domingo, 1 de março de 2015

FRANCISCO IWERTEN, EX-MESTRE DO QUADRINHO NACIONAL


OU AINDA: THE ZUÊRA MUST GO ON
Logo surrupiado no site do personagem

Em 2006, Francisco Iwerten foi galardoado pela AQC (Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo), na categoria Mestres do Quadrinho Nacional.

Iwerten, até então um completo desconhecido, foi nada mais nada menos que o criador do Capitão Gralha, o primeiro super-herói paranaense, que décadas depois serviu de inspiração para a criação do Gralha, personagem que foi primeiramente publicado em tiras no jornal curitibano Gazeta do Povo, depois por algumas editoras como a Metal Pesado e a Via Lettera, e por fim na internet. Até eu escrevi roteiro para hq do Gralha, vejam vocês.

Dois dias atrás, a AQC (Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo), divulgou uma retratação à homenagem concedida a Iwerten, cancelando a mesma.

O motivo?

Iwerten nunca existiu.

Em um vídeo publicado recentemente no Youtube, o quadrinista Antonio Eder, um dos pais do Gralha, explica a treta toda.

Basicamente, Iwerten e o Capitão Gralha foram inventados para dar um estofo histórico, ¨um plus a mais¨ para o recém-criado personagem. A lorota foi contada ao pessoal da Gazeta e acabou se espalhando.
Que atire o primeiro spam quem nunca deu uma tunada no currículo.
Eu já tinha ouvido a história tempos atrás, da boca do próprio Antonio. Acredito que outros quadrinistas, alguns membros da própria AQC, também. Mas como esse assunto só veio à tona agora, houve toda essa movimentação para colocar os pingos nos ¨is¨, tanto da parte da Associação, quanto da parte dos próprios criadores.

Entendo a posição da AQC, mas como foi um prêmio póstumo e nenhum ser humano vivo foi lesado pela mancada geral, gostaria que a história tivesse outro desfecho, mais no espírito da coisa toda.

Por exemplo, mudar o nome da homenagem a Iwerten, em vez de simplesmente cancelá-la.

¨Mestre do Quadrinho Nacional em Quadrinho¨, talvez?

Ou, simplesmente, ¨Mestre da Zuêra¨.

Ia ser mais legal. ☺

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CONTEXTO É TUDO

Como muita gente, fiquei estarrecido com a imagem abaixo, amplamente divulgada no Facebook.


Um sorriso maroto, uma criança chorando e um texto chocante foram os ingredientes perfeitos para despertar o fundamentalista que há dentro de mim.

Minha vontade era poder me materializar atrás desse sujeito, enfiar o microfone pelo seu trato intestinal, retirá-lo pela boca, e levar a menininha pra longe dali.

Para a sorte da minha timeline, o fundamentalista que há dentro de mim ainda não sabe que está confinado entre os dois hemisférios da minha cachola, e enquanto ele resmungava alguma variação da Lei do Talião, resolvi pesquisar mais esse assunto.

Não tardou muito, e a internet veio ao resgate. O que parecia ser mais uma história de terror ganhou outras tintas. 

Segundo o site e-farsas, a menina participava de um concurso de recitação do Corão e, ao dar algumas derrapadas, se constrangeu e começou a chorar. Veio então o apresentador — o sujeito em quem eu queria fazer uma colostomia, sem anestesia — deu uma força e terminou tudo bem.


Ufa!

Infelizmente, como é apontado no artigo, o fato dessa imagem não estar associada a esse tipo barbaridade não quer dizer que ela não ocorra.

De qualquer maneira, o moral dessa história é óbvio (e ululante), mas nunca é demais lembrar: sempre desconfie do que aparece na internet. SEMPRE.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

WEARABLES

Eu ainda me surpreendo quando pego meu celular e me dou conta de que ele é um computador várias vezes mais potente do que o notebook que comprei em 2005 (e que ainda existe).

Mas, vou te contar, ainda não consegui me acostumar com a ideia do que se convencionou chamar de "wearables".

Coisas como smartglasses e smartwatches

No caso do primeiro, há uma série de interações sociais que precisam ser redefinidas. Afinal, será que aquele usuário com um Google Glass (carinhosamente apelidados de Glasshole) está me filmando? Se sim, o que ele vai fazer com aquelas imagens? E por que diabos esse maluco tá falando sozinho?!??

Já no caso dos relógios, a coisa seria menos incômoda, mas ainda traria uma dose de estranhamento.

No meu entender, os seres humanos, em geral, curtem vocalizar. Basta ver os usuários de Nextel, que em pleno 2015 ainda preferem colocar aquelas merdas no viva-voz, em vez de usarem como um telefone*.

Mas, voltando aos "vestíveis", apesar de ser muito legal ver OUTRAS pessoas fazendo isso, ainda acho estranho interagir com qualquer aparelho que seja via comandos de voz.

Iniciativas como o teclado Minuum (vídeo abaixo) podem dirimir um pouco isso, mas não é todo mundo que vai abraçar a ideia.



