quinta-feira, 12 de junho de 2008

CURIOSIDADE MÉDICA - UM ROTEIRO DE HQ

De dias pra cá meu interesse pela narrativa e pela narração de histórias em quadrinhos vem voltando gradativamente, talvez pelo fato de ter feito a leitura consecutiva de vários livros sobre o assunto, talvez por ter botado as mãos num pacotinho de edições nas quais estava de olho fazia tempo.

Ano passado, se não me falha a memória, o Leonardo Santana enviou um email para várias pessoas - eu incluso - onde solicitava hqs curtas para publicar numa edição temática da Prismarte, que ele ajuda a editar. O tema, aliás, era o terror, e essa edição acabou sendo a de número 45.

Bem, eu tinha uma pequena idéia que tinha começado a desenvolver anteriormente e achei que ela caberia numa edição assim. Fiz meus cálculos e concluí que três páginas seriam o suficiente. Não me lembro exatamente qual foi o estopim da coisa toda, mas eu queria misturar alguns elementos que me interessavam na época. Então me propus a escrever e entregar essa história, que batizei de CURIOSIDADE MÉDICA.

Resumindo a ópera: logo eu, o (pretenso) roteirista metódico e pontual, que sempre reclamou dos desenhistas furões, furei. A vida no mundo real começou a cobrar mais atenção, e, paralelamente, meu interesse pela feitura de hqs começou a declinar vertiginosamente. Deixei esse e outros roteiros de lado e fui cuidar de outros assuntos. Até semana passada.

Mais uma vez, minha vontade de escrever para quadrinhos voltou. Tive algumas idéias e reencontrei outras que me agradavam. Acabei desenterrando, entre outras coisas, esse roteiro.

Reescrevi praticamente tudo, e talvez ainda falte alguma coisa, mas é um roteiro que eu gostaria de ver desenhado.

O roteiro, aliás, pode ser baixado aqui (lá embaixo, em “Attachment”).

Alguém se habilita?

P.S.: Em tempos recentes, desenvolvi um procedimento terapêutico contra a angústia provocada por desenhistas furões: inscrevo os emails deles nas newsletters de tudo quanto é site de zoofilia que encontro internet afora. Podem chamar isso de “compensação”.

P.S.2: Brincadeirinha!!!!

P.S.3: até agora há pouco o link estava quebrado, e quem avisou foi o Daniel. Valeu, cara!

sábado, 7 de junho de 2008

MANTENDO SEU TRABALHO A SALVO

Já ouvi verdadeiras histórias de terror sobre escritores que perderam meses, até anos de trabalho porque não tomaram os devidos cuidados na hora de manterem seus backups em dia (isso para não falar daqueles que preferem escrever em cadernos...).

Manter um backup atualizado é um hábito que qualquer um que leve a sério a atividade de escrever deveria cultivar.

Embora a grande maioria dos programas recentes tenha ferramentas que realizam salvamentos automáticos em períodos determinados, as combinações Ctrl+S (ou Ctrl+B em alguns casos ) têm que ser tão naturais quanto respirar.

Contudo, criar o hábito de salvar seus arquivos dentro do seu computador é só o primeiro passo, uma vez que o próprio computador pode quebrar.

O preço de um pen-drive não é mais desculpa. Um dispositivo de uma marca boa, com 1 Giga de capacidade custa, hoje em dia, numa loja que cobra caro, cerca de 45 reais. Para quem pretende entupir sua unidade de armazenamento com músicas, .ppts cheios de mensagens enaltecedoras e vídeos com pegadinhas russas, 1 Giga realmente não é muita coisa. Mas para guardar roteiros (e outros documentos de texto, em geral), é espaço mais do que suficiente.

Fazendo uma conta simples: Um roteiro parrudo, de 120 páginas, seguindo a formatação padrão, no formato .rtf, costuma ficar com um tamanho de 300 e 400 KB. Se utilizarmos a notação SI, 1 GB equivale à 1000 MB, e 1MB, por sua vez, equivale a 1000 KB. Portanto, 1 Gb vale o mesmo que 1.000.000 KB, ou seja, num pen-drive de um giga cabem 2.500 roteiros. Nada mal, não? Vendo por outro lado, um disquete de 3 1/2” HD (o mais comum) já seria suficiente para guardar pelo menos três roteiros, embora não se aconselhe utilizar esse tipo de mídia nos dias de hoje.

Outra alternativa, que pode ser utilizada em paralelo, são os hds virtuais. Hds virtuais permitem o armazenamento de uma determinada quantidade de dados em servidores externos. Obviamente esse tipo de serviço não é aconselhável para aqueles que tem níveis de paranóia muito elevados.

