferida e devido à diversos outros motivos, pedi que o notebook fosse entregue em meu endereço residencial, que fica em outro estado. Houve certa relutância do vendedor, mas essa era uma condição para que o negócio fosse fechado. Ele concordou, eu comprei e o computador foi entregue. Ok.

Alguns dias depois, me inscrevi no programa 
Dell Windows7. O computador veio com o Windows Vista Business, mas por eu tê-lo comprado pouco antes do lançamento do 7, tive o direito, como outros clientes, a um upgrade gratuito do primeiro para o segundo. Seria necessário pagar um valor aproximado de 35,00R$, referente às despesas de envio. Pra mim tava bom.
O processo de inscrição em si é um tanto quanto bizantino, e tive que esperar SEMANAS até saber se teria direito ao upgrade. Mas teria. Beleza.

MESES depois recebi o boleto referente às despesas de envio. Como gato escaldado tem medo de água fria, entrei em contato com a Dell para conferir em qual endereço o kit seria entregue. Era o comercial. Expliquei novamente a situação para a atendente 1. Ela concordou, cancelou o primeiro boleto e emitiu outro, dessa vez referente ao meu endereço residencial, que paguei na mesma data. Tava tudo certo. Era só esperar vinte dias e receber o Sieben em casa.

Vinte dias depois, a mesma atendente entra em contato querendo saber se eu tinha recebido a mercadoria. Não tinha. Ela me pediu que enviasse o comprovante de pagamento. Enviei. Ela se desculpou pelos transtornos e disse que no máximo, dentro de MAIS vinte dias eu receberia o tal Windows. Tudo bem.

Uma semana depois, me ligam da transportadora querendo confirmar meu endereço. Como eu temia, eles tinham o endereço comercial. Mais uma vez, dei o endereço residencial. Mas a transportadora só poderia efetuar a entrega com a autorização da Dell. Entrei em contato com a Dell. Falei com a atendente 1. Ela disse que iria verificar a situação. Mais tarde, recebo um email da Atendente 2, pedindo meu SERVICE TAG. Envio.


Se passam + vinte dias. Tento entrar em contato com as duas, mas não consigo falar com nenhuma.

Espero MAIS duas semanas (estão contando os dias?) e ligo para o serviço de pós-vendas. Falo com a atendente 3. Isso foi numa sexta-feira. Ela me diz que entrariam em contato comigo até na quarta da próxima semana. Ok.

Na segunda, a atendente 4 me liga. Não pude atender. Ela me envia um email, requisitando meu endereço residencial. Envio o endereço, pela sei-lá-gésima vez.

Entre a quarta e sexta-feira, tento falar com a atendente 4, para saber em que é estava aquela história, mas não consigo.

E então, sexta-feira, dia 28/05/10, às 17:24, recebo uma ligação da atendente 4. Ela me explica que não seria possível entregar o kit em um endereço diferente do meu endereço comercial. Quero saber por quê. Ela derrapa nas explicações, mas é veemente de que não seria possível. Tento argumentar que a EMPRESA JÁ TINHA SE COMPROMETIDO a entregar o kit em minha residência, mais de DOIS MESES ANTES. Ela continuou dizendo que não era possível. Pergunto como foi possível entregar um equipamento MUITO MAIS CARO, nas mesmas circunstâncias. Ela continuou dizendo que não era possível. Pergunto por que era possível entregar até a publicidade da Dell em meu endereço residencial. Ela continuou dizendo que não era possível entregar o kit. Desisti e pedi o reembolso das despesas de envio que paguei em MARÇO.
"Peraí, Massula! Esse mimimi por causa de um Windows? Mas cê não usa Ubuntu?"


Na maioria do tempo, sim. E, depois que eu comprei esse computador, consigo resolver a maioria dos meus problemas com a combinação Ubuntu+VirtualBox.

Contudo, existem casos onde tenho que rodar softwares que funcionam apenas no Windows em todo o esplendor do meu hardware (mais sobre isso qualquer dia desses) e, portanto, mantenho o Vista Business que veio junto com o notebook em uma partição nas redondezas.

