segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MIDRAXE (2004-2006)

O Midraxe foi um e-zine que editei entre 2004 e 2006. Por editar você pode entender " formatar os textos, azucrinar periodicamente os colaboradores e escrever um editorial engraçadinho".

Os zines eram arquivos .rtf enviados através de uma lista do Yahoo. Não era um formato lá muito brilhante, mas até que era legal.

Foram sete edições, que contaram com textos meus e dos escritores Lúcio Manfredi, Rafael Monteiro, Airton Marinho e A. Moraes. Algumas das edições foram temáticas, como a de Sexo (onde saiu S@TYRI.COM) e a de Natal.

Por razões que não vêm ao caso, o e-zine acabou (e esse blog nasceu).

Desenterrei esse material hoje e tava dando umas risadas. Soltar os zines por aí tá fora de cogitação, mas vou (re)publicar mais dois contos meus daquela época: MIDRAXE, que deu nome ao zine, e A CORNUCÓPIA RUBRA, que saiu no especial de Natal.

E até o fim da semana posto a parte 4 de ADSENSELESS.

Abaixo vai o "editorial" da edição 2. E daqui a pouco, segue A CORNUCÓPIA.

Divirtam-se (ou não...).


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MIDRAXE - Em terra de cego, quem lê Midraxe é Rei. 

EDIÇÃO 2 - NOVEMBRO DE 2004

Tudo certo aí, pessoal?

Os retorno dado pelo público à primeira edição foi melhor do que o esperado. O zine rodou o mundo e alguns escribas ilustres dedicaram singelas linhas à nossa publicação. Vejam só:

Uau! Mal posso esperar pra tirar uma foto com esses garotos!
- Thomas Pynchon

Um primor! Enviei algumas coisas ao Márcio e espero sinceramente poder fazer parte desse empreendimento!
- Alan Moore

Eles têm futuro. Prevejo um número de edições semelhante às minhas tiragens. É só perseverar.
- Paulo Coelho

Caralho! É um verdadeiro cataclisma sináptico metafictício!
- Grant Morrison

Tivesse sido lançado 30 anos antes, eu estaria lendo, com certeza.
- Philip K. Dick (com a ajuda de alguns copos d’água, de um velho rádio valvulado e de um exemplar surrado do The complete idiot’s guide to Instrumental Transcomunication)

Na próxima entrevista que der, citarei os piás como uma das minhas novas referências.
- Dalton Trevisan

Gostei muito e escreverei algo sobre eles. Um romance, imagino. A história vai se passar em Nova York. E algum deles vai desaparecer. Acho que é só, por enquanto.
- Paul Auster

Essa molecada é de matar!
- Stephen King

Nessa edição, Lúcio Manfredi (http://malprg.blogs.com/francoatirador), que - presumo - deve ter chorado de emoção com o diálogo final de Waking Life; A. Moraes (http://artificios.blogspot.com), que - presumo - também deve ter chorado de emoção com o diálogo final de Waking Life e eu (http://urobouro.blogspot.com), que chorei de emoção com o diálogo final de Waking Life.

Esse mês teremos uma edição diet, com menos caracteres (acho. Não contei. Se algum de vocês tiver a pachorra de fazer isso, me informe, per favore), mas com o mesmo valor nutritivo.

Divirtam-se.

Marcio Massula Jr

MISTER BOOKSELLER

Hqzinha de 8 páginas, bem legal, escrita por Darko Macan e desenhada por Tihomir Celanovic.

Dica do Pedro Bouça.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA

Terminei ontem.

Mutarelli consegue, mais uma vez, tirar leite de pedra. Até faltarem umas trinta páginas para o final do livro, eu ainda tinha JESUS KID como meu preferido, mas quando acabou (ou será que começou?) o Efeito, minha opinião mudou.

Fiquei angustiado. Não há outra palavra. Outro livro que me causou efeito semelhante - e que me vem à cabeça agora - foi COMA, de Alex Garland. Mas em COMA o negócio demorou a bater, e a narrativa só fez efeito (estamos hilários hoje, não?) algum tempo depois. Basicamente, são histórias sobre homens presos dentro das suas próprias cabeças.

A parte gráfica do livro também deixa sua marca e tem o seu porquê. O que a princípio parece apenas um adorno também tem sua função entre as letrinhas.

Dizer mais sobre Efeito (com maíuscula, note) é entregar o ouro, mas quem não gosta de Burroughs, bom sujeito não é. Vale a pena, enfim.

sábado, 6 de setembro de 2008

A MORTE DE ANTÔNIA

Ah, a internet e as sincronicidades...

Tava lendo uns feeds na minha conta do Google Reader (que quase não uso. Prefiro o Bloglines). Linka aqui, clica ali, e vou cair no blog do Thiago Dória, que faz uma entrevista com a escritora gaúcha Carol Bensimon, que até então eu desconhecia.

Num determinado momento, ela revela o plot do seu novo romance, SINUCA EMBAIXO D'ÁGUA:

O Sinuca é um romance sobre uma ausência. Antônia morre num acidente de carro, e algumas pessoas tem que aprender a lidar com isso, cada uma a sua maneira. A narração é alternada sobretudo entre três personagens (mas outros surgem no meio também): Bernardo, melhor amigo de Antônia, um tipo de nerd obsessivo-compulsivo que precisa achar alguma lógica no que aconteceu, e que por isso tenta reconstituir a noite do acidente. Camilo, o irmão de Antônia, adorador de Guns n’ Roses, junkie, que monta e desmonta carros, e que nunca trabalhou um dia na vida. E Polaco, o dono do bar entre o Lago e a casa de Antônia e Camilo, que guarda uma história obscura envolvendo a pequena cidade onde nasceu, história que, em função da morte de Antônia, volta a assombrá-lo.

Achei interessante e já anotei o nome. Ajuda o fato de o livro ter um "making-of" (sim, eu me amarro nessas paradas!), mas o que me assombrou, se posso dizer assim, foram os pontos de tangência do plot dela com um argumento que estou escrevendo. A história trata justamente da morte de uma Antônia e da reação de três pessoas a isso.

Até onde entendi, as coincidências terminam por aí. Além do quê, a morte de uma pessoa SEMPRE muda a vida dos que estão próximos a ela. E claro, há ainda a noosfera.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

INCLUSÃO DIGITAL

(Estou na minha linux-vibe sazonal, então não reparem se ficar muito repetitivo, certo?)

O lance é que a minha esposa comprou um computador novo uns tempos atrás. Sempre temos dois desktops em casa. O dela, e o que costumava ser meu, e que agora é do meu filho. De anos em anos a gente compra um novo, que fica com ela, e o dela passa para mim (agora meu filho), e a gente sempre doa o mais antigo.

A bola da vez foi um Pentium 4 com 512 de RAM e sei-lá quanto de HD. Uma configuração que vai atender a maioria das necessidades de qualquer um que use um computador. E quem recebeu o computador foi uma pessoa que trabalha conosco.

Antes disso, tive que, obviamente, formatar a máquina. Pelo pouco que conversamos, tanto ela quanto os filhos não têm muito contato com computadores. E foi aí que me deu o estalo: por que não?

Uma das maiores barreiras em relação ao Linux são justamente os velhos hábitos dos usuários-padrão, que, até por já terem se habituado com o Windows por anos e anos, não se sentem seguros nem motivados a trocar uma ferramenta que já conhecem relativamente bem por uma na qual terão que aprender bastante coisa.

Enfim, instalei o Ubuntu 8.04, fiz as configurações necessárias: instalei o Flash para que eles pudessm ver vídeos na internet, jogar, etc; troquei o OpenOffice default (em inglês) pelo BrOffice, instalei as fontes default da Microsoft e fiz mais alguns ajustes. A única coisa que não funcionou a contento foi o Compiz. Infelizmente não tive tempo para checar isso, mas do jeito que o micro ficou já estava de bom tamanho.

Detalhe: eu não falei absolutamente nada sobre o sistema operacional. Simplesmente entreguei a máquina.