Outro aspecto que imaginei seria a camaradagem. Presumo que esses relógios espertos vibrem quando recebem notificações, mas não sei qual é a intensidade dessas vibrações. E, dependendo da sensibilidade da pessoa e das condições na qual ela está, pode ser que a mesma não sinta o relógio vibrando nem apitando. Então SEMPRE haverá aquele sujeito bem-intencionado, que vai te parar na rua só pra te dizer que seu relógio está piscando. Isso pode gerar situações engraçadas? Sim. Pode ser constrangedor? Mais provável.

* só dou um desconto para motoquei... digo, motociclistas, que normalmente estão de capacete. No mais

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

FDP.DOC, OU AINDA: POR QUE FORMATOS SÃO MAIS IMPORTANTES DO QUE PROGRAMAS?

(Publicado originalmente no Medium)




Senta que lá vem história.
Por anos, mantive uma caixinha com cerca de quarenta disquetes de 3.5 polegadas. Num determinado momento, decidi que ficar carregando aquilo seria perigoso, e deveria armazenar melhor o que quer que houvesse lá dentro. Então, copiei todo o conteúdo daqueles disquetes no meu computador.
Os arquivos se dividiam basicamente em cinco tipos: executáveis paleolíticos do DOS/Windows, desenhos feitos no AutoCAD, umas poucas planilhas do Excel, um porrilhão de arquivos .txt e um monte de arquivos do Word.
A medida em que eu copiava os arquivos, já processava/deletava os mesmos. Contudo alguns deles eram, naquele momento, inclassificáveis, e acabei deixando tudo numa pasta chamada, na falta de nome melhor, disquetes.
Vira e mexe abro essa pasta e tento decidir o que fazer com aquilo tudo, mas sempre surge algo mais importante e acabo deixando essa tarefa para depois. Como você já deve ter percebido, se esses arquivos não foram classificados até agora, é porque talvez não sejam tão importantes assim. Por outro lado, se não foram deletados, é porque tem um valor intrínseco (e emocional) pelo simples fato de existirem.
Pois bem. Em meados de 2013, lá vou eu de novo tentar dar um jeito naquilo e me deparo com um arquivo do Word, com o singelo título de FDP.doc.
Tentei abrir o arquivo, e aí veio a surpresa.
Meu computador rodava o Linux Mint 11 (já desatualizado na época). Além do LibreOffice, que é a suíte de escritório padrão, eu também usava oFreeOffice, a versão gratuita do SoftMaker Office, um produto bacana feito pela SoftMaker, uma pequena empresa alemã com a qual simpatizo bastante.
Por N motivos, eu associava os arquivos do Microsoft Office (tanto os velhos como os novos) ao FreeOffice, e usava o LibreOffice para manipular arquivos no formato ODT.
Então, ao dar o clique duplo no FDP.doc, fui surpreendido com a mensagem abaixo.





Tentei o LibreOffice, e o arquivo foi aberto normalmente.
Era um trabalho de escola, com 6 páginas, escrito em 1996. O título é PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS DE PÁRA-RAIOS DE HASTE. O conteúdo me fez lembrar de muita coisa, inclusive do que me motivou a nomear o arquivo com esse acrônimo tão singelo. Digamos que foi uma homenagem ao mestre. Com carinho. Também havia os nomes de alguns amigos que não vi nunca mais depois daquela época. Enfim.
Mas fiquei com uma pulga atrás da orelha. Dando uma olhada nos metadados do documento, vi que a última impressão foi em Abril de 1996, mas meu primeiro PC só foi comprado no final desse mesmo ano. Além disso, ele veio com o Office 95. Como aquele arquivo poderia ter sido criado antes, e numa versão anterior do Word?
Foi então que resolvi iniciar minha jornada em busca das origens daquele documento.
Depois de alguns testes (listados abaixo, e agora já desatualizados), consegui visualizar mais um metadado que me refrescou a memória. Redigi esse documento no computador da empresa onde trabalhava na época, um pczinho rodando Windows 3.11 com, muito provavelmente, o Word 6.0. Mas no screenshot não estava Word 2.0? Na linhagem do Word para Windows, existiu o Word 1.0 (e suas sub-versões), o 2.0 e depois, por motivos comerciais, o que seria o Word 3.0 foi batizado de 6.0. Embora os documentos tivessem a mesma extensão .doc, internamente eles eramdiferentes. Pode ser que o FreeOffice tenha se confundido.
Mistério quase resolvido.
Entretanto, fiquei abismado com algumas acontecimentos no percurso, como o fato da versão mais nova que do Microsoft Office (2007) a qual tinha acesso na época não ter aberto o documento de primeira, como os principais serviços web do segmento não terem conseguido lidar com esse mesmo arquivo, ou com a dificuldade de manipulá-lo em dispositivos móveis.
Agora estamos falando de um trabalho de escola mal redigido, mas e se fosse um documento importante? Se contivesse informação que ainda precisasse ser consultada?
Isso me levou a fazer outras considerações. Sou do tipo que faz estatísticas de coisas inúteis, tipo contar quantos documentos gerados pelo Word existem no meu computador. O processo não foi muito científico: usei a ferramenta de busca do Gnome, não vasculhei arquivos compactados, não contabilizei arquivos espalhados dispositivos de armazenamento removíveis e na nuvem. De qualquer maneira, o resultado me deixou ligeiramente estarrecido. Nos formatos antigos (*.doc e *.dot) existiam, na data, 2164 arquivos. Nos formatos novos (*.docx, *.dotx, *.docm e *.dotm) existiam 144.
Obviamente, não fui em quem produziu essa coisarada toda. Esses arquivos tem tudo quanto é procedência imaginável: manuais, cartas, roteiros, documentação técnica, lembretes, enfim, coisas que venho acumulando nesse anos todos.
Já existem vários casos de organizações e governos que não conseguem consultar informações criadas há vinte, trinta anos atrás, por não haver software e/ou hardware capaz de manipular determinados tipos de arquivos. Este artigo é um bom exemplo.
De uns anos pra cá, deixei de usar o Word em favor do OpenOffice/Go-OO/LibreOffice, e tudo o que produzo para “consumo próprio”, ou que possa ser distribuído como .pdf, crio no formato .odt. Na grande maioria dos casos, uso o Word apenas para editar arquivos que já recebo nesse formato.
Uma observação: o .rtf, meio que um formato franco dos processadores de texto no passado, está caindo em desuso, visto que não é bem manipulado nem por dispositivos móveis, nem por serviços online.

OS TESTES


Caso você não tenha interesse pelo viés técnico desse experimento, pode pular para a próxima seção: FINIS AFRICAE.
Esses testes foram feitos em meados de 2013. Além do que está descrito aqui, também já tentei outras alternativas mais recentes, como o Word 2013, com os mesmos resultados.
DESKTOP
WORD 2007 (Windows XP Professional SP3/VirtualBox)
Ao tentar abrir o arquivo, obtive essa mensagem:


Segundo a Microsoft, existem duas soluções para isso.
A primeira é alterar algumas configurações do Registro do Windows, algo não muito recomendado a usuários inexperientes.
A segunda, menos problemática, é mover/copiar o documento até o que eles chamam de local confiável (no meu caso, foi em C:\Arquivos de programas\Microsoft Office\Templates) e abrí-lo de lá. Evidentemente, se você salvar uma cópia desse documento em um local qualquer, independente do formato, a mesma estará “limpa”, e poderá ser utilizada normalmente.
WORD 2003 (Windows XP Professional SP3/VirtualBox)
Abriu o arquivo. Foi aqui que consegui ver o nome do usuário que criou o documento.
WORD 97 (Windows 98/VMware)
Abriu o arquivo.
WORD 95 (Windows 95/VMware)
Abriu o arquivo.
WORD 5.5 for DOS (via DOSBox)
Abriu o arquivo, mas com caracteres truncados o início e no final do mesmo (metadados).
LIBREOFFICE/OPENOFFICE/GO-OO.ORG/WHATEVEROFFICE (várias versões/vários sistemas operacionais)
Abriu o arquivo, mas sem conseguir ler alguns metadados.
ABIWORD (2.8.6)
Abriu o arquivo, mas com caracteres truncados o início e no final do mesmo (metadados).
FREEOFFICE (rev 767)
Não abriu o arquivo.
WEB
GOOGLE DRIVE
Não abriu o arquivo, nem no modo de visualização, nem após o mesmo ser convertido para o formato do Google Docs.


SKYDRIVE (agora Word Online)
Abriu o arquivo.
ZOHO DOCS
A mesma coisa que o Google Drive. Não abre nem o documento original (modo de visualização), nem o mesmo convertido para o formato utilizado pelo Zoho.
THINKFREE ONLINE
O ThinkFree Online nunca foi muito animador. Como eu esperava, não abriu o arquivo nem para visualização, nem para edição.
ZERO PC
O Zero PC tem um processador de textos embutido. Não abriu o arquivo.
ADOBE WORKSPACES (antigo Buzzword)
Não abriu o arquivo.
DROPBOX
Na época, o Dropbox havia recém-habilitado um recurso que permite (apenas) ver/ler documentos criados no Microsoft Office. O visualizador abriu o documento numa boa.
BOX.NET
Abriu o documento, apenas para visualização.
KINDLE
A Amazon tem um serviço interessante. Você envia um documento num formato pré-determinado (e o *.doc é um deles), e a Amazon converte o arquivo para um formato ebook, provavelmente o *.mobi, e envia o mesmo para o seu Kindle.
Não funcionou.
DISPOSITIVOS MÓVEIS
QUICKOFFICE (6.2.217 AM_S603.0/Symbian S60 3rd)
Não abriu o arquivo.


THINKFREE OFFICE MOBILE PARA ANDROID (2.0.110222/Android 2.3.6)
Abriu o arquivo mas com caracteres truncados no início e no final do documento (metadados).
KINGSOFT OFFICE (5.5.145789-mul00004/Android 2.3.6 e Android 4.0.3)
Embora a versão do aplicativo seja a mesma, testei em dois dispositivos com versões diferentes do Android.
Abriu o arquivo mas com caracteres truncados no início e no final do documento, e cheio de caracteres chineses no meio.
POLARIS OFFICE (3.0.31.20.5 FV03 e 4.0.3303.01 FT03/Android 4.0.3)
Duas versões diferentes do aplicativo instaladas no mesmo aparelho. Não abriram o arquivo.

FINIS AFRICAE


Certo, e o que isso tudo quis dizer?
Apesar da Microsoft ter liberado oficialmente as especificações dos antigos formatos do Office (.doc, .xls, .ppt, etc), eles são binários e instáveis, facilmente suscetíveis ao FUTURO.
Mas existe o OOXML que, em teoria seria um formato tão livre quanto o .ODF, certo?
Há controvérsias. Mas, se não há escapatória, o OOXML é melhor que os formatos antigos. Entretanto, ainda há problemas.
No mundo dos processadores de texto móveis, por exemplo, o negócio fica feio pois, apesar desses apps manipularem os mesmos formatos, um .docx criado em um aplicativo muitas vezes não é aberto por outro. Tenho cá minhas desconfianças de que isso se deva ao fato dos desenvolvedores continuarem fazendo engenharia reversa — como faziam com o .doc — em vez de simplesmente consultarem as 6000 e poucas páginas da especificação oficial do OOXML.


E a César o que é de César. As versões mais recentes do Word estão ficando mais amistosas em relação ao ODT. O Word Online tem mesmo opção para configurar o formato ODT como padrão. Suponho que isso se deva à pressão de entidades governamentais, que normalmente aderem ao padrão ODF, com o qual simpatizo mais.
De uns tempos pra cá, minha receita para salvar arquivos de texto é:
É só texto? Txt.
É só texto mas vai parar na internet? Markdown.
É texto, com formatação, tabelas e outros tipos de informação? ODF.
É texto, com formatação, tabelas e outros tipos de informação, que terá que ser compartilhado com outros seres humanos que sei não utilizarem as mesmas ferramentas que eu? OOXML (.docx).
Só uso os antigos formatos do Microsoft Office em último caso, mesmo. Algo que costumo fazer, por exemplo, é receber documentos nos formatos antigos para editá-los e enviá-los à fonte. Só que no processo de edição, eu converto os documentos para os formatos mais recentes. Na maioria das vezes, meus interlocutores nem percebem. ☺

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

MEUS ANDROIDS - 10/2014

(Publicado original e quase-secretamente como um documento público no Quip, uns meses atrás)

Oi. Esse texto é uma continuação desse aqui.

De lá pra cá, embora não tenha havido nenhuma mudanças drástica, uns apps saíram, outros entraram, e houve também uma ressurreição.

Meu Android continua sendo um SAMSUNG GALAXY S4 (GT-I9505).

Nesse pouco menos de um ano, para a minha total surpresa, houve duas atualizações OTA, então a ROM que era originalmente 4.2.2, agora é 4.4.2 (não, não digitei errado).

Também não tenho sentido tanta falta do meu velho not-so-smartphone como sentia no começo. O que um pouco mais de conveniência não faz, né?

Meu arranjo atual é composto por duas telas iniciais, com os aplicativos que eu mais uso. Ano passado eram três. Menos telas significam menos toques para chegar onde quero. Também significa menos tempo de tela ligada e, ao longo do dia, acredito que o acúmulo desses décimos de segundos de economia melhorem a performance do aparelho de alguma maneira. Minha bateria costuma durar o dia inteiro, com uso moderado.

Não há um critério muito específico. A ideia é que todos os aplicativos que mais uso estejam a dois gestos de distância (rolo a tela para um lado ou para o outro, e clico).

No passado considerei agrupar os aplicativos em pastas, e deixar só uma tela. Mas por enquanto essa configuração está boa.


Barra de notificações/status:

3G Watchdog - redundância, já que o Android já tem esse recurso nativo. Acho que nunca estourei o meu plano de dados, mas sou meio paranoico com esse tipo de métrica.

Zoner AntiVirus - Acho ele bem rapidinho.

Clipper - gerenciador de área de transferência. Embora alguns aplicativos lidem bem com isso, o Clipper é universal. Além disso, há a possibilidade de configurar snippets de texto, como endereços, e isso é uma mão na roda.

Barra de tarefas(?):

Discador (sistema)

Gmail (sistema)

Google Chrome (nessa ROM, é um aplicativo de sistema)

Câmera (sistema)

Apps (sistema)


Tela principal (da esquerda para a direita):


Clima (sistema/widget): vou te dizer que sempre achei esses aplicativos com previsão do clima uma bichice incomensurável. Mas ultimamente estou entendendo as pessoas que fazem uso disso. Entretanto, confesso, o principal motivo dele ficar na minha home é essa animação maneirinha que acontece toda vez que entramos na tela.

Google (sistema)

Relógio (sistema)

Mensagem (sistema)

Youtube (sistema) - preciso mesmo fazer algum comentário?

Waze - já faz algum tempo que fui pego por essa mistura de Rede social + jogo + navegador. A utilidade do Waze é relativa, visto que depende da comunidade local de usuários, mas pelo menos em Curitiba, os resultados sempre foram muito bons. Consegui escapar de vários congestionamentos.

Tela 2 (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

Gerenciador de aplicativos (widget/sistema)

Google Drive - Uso o Google Drive mais para criar documentos no formato do Google. Para estocar arquivos comuns, prefiro o Dropbox.

WPS Office - A digievoulção do Kingsoft Office. Embora perca para o Polaris em vários quesitos, é o único app que manipula bem algumas planilhas do Excel que carrego comigo. As fórmulas são até simples, mas tem app que não entende, tem app que não deixa editar, tem app que muda o formato das datas, enfim...

Lanterna (sistema) - antigamente eu usava o Tiny Flashlight + LED, mas após uma das atualizações esse widget apareceu. Então, um app a menos.

Google+

Facebook - Ninguém é de ferro. Só que eu desabilito as notificações, tanto no app quanto via email. Só fico sabendo das atualizações quando aparece aquele contador vermelho.

Twitter

Pulse - meu leitor de feeds principal. Uso em conjunto com o Feedly.

Música (sistema)

MX Player - acho melhor que o player de vídeos padrão.

Galeria (sistema) - Não sei se é pelo fato de ficar puxando thumbnails da internet, mas a galeria do S4 era LEEEEENNNNNTTTTTAAAAA. Depois que atualizei o Galaxy Note 1 da patroa para o Android 4.1, notei o mesmo unfeature. Mas na atualização para o KitKat, o problema foi resolvido.

Amazon Kindle

ES File Explorer - Eu gostava do Astro. Aí mudaram a interface e ficou impossível de usar. Depois fui pro File Expert. Aí ficou mais bugado que o Windows Vista. Acabei esbarrando no ES. Gostei. O EFE também tem algumas funções interessantes, como o backup de aplicativos (tenho um monte de apks guardados em algum lugar...).

Quip - O Quip, uma mistura de processador de textos, editor de planilhas e mensageiro instantâneo, deixou de ser apenas uma curiosidade produzida por uma startup com pedigree para se tornar um dos apps que mais uso durante o dia. Sério mesmo. Depois que eles adicionaram opções de exportação para vários formatos, mergulhei de cabeça. A única coisa a que o neófito deve se atentar é o número de notificações, que pode ser excessivo se algumas configurações não forem feitas no início.

Google Keep - uso o Keep para notas rápidas e com data de validade, com listas de mercado, senhas da wireless do trabalho, endereços, números de telefone e outros tipos de informação que eu não vou precisar manter por muito tempo.

RealCalc - Eu já tinha usado esse app antes, mas por muito tempo, preferi delegar minhas contas de padaria à calculadora do sistema mesmo. Entretanto senti falta de algumas funções mais avançadas e acabei voltando com a RC.

OUTROS APLICATIVOS, na ordem alfabética exibida no meu telefone (estou desconsiderando os que já vem instalados, a menos que eu tenha alguma utilidade para eles).

¼ Learn sight read music notes - sempre me confundo com notas musicais.

Adobe Reader - alguns pdfs só são visualizados corretamente no Adobe Reader.

AirDroid - aplicativo para transferência de arquivos entre um computador e o dispositivo. Muito, MAS MUITO prático.

Amazon Appstore - Só instalei pra baixar um app de graça por dia. Até hoje foram uns três ou quatro. Só dois estão no meu celular. Pode me chamar de muquirana.

Apresentações (Google)

Aviary

Bandcamp

Bosch Site Measurement Camera - uma espécie de Skitch, só que para técnicos. Permite a inserção de linhas de cota e ângulo em fotografias. Muito bom!

Box - Não uso muito, mas acho a interface maravilhosa. Além disso, conheço gente que gosta.

Câmera do Google - instalei por curiosidade, e só deixei aqui devido ao Photo Sphere. Não uso muito.

Candy Crush Saga - já joguei muito, mas há meses não abro o aplicativo. Está no corredor da desinstalação.

Carousel - instalei por causa do hype. É bonito, mas também não uso muito. Outro que daqui a pouco será sumariamente desinstalado.

Chess Free - Não sou exatamente um enxadrista, mas gosto de tentar vencer o computador, de vez em quando.

Clean Master - cansei de fica limpando cache na munheca.

Cloud Drive (Amazon) - sei lá.

ConvertPad

Delicious - ainda guardo meus links lá.

Documentos (Google) - Se fosse mais rápido e menos xexelento, provavelmente eu não estaria usando o Quip.

Dots - Bem jóinha.

Droid48 - Já disse por aqui que ainda não grokei por completo calculadoras que não trabalhem com RPN. Em contrapartida, também não grokei trabalhar com um emulador de uma calculadora RPN numa tela touchscreen. Continuamos tentando.

Dropbox

E-mail (sistema) - uso apenas para manipular um email corporativo.

ElectroDroid - muito útil pra saber pinagem de cabos.

Evernote - Não curto muito o Evernote (preferia o finado Springpad). Só instalei pro Skitch parar de me pentelhar.

Fast Image Viewer - para abrir arquivos .tiff (recebo aos montes).

FBReader - minha segunda opção para leitura. Mas, normalmente, eu converto e mando pro Kindle.

Feedly - meu segundo leitor de feeds.

Fing

Firefox - Houve uma época na qual o Firefox tinha um lugar reservado no lado esquerdo do meu peito. Aí começaram os problema com o já famoso memory leak, e saiu o Google Chrome. Como sou promíscuo, larguei mão da raposa e fui atrás da carne nova. Mas, passados os anos, o agora mastodôntico Google Chrome está ficando tão (ou mais) lento que o antigo Firefox, e no meu notebook venho passando cada vez mais tempo na raposa. Além disso há o Firefox OS, assunto que muito me interessa. Então, embora não use a versão mobile do Firefox tanto assim, decidi deixá-o por perto, para saber das últimas traquinangens da Mozilla.

Flickr

Flipboard

Frequency - ajudou a mudar alguns hábitos, depois que descobri que passo praticamente o dia inteiro na frente do Facebook, do Google Chrome e do Youtube.

Goodreads

Google Goggles - já dei umas risadas com isso, mas até hoje não encontrei uma utilidade real pra essa parada.

Google Translate

Hangouts - A única coisa que me emputece nesse aplicativo é a obrigatoriedade de se ficar online/visível. Ou seja, tenho que ficar fazendo logoff toda vez que termino de usar, se não sou surpreendido com mensagens de conhecidos que acham que estou de bobeira em frente ao notebook, nos piores momentos possíveis.

HP ePrint - temos uma impressora wireless da HP no trabalho. Ótimo para impressionar colegas que confundem tecnologias suficientemente avançadas com magia (terceira lei de Clarke).

IP Network Calculator

Jota+ - Irmão mais velho do venerável Jota. Acredito que seja o único editor de textos com syntax highlighting configurável no Android. Uso bastante. E até contribuí com um arquivo de configuração (outros a caminho).

Leitor Ótico (Samsung) - OCRzinho básico. Pra mim, quebrou o galho.

LinkedIn

Office Mobile (Microsoft) - Achei que seria melhor.

OfficeSuite Pro - acho que é o melhor office para Android, no momento. Além disso, dos programas que eu testei, é o único que consegue lidar com arquivos .rtf corretamente.

Oi Mapas - achei bem bom.

Onavo Count - te falei que sou paranóico, né?

OneDrive (Microsoft) - paia.

OneNote (Microsoft) - eu até gosto, mas não uso muito.

Opera

Opera Classic

Opera Mini - já te falei que gosto do Opera, né?

Outlook.com

PayPal

PDF Max

Pixlr Express

Planilhas (Google)

Plants Vs Zombies

Pocket

POLARIS Office 5 (sistema) - Na verdade, o S4 veio de fábrica apenas com o POLARIS Office Viewer 5, mas a versão completa é gratuita. A mesma tem que ser baixada através da Samsung Apps. Meu S2 veio com a versão completa do Polaris. Presumo que tenham feito isso no S4 para economizar espaço, visto que uma das grandes criticas ao aparelho foi justamente o pouco espaço interno disponibilizado ao usuário.

Me lembro de ter ouvido um comentário em um podcast, certa vez, onde um dos participantes afirmava que brasileiros eram "noiados" com suítes de escritório em dispositivos móveis. No meu caso, posso afirmar que devo ser um desses. Esse tipo de aplicativo é muito importante para mim. Embora eu não faça edições pesadas, a simples possibilidade de poder receber um documento, fazer uma pequena correção/observação e devolver a quem quer que seja sem necessitar abrir meu notebook já é um alento.

Português (Moderno Dicionário Michaelis de...)

PrinterShare

Quick PDF Scanner - passei anos sem entender direito qual era a desses pdf scanners, at[e o dia em que enviei um email cheio de imagens anexadas e meu interlocutor se atrapalhou todo. Em alguns casos, é melhor enviar um pdf com tudo organizado e comentado mesmo.

QuickPic - Usei o QuickPic durante muito tempo, quando era simplesmente impossível usar a galeria nativa do S4 (falei disso lá em cima). Depois da última atualização, voltei a usar a galeria nativa, mas deixei o QuickPic por perto. Quem sabe, né?

RD Client (Microsoft)

Rdio

S Health (Samsung) - não sou do tipo que pratica esportes, mas fiquei viciado nesse contador de passos (que também estima a distância caminhada). Tempos atrás, por exemplo, descobri que caminhava bastante entre o estacionamento da fábrica e o local onde estava trabalhando.

S Planner (Samsung) - Acho melhor que o Google Calendar.

Script (Celtx)

Simplenote - adoro o Simplenote, mas ainda não consegui encaixá-lo na minha rotina. Anotações mais elaboradas vão para o Quip. Anotações efêmeras, para o Google Keep. Mas o Simplenote trabalha só com textos. E trabalha MUITO BEM só com textos. E, vocês sabem, o .txt é meu pastor...

Skitch - é impressão minha ou o Skitch é o único app no Android que permite a adição de setas, formas geométricas e pequenas edições em imagens?

Skype - uso pouco, mas tem gente que só se comunica com isso.

SoundCloud

Spotify


SoundCloud

Tapatalk

Text Utilities - Foi o único app que encontrei capaz de fazer comparação entre dois arquivos de texto (diffs). Mas ficou bem aquém do esperado.

Tumblr - uso pouco, mas acho lindo!

WatchON - O simples fato desse app transformar o S4 num controle remoto universal já resolveu um dilema doméstico que tínhamos por aqui. Dou DEZ estrelas!

Wattpad

Word Lens - Assim como o Google Googles, é mais divertido do que funcional.

Yahoo Mail - Tenho um endereço paleolítico do Yahoo que nunca usei pra nada, mas fiquei curioso com essa nova versão tunada do Y! Mail. Instalei só pra ver se tem condições de competir com o Gmail.

O restante do meu Android army é composto por um Galaxy Tab original e por um Galaxy S2. Estou desconsiderando os gadgets pertencentes aos outros membros do clã.

O SAMSUNG GALAXY TAB (GT-P1000L) está comAndroid 2.3.6 (ROM atualizada da Samsung. Originalmente veio com o 2.2.alguma-coisa)


O originalzão. Sempre fui fissurado com esse aparelho.

Assim como acontece no Windows, o Android - apesar de rodar sobre um kernel Linux - vai apodrecendo com o passar do tempo. Com esse esquema de atualizações automáticas, os aplicativos vão ficando cada vez mais pesados, fazendo o hardware abrir o bico. Óbvio que há a opção de NÃO atualizar, mas alguns serviços simplesmente param de funcionar, em alguns casos existem riscos de segurança, bugs e também a pentelhação do Google Play.

Então, cada vez mais, eu ia passando o rodo nas apps que usava pouco, e o GTab estava cada vez mais próximo de ficar como veio de fábrica, se transformando, aos poucos, num ereader anabolizado.

Não que isso me incomodasse.

Porém, mesmo com toda essa dose de manutenção, chegou num ponto que ficou inviável usar o aparelho, e resolvi dar um factory reset.

Para minha surpresa, não consegui me logar com minha conta principal, que usa autenticação em duas etapas. Parece que essa versão do Android não entende isso.

De qualquer maneira, não me aprofundei muito no assunto, nem desabilitei a autenticação em duas etapas na minha conta para ver se dava certo.

Simplesmente entrei com uma conta secundária, que não uso pra quase nada. Então nada de Gmail sincronizando, notificações do Youtube nem qualquer outra atividade paralela que consuma processamento.

Agora o GTab realmente se tornou meu ereader e, ó, tá bem bom, viu?

Dessa vez, os únicos apps que instalei foram:


Amazon Kindle - o app do Kindle está ficando cada vez mais lento com o passar do tempo. Mas tenho esperança de que funcione relativamente bem por mais um certo período, visto que há um zilhão de Kindle Fires de primeira geração funcionando por aí, e o Fire OS desses caras é baseado no Android Gingerbread.

Update, 27/10/2014: fiz o downgrade do aplicativo, da versão 4.x para a 2.x, e agora tá uma beleza. O único feature que realmente me importa é a sincronização de páginas, e isso vem funcionando bem.

Battery Widget -


ES File Explorer

FBReader

Glance Note - sincroniza relativamente bem com o SimpleNote (cujo app oficial não roda nessa versão do Android)


Opera Classic - já te disse que gosto do Opera?

Quickoffice - O Tab veio com o ThinkFree Office instalado, mas esse app é ruim que dói, além de ter muita dificuldade em lidar com os formatos novos do Office, principalmente planilhas. instalei um apk velho do QuickOffice, pré Google (versão 4.0.120 - AM) e o bichão roda que é uma beleza.
Já o GALAXY S2 (GT-I9100) tem uma história curiosa. Ano passado eu deixei ele cair na água. Embora o banho tenha sido mínimo - peguei e desliguei o aparelho bem rápido - ele parou de funcionar. Eu já tenho um histórico (e um trauma) com celulares que falecem após serem mergulhados em porções generosas de H20. Descanse em paz, E62...

Fiz todos os truques possíveis e imagináveis que encontrei nessa internetona de Meu Deus, mas não deu certo. Cheguei mesmo a abrir o bicho para limpá-lo e secar eventuais pontos de umidade que ainda existissem dentro da carcaça, mas o máximo que consegui, além de ferrar completamente o botão de volume, foi ligá-lo por cerca de 10 minutos. O aparelho não estava segurando as cargas da bateria. Nunca mais consegui ligar o bichinho. Guardei ele na caixa, enquanto não tomava a fatídica decisão de jogá-lo no lixo.

Acabei me esquecendo do S2. Aquela caixinha ficou largada no meu guarda-roupas por meses, até o dia em que me lembrei de um arquivo, que procurei em tudo quanto era unidade de armazenamento que existisse aqui em casa. Também procurei na “nuvem”. Não encontrei o arquivo. Antes de assinar meu atestado de louco, me lembrei que editei esse arquivo diversas vezes no S2. Ok, ia tentar ligá-lo mais uma vez. Caso não desse, eu daria cabo dele, de uma vez por todas. Porém, qual não foi minha surpresa ao pressionar o botão de ligar e a tela se iluminar? Ainda incrédulo, liguei o aparelho na tomada, e ele registrou o carregamento. Como assim?

Ainda sem acreditar, deixei o S2 carregando por algumas horas. A bateria acusou 100% de carga e o telefone funcionou normalmente. Carreguei de novo. Funcionou outra vez. E está assim desde então. Ficaram alguma sequelas da cirurgia mediúnica que fiz no bichinho meses antes: além do botão de volume já citado lá em cima, também ferrei o vibrador (ui!) do telefone, que não deve ter ficado bem encaixado, visto que a frequência da vibração muda em questão de segundos.

Enfim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, e uso esse aparelho basicamente como um PDA e um modem de internet (eu tenho um chip de dados que ficava num modem USB).

Nem vou mencionar os apps que uso no S2, pois são um subset menor dos que eu uso no S4.

O FUTURO

Recentemente o meu filho botou as mãos num Moto E e achei a linha da Motorola bem interessante.

Também já falei da minha admiração pela linha Galaxy Note. Estou realmente interessado num Galaxy Note 4. A tela é maior que a do S4, mas o tamanho do aparelho não é tão diferente. Além disso, há a S-Pen, que eu acho fantástica (a patroa tem um Note 1), e provavelmente será meu próximo dispositivo, quando os preços estiverem num patamar sub-rim.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

PORRA, EXCEL!

Você já deve ter ouvido falar de Thomas Piketty. É o economista responsável pelo livro O CAPITAL NO SÉCULO XXI, hit do momento em alguns círculos. Dizem alguns boatos que esse trabalho pode até lhe render o prêmio Nobel de economia.
Não li o livro, mas todas as resenhas que vi (resumão dos bródi) parecem dizer que ele apresentou, com uma abordagem bem embasada em décadas de dados e estudos, o óbvio ululante para quem vive num país como o nosso: no capitalismo, quem é rico fica cada vez mais rico, e quem é pobre fica cada vez mais fodido e mal-pago.
Ok.
O ponto é que toda a análise de Piketty foi feita em cima de planilhas do Excel. E um especialista do jornal Financial Times afirma ter encontrado alguns erros nas mesmas. As planilhas, aliás, estão disponíveis publicamente. Piketty não deixou barato.
Daí, algumas semanas atrás, eu esbarrei nesse post do Daniel Lemire e entrei numa espiral de leituras sobre a inadequação do Excel para determinadas tarefas.
Como já disse em outros cantos da internet, não gosto do Excel, mas respeito a ferramenta. Tenho que lidar com o mesmo diariamente, e já vi gente tirar leite de pedra com aquilo.
Alguns pontos levantados por Lemire que achei interessantes:
  • Além de macros escritas em VBA, fórmulas do Excel também devem ser consideradas software.
  • Isto posto, não há uma maneira fácil de se extrair as fórmulas de uma planilha para, por exemplo, um arquivo de texto plano, que pode ser comparado a um arquivo anterior ou posterior.*
  • Por ser difícil extrair o "software" de dentro das planilhas, as mesmas são difíceis de auditar e o Excel não á apropriado para esse tipo de "number crunching".
A discussão que se seguiu na seção de comentários foi bem interessante. Para alguns a culpa é do Excel mesmo. Para outros, da Microsoft. Para um terceiro grupo, o Excel é suficiente e o problema é aquela pecinha que fica atrás do teclado.
As planilhas do Piketty, pelos menos as que vi, são bem mundanas. Um monte de fórmulas, mas nada de código VBA ou outros recursos bizantinos.
Acho interessante porque tenho que lidar com isso diariamente, e na minha área profissional, existem casos e casos. Há, por exemplo, uma multinacional americana que faz ABSOLUTAMENTE TUDO com o Excel e com o VBA. Cronogramas? Excel. Cálculo de paylod de robôs industriais? Excel. Geração de plaquinhas de identificação de equipamentos? Excel. Distribuição de ips na rede industrial? Excel. E por aí vai.

Eu entendo isso. O Excel é um mínimo denominador comum. Praticamente todo computador corporativo que roda Windows vai ter uma cópia instalada. Os usuários sabem usar o Excel. E, na maioria dos casos, um usuário sem privilégios administrativos, ou seja, impossibilitado de instalar um novo programa ou até mesmo rodar um executável, pode executar uma macro no Excel ou em qualquer outro componente do Office. Isso gera outra discussão, pois macros escritas em VBA também podem conter código malicioso.

Em minhas andanças pelas caixas de comentários, acabei esbarrando com esse outro artigo do blog Baseline Scenario, um pouco mais antigo, mas falando sobre o mesmo problema. Se você tiver tempo e paciência, percorra a seção de comentários. Soube também do caso Reinhart/Rogoff. E até descobri que existe um pessoal com muito interesse nesse tipo de presepada.

* ALGUMAS OBSERVAÇÕES

Assim como o .ods, o novo formato do Excel, o .xlsx, não passa de uma pasta zipada contendo todas as informações da planilha, e a maioria dessas informações estão em arquivos .xml, que na prática, são arquivos de texto. Mas isso adiciona toda uma camada de dificuldade ao processo. Primeiro porque a pessoa tem que saber extrair os dados daquele arquivo. Não é um procedimento de outro planeta, mas já vi gente boa se atrapalhando com isso. Depois, arquivos .xml muito grandes não costumam ser muito amistosos com olhos humanos. Seria necessária alguma automação posterior para extrair e comparar esses dados.

Sem querer acabei descobrindo um recurso técnico provisório (também conhecido como gambiarra), que pode ajudar nessa questão. Existe um opção no Excel que permite que as fórmulas sejam exibidas no lugar dos valores gerados por elas. Para isso, deve-se utilizar o atalho de teclado Ctrl + ` (crase). No meu notebook, a combinação é Ctrl + Shift + `. Então, salva-se a planilha como .csv que, para todos os efeitos, é um arquivo de texto que pode ser compadrado à vontade. Não é muito bonito de se ver, mas em momentos de desespero, pode ajudar.