E já que ia rolar o upgrade para o 7, pensei, por que não?

O que me chateou nem foi o fato de ficar sem um produto do qual estou me distanciando cada vez mais. Eu acho até que fui paciente desse jeito justamente pelo fato do 7 não estar me fazendo falta.

O que me deixou fodido da cara foi ter sido tratado como um idiota, principalmente no dia 28/05.


Se a regra tivesse valido desde o início, tudo bem, eu entenderia. Mas, porra, por que um atendente diz que pode e outro diz que não pode? E por que eles não podem entrega uma caixinha com um DVD, mas puderam entregar um notebook? E ainda, por que eles podem me envia folders e panfletinhos publicitários?
Entenderam o problema?

Até então, na minha cabeça, a Dell era a epítome da eficiência. Agora não é mais.

Fiquei muito decepcionado com o andamento do pedido e com o atendimento dado pela empresa que, pelo número de mal-entendidos e informações incorretas, conseguiu ficar em pé de igualdade com as operadoras de telefonia celular. E, para mim, isso é o fundo do poço.


Em contrapartida, houve um lado bom nessa quizumba toda: fui empiricamente convencido de que não devemos depositar nossos ovos numa mesma cesta, ou numa marca. Se ainda não tenho o que reclamar dos produtos da Dell, já não posso dizer o mesmo do atendimento ao cliente. Os produtos podem ser trocados, mas minhas impressões não.


Eu estava pensando em aumentar o nosso "parque tecnológico" com um netbook do mesmo fabricante. Estava. O netbook virá, mas certamente terá outro logotipo estampado na carcaça.


Sei que um gato pingado como eu não deve ser exatamente uma das prioridades de uma empresa do tamanho da Dell, mas não posso deixar de registrar minha queixa.


Adeus Dell. Foi bom enquanto durou.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

BORGES E OS ORANGOTANTOS ETERNOS, 2° ED.

Cheguei de viagem ontem. Surpresa.

Minha irmã me enviou um presente. Um livro. Ela sabe dos meus gostos. Moramos juntos por tempo suficiente.

O livro? A segunda edição de BORGES E OS ORANGOTANTOS ETERNOS. O único do Verissimo filho que li. E vou te dizer: adorei.

Mas aí é que tá. Eu JÁ tinha a primeira edição. 

Aparentemente, não há nenhum extra. A única diferença é a capa, que não faz questão de vincular o título à coleção dentro da qual foi originalmente lançado, LITERATURA OU MORTE. Na verdade, não há nenhuma indicação disso no livro, a não ser a mini-bio do escritor-personagem. Que seja.

Expliquei a situação para minha irmã, e, num primeiro momento, pensei em trocar o livro. Mas gostei da capa mais style1, (obra de Kiko Farkas e sua onipresente Máquina) e então, não sei. Grandes chances de eu ficar com esse e dar um sumiço na edição anterior. Chances maiores ainda de eu ficar com os dois. Coração de mãe.

Obrigado, rimãzinha. 

:* do gordo.

1[porque stylish é para fracos]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O CÍRCULO DE OSSOS


Só mesmo o Mandarino para me fazer ler uma história cujo tema é fantasia medieval. História disponível em português E inglês, aliás.


A propósito, você também deveria dar uma lida. E depois batizar seus próximos filhos com nomes Inuítes/élficos como Hnuu ou Layaan.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

LIVROS, 13/05/10



Tava eu ontem (13/05/10, se você ainda não sacaram...) no mercado, à procura de um alicate que vi por lá uns dias atrás.
Não encontrei a ferramenta.


Mas na volta me deparo com uma banca de livros em promoção. 


Paro.


Mesmo tendo prometido a mim mesmo que não compraria mais livros esse ano (e nem nos próximos), perdi completamente o controle das minhas faculdades motoras e comecei a garimpar aquela montanha (estou sendo dramático, ok?) celulósica.


Tava até feliz porque esse ano o saldo dos livros lidos estava maior do que o dos livros comprados. A última vez que isso aconteceu foi em 2000. E garimpar banquinhas de promoção de livro em supermercados e megastores é meu equivalente moral a dar um pulo no sebo. 