Como praticamente não fiquei em casa desde que fiz isso, não sei se eles gostaram ou se alguém já arrancou o Ubuntu fora. Na verdade, estou bem curioso. Dentro em breve pergunto e descubro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

QUERIDO PESSOAL DO BLOGGER...

Eu não sou um spammer nem um bot. Será que vou ter que continuar preenchendo esse catso desse captcha toda vez que for postar no meu blog?

(sim, já notifiquei o blogger diversas vezes).

CONVIDADO

Analogia interessante que o usuário "mlvezie" fez na seção de comentários de um post do Lifehacker:

My feelings for Windows now is that, even thought I've used it for years, and certainly know my way around it, when I use it, I feel like I'm a guest in a friend's home, but when I use Linux, I feel like I'm at home.

Faz sentido.

DE VOLTA AO DUAL-BOOT

Pois é. Quase um mês depois de dar início ao meu “Experimento U”, me vi sem saída e acabei tendo que retornar ao bom e velho XP. Ou melhor, ao bom e velho dual-boot.

Como já disse antes, não partilho do mesmo ódio patológico que certos usuários têm por programas pagos. Num caso como esse, costumo ver as coisas de maneira mais pragmática. Há sim um componente ideológico na minha predileção por programas de código aberto, mas ela se deve muito mais à praticidade da coisa toda. Posso instalar, desinstalar e fazer o diabo sem ter que me preocupar com chaves de autorização, validações pela internet e por aí vai. Posso distribuir para amigos e colegas de trabalho. Além disso, o desenvolvimento dos programas é mais rápido. E, normalmente, eles fazem tudo o que eu preciso.

Contudo, a minha área de trabalho exige uma grande quantidade de programas que são concebidos para trabalharem exclusivamente no Windows. Alguns rodaram bem no Wine, outros não. No caso desses que não rodaram, consegui fazer algumas substituições com soluções “de próprio punho”, mas elas não me atenderam a contento.

Então resolvi voltar ao dual-boot. Se vocês leram o post que linkei no primeiro parágrafo, devemter percebido que a intenção não era largar do Windows de vez, mas apenas ter uma idéia de como seria a experiência. Particularmente, eu gostei. Mas, afinal, ainda há meu ganha-pão.

Antes de voltar ao dual-boot, tentei a virtualização, mas o VirtualBox (que tem versão nova sendo lançada hoje, aliás) não funcionou tão redondinho quanto imaginei e não tenho o tempo necessário para vasculhar fóruns e site em busca das resoluções dos meus problemas com ele. Prefiro tentar resolver esse assunto com calma, sem pressão.

Obviamente, não sou tão trouxa para queimar meu filme com um cliente por causa das minhas preferências pessoais, então fiz isso sabendo que:

a) havia um velho desktop no meu local de trabalho atual que poderia me ajudar – e ajudaram - nesses dias.

b) havia amigos com laptops com Windows, que poderiam me ajudar – e ajudaram - nesses dias.

O Ubuntu não se mostrou adequado para algumas atividades do meu trabalho, mas de maneira alguma eu penso em largá-lo, muito pelo contrário, mesmo porque, uma coisa não exclui a outra. Ter o Windows instalado no computador não significa que ele é mais ou menos importante que outros SO's que estejam lá. É simplesmente uma questão de necessidade. Para uma situação específica, eu tenho o SO e as ferramentas específicas, para outra, tenho outros. Ponto.

Então as coisa ficaram assim: XP e Ubuntu para o trabalho, numa proporção de 70/30, e Ubuntu para todo o resto.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

DESKTOP SCREENSHOTS

Sei que é um puta fetiche nerdy, mas me amarro em ver screenshots dos desktops alheios. Sei lá por quê.

E, miraculosamente, encontro uma galeria no Flickr com mais de 1.000 fotos. É nóis!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ALQUIMIA REVERSA

De tempos pra cá venho colocando em perspectiva as impressões que tinha sobre coisas que escrevi e pessoas que (des)conheço, e não me surpreendi com o fato delas estarem se tornando piores a cada dia. Mas decepções e desilusões também fazem parte da vida, né não?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

MUTARELLI E STEPHENSON

De tempos pra cá prometi a mim mesmo que o fluxo de livros entre Taubaté e Curitiba seria apenas na direção da primeira à última, ou seja, não levaria mais livros da minha casa para o local onde estou.

Mas uma rápida passada numa livraria ontem, fez com que eu mudasse de idéia. Primeiro vi NEVASCA, primeiro livro de Neal Stephenson lançado no Brasil, até onde sei.

Stephenson é "filho" dos cyberpunks originais (Gibson, Sterling, etc.) e pelo pouco que li a respeito de sua obra (da qual Cryptonomicon é a que mais me desperta curiosidade) o livro tem tudo para me agradar.

O outro que vi - trouxe e levarei - foi A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA, de Lourenço Mutarelli. Acho que esse deve ter sido o primeiro fruto do polêmico Amores Expressos. O objeto em si, é muito bonito, lembrando um caderno de anotações, com algumas passagens caligrafadas e o caralho. A narrativa, pelo pouco que se pode deduzir da sinopse, também continua fazendo parte das paisagens que o autor costuma visitar.

UPDATE: segundo essa entrevista, A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA não faz parte do projeto Amores Expressos, como eu imaginava.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

PREPARANDO A MIGRAÇÃO, OU AINDA, O “EXPERIMENTO U”.

Sempre fui entusiasta do Software de Código Aberto (porque sabemos, o termo “Livre” dá muito o que falar), e sempre brinquei o Linux, mas a verdade é que só comecei a considerar a adoção *definitiva* dele como meu sistema operacional principal de uns meses para cá.
A barreira é, evidentemente, o trabalho. Muitos softwares que uso são bastante específicos, não tendo versões open-source ou mesmo compatíveis com outros sistemas operacionais que não o próprio Windows. E antes que algum engraçadinho tenha a idéia: não, eu não vou mudar de profissão.
Numa migração, a primeira coisa a se levar em conta é a real necessidade do computador. Para que ele serve? Quais são os programas realmente necessários?
O primeiro passo que dei foi avaliar outras distros que poderiam atender aos meus objetivos. Passei semanas baixando live-cds e testando várias delas, desde as mais famosas, até as mais obscuras. Mas já uso o Ubuntu há um bom tempo, e sempre tive uma queda por ele. Acabei achando melhor não mexer em time que está ganhando. A título de curiosidade, também uso o Slax num pen-drive/canivete-suíço de 8Gb que azeitei com outros aplicativos. Mais sobre isso depois.
No meu caso, mesmo utilizando o Windows, costumo, sempre que possível, dar preferência a softwares livres. Então meu pacote de escritório é o OpenOffice (na verdade, o Go-OO, uma versão com algumas - poucas - melhorias), meu browser é o Firefox, meu editor de textos é o Notepad++ e assim por diante. A grande maioria dos programas tem versões funcionais para o Ubuntu. E alguns, como o Notepad++, que são exclusivos para Windows, rodam facilmente via Wine.
Os programas de uso “normal” são seriam problema. Também conheço um bom número de programas específicos que têm seus equivalentes no Linux. De qualquer maneira, preparei uma lista para confrontar os programas que uso no Janelas e os que eu vou usar no Ubuntu.
Contudo, isso ainda não resolveria meu problema, que é o de poder continuar utilizando os programas de trabalho, e que costumam mudar de projeto para projeto.
Notem que estou evitando a todo custo o dual-boot (que já uso, a propósito), por ser contraproducente na hora do trabalho. Se eu tiver que ficar reiniciando o micro 20 vezes por dia, deixo as coisas como estão.
Mais uma vez, recorri ao Wine. Obtive bons resultados com alguns programas, resultados medianos com outros e há um terceiro grupo que simplesmente não funcionou. Nesse caso, a opção seria apelar para a virtualização. Particularmente, gosto da VirtualBox, que também já utilizei no Windows. Mas o problema de máquinas virtuais é que, a menos que haja uma boa quantidade de memória RAM (2Gb ou mais, que não é o meu caso.) o desempenho - tanto do sistema hospedeiro como do sistema virtualizado - costuma despencar. E voltamos ao ponto exposto na última frase do parágrafo anterior. Se eu tiver que continuar usando o Windows, deixo as coisas como estão.
Então resolvi fazer um experimento. Semana que vem formato meu laptop, e vou tentar ficar 20 dias sem o Windows, aconteça o que acontecer. Tenho plena ciência de que as coisas vão se complicar vez ou outra. Mas a verdadeira questão é: vão se complicar quanto?
E, na pior das hipóteses, há um plano de contingência, que envolve aquele pen-drive sobre o qual falei lá em cima.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

ADSENSELESS - PARTE 3, E NOVA HQ PUBLICADA.