Por outro lado, eles oferecem grande flexibilidade pelo fato de ser possível baixar o documento a partir de qualquer computador com acesso à internet. Normalmente esse tipo de serviço se apresenta nas modalidades paga e gratuita, sendo que na gratuita, obviamente, o espaço disponível é bem menor. Alguns exemplos são o Mozy e o Esnips, onde a manipulação dos arquivos é feita através de um software instalado localmente na máquina do usuário. Existem ainda outros, como o 4Shared e o já vetusto Rapidshare, onde todo o processo é controlado via browser. Na pior das hipóteses, o usuário pode simplesmente criar uma conta de email num serviço que ofereça mais de 1 GB de espaço - praticamente todos os grandes provedores - e enviar seu trabalho para esta conta-arquivo.

Há ainda casos como o do Celtx, que já tem essa opção integrada ao próprio software. Basta fazer um upload privado do seu projeto e ele ficará armazenado no servidor da Greyfirst, podendo ser baixado de qualquer computador. Some isso ao fato do programa rodar diretamente de dentro de um pen-drive, e temos uma ferramenta poderosa.

Outro ponto importante: seja você fã ardoroso do Final Draft, admirador do Movie Magic, evangelista do Celtx ou viúva do Sophocles, sempre, mas SEMPRE, salve uma cópia do seu roteiro num formato neutro. O bom e velho .txt é o melhor, mas a grande maioria dos programas também entende o .rtf ou o .html.
Ter o seu trabalho salvo num formato neutro vai evitar muitas dores de cabeça caso seu programa preferido resolva, de um dia para o outro, não funcionar mais.

Pegando um exemplo pessoal, no início deste ano redigi um roteiro de noventa páginas utilizando o Sophocles. Por um problema técnico, acabei ficando quase duas semanas sem meu computador, onde estava instalado o programa. Como eu tinha o roteiro salvo em .txt, importei-o no Celtx - instalado num pen-drive - e continuei trabalhando em outro computador, como se nada tivesse acontecido. Quando meu pc ficou em condições, reinstalei o Sophocles, exportei o roteiro do Celtx, importei no Sophocles, e dei sequência por lá.

Recentemente, o site do programa saiu do ar e começaram as especulações sobre o que teria acontecido. Aparentemente, o programa foi descontinuado. O Sophocles possui um sistema de ativação pela internet. Cada vez que o programa é reinstalado, seja ele um demo, uma versão beta ou uma versão paga, ele tem que ser reativado pela internet. E se o site da empresa está fora do ar... Isso até faria sentido numa empresa monolítica como a Microsoft, mas no caso da pequena Sheenan Software, parece não ter sido uma das escolhas mais acertadas, o que acabou deixando vários usuários que pagaram pelo programa em maus lençóis.

Voltando a mim. Embora o Sophocles que eu tenho continue funcionando, decidi abandonar a ferramenta de vez, em detrimento do Celtx. Bastou que eu importasse meu .txt atualizado, procedesse com algumas correções (a perda de formatação em alguns trechos é comum nesse tipo de operação) e pronto. Posso trabalhar tranquilo, sabendo que estou parcialmente imune a panes e pandemônios eletrônicos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CELTX 1.0 NO AR

É isso aí, macacada. Meu brinquedinho preferido deixou de ser beta. Entre as novidades, um template específico para escrita de quadrinhos. Algo que eu esperava havia muito tempo. Na verdade, não curti muito o formato escolhido - aquele que emula alguns roteiros televisivos, com descrições num quadro, diálogos em outro, etc, muito usado em quadrinhos europeus. Também achei que fez falta a exportação para um formato mais parrudo, como o .ODT, assim como a exportação offline para .PDF. Mas tá valendo.

As novidades podem ser conferidas aqui.

sábado, 31 de maio de 2008

OPEN THE SOURCE

É fato que as pessoas - pelo menos as que lêem - tem certo interesse, algumas até fascínio, pelo que se convencionou chamar de “processo criativo” dos escritores. Mas estávamos falando de escritores. O que dizer dos beletristas?

Embora eu ache que exista pouca gente querendo saber em que sentido giram as engrenagens na minha cachola, acho que a tentativa de verbalizar o que se passa durante o processo de concepção de uma narrativa me ajuda a colocar as coisas em perspectiva. A olhar de longe e pensar no que pode ser melhorado no futuro. Mas fiquem tranquilos. Não vou tentar explicar a piada.