Estou numa idade onde já não tenho saco ou disposição para tirar meu popozão do sofá com o objetivo de ficar escarafunchando livros empoeirados em corredores estreitos. A rinite também não ajuda. Mas se a montanha veio até mim, qual seria o problema de perder uns minutinhos ali?

Entre títulos de auto-ajuda e outros atentados à vida vegetal desse nosso 
planetão Terra, consegui achar alguns volumes que me interessaram. Consequentemente, trouxe-os para casa.

A lista:



ANDREI SIMÕES - PUTREFAÇÃO

Não conhecia o autor e muito menos sua obra. Mas o livro foi lançado na 
coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, que nos presenteou com algumas pérolas, mas também com coisa legal. A capa me interessou, o texto da quarta capa também, então resolvi conceder-lhe o benefício da dúvida. E, cara, tava só 4,90!

JOSÉ DOMINGOS BRITO (
ORG.) - POR QUE ESCREVO?/LITERATURA E CINEMA


Eu já tinha a primeira edição (1999) do livro POR QUE ESCREVO?, que como você já deve ter imaginado, é uma coletânea com depoimentos de vários escritores famosos, acerca de suas motivações literárias.


Mas essa edição que encontrei no mercado é a terceira, a mais recente, e como eu suspeitava, há bem mais extras do que na primeira edição. Não comparei uma com a outra para saber exatamente que extras são esses, mas uma olhada rápida já diz que a terceira edição tem quase cem páginas a mais, então meu palpite de que haveria mais bônus nessa encarnação estava certo.


POR QUE ESCREVO é o primeiro de uma coleção que totaliza cinco volumes. De lambuja, consegui trazer também o volume 4, LITERATURA E CINEMA, que a essa altura do campeonato você já deve ter deduzido que se trata de uma coletânea de depoimentos de escritores sobre a relação do cinema com suas obras e com a literatura em geral.


Pra quem se interessa pela mecânica da escrita, é um prato cheio. E, cara, cada um tava só 4,90! GLAUCO MATTOSO - POÉTICA NA POLÍTICA
Meu eu lírico não se dá muito bem com poesia. Mas Glauco Mattoso é uma exceção. E, cara, tava só 4,90!


P.S.: Por fora a edição tá legal, mas os cadernos se descolaram assim que abri o livro. Nem vou me dar ao trabalho de ir lá trocar. 


IAN MCEWAN - PRIMEIRO AMOR, ÚLTIMO SACRAMENTO & ENTRE LENÇÓIS


Essa é a tradução de uma edição inglesa de 1995 que junta os dois primeiros livros de McEWAN, ambos coletâneas de contos escritos na década de 1970. Como nunca li nenhum dos contos do cara, pensei: é nózes!


E, cara, tava só 4,90!

ROBERTO FREIRE - O MOMENTO CULMINANTE


Talvez minha admiração pela obra de Roberto Freire se deva ao fato de ter lido COIOTE em tenra idade. Pelo que diz a sinopse, é o primeiro romance policial dele. Não tinha conhecimento deste, ou disto. Nem sei se saíram outros do mesmo estilo. Mas é Roberto Freire é Roberto Freire. E, cara, tava só 4,90!

RICARDO 
PIGLIA - RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL


Piglia também é Piglia (estamos ficando redundantes, não?). Entretanto, confesso que até ontem não fazia a mínima ideia de qual era o mote de RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL. Mas sabia que o livro foi premiado, aclamado e saracoteado pela crítica e pelo público. Então pensei: por que não? E, cara, tava só 4,90! 


ALESSANDRO BARICCO - CITY


Desse nunca ouvi falar MESMO. Mas a capa é bonita, o título é sonoro e a sinopse me chamou a atenção. E, cara, tava só 4,90!


ALDOUS HUXLEY - CONTRAPONTO


Huxley dispensa comentários, e é outro pilar nas minhas referências literárias. Também li ADMIRÁVEL MUNDO NOVO quando estava numa idade muito mais impressionável, e até hoje me pergunto como o cara escreveu aquilo na década de 1930.


Esse aqui tem um valor especial porque é uma edição antiga mesmo, de 1987. Apesar disso, o acabamento estava impecável. Capa lisinha, sem marcas de nenhum tipo. Mas, chegando em casa e tirando o livro do plástico, surpresa: ao abrí-lo, assim como aconteceu como livro do Glauco, alguns cadernos também se descolaram.


Mas, ok, porque cara, tava só 9,90!

CONCEIÇÃO PENTEADO - 
PSICOPATOLOGIA FORENSE


Edição de 1996. Não faço a mínima ideia do conteúdo. Mas o título me interessou. E, cara, tava só 2,90!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PANEL ONE

A principal influência para isso aqui (se é que alguém ainda se lembra) foi o livro PANEL ONE: Comic Book Scripts by Top Writers.

Dia desses tava de bobeira em casa, reencontrei o bicho na estante e comecei a folheá-lo. De lá pra cá, acabei relendo quase tudo.

PANEL ONE é uma coletânea composta por nove roteiros, ora comentados pelos autores, ora pelo editor do livro, Nat Gertler (que, por sinal, também possui um roteiro lá).

Não é um livro que vá mudar sua vida. E os roteiros não incluem nenhum grande clássico, mas quando li da primeira vez, deu uns insights. E a releitura recente deixou tudo mais legal.

É um trabalho interessante porque evidencia as pequenas idiossincrasias que todo roteirista tem. Embora seja relativamente fácil encontrar roteiros de hq na internet, o fato do livro trazer vários deles juntos e contextualizados tem suas vantagens.

Apenas um dos autores - Gaiman - não é americano. Mesmo assim, fez sucesso escrevendo comics. Então, obviamente, há alguns pontos de tangência, e o livro pode não ser tão plural quanto alguns gostariam. De qualquer maneira, continua sendo uma leitura mais do que válida pra quem se interessa pelo assunto

Sem mais delongas, os roteiros:

Neil Gaiman - MIRACLEMAN 17

O roteiro é bem classicão, do tipo fullscript.

Naquela época, final da década de 1980, Gaiman era mais prolixo e, talvez indo um pouco no vácuo do escritor que o antecedeu - ninguém mais, ninguém menos do que o nosso bom e velho Maconheiro Mágicko de Northampton - se perdia em detalhes que, a julgar pela minha leitura de roteiros (nem tão) mais recentes, talvez ache irrelevantes hoje em dia.

O que me impressionou foi que ele tinha o PÉSSIMO HÁBITO DE ESCREVER AS DESCRIÇÕES DO PAINEL EM CAIXA ALTA, O QUE, CONSEQUENTEMENTE, DEIXA A MAIORIA DO ROTEIRO EM CAIXA ALTA, O QUE, POR SUA VEZ, TORNA A LEITURA INCÔMODA. Os diálogos e recordatórios foram poupados dessa barbaridade tipográfica, graças aos deuses.

Sempre achei isso meio esquisito, por que para mim tinha que ser justamente o contrário. Descrição de painel com maiúsculas E minúsculas, enquanto recordatórios e diálogos -  que vão ser copiados e colados na página desenhada - somente em MAIÚSCULAS. Isso, aliás, costuma ser o padrão de letreiramento.

Em alguma das encarnações anteriores do site do Warren Ellis, ele comenta algo sobre o fato de que escrever os diálogos e recordatórios em caixa alta ajudava a ter uma noção de como aquilo ia ficar na página finalizada.

De qualquer forma, na época em que esse roteiro foi entregue, provavelmente as hqs ainda eram letreiradas manualmente. Então pra que se preocupar em facilitar a vida do letrista com o Ctrl+C,Crtl+V?

Essa hq é bacana, e foi desenhada por Mark Buckingham.

Marv Wolfman - THE MAN CALLED A-X 5 (volume 2)

Confesso que antes de ter lido esse livro, nunca tinha ouvido falar nesse título.

Esse roteiro foi escrito por Wolfman no estilo que ele chama de Plot Style (comumente chamado de Marvel Way).

Não há divisões de painéis ou informações mais detalhadas. Ele apenas indica a página e, em um parágrafo, dá todas as coordenadas ao desenhista, salpicando alguns trechos de diálogos aqui e acolá.

Os roteiros no estilo Marvel Way que eu já tinha lido até hoje eram mais sintéticos, e esse do Wolfman me lembrou mais o que alguns roteiristas de cinema americanos chamam de scriptment, que é uma mistura de roteiro (script) com argumento (treatment), cuja "criação" foi imputada ao diretor James Cameron.

De qualquer forma, as exigências no que diz respeito a um roteiro de quadrinhos são bem menores do que as de um roteiro de cinema, então, se a mensagem é bem passada, tá valendo (quase) tudo.

Aliás, nessas andanças, acabei descobrindo que Wolfman comercializa versões impressas dos seus roteiros.

Dwayne McDuffie - DEATHLOK 5

Vou confessar que estava até surpreso lendo um roteiro do McDuffie que não tocava em determinados assuntos, quando lá pela página 17 ele diz explicitamente ao desenhista (Denys Cowan) que gostaria de fazer um paralelo entre alguns personagens da hq (a saber, ciborgues e mutantes) com outras minorias. Aí pensei: "tá tudo bem agora".

Anyway...

O roteiro é antigo e em seu foreword McDuffie afirma que atualmente (leia-se: 2002, época da publicação do livro) escreve melhor e que na verdade gostaria de incluir o roteiro de ICON 42, que, segundo o próprio, estava publicado na seção de roteiros em seu site. Da última vez que passei por lá (tipo, dois minutos atrás), não tava mais.

Mas, por razões contratuais, ele só pôde ceder este, o que nos trás de volta ao Deathlok. McDuffie ainda observa que esse roteiro é o quarto e último capítulo de um arco, e o leitor não teria a mesma vantagem de Cowan, que teve 66 páginas para se adaptar ao "McDuffiês" até chegar a essa altura do campeonato. Particularmente, não vi nada demais.

Além da obsessão de McDuffie por grifar palavras e trechos dos diálogos (para que sejam destacados pelos letristas), não há muita pirotecnia no texto, que segue uma formatação proto-hollywoodiana.

Fiquei curioso pra ler esse material, mas a história em si é bem paia.

Jeff Smith - ROSE 1

Até já ouvi falar de quadrinistas* que passam pelo processo de redigir um roteiro, no sentido clássico, antes de botar a mão no lápis.

Mas, no caso desses caras, parar para escrever um roteiro costuma ser perda de tempo. A história geralmente brota de um amontoado de notas e desenhos esparsos, que já vão tomando forma em páginas "rafeadas" com indicações de diálogos. O processo é mais orgânico, obviamente pelo fato das partes mais importantes do mesmo dependerem de apenas uma cabeça.

E, Jeff Smith, criador de Bone, não é exceção.

Sua contribuição para o livro são 30 páginas rafeadas (esboçadas para você, ó, herege) com indicações de diálogos e tudo mais.

Mas os rafes não eram para consumo próprio e sim para Charles Vess, figurinha tarimbada no mundo dos quadrinhos.

Não li ROSE, e me bateu uma curiosidade para saber como ficou o resultado final. Embora um esboço dê uma ideia legal de como vai ficar a página, os estilos dos dois são muitos diferentes.

*Profissional Completo: desenhistas que também escrevem, ou roteiristas que também desenham, você escolhe.

Trina Robbins - GOGIRL 3

Esse roteiro da Trina Robbins chama a atenção porque parece ter sido escrito no corpo da mensagem de um email. Inclusive, é reproduzido com os campos de Subjetc, Date, From e To, característicos das nossas boas e velhas mensagens de correio eletrônico.

Já ouvi falar disso. Gente que escrevia verdadeiras epopeias no Outlook (e agora no Gmail). Mas não fica claro se ela escreveu assim, ou se abriu o editor/processador de textos, copiou e colou tudo no email.

Trina também é detalhista e passa bastante tempo criando a ambientação da cena, mas seu texto não é enfadonho.

Mas isso não foi suficiente para despertar minha curiosidade pela GoGirl.

Kurt Busiek - ASTRO CITY 1/2

Uma das coisas que me chamou a atenção nesse segmento do livro foi a uma observação que Busiek faz em seu texto introdutório sobre algo que ainda não tinha me dado conta, pelo menos conscientemente.

Ele fala que, para escrever seus roteiros, tomou emprestada uma técnica utilizada por Frank Miller. Em vez de escrever uma descrição completa e linear do painel/página, ele descreve antes o que estará em primeiro plano, ou seja, o que será imediatamente visto pelo leitor. Depois dá os detalhes restantes. Embora isso polua o roteiro com "CLOSEs", "ONs", "WE SEEs" e outras indicações, fez sentido para mim.

Busiek faz algo que fiz durante muito tempo (e hoje não faço mais): coloca um pequeno glossário na primeira página do roteiro.

Baseado neste e num outro roteiro que já li, acho que ele exagera um pouco nas indicações ao letrista. ISSO PRA NÃO FALAR QUE TAMBÉM ESCREVE AS DESCRIÇÕES DE PAINEL EM MAIÚSCULAS! #porrabusiek!

Nunca fui muito fã de ASTRO CITY, mas já li essa hq e me lembro de ter gostado, porque  Busiek subverteu em um clichezão das histórias de super-heróis.

Greg Rucka - WHITEOUT:MELT 1

Caras que vieram da prosa para os quadrinhos - como é o caso de Rucka - costumam pesar a mão nos diálogos e descrições, demorando um pouco a sacar o ritmo da escrita de quadrinhos. Alguns nunca sacam, aliás.

Mas esse não é o caso dele. Se não estou enganado, WHITEOUT:MELT (continuação de WHITEOUT) foi um dos seus primeiros quadrinhos publicados, e aqui seu estilo já está bem telegráfico, seco mesmo.

Uma coisa que notei nesse roteiro é que Rucka *sempre* grafa os nomes dos personagens em maiúsculas, destacando-os do restante do texto. Gostei disso e talvez me apodere desse truque.

Ele utiliza algumas siglas estranhas (FG, BG, EBG e CU[hihihi...]), que, se presumi bem, devem significar Foreground, Background, E-?-background e Close-up.

Há também umas notas finais (endnotes). Assim como Gertler, acho que também nunca vi um roteiro com isso. E também não li WHITEOUT.

Nat Gertler - DEGENERATION (publicada em Fol 8)

Nat Gertler, editor do livro, deixou sua aparição para o final. Malandrão.

Nesse caso, também há a hq que se originou do roteiro, desenhada por Steve Lieber. E como pude ler e como pude ler um após o outro, na sequência, acho que vou dar meus 0,02R$ sobre a história.

DEGENERATION foi publicada na Fol, uma revista literária turca(!), dirigida a um público mais, hmmm..., sofisticado. Se entendi bem, sua confecção é semi-artesanal e o formato é pra lá de gigante.

Os autores fizeram a história, o editor da revista traduziu o texto para o turco e devolveu-o a Lieber, que fez o letreiramento em um idioma que desconhece totalmente. No início do roteiro Gertler já avisa que estava numa vibe meio "Alanmooreana", então solta o verbo pra cima do pobre Steve (e de nós, pobre leitores).

Gertler ficou preocupado demais com o público, bem... sofisticado da revista, então decidiu que seria melhor não distinguir os papéis dos dois artistas nos créditos da história, para não passar a impressão de produção mecanizada/industrial/artificial/yankee/colonizadora/grandesatanizadora.

Lieber segue as indicações à risca, Gertler tem algumas idéias interessantes em relação à concepção visual de duas páginas, o título é mais alusivo do que aparenta e os parafusos foram todos bem apertados, mas Degeneration não é uma história que vai ficar gravada na sua cabeça.

Quanto ao roteiro propriamente dito, Gertler usa uma formatação esquisita para seus recordatórios (essa hq não tem diálogos), com fontes diferentes do restante do texto, inclusive no tamanho. Isso me incomodou um pouco.

Kevin Smith - Jay and Silent Bob: Walt Flanagan's Dog  (publicada em Oni Double Feature 1)

É assim: dos filmes eu só assisti Jay and Silent Bob Strike Back. Dos quadrinhos, li alguma coisa de Clerks, o run com Quesada no título do Demolidor e algumas edições do Arqueiro Verde. Da fase do Demolidor eu até gostei, mas até hoje não entendi todo o hype em cima desse cara. Mas pode até ser que eu não tenha experimentado a parte boa da torta.

Esse foi o primeiro roteiro publicado por Smith, e seu texto já tem uma pegada cinematográfica. Smith é econômico (como Rucka), e os diálogos dos seus personagens costumam ocupar mais espaço do que as descrições dos painéis.

Além disso, suas raízes cinematográficas ficam claras quando ele coloca cabeçalhos de cena (INT. CASA DA MÃE JOANA - DIA) para estabelecer o cenário. Já fiz isso no passado e hoje não faço mais. Mas o recurso pode ajudar, dependendo do caso.

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Pra quem realmente se interessa pelo assunto o livro é um prato cheio, e serve para confirmar uma coisa: não há jeito certo ou errado de se escrever um roteiro para uma história em quadrinhos. Há sim o jeito claro e o confuso. E o último, acredite você, tem que ser evitado a todo custo.

Ah!, antes que eu me esqueça: se alguém lhe disser que os profissionais escrevem assim ou assado, pode rir na cara dele. E diga que fui eu quem mandou.

PANEL ONE tem uma continuação, PANEL TWO: More Comic Book Scripts by Top Writers. A única diferença digna de nota em relação a seu irmão mais velho é que, dessa vez, os desenhistas também tem a palavra. E há o argumento do Judd Winick. Mas isso é conversa pra outra ocasião.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

POR QUE NÃO TEMOS BONS ROTEIRISTAS DE QUADRINHOS NO BRASIL #12003945656

Essa discussão já é velha e costuma entrar em loop rapidamente.


Confesso que comecei a ler meio com má vontade, mas alguns argumentos do Forastieri fazem sentido.

domingo, 18 de abril de 2010

PIERCE WHITE-CARTER

Não há um dia sequer no qual você não ouça/veja/leia/receba pelo menos um relato de uma desgraça.

Algumas são tragédias de grandes proporções, outras não.

Contudo, a menos que estejamos ligados de alguma maneira com a desdita, mais cedo ou mais tarde acabamos nos esquecendo dela.

Só que uma conversa com minha esposa, na tarde da última sexta-feira, me deixou com um aperto no coração que não quer ir embora de jeito nenhum.

Ela me falou sobre Pierce White-Carter, um moleque inglês de 8 anos, portador de um câncer raro, incurável e já em fase terminal. A família decidiu parar com a quimioterapia, que não estava surtindo efeito, e segundo os médicos o menino não tem muito tempo de vida.

Pierce sabe de sua condição, e fez uma lista de desejos que gostaria de realizar antes de morrer.

Um deles é poder segurar no colo o irmãozinho ou irmãzinha que ainda está na barriga de sua mãe, que conseguiu na justiça o direito de antecipar o parto em 3 semanas.

Se fosse ficção, teria um final bem piegas, com direito a reviravolta milagrosa.

Mas é real. E é triste. Muito triste.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

PIXELS, DE PATRICK JEAN

Meu irmão me mandou isso hoje, e, sinceramente, não sei se já vi esse link dando bobeira por aí (Twitter?). De qualquer maneira, (re)vi.

Nostalgia.


PIXELS by PATRICK JEAN.
Enviado por onemoreprod. - Ver os videos os mais originais da rede

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COBRA QUE COME COBRA...

Um amigo me enviou o link hoje, e, por motivos óbvios, compartilho-o por aqui.


É como diz a sabedoria popular: cobra que come cobra acaba comendo o próprio rabo.