Duas coisas:

1) ADSENSELESS - Parte 3, está disponível para leitura lá no TXT.

2) Uma hq escrita por mim foi exumada e será publicada na edição 48 da revista pernambucana Prismarte. Mais detalhes aqui.

ADSENSELESS - Parte 3

Márcio Massula Jr.

O naco dentro da boca de Chico tem calorias suficientes para sustentar uma criança por uma semana. Mesmo assim, a maçaroca de pão, carne sintética, legumes transgênicos e condimentos desaparece garganta abaixo antes que suas papilas gustativas tenham notícia do sabor daquilo tudo. Ao que parece, para Chico mastigar a comida é apenas uma formalidade, que ele não faz muita questão de cumprir.

Apesar de já se terem passado alguns dias, Macanudo ainda chama atenção. Vez ou outra algum dos clientes da lanchonete pára e pergunta: “Ei, você não é aquele cara da Googolplex?”. Nas primeiras vezes, ele respondia com convicção, fazia valer o treinamento, mas esse não era um momento. Tratava de um assunto importante, e quando uma menina pediu para tirar uma foto ao seu lado, o máximo que consegui produzir foi um esgar com o cantos dos lábios. Um arremedo de sorriso. Ele está preocupado.

- Chico, ela disse que não quer falar comigo!

Chico ainda está concentrado em sua comida. Ele vasculha o interior do sanduíche com a ponta do dedo indicador, como se procurasse encontrar algo que não deveria estar lá.

- Cara, ela abriu uma comunidade no TRUKO, sabia? “Eu odeio a Googolplex!”. E eu, como fico nessa, cara?

O indicador de Chico continua a prospectar o sanduíche.

- Maca, não acredito que você fez isso. Sério mesmo. Seu pai era um lóki, sua avô também, e, cá pra nós, sempre te achei meio esquisitinho. Mas gosto de você assim mesmo, cê sabe, né? Eu até me empolguei quando um carinha lá da Plex comentou sobre o programa comigo, mas nunca ia imaginar que meu melhor amigo ia se meter nessa. Não mesmo.

Chico tira uma fatia de picles e coloca sobre a mesa. Em seguida abocanha mais uma parte do sanduíche.

- Ué! Mas, de todo mundo, você é o que mais deveria estar feliz com o que eu fiz!

- Maca, eu sou um Tecnólogo, não um tecnófilo pervertido como você. E feliz não é exatamente a palavra. Curioso, talvez. Mas uma coisa é o fato de eu gostar de tecnologia. Outra é o fato de gostar de você estar servindo de cobaia pra testar tecnologia, percebe?

- Ok. Mas isso ainda não resolve meu problema. Eu fiz isso para me casar com ela. E ela nem quer me ver!

- Bom, talvez as coisas estivessem melhores se você tivesse avisado que ia implantar um dispositivo de publicidade semântica na testa ao invés de ter dito que ia pescar. E comigo!

- Foi mal, cara. Mas eu tinha que fazer isso. Se dissesse que ia participar do programa, ela ia protestar, com certeza.

- E você achou que aparecer com a testa cintilando preços de panelas e cursos de pós-graduação ia mudar a opinião dela, né?

- Achei que ela fosse entender...

- Não entendeu.

- Pois é...

- Isso aí é por tempo limitado, né?

- É.

- Quanto?

- Não posso comentar. Está no contrato.

- Presumo que seja muito tempo, então...

- Em virtude das circunstâncias, acho que agora é. Temos que resolver isso, Chico?

- Você e a Ândrêa, né?

- Não, cara! Eu e você!

- Fala baixo, viado! Tá querendo me comprometer? E que história é essa de eu e você?

- Ué? Você não vai me ajudar a resolver essa parada?

- Eu?

- Pô, Chico! Você é meu melhor amigo. Pra quem eu posso pedir ajuda?

- Pro seu bom-senso, talvez?

- Tá bom. Pode pisar em cima. Mas pense aí num jeito de me dar uma força, vai.
Uma jovem com feições asiáticas, na casa dos vinte e poucos, senta-se ao lado de Macanudo, sem ao menos ter a preocupação de se apresentar. Ela tem os cabelos pintados num tom de vermelho que é uma declaração de guerra à visão de qualquer pessoa dentro do recinto. Suas roupas são volumosas, e de cores tão berrantes quanto a do cabelo. Ela parece saída de algum anime. Macanudo fica surpreso, enquanto Chico tenta divisar alguma das curvas do seu corpo, bem escondidas sobre toda aquela quantidade de tecido.

Do outro lado do restaurante, outra moça, com roupas igualmente exóticas, bate uma sequência de fotos com um smartphone, enquanto a menina dos cabelos vermelhos estica o indicador e o dedo-médio em V. Antes que Macanudo possa formular algum protesto, ela agradece, se levanta, cruza o restaurante, pega o celular que estava na mão de uma amiga, confere as fotos, dá umas risadinhas, pressiona algumas teclas e ambas saem pela porta.

Chico começa a rir.

- Se acostume, cara. Agora você é uma celebridade.

- Pior é que não vou receber nenhum centavo por essa publicidade.

As risadas de Chico se transformam em gargalhadas.

- Maca, só você mesmo pra pensar numa coisa dessas. Cê é um figura mesmo.

- Não sei porque, mas algo me diz que cometi uma burrada ao entrar nessa.

- Só agora você percebeu?

- Valeu mesmo, Chico.

Chico ameaça fazer mais um comentário espirituoso, mas detém a fala. Ele olha fixamente para Macanudo, que estranha a fixação súbita do amigo.

- Maca, essa parada tá gravando a nossa conversa?

- Sim.

- E tá filmando meu rosto?

- Também.

- Ou seja, como se eles já não tivessem bastante informação, a Plex está coletando mais dados a meu respeito. E sem a minha permissão.

Macanudo assume um ar grave.

- Não! Nada disso! Esses dados são coletados apenas para filtrar os anúncios. Eles nunca vão usar isso. Os dados são apagados após 30 segundos após o fim da conversa. Está no manual.

Chico se aproxima mais. Chama Macanudo com o indicador. Olha para os lados e certifica-se que ninguém está prestando atenção.

- Isso é o que eles querem que você pense - diz, num sussurro.

- Sério mesmo?

Chico dá um tapa de leve no queixo de Macanudo, que não esperava por essa reação do amigo e reage 
de maneira desproporcional, atirando-se para trás e derrubando seu copo de refrigerante.

- Claro que não, seu mané! Tava parafraseando um filme das antigas que gosto muito. Cê não sabe o quanto eu esperei pra poder dizer isso.

- Olha a bagunça que você fez.

- Que você fez, Maca. Mas, peraí...

Chico levanta-se e segura a cabeça do amigo com as duas mãos. Seu olhar é severo. Não parece estar brincando agora. Analisa a tarja por alguns segundos. Resolve falar, por fim.

- Caralho, olhas os preços disso!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

sábado, 28 de junho de 2008

AJUDE A SUSTENTAR A WIKIPEDIA

Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!

…e também a pen drives, card drives, camisetas geeks, livros e mais! O BR-Linux e o Efetividade lançaram uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation e outros mantenedores de projetos que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não puder, veja as regras da promoção e participe - quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!

(Achei a campanha um barato. Esse lance das contribuições aos projetos de software livre é um assunto que sempre me interessou e que vai render, qualquer dia destes um post. Obviamente, também estou de olho numa dos brindes oferecidos)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CURIOSIDADE MÉDICA - UM ROTEIRO DE HQ

De dias pra cá meu interesse pela narrativa e pela narração de histórias em quadrinhos vem voltando gradativamente, talvez pelo fato de ter feito a leitura consecutiva de vários livros sobre o assunto, talvez por ter botado as mãos num pacotinho de edições nas quais estava de olho fazia tempo.

Ano passado, se não me falha a memória, o Leonardo Santana enviou um email para várias pessoas - eu incluso - onde solicitava hqs curtas para publicar numa edição temática da Prismarte, que ele ajuda a editar. O tema, aliás, era o terror, e essa edição acabou sendo a de número 45.

Bem, eu tinha uma pequena idéia que tinha começado a desenvolver anteriormente e achei que ela caberia numa edição assim. Fiz meus cálculos e concluí que três páginas seriam o suficiente. Não me lembro exatamente qual foi o estopim da coisa toda, mas eu queria misturar alguns elementos que me interessavam na época. Então me propus a escrever e entregar essa história, que batizei de CURIOSIDADE MÉDICA.

Resumindo a ópera: logo eu, o (pretenso) roteirista metódico e pontual, que sempre reclamou dos desenhistas furões, furei. A vida no mundo real começou a cobrar mais atenção, e, paralelamente, meu interesse pela feitura de hqs começou a declinar vertiginosamente. Deixei esse e outros roteiros de lado e fui cuidar de outros assuntos. Até semana passada.

Mais uma vez, minha vontade de escrever para quadrinhos voltou. Tive algumas idéias e reencontrei outras que me agradavam. Acabei desenterrando, entre outras coisas, esse roteiro.

Reescrevi praticamente tudo, e talvez ainda falte alguma coisa, mas é um roteiro que eu gostaria de ver desenhado.

O roteiro, aliás, pode ser baixado aqui (lá embaixo, em “Attachment”).

Alguém se habilita?

P.S.: Em tempos recentes, desenvolvi um procedimento terapêutico contra a angústia provocada por desenhistas furões: inscrevo os emails deles nas newsletters de tudo quanto é site de zoofilia que encontro internet afora. Podem chamar isso de “compensação”.

P.S.2: Brincadeirinha!!!!

P.S.3: até agora há pouco o link estava quebrado, e quem avisou foi o Daniel. Valeu, cara!

sábado, 7 de junho de 2008

MANTENDO SEU TRABALHO A SALVO

Já ouvi verdadeiras histórias de terror sobre escritores que perderam meses, até anos de trabalho porque não tomaram os devidos cuidados na hora de manterem seus backups em dia (isso para não falar daqueles que preferem escrever em cadernos...).

Manter um backup atualizado é um hábito que qualquer um que leve a sério a atividade de escrever deveria cultivar.

Embora a grande maioria dos programas recentes tenha ferramentas que realizam salvamentos automáticos em períodos determinados, as combinações Ctrl+S (ou Ctrl+B em alguns casos ) têm que ser tão naturais quanto respirar.

Contudo, criar o hábito de salvar seus arquivos dentro do seu computador é só o primeiro passo, uma vez que o próprio computador pode quebrar.

O preço de um pen-drive não é mais desculpa. Um dispositivo de uma marca boa, com 1 Giga de capacidade custa, hoje em dia, numa loja que cobra caro, cerca de 45 reais. Para quem pretende entupir sua unidade de armazenamento com músicas, .ppts cheios de mensagens enaltecedoras e vídeos com pegadinhas russas, 1 Giga realmente não é muita coisa. Mas para guardar roteiros (e outros documentos de texto, em geral), é espaço mais do que suficiente.

Fazendo uma conta simples: Um roteiro parrudo, de 120 páginas, seguindo a formatação padrão, no formato .rtf, costuma ficar com um tamanho de 300 e 400 KB. Se utilizarmos a notação SI, 1 GB equivale à 1000 MB, e 1MB, por sua vez, equivale a 1000 KB. Portanto, 1 Gb vale o mesmo que 1.000.000 KB, ou seja, num pen-drive de um giga cabem 2.500 roteiros. Nada mal, não? Vendo por outro lado, um disquete de 3 1/2” HD (o mais comum) já seria suficiente para guardar pelo menos três roteiros, embora não se aconselhe utilizar esse tipo de mídia nos dias de hoje.

Outra alternativa, que pode ser utilizada em paralelo, são os hds virtuais. Hds virtuais permitem o armazenamento de uma determinada quantidade de dados em servidores externos. Obviamente esse tipo de serviço não é aconselhável para aqueles que tem níveis de paranóia muito elevados.

Por outro lado, eles oferecem grande flexibilidade pelo fato de ser possível baixar o documento a partir de qualquer computador com acesso à internet. Normalmente esse tipo de serviço se apresenta nas modalidades paga e gratuita, sendo que na gratuita, obviamente, o espaço disponível é bem menor. Alguns exemplos são o Mozy e o Esnips, onde a manipulação dos arquivos é feita através de um software instalado localmente na máquina do usuário. Existem ainda outros, como o 4Shared e o já vetusto Rapidshare, onde todo o processo é controlado via browser. Na pior das hipóteses, o usuário pode simplesmente criar uma conta de email num serviço que ofereça mais de 1 GB de espaço - praticamente todos os grandes provedores - e enviar seu trabalho para esta conta-arquivo.

Há ainda casos como o do Celtx, que já tem essa opção integrada ao próprio software. Basta fazer um upload privado do seu projeto e ele ficará armazenado no servidor da Greyfirst, podendo ser baixado de qualquer computador. Some isso ao fato do programa rodar diretamente de dentro de um pen-drive, e temos uma ferramenta poderosa.

Outro ponto importante: seja você fã ardoroso do Final Draft, admirador do Movie Magic, evangelista do Celtx ou viúva do Sophocles, sempre, mas SEMPRE, salve uma cópia do seu roteiro num formato neutro. O bom e velho .txt é o melhor, mas a grande maioria dos programas também entende o .rtf ou o .html.
Ter o seu trabalho salvo num formato neutro vai evitar muitas dores de cabeça caso seu programa preferido resolva, de um dia para o outro, não funcionar mais.

Pegando um exemplo pessoal, no início deste ano redigi um roteiro de noventa páginas utilizando o Sophocles. Por um problema técnico, acabei ficando quase duas semanas sem meu computador, onde estava instalado o programa. Como eu tinha o roteiro salvo em .txt, importei-o no Celtx - instalado num pen-drive - e continuei trabalhando em outro computador, como se nada tivesse acontecido. Quando meu pc ficou em condições, reinstalei o Sophocles, exportei o roteiro do Celtx, importei no Sophocles, e dei sequência por lá.

Recentemente, o site do programa saiu do ar e começaram as especulações sobre o que teria acontecido. Aparentemente, o programa foi descontinuado. O Sophocles possui um sistema de ativação pela internet. Cada vez que o programa é reinstalado, seja ele um demo, uma versão beta ou uma versão paga, ele tem que ser reativado pela internet. E se o site da empresa está fora do ar... Isso até faria sentido numa empresa monolítica como a Microsoft, mas no caso da pequena Sheenan Software, parece não ter sido uma das escolhas mais acertadas, o que acabou deixando vários usuários que pagaram pelo programa em maus lençóis.

Voltando a mim. Embora o Sophocles que eu tenho continue funcionando, decidi abandonar a ferramenta de vez, em detrimento do Celtx. Bastou que eu importasse meu .txt atualizado, procedesse com algumas correções (a perda de formatação em alguns trechos é comum nesse tipo de operação) e pronto. Posso trabalhar tranquilo, sabendo que estou parcialmente imune a panes e pandemônios eletrônicos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CELTX 1.0 NO AR

É isso aí, macacada. Meu brinquedinho preferido deixou de ser beta. Entre as novidades, um template específico para escrita de quadrinhos. Algo que eu esperava havia muito tempo. Na verdade, não curti muito o formato escolhido - aquele que emula alguns roteiros televisivos, com descrições num quadro, diálogos em outro, etc, muito usado em quadrinhos europeus. Também achei que fez falta a exportação para um formato mais parrudo, como o .ODT, assim como a exportação offline para .PDF. Mas tá valendo.

As novidades podem ser conferidas aqui.