Pode parecer meio prematura tentar falar das entranhas de um conto - ADSENSELESS - que ainda está em sua segunda parte. Parte esta, aliás, que foi publicada com um atraso de pelo menos três meses (uma vez que estabeleci uma deadline pessoal de trinta dias entre um capítulo e outro).

Lá em cima, utilizei a palavra beletrista sem falsa modéstia ou intenção de ser engraçado. Embora a palavra tenha uma carga pejorativa indelével a essa altura do campeonato, beletrismo, segundo o Houaiss, também pode significar, entre outras coisas, “atividade literária diletante ou puramente recreativa”. Acho que é o meu caso.

Eu, literalmente, escrevo quando dá. Embora esteja numa relação quase simbiótica com um laptop, um smartphone com tecladinho QWERTY e um bloquinho, a escrita - pelo menos a de ficção, essa que me dá prazer - ocorre aos poucos, em doses homeopáticas. Acredito que parte disso se deva ao fato de eu passar uma boa parte do dia macetando as teclinhas de plástico do Dellzão. Não ter uma rotina - meus horários de trabalho costumam variar bastante - também pesa. Às vezes, contudo, escrevo no trabalho. Me considero, aliás, o Alt + Tab mais rápido do Oeste. 

A idéia de ADSENSELESS veio quando eu estudava mais sobre o Google Adsense. Comecei a tomar notas para o que seria um continho, quase uma anedota, sobre a publicidade nesse começo de século XXI. Quem surgiu primeiro foi, claro, Macanudo.

Quando publiquei a primeira parte, a segunda já estava praticamente escrita. Só que não gostei do texto e resolvi deixá-lo cozinhando. Enquanto isso, no mundo real, muita coisa aconteceu, e acabei deixando o texto meio de lado. Voltei à segunda parte dias atrás. Mexi aqui, ali, e, embora tenha achado o resultado satisfatório, penso que talvez ele não tenha transmitido todas as idéias que planejei. Paciência.

O “processo” varia. Neste caso, para cada parte do conto, crio um arquivo separado. Fica mais fácil manipular o texto. Também criei um outro arquivo, onde despejo tudo quanto é tipo de informação que julgo interessante: links, trechos de diálogos, notas e por aí vai. Nesse mesmo arquivo há pequenas bios dos personagens que apareceram e ainda vão aparecer, assim como um roteirinho dos 6 capítulos originalmente planejados.

O capítulo 3 nem foi iniciado ainda. Com exceção de quarenta e sete palavras no arquivo de notas que descrevem em linhas bem gerais o que vai acontecer, não há mais nada.

A parte 4, por sua vez, já tem pouco mais de 100 palavras, além daquelas no arquivo de notas. 

A parte 5, vejam vocês, já passou das 1000, e provavelmente terá que ser dividida, o que aumentará o número de partes para um cabalístico 7.

E, por fim, a parte 6 (que provavelmente será a 7, note) também não existe, a não ser por uma frase que define o que será o clímax da história.

Não considero ADSENSELESS ficção-científica, propriamente dita. Não que não goste do gênero, muito pelo contrário. Mas acho que para chamar minha ficção de científica, terei que comer mais um pouco de feijão. Sim, há technobubble, infodump e essas coisas, mas é mais uma maneira de extravasar minha tecnofilice do que qualquer outra coisa. O que me interessa na ficção, de qualquer gênero, são as possibilidades.

Ok, eu sei que o Ellis já fazia isso há dez anos, mas mesmo assim, vamos lá: ouça, no talo, Release, do disco A Fine Day To Exit, da banda britânica Anathema. Leia Kafka à beira-mar, de Haruki Murakami, que eu ainda não finalizei, mas, até o momento, compensa cada página.

sábado, 24 de maio de 2008

ESCRIBA - SOFTWARE PARA ESCRITA DE ROTEIROS

Voltando ao assunto do penúltimo post, agora Frank Baiz divulgou o nome do seu programa - Escriba - assim como seu novo site.

Agora, se entendi direito, o software é construído em cima de uma teoria desenvolvida pelo próprio Baiz, então ao invés de evocar a imagem do Movie Outline, agora a coisa me parece mais com o já famoso combo Movie Magic + Dramatica.

Particularmente não curto muito softwares para "construção" de histórias, como o Dramatica, mas estou curioso para ver como será o Escriba.

(e sim, só pra variar, eu vi esta notícia no Blogacine)

terça-feira, 20 de maio de 2008

ADSENSELESS - Parte 2

Demorou mais do que planejei, mas saiu. O endereço é o que segue:

http://txt.blogsome.com

ADSENSELESS - Parte 2

Márcio Massula Jr.

Idosos são, em sua grande maioria, neoludditas.

Mas sempre existem as exceções à regra. E, neste caso, a exceção era bem simpática, contudo, devido a sua estatura, obrigava Macanudo a se curvar num ângulo que dentro em breve faria com que caísse e cravasse a cabeça no concreto.
***
Você vai chamar atenção por onde for. Esse é o objetivo. Nunca desvie os olhos de quem estiver olhando para você. Seja simpático. Sorria. Cative as pessoas.

Macanudo não se lembrava em qual momento do treinamento este tópico tinha vindo à tona, mas as palavras do instrutor ribombavam em seu crânio exatamente como no dia em que ele as ouviu.
Após uma semana entre os odores anódinos do Centro de Recuperação da Googolplex, ter as narinas incendiadas pela mistura quase alquímica de sudorese e gás carbônico do mundo real era como tomar um murro no meio do rosto. E foi assim que Macanudo iniciou sua jornada pelo centro da cidade. 

Desorientado, com medo e sentindo dores em lugares bem estranhos.

Era estranho ser o centro das atenções. Ele tentava, na medida em que podia, dar um sorriso bem grande, daqueles capazes de buscar a reciprocidade dos cafundós das personalidades apressadas dos transeuntes. Mesmo assim, a maioria das pessoas simplesmente virava o rosto. O desejo de chegar logo em casa aumentava a cada pedestre que passava direto – o que não era bom para os negócios – até que a exceção estacou-se em sua frente, tombou a cabeça um pouco de lado num gesto de curiosidade, e deixou escapar o mais bonito – e único – sorriso que Macanudo vira naquela manhã.

A exceção, uma senhora que já tinha passado há muito dos sessenta, fez um pequeno sinal com o indicador minúsculo, na direção da testa de Macanudo.

- O que é isto?

Era a deixa. E Macanudo praticamente vomitou o texto que havia decorado durante o curso de preparação na Googolplex.


***

- Olha só os preços disso!

- Disso o quê?

- Meu Deus do céu!

A mulher estende o dedo em direção à tarja de Macanudo, que, sem saber exatamente o que fazer, permanece parado. Ela detém a falange a poucos centímetros da testa de Macanudo.

- Posso?

- Bem...acho que pode sim.

- Você pode se abaixar só um pouco?

Macanudo não sabe o que pensar. Por que a mulher quer tocar sua testa? Ele até entende que há uma curiosidade natural pela novidade, e até esperava esse comportamento de uma criança, mas, bem, isso era estranho. A velha deslizava os dedos por sua testa, talvez experimentando a textura. Inclinado daquela maneira, Macanudo, para amenizar um pouco o constrangimento, fixou os olhos nos sapatos da mulher, duas pecinhas muito delicadas que já haviam saído de moda havia um bom tempo, e, mesmo assim, continuavam impecavelmente bonitos. A mulher dava pequenos toques em sua testa, como se estivesse manipulando um dispositivo touch-screen. E, até onde Macanudo sabia, a tarja não era touch-screen.

- Você não tem um teclado?

- Como?

- Um teclado virtual.

- Hã...presumo que não, senhora.

- Ah!

- O quê?

- Tem sim!

- Tenho?

- Tem. Ele apareceu aqui. Espere só um pouco.

E seguiu-se mais uma sequência de toques na testa. Às vezes a mulher parecia esquecer que atrás daquela tela havia uma cabeça e pressionava tão forte que Macanudo ficava a ponto de perder o equilíbrio. Depois ele se preocuparia com a funcionalidade que desconhecia. O que importava agora era agradar a cliente. Momentos depois, a mulher se deu por satisfeita.

- Obrigado.

- A senhora, hããã...encontrou todos os dados que procurava?

- Bem, na verdade eu estava verificando meus e-mails. Esqueci meu smartphone no escritório. Sabe como é...

- A senhora viu seus emails na minha testa?

- Vi sim. Você não sabia que fazia isso?

- Ah, claro! Sabia sim. É que, bem, os usuários não costumam dar muita bola para esse recurso, sabe? - 
Macanudo tentou disfarçar com um sorrisinho cambeta.

- Certo, certo. Muito obrigado, então. Tchau!

O mulher dá alguns passos e depois vira-se.

- Gostei da novidade!

Esse episódio foi como uma injeção de ânimo. Macanudo passou a sentir-se mais seguro, o que, de certa forma, passou a mesmerizar as pessoas. No restante do caminho - que incluiu uma viagem de metrô - ele seguiu à risca os procedimentos indicados no manual. As pessoas olhavam umas para as outras, paravam e sempre havia aquele mais extrovertido, que acabava tomando a frente da situação e perguntava:

- Mas que porra é essa na sua testa?

***

Obviamente, a primeira coisa que Macanudo fez ao chegar em casa foi ver sua página pessoal na Googolplex para checar quanto tinham lhe rendido as conversas que tivera rua afora. Os créditos ainda não constavam, mas ele sabia que poderia haver um período de vinte e quatro horas até que o saldo do Vetor estivesse devidamente atualizado. Estava no manual. Então ele se lembrou das funcionalidades que desconhecia e ligou para o número que lhe deram.

- Centro de Atendimento ao Vetor. Em que posso ajudá-lo, senhor...Macanudo?

- Como você sabe que sou eu?

- Bom, nós somos o Centro de Atendimento ao Vetor. Este número só é dado aos Vetores. E o senhor é único Vetor, sabe?

- Ahhhh...

- Em que posso ajudá-lo?

- Bom, é meio constrangedor falar isso, mas, bem, me aconteceu uma coisa meio estranha hoje na rua, em minha primeira empreitada, e, bem, vamos lá: eu tenho um browser na minha tarja?

- Tem sim senhor. Assim como um pacote de escritório completo e todo o restante do nosso portfólio. Tudo acessado pelo seu browser, na verdade.

- E porque ninguém me avisou disso?

- É que essa tecnologia foi desenvolvida após sua alta do nosso Centro de Recuperação.

- Mas eu saí de lá faz três horas!

Silêncio no outro lado da linha. Macanudo tem a impressão de ouvir o leve matraquear de um teclado.

- Desculpe, senhor. Isso foi uma coincidência, devo dizer. O senhor não foi notificado?

- Notificado? Como?

- Via email.

- Não, não fui não. Estou com minha caixa de entrada aberta e não há nenhuma mensagem de...
Macanudo se viu obrigado a interromper o comentário quando, repentinamente, surge uma mensagem da Googolplex em seu computador, indicando ter sido enviada quase quatro horas antes.

- Ei, recebi sua mensagem só agora!

- Veja só o senhor. Hoje é mesmo o dia das coincidências, não? Deve ter sido algum problema nos nossos servidores.

- É, deve ter sido mesmo. Tudo bem. Obrigado então. Como é seu nome?

- Pode me chamar de Junior.

- Tá bom, Junior. Acho que ainda vamos nos falar muitas vezes.

- Vamos sim, senhor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

MAIS UM SOFTWARE PARA ESCRITA DE ROTEIROS

É! Só que desta vez desenvolvido pelo roteirista Venezuelano Frank Baiz Quevedo, mantenedor da famosa La Página del Guión.

Pelo que entendi, o objetivo do software é mais estruturar uma história (como o Movie Outline) do que redigir o roteiro em si, embora ele também vá contar com um processador de textos exclusivo para isso. Será interessante ver quão diferente um produto criado sob a ótica de um roteirista sul-americano será. Estou curioso para ver resultado.

(como não poderia deixar de ser, via Blogacine)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

ENTRE IDAS E VINDAS

Nesse fim de semana dei um pulo em casa - para quem não sabe, o ramo épsilon-teta-gama do clã dos Massula, após muita deliberação, decidiu sediar sua base de operações, permanentemente, em Curitiba - e vi aceso novamente meu interesse pela anatomia de uma história em quadrinhos.

Talvez por ter achado NARRATIVAS GRÁFICAS, do Eisner, mais um dos bons livros que eu comecei e, sabe-se lá porque, larguei pela metade. Não me vejo, pelo menos não num futuro próximo, perdendo tempo digitando o que quer que seja que tenha a intenção de se transformar numa história em quadrinhos. Muito suór, sofrimento e decepção, vocês já devem ter lido a história alguma vez por aqui.

De qualquer maneira, eu já estava com o livro do Peter David aqui no hotel - outro que há certo tempo aguarda para ser lido - e não é que, no aeroporto, descubro que saiu DESENHANDO QUADRINHOS, o livro novo do McCloud?

Sim, eu sei, o livro saiu ano passado e foi anunciado em tudo quanto é blog/site de quadrinhos. Mas eu, que não tenho passado mais tanto tempo surfando por essas bandas, não vi. Comprei, obviamente.

Para muita gente, pode parecer estranho alguém que um dia se auto-proclamou “roