Um ponto importante no qual esqueci de tocar (ui!) é o MOTIVO da revista ter esse formato (menos páginas): o preço.
Sim, o que motivou Ellis a pensar em algo nesse formato foi a possibilidade de disponibilizar algo que fosse mais atraente do ponto de vista financeiro, algo, como ele mesmo disse, que você pudesse comprar com os trocados que achasse nos bolsos da calça.
O estopim, segundo ele, foram pessoas que iam pedir autógrafos a ele, mas levavam pedaços de papel, camisas de malha baratas de 2 dólares e sei lá mais o quê. Quando perguntou a alguém o motivo daquilo, a resposta, ao que parece, foi fulminante: “não tenho dinheiro pra comprar suas revistas”.
FELL custa USD$ 1,99, 50 centavos menos do que a média das revistas gringas. Teoricamente, isso não é nada, mas, é uma diferença que ele crê substancial. 50 cents a mais podem ser um café, uma passagem de ônibus ou qualquer outra coisa relevante nos bolsos de uma pessoa. Esse preço, na minha opinião, refletiu bem até aqui. Eu só compro essa revista porque, mesmo com o dólar livro na casa dos R$ 4,70 reais, a revista ainda sai menos de 10 pratas. Algo a se pensar.
sábado, 26 de novembro de 2005
FELL
Eu ia falar de um monte de coisas do Ellis que li nos últimos meses, mas a preguiça e a empolgação convergiram no mesmo sentido e vamos nos ater a um ponto específico da bibliografia do Velho Bastardo.
Indo meio que na contra-mão do atual mercado gringo, o embrião de FELL foi a forma (foi pra travar a língua mesmo!), ou seja, uma revista com 20 páginas no miolo, sendo 16 de quadrinhos (ao invés das 22 usuais) e 4 com material adicional. Além disso, as histórias são, até agora, auto-contidas (fórmula que o Ellis já usou em GLOBAL FREQUENCY e PLANETARY e na selo-fake APPARAT, por exemplo), porém aqui o buraco é mais embaixo, já que o número de páginas é bem reduzido. Contudo, isso foi até benéfico, já que o Ellis, pelo menos nessa revista, está jogando toda aquela bobagem de descompressão-pseudo-mangática no lixo, fazendo páginas densas, mas fluídas, graças também à arte maravilhosa de Ben Templesmith, que é um show à parte, diga-se. Das sugestivas capas à palheta de cores, Templesmith acertou a mão legal nesse título (não que seja de fazer bobagens, vejam bem!).
Já o material adicional, reunido sob o título de BACK MATTER, fala do processo criativo, tem excertos dos roteiros e também traz as origens dos casos que o detetive Richard Fell tem que resolver até a página 16. Pra quem se interessa pela concepção de uma hq, é um prato cheio.
E o pior de tudo é que, agora há pouco, remexendo em uns jornais velhos (a privada do cachorro, se você faz questão de saber), esbarrei com uma notícia dantesca que tem todos os contornos para se transformar num plot dessa revista. Pena que o único site onde encontrei a dita cuja exige cadastro.
Indo meio que na contra-mão do atual mercado gringo, o embrião de FELL foi a forma (foi pra travar a língua mesmo!), ou seja, uma revista com 20 páginas no miolo, sendo 16 de quadrinhos (ao invés das 22 usuais) e 4 com material adicional. Além disso, as histórias são, até agora, auto-contidas (fórmula que o Ellis já usou em GLOBAL FREQUENCY e PLANETARY e na selo-fake APPARAT, por exemplo), porém aqui o buraco é mais embaixo, já que o número de páginas é bem reduzido. Contudo, isso foi até benéfico, já que o Ellis, pelo menos nessa revista, está jogando toda aquela bobagem de descompressão-pseudo-mangática no lixo, fazendo páginas densas, mas fluídas, graças também à arte maravilhosa de Ben Templesmith, que é um show à parte, diga-se. Das sugestivas capas à palheta de cores, Templesmith acertou a mão legal nesse título (não que seja de fazer bobagens, vejam bem!).
Já o material adicional, reunido sob o título de BACK MATTER, fala do processo criativo, tem excertos dos roteiros e também traz as origens dos casos que o detetive Richard Fell tem que resolver até a página 16. Pra quem se interessa pela concepção de uma hq, é um prato cheio.
E o pior de tudo é que, agora há pouco, remexendo em uns jornais velhos (a privada do cachorro, se você faz questão de saber), esbarrei com uma notícia dantesca que tem todos os contornos para se transformar num plot dessa revista. Pena que o único site onde encontrei a dita cuja exige cadastro.
CHUKA-COMICS
Não sabia disso.
Existe uma seção de quadrinhos no site do homem (Palahniuk), onde um maluquinho tá disponibilizando graphic novels baseadas nos livros do Chuka. Estão lá uma versão de INVISIBLE MONSTERS (que ainda não foi publicado em português), e agora ele disponibilizou LULLABY (aqui, CANTIGA DE NINAR). A primeira é “downloadável” - mas é um arquivo de 19 mega. A segunda, por enquanto, tem que ser lida no site.
Dei uma olhada rápida, e pelo que vi, achei muito artístico, mas pouco quadrinístico, apesar da melhora visível entre INVISIBLE (a mais antiga) e LULLABY. De qualquer maneira, vale pela curiosidade, e, como disse antes, não li ainda. Vai que eu mude de idéia.
Existe uma seção de quadrinhos no site do homem (Palahniuk), onde um maluquinho tá disponibilizando graphic novels baseadas nos livros do Chuka. Estão lá uma versão de INVISIBLE MONSTERS (que ainda não foi publicado em português), e agora ele disponibilizou LULLABY (aqui, CANTIGA DE NINAR). A primeira é “downloadável” - mas é um arquivo de 19 mega. A segunda, por enquanto, tem que ser lida no site.
Dei uma olhada rápida, e pelo que vi, achei muito artístico, mas pouco quadrinístico, apesar da melhora visível entre INVISIBLE (a mais antiga) e LULLABY. De qualquer maneira, vale pela curiosidade, e, como disse antes, não li ainda. Vai que eu mude de idéia.
EU SOU DESOLATION JONES.
Copiaram a minha tatuagem! E até o braço é o mesmo! Nunca mais troco idéias com esses caras, vou te falar, viu...
P.S.: Antes que você ache que eu estou falando sério, é brincadeirinha, tá? Sobre a cópia, não sobre a tatuagem, que fique claro. Mas que foi engraçado, foi. A minha é um pouquinho diferente (mas é um biohazard), e, além de mim, só vi mais um caboclo até hoje com uma no mesmo lugar (o que, definitivamente, não quer dizer que milhares de outras pessoas espalhadas pelo mundo não possam ter tido a mesma idéia, que, convenhamos, nem é tão original assim, vai).
P.S.: Antes que você ache que eu estou falando sério, é brincadeirinha, tá? Sobre a cópia, não sobre a tatuagem, que fique claro. Mas que foi engraçado, foi. A minha é um pouquinho diferente (mas é um biohazard), e, além de mim, só vi mais um caboclo até hoje com uma no mesmo lugar (o que, definitivamente, não quer dizer que milhares de outras pessoas espalhadas pelo mundo não possam ter tido a mesma idéia, que, convenhamos, nem é tão original assim, vai).
quinta-feira, 24 de novembro de 2005
OLD BOY
Depois de uma série de recomendações enfáticas do Vetusto, passei na locadora e assisti Old Boy.
Que filmaço! Uma das melhores coisas que vi esse ano.
Até então, eu estava pensando que se tratava de mais um filme de gangsters e pancadaria.
Tem pancadaria e gangsters, sim, mas não para por aí não, viu?
Agora fiquei curioso pra ler o mangá.
Que filmaço! Uma das melhores coisas que vi esse ano.
Até então, eu estava pensando que se tratava de mais um filme de gangsters e pancadaria.
Tem pancadaria e gangsters, sim, mas não para por aí não, viu?
Agora fiquei curioso pra ler o mangá.
segunda-feira, 21 de novembro de 2005
RESOLUÇÃO DE FIM DE ANO
(Ou de Ano-novo. Sempre me confundo com essas coisas)
Querido diário,
Dia desses eu tava pensando em fazer um ou dois apartes sobre as filigranas de se escrever um roteiro pra hq e, em meio a tudo, anunciar minha retirada estratégica do meio. Os motivos são muitos, e o Hector acabou tirando as palavras da minha boca, enumerando um bom punhado deles aqui.
E, afinal de contas, por que desisti?
Desisti de desistir, digo.
Simples.
Com minha aposentadoria já mentalmente decretada, me peguei burilando sobre uma hqzinha de três páginas (originalmente duas), que já tinha um plot escrito há muito tempo, mas que, por razões que já atingiram velocidade de escape e não se encontram mais na órbita de minha memória, engavetei. O lance é que eu gosto pra caralho de escrever roteiros. Não faço a mínima idéia se possuo ou não tino pra coisa, mas que eu gosto, gosto. Talvez esteja escrito em algum lugar que meu destino é ficar esmurrando ponta de faca. E, se tiver de ser, será.
Piegas é essa última frase, hein? Certo.
Então, com tudo devidamente esclarecido e reorganizado na cachola, decidi que focarei melhor minhas energias. Isso significa menos roteiros, menos ainda do que a quantidade ridícula que costumo produzir. Além disso, desencanei com um punhado de coisas que estavam em andamento há mais tempo do que deveriam, e estou apostando minhas poucas moedas em iniciativas mais modestas.
Mas, em contrapartida, voltei meus olhos novamente para a boa e velha PROSA. Nela, pelo menos, a responsabilidade pelo naufrágio de alguma idéia que eu julgue boa o suficiente para botar no papel será totalmente minha.
Vamos ver.
Querido diário,
Dia desses eu tava pensando em fazer um ou dois apartes sobre as filigranas de se escrever um roteiro pra hq e, em meio a tudo, anunciar minha retirada estratégica do meio. Os motivos são muitos, e o Hector acabou tirando as palavras da minha boca, enumerando um bom punhado deles aqui.
E, afinal de contas, por que desisti?
Desisti de desistir, digo.
Simples.
Com minha aposentadoria já mentalmente decretada, me peguei burilando sobre uma hqzinha de três páginas (originalmente duas), que já tinha um plot escrito há muito tempo, mas que, por razões que já atingiram velocidade de escape e não se encontram mais na órbita de minha memória, engavetei. O lance é que eu gosto pra caralho de escrever roteiros. Não faço a mínima idéia se possuo ou não tino pra coisa, mas que eu gosto, gosto. Talvez esteja escrito em algum lugar que meu destino é ficar esmurrando ponta de faca. E, se tiver de ser, será.
Piegas é essa última frase, hein? Certo.
Então, com tudo devidamente esclarecido e reorganizado na cachola, decidi que focarei melhor minhas energias. Isso significa menos roteiros, menos ainda do que a quantidade ridícula que costumo produzir. Além disso, desencanei com um punhado de coisas que estavam em andamento há mais tempo do que deveriam, e estou apostando minhas poucas moedas em iniciativas mais modestas.
Mas, em contrapartida, voltei meus olhos novamente para a boa e velha PROSA. Nela, pelo menos, a responsabilidade pelo naufrágio de alguma idéia que eu julgue boa o suficiente para botar no papel será totalmente minha.
Vamos ver.
SIMPLES
A SIMPLES e outras revistas de “prêibói” costumavam fazer parte da minha dieta, num passado nem tão remoto assim.
Da SIMPLES, em especial, eu gostava bastante. Embora a esmagadora maioria das matérias estivesse a anos-luz da minha esfera de interesses, vez ou outra pintava um texto bacana, e convenhamos, a parte gráfica é do grande caralho, é uma revista muito bonita mesmo.
Tinham uma cara que eu não via uma, e, vejam só, encontrei a última edição numa lojinha aqui do bairro. Mas vem cá, eu preferia muito mais a versão acéfala de tempos idos.
Ativismo-fashion de c#, é rola!
Da SIMPLES, em especial, eu gostava bastante. Embora a esmagadora maioria das matérias estivesse a anos-luz da minha esfera de interesses, vez ou outra pintava um texto bacana, e convenhamos, a parte gráfica é do grande caralho, é uma revista muito bonita mesmo.
Tinham uma cara que eu não via uma, e, vejam só, encontrei a última edição numa lojinha aqui do bairro. Mas vem cá, eu preferia muito mais a versão acéfala de tempos idos.
Ativismo-fashion de c#, é rola!
terça-feira, 15 de novembro de 2005
segunda-feira, 7 de novembro de 2005
CASANOVA
Tinha ouvido falar disso antes, mas só hoje, ao ver o anúncio na contracapa da edição 1 de Fell (dependendo do tamanho e definição do seu monitor, a capa vai estar lá embaixo) é que fui dar atenção. Puta desenho bacana. Notem que não faço a mínima idéia do que se trata. Mas, vindo de quem vem, deve vir coisa boa por aí. E, para que não haja dúvidas, sim, é um dos irmãos Bá.
sexta-feira, 4 de novembro de 2005
terça-feira, 1 de novembro de 2005
PERFILCÍDIO
Na tentativa de administrar melhor meu tempo em frente ao computador, além de ter me descadastrado de várias listas de discussão, promovi uma chacina em grande parte dos meus perfis virtuais espalhados por aí. Que eu me lembre, dançaram o Gazzag, o Beltrano, Hi5, SMS.AC.
Do lado dos vivos, ainda estão o do Multiply (por ser um modelo de social networking muito mais bacana e eficiente), o do Stumble (por ser deveras útil. Esse aqui também é meu, mas nem tente estabelecer contato, visto que não tenho mais a senha, e eles dizem que não existe nenhuma conta de e-mail associada ao perfil), e o do Myspace (por curiosidade). O do Orkut estava no corredor da morte, mas seus advogados entraram com um recurso de última hora, e enquanto rolam os trâmites legais, ele ainda continua neste plano imaterial. A propósito, se vocês me encontrarem por aí, em algum lugar que não esteja entre os citados acima, podem me dar um toque, porque acho que ainda tenho um ou dois parafusos a apertar até me declarar expert em meu próprio modus operandi.
Do lado dos vivos, ainda estão o do Multiply (por ser um modelo de social networking muito mais bacana e eficiente), o do Stumble (por ser deveras útil. Esse aqui também é meu, mas nem tente estabelecer contato, visto que não tenho mais a senha, e eles dizem que não existe nenhuma conta de e-mail associada ao perfil), e o do Myspace (por curiosidade). O do Orkut estava no corredor da morte, mas seus advogados entraram com um recurso de última hora, e enquanto rolam os trâmites legais, ele ainda continua neste plano imaterial. A propósito, se vocês me encontrarem por aí, em algum lugar que não esteja entre os citados acima, podem me dar um toque, porque acho que ainda tenho um ou dois parafusos a apertar até me declarar expert em meu próprio modus operandi.
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
TODO MUNDO PELADO, JÁ!
Calma, calma. É só pra avisar que já saiu a nova edição (turbinada, se me permitem o trocadinho) de ALMOÇO NU, do Burroughs.
Agora, de volta à nossa programação normal.
Agora, de volta à nossa programação normal.
ALMOST BLUE
Em essência, é um livro policial, e Carlo Lucarelli não reinventa a roda, mas, porra, a MANEIRA como ele conduz a história é muito, muito foda.
À guisa de curiosidade, virou filme. Quero ver também.
À guisa de curiosidade, virou filme. Quero ver também.
sábado, 29 de outubro de 2005
MANDRÁGORA & LIBRA
Costumo ser reservado no que diz respeito a idéias em andamento, mesmo porquê elas costumam ficar pelo meio do caminho, mas estou me sentindo especialmente empolgado com dois pequenos conceitos que venho desenvolvendo, e, não há motivos pra ficar escondendo o leite, não é mesmo?
MANDRÁGORA é minha tentativa de brincar com o conceito de “mulher-misteriosa-com-poderes-paranormais/vegetais-que-foge-de-organização-milenar-que-tem-planos-escusos-envolvendo-o-destino-do-mundo”. Nenhuma novidade, como você já deve ter notado, mas embebido em minha própria vaidade, só fui notar que a idéia era MUITO parecida com a da ORQUÍDEA NEGRA, do Gaiman, agora. Corri para as minhas caixas de papelão e tive que reler o material (mais comentários depois), mas para meu alívio, os conceitos são quase antípodas, se podemos dizer assim. Fui traído pela memória, talvez pelo fato de só ter lido ORQUÍDEA uma vez na vida.
Mandrágora vai ser uma sériezinha de terror/gore e pretendo ir construindo tudo em pequenos capítulos de 8 páginas, um número que eu considero bem adequado: nem grande demais - pra ficar inviável tecnicamente, nem pequeno demais - pra ser insípido ou confuso.
O primeiro tratamento do primeiro capítulo já está pronto, mas é necessário que eu apare várias arestas e pesquise um pouco mais sobre determinados assuntos. Também não existe desenhista na jogada, mas isso vai ser uma preocupação que só quero ter quando tiver algo mais sólido nas mãos (e se alguém vier com piadinhas fálicas sobre minha última frase vai tomar umas piabas, hein!).
LIBRA já vai na contramão da sua irmã mais velha. O roteiro do primeiro capítulo também já está pronto, e estou em negociações com um desenhista que vai acrescentar muito, acredito. Se ele topar mesmo, vocês ficarão sabendo quem é. O conceito da série é bem mais simples, resumindo-se a uma pergunta (que por, enquanto, não vou dizer qual é), e aqui pretendo fazer algo diferente de Mandrágora. Os capítulos também terão 8 páginas, mas as histórias, serão, na medida do possível, auto-contidas. Não deixei de lado meus devaneios megalomaníacos, e é óbvio que a perspectiva de quem ler tudo vai ser diferente de quem ler um só capítulo, mas aqui, até por tratar de um conceito bem mais simples, quero fazer algo mais “reader-friendly”. Além disso, em Libra trabalharemos com as rédeas mais soltas, e não há a vontade de fidelizar a série a um gênero específico. Vamos ver se dá certo.
Além das semelhanças óbvias, uma coisa engraçada que aconteceu - talvez por eu ter escrito ambas em paralelo - foi a repetição, ou melhor, reverberação de algumas idéias. Mas nada que diminua uma ou outra.
MANDRÁGORA é minha tentativa de brincar com o conceito de “mulher-misteriosa-com-poderes-paranormais/vegetais-que-foge-de-organização-milenar-que-tem-planos-escusos-envolvendo-o-destino-do-mundo”. Nenhuma novidade, como você já deve ter notado, mas embebido em minha própria vaidade, só fui notar que a idéia era MUITO parecida com a da ORQUÍDEA NEGRA, do Gaiman, agora. Corri para as minhas caixas de papelão e tive que reler o material (mais comentários depois), mas para meu alívio, os conceitos são quase antípodas, se podemos dizer assim. Fui traído pela memória, talvez pelo fato de só ter lido ORQUÍDEA uma vez na vida.
Mandrágora vai ser uma sériezinha de terror/gore e pretendo ir construindo tudo em pequenos capítulos de 8 páginas, um número que eu considero bem adequado: nem grande demais - pra ficar inviável tecnicamente, nem pequeno demais - pra ser insípido ou confuso.
O primeiro tratamento do primeiro capítulo já está pronto, mas é necessário que eu apare várias arestas e pesquise um pouco mais sobre determinados assuntos. Também não existe desenhista na jogada, mas isso vai ser uma preocupação que só quero ter quando tiver algo mais sólido nas mãos (e se alguém vier com piadinhas fálicas sobre minha última frase vai tomar umas piabas, hein!).
LIBRA já vai na contramão da sua irmã mais velha. O roteiro do primeiro capítulo também já está pronto, e estou em negociações com um desenhista que vai acrescentar muito, acredito. Se ele topar mesmo, vocês ficarão sabendo quem é. O conceito da série é bem mais simples, resumindo-se a uma pergunta (que por, enquanto, não vou dizer qual é), e aqui pretendo fazer algo diferente de Mandrágora. Os capítulos também terão 8 páginas, mas as histórias, serão, na medida do possível, auto-contidas. Não deixei de lado meus devaneios megalomaníacos, e é óbvio que a perspectiva de quem ler tudo vai ser diferente de quem ler um só capítulo, mas aqui, até por tratar de um conceito bem mais simples, quero fazer algo mais “reader-friendly”. Além disso, em Libra trabalharemos com as rédeas mais soltas, e não há a vontade de fidelizar a série a um gênero específico. Vamos ver se dá certo.
Além das semelhanças óbvias, uma coisa engraçada que aconteceu - talvez por eu ter escrito ambas em paralelo - foi a repetição, ou melhor, reverberação de algumas idéias. Mas nada que diminua uma ou outra.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
WE’RE DEALING WITH THE UNREAL.
Lembra que comentei sobre uma entrevista foderosa com Mr. Moore (o Alan, não o Michael)? Então, ela foi republicada na Engine Comics, no começo deste ano (já tinha saído serializada em outra revista em 2002), e tomei conhecimento da bicha através de um e-mail enviado pelo arauto-mor do barbudão em terras tupiniquins, o José Carlos Neves, que, para quem ainda não sabe (difícil, muito difícil), mantém o ótimo site ALAN MOORE, SENHOR DO CAOS.
Nela, o cara desnuda um pouco mais seu processo criativo, algo que muito me interessa,.
Dois trechos bateram forte na cachola. O primeiro foi a frase que escolhi pra ser o título desse post. O segundo tá aí embaixo:
Writing will consume your life, because so much of writing happens in your head – you don't need to be ‘at work', you don't even need to be awake. You're not gonna get a respite from writing when your head hits the pillow, you're not gonna get a respite from writing when you go on a holiday caravan to Great Yarmouth, or anywhere – the moon – you can't get away from it, it's in your head. And if it's working properly, it's probably obsessive. If you've got a story on the boil, and if you're a writer you probably will have, you're probably thinking about problems with that story, good things about it that you wanna enhance and make even better, and you're probably thinking that all the time. You might be thinking that when you're having sex. You might be thinking that when you're eating dinner, you might be thinking that on public transport. This is something that will take over your life. Surrender. Surrender to it right from word one. Don't fight. It's bigger then you are, it's more important than you are, just do what it says. Even if that seems to be completely ruining your life, do what it says. Even if it tells you to do something stupid – if it tells you to jump off a cliff, do it. (laughter).
Nela, o cara desnuda um pouco mais seu processo criativo, algo que muito me interessa,.
Dois trechos bateram forte na cachola. O primeiro foi a frase que escolhi pra ser o título desse post. O segundo tá aí embaixo:
Writing will consume your life, because so much of writing happens in your head – you don't need to be ‘at work', you don't even need to be awake. You're not gonna get a respite from writing when your head hits the pillow, you're not gonna get a respite from writing when you go on a holiday caravan to Great Yarmouth, or anywhere – the moon – you can't get away from it, it's in your head. And if it's working properly, it's probably obsessive. If you've got a story on the boil, and if you're a writer you probably will have, you're probably thinking about problems with that story, good things about it that you wanna enhance and make even better, and you're probably thinking that all the time. You might be thinking that when you're having sex. You might be thinking that when you're eating dinner, you might be thinking that on public transport. This is something that will take over your life. Surrender. Surrender to it right from word one. Don't fight. It's bigger then you are, it's more important than you are, just do what it says. Even if that seems to be completely ruining your life, do what it says. Even if it tells you to do something stupid – if it tells you to jump off a cliff, do it. (laughter).
A COR DO SOM
Carai, eu me amarro em sicronicidades. Mesmo quando elas só existem em minha cabeça. Se é que existem, claro.
Ontem iniciei ALMOST BLUE, bacanérrimo até o momento, e, vejam só, um dos personagens - que é cego - desenvolve um sistemas de associações para tentar descrever as cores. Um tipo de sinestesia psicológica, por assim dizer. E não venha ficar puto(a) comigo que isso rola bem no início do livro.
Hoje, lendo uma entrevista deliciosa (mais comentários depois) com o Maconheiro Mágicko de Northampton, não é que o barbudão, num longo discurso sobre a linguagem, vem com umas conversas desse naipe? A definição do Moore era mais ampla, mas a idéia era a mesma. Legal, né?
Ontem iniciei ALMOST BLUE, bacanérrimo até o momento, e, vejam só, um dos personagens - que é cego - desenvolve um sistemas de associações para tentar descrever as cores. Um tipo de sinestesia psicológica, por assim dizer. E não venha ficar puto(a) comigo que isso rola bem no início do livro.
Hoje, lendo uma entrevista deliciosa (mais comentários depois) com o Maconheiro Mágicko de Northampton, não é que o barbudão, num longo discurso sobre a linguagem, vem com umas conversas desse naipe? A definição do Moore era mais ampla, mas a idéia era a mesma. Legal, né?
segunda-feira, 24 de outubro de 2005
HISTORIETAS ARGENTINAS - PARTE 1
Em minhas andanças pelo lado de lá do Rio da Prata, uma das coisas com que me encasquetei foi saber mais sobre o quadrinho argentino, e nada melhor do que uma pesquisa de campo (eufemismo para “torrar todo o meu rico dinheirinho!”), mas o tempo exíguo e minha total inépcia em localizar o equivalente de uma comic shop (a título de curiosidade: lá se chamam comiquerias) em tempo hábil não me deixaram ir fundo em minha empreita, para o bem do meu orçamento doméstico, seja dita a verdade.
Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.
A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)
VIRUS
A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.
Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.
Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.
Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:
1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.
Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.
PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.
ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.
EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.
Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.
A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.
Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.
BASTION COMIX
A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.
De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.
Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.
Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.
A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.
DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.
E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.
CALLEJONES ROJOS
Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.
Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.
Bom, por hoje é só.
Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.
Não encontrei tanto material assim - por não ter tido oportunidade de procurar, notem - e também esbarrei com muitas hqs que não me chamaram a atenção, mas nesses poucos títulos já dá pra se notar uma diversidade bacana, que não deixa dúvidas que o povo de lá é tão ou mais eclético que o daqui no que diz respeito à nossa adorada, salve!, salve!, Nona Arte.
A intenção era falar de tudo ao mesmo tempo agora, numa batelada só (redundância com fins exclusivamente dramáticos), mas ainda não consegui ler essa papelada toda, então, vamos que vamos, em doses homeopáticas, devagar e sempre, como disse a Tartaruga (ou teria sido o Coelho?)
VIRUS
A VIRUS foi lançada em Junho desse ano, publicada pela Editorial Perfil e causou um certo estardalhaço por lá, tendo até comercial veiculado na TV (tá certo, eu só vi uma vez, mas que teve, teve). É uma revista mix, formato magazine, 100 páginas, com qualidade gráfica muito boa e um preço convidativo ($7,90, com o Peso valendo 0,85 centavos de Real na época, algo em torno de R$ 6,70). Além disso, ainda conta com matérias em seu miolo. Na primeira edição, uma que fala sobre o curta de animação El Corazón Delator, de Raúl Garcia, que mistura na mesma panela Alberto Breccia, Poe e Bela Lugosi; outra sobre Batman Begins, lançado naqueles tempos, e a última é sobre o Encuentro de la Historieta Argentina, obviamente, um evento ocorrido por lá.
Como toda “boa” coletânea que tenta agradar a gregos e troianos, erra feio em não tentar manter sua diversidade temática dentro de certos limites. O material, na primeira edição, tá de regular para baixo, e as únicas histórias realmente interessante são ONI BLUES, de Calvi!, e 1000 NAVES FANTASMAS de Febo e Marcelo Garcia (roteiro e desenhos, respectivamente). Outro ponto contra é o editorial, minúsculo, onde se limitam a falar das virtudes da revista, sem se importar em situar o leitor sobre as propostas da mesma e tal.
Além disso, eles quiseram criar uma padrão heavy-metálico para as capas, colocando boazudas photoshopadas e, bem, acho que seria melhor ficar só com as meninas mesmo, porque os efeitos, até meu filho de um ano e meio faz melhor.
Já na segunda edição, de Agosto, o retorno de algumas hqs deixa evidente que a revista também vai publicar algumas séries:
1000 NAVES FANTASMAS (Febo e Garcia): O ano é 2666, os oceanos não existem mais e o que sobrou da Resistência Sul-Americana luta desesperadamente contra a Asia-Normandia, numa guerra que se estende há mais tempo do que podem se lembrar. Na primeira história (Virus 1), um pelotão argentino se suicida misteriosamente, numa região que eu sinceramente não consegui distinguir se é a Patagônia ou o solo lunar. Na segunda (Virus 2), um analista do ministério da defesa Sul-Americano, começa a juntar os pontos sobre o incidente envolvendo o tal pelotão, enquanto uma providencial narração em primeira pessoa nos esclarece mais sobre o cenário. Nada inesquecível, mas me deixou curioso o suficiente pra querer saber onde a história vai parar.
Q-BIL (Hernandes e Schümperli): Dois caras são enviados pelo espaço-tempo, até chegarem a Siracusa de Aquimedes, e entre uma traquinagem e outra, dão uma “força” ao sábio no que diz respeito a algumas invenções (é, do Raio da Morte também), enquanto ajudam a manter os invasores romanos afastados. Engraçadinha, mas não curti muito os desenhos.
PRIMIGÊNIOS (Arce - embora seja uma criação de Sanyu, que eu não faço a mínima idéia de quem seja): Uma série de pequenas hqs de duas páginas, mostrando a vida de nossos ancestrais das cavernas. O interessante é que essa hq não é desenhada. É uma espécie de fotonovela, ou stop-motion, com bonequinhos de massinha, o que dá um efeito bem interessante. Pena que fica totalmente deslocada no miolo da revista.
ESLABONES (Mr. Exes): Eu gostei da arte desse cara. A primeira história não passa de uma adaptação de uma piada de mau-gosto, cujas variantes todos nós já devemos ter ouvido/visto em algum lugar.. Mas os desenhos nervosos e geométricos me agradaram. A segunda (Virus 2) já ficou mais interessante, com o personagem que aparece só no final da primeira história (pra servir de gancho) sendo o protagonista dessa aqui, numa situação, eu diria, inusitada. Mas essa é outra que ficou deslocada na revista.
EL LORITO: Sempre “encartada” no meio de alguma das matérias, mais uma de humor que não fez muito minha cabeça.
Eu disse que as três últimas histórias/séries ficaram deslocadas na revista, mas se formos analisar friamente, a proporção de gêneros diferentes está até balanceada, sendo o problema, a meu ver, as capas, que evocam um tipo de publicação a que talvez o conteúdo não corresponda. Acho que muito do material que eu considerei fraco funcionaria melhor ao lado de outros trabalhos do mesmo gênero. A leitura sequênciada de histórias abrigadas sob diferentes bandeiras fragmenta um pouco o “clima”. Daí a má impressão, acho. Além disso, muita coisa ali parece ser material de gaveta, produzido, na certa, sob outros contextos, momentos, etc., etc.
A segunda edição, de Agosto, incorre nos mesmos erros da primeira (capa, editorial, seleção de material, etc), mas também tem as mesmas poucas virtudes. Nas matérias, uma (com uma foto hilária) sobre o engajamento das grandes editoras americanas (leia-se: Marvel) na guerra do Iraque, outra sobre Sin City, o filme, e a terceira sobre o evento de lançamento da primeira edição, onde o editor finalmente explica-se sobre a motivação da publicação - fazer os quadrinhos voltarem aos “kioscos”, termo mais genérico do que o nossa, “banca”. Devido à crise econômica e mais outros fatores, parece que as hqs andaram meio sumidas por lá e estão voltando com certo vigor só de um ano pra cá.
Contudo, existe uma surpresa neste número 2, que por sí só faz todo o resto valer a pena: ...SU NONBRE SERA ARGENTINA (de Casanova e Raarte), onde um Jorge Luís Borges recentemente cego confidencia a seu truta de longa data, Bioy Casares, um segredo a respeito da independência Argentina, descoberto num diário doado por um nobre inglês, o último livro que conseguiu ler. A história alterna-se entre 1806 e 1957, e os desenhos de Rearte são fantásticos, meio expressionistas, totalmente P&B nas cenas de 57, enquanto nos flashbacks de 1806 ele usou uma técnica aquarelada com tons de cinza que ficou bem bonita. E quanto ao roteiro de Casanova, sem comentários. Aventura, conspirações e lições de história em 23 páginas. Ficou tudo meio corrido (e um pouco confuso, se você, como eu, não manja bulhufas de história Argentina. Mas nada que o Google não resolva), e talvez se eles tivessem mais páginas, o resultado poderia ter ficado ainda melhor, mas eu achei muito boa a condução e a narrativa dos caras. Não falemos mais para não estragar a história.
BASTION COMIX
A Bastion, publicada pela Gargola Ediciones, lançada no início do ano passado, é outra revista que se utiliza do formato mix, contudo, essa tem mais acertos - e um objetivo editorial mais definido - do que sua irmã mais nova aí de cima. A revista custou $6,90, tem formato americano, lombada quadrada, 80 e poucas páginas (não estão numeradas e eu não contei), e uma qualidade gráfica muito boa, embora inferior à da Vírus.
De sua primeira encarnação, só consegui a número 4 (Abril de 2005), que, por sinal, encerrou a primeira fase da revista, que só publicava material argentino (com exceção de uma hq escrita pelo Chuck Dixon). Nessa edição em especial, destaco as histórias, LAS ESPADAS DE JEAN-JAQUES, a gozadíssima AÑOS 30, e SER Y TIEMPO.
Mas como disse, esse foi o canto do cisne da publicação, ou melhor, de sua primeira fase, que, em Junho do mesmo ano, surgiu metamorfoseada em BASTION UNLIMITED. As mudanças foram, além da turbinada no preço (agora $7,90 - mesmo assim bem em conta, visto os similares nacionais que temos por aqui), a qualidade do papel, que ficou bem mais nobre, e se eu soubesse a diferença entre um tipo e outro, arriscaria dizer que é um couché. Além disso, a revista traz uma diferença crucial em seu conteúdo: a partir da edição 1 dessa nova fase, o material argentino passaria a dividir as páginas com material gringo, oriundo, até agora, da Dark Horse. E o número de histórias por edição reduziu-se. O line-up da primeira traz, de fora, uma hq da série SIN CITY (APENAS OUTRA NOITE DE SÁBADO) e CHOSEN, de Millar e Gross, que sabe-se lá porque, foi dividida ao meio, ou seja, cada edição da UNLIMITED traz metade (12 páginas) de uma edição original. Do material argentino, temos INSOMNIO, aventura totalmente insípida do super-herói Rancat, EL APRENDIZAJE DE MIKA, com desenhos bacanas, e uma história legalzinha, e por último, EL FUTURO FUE AYER, essa sim maluquíssima, cheia de maneirismos a lá Grant Morrison , que eu tinha imaginado ter sido homenageado de maneira velada, mas, para minha surpresa, na última página os autores entregam o jogo e percebe-se que eles estavam sob os auspícios do escocês careca todo o tempo. Dessa eu gostei muito.
Outra diferença da UNLIMITED em relação à COMIX, é que a primeira traz matérias. Na edição 1, a saga STAR WARS, inclusive com uma linha do tempo envolvendo quadrinhos, livros, desenhos, e como não poderia deixar de ser, os filmes.
A edição 2 da UNLIMITED (que ainda não está no site) foi lançada em Agosto, e além de outra aventura de SIN CITY (dessa vez A DAMA DE VERMELHO), e da segunda parte do primeiro número de CHOSEN, a revista ainda tem uma matéria sobre o onipresente SIN CITY, o filme. E entre o material argentino, duas novidades, ou melhor séries.
DALLILAH é sobre uma super-soldado num cenário pós-apócalíptico-feudal-low(high)tech. Talvez o mote seja meio batido, mas a arte de Cesar Carpio Guerra é do grande caralho. “Atrapante”, como dizem por lá.
E temos também a excelente EL HOMBRE PRIMORDIAL, que mescla supers, cabala e ainda é um pequeno tratado sobre a Trissomia 21, vulgarmente conhecida como Síndrome de Down. E isso tudo em 12 páginas! Mauro Mantella dá uma aula de roteiro, e eu vou ficar de olho nesse cara.
CALLEJONES ROJOS
Editado em Abril de 2005 pela De Los Cuatro Vientos Editorial, que, ao que parece, tem algo a ver com a Gárgola Ediciones - que publica a Bastion, só pra gente não se perder -, esse álbum também foi uma surpresa. Um grata surpresa, digo. É a história de Salvador e Gyn, duas crianças envolvidas inadvertidamente com o mundo do crime na Buenos Aires dos anos 70. Um ponto legal é que a história começa mesmo na Paris ocupada de 1942, e que esse pequeno detalhe reverbera algo que é muito forte na cultura argentina, mas se eu contar mais vou acabar estragando uma eventual surpresa. O roteiro é de Silvia Debor e a arte é de Ignacio Rodríguez Minaverri, que tem um traço que me lembra bastante o Mazzuchelli pós-Marvel. Mas digo isso mais pela falta de outros referenciais do que por conhecimento de causa. De qualquer maneira, importa é que agrada aos olhos.
Outro detalhe relevante: é um álbum P&B, com 128 páginas, impresso num papel muito bom, lombada quadrada e o escambau, e custa 10 pesos (menos de dez reáu, rapá!). Tenho batido na tecla dos preços aqui por que talvez seja possível aprender alguma coisa com nuestros hermanos no que diz respeito a esse assunto tão delicado no reino das hqs.
Bom, por hoje é só.
Después: COMIQUEANDO, CLARA DE NOCHE, CHICANOS, PARQUE CHAS, LOVERCRAFT, ANIMAL URBANO, TONY, EL ETERNAUTA e EL CAZADOR.
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
7 DAYS TO FAME
EU QUERO.
Enquanto isso, os caras ficam lançando CRISE DE IDENTIDADE (mais comentários depois). Pfffff.
Enquanto isso, os caras ficam lançando CRISE DE IDENTIDADE (mais comentários depois). Pfffff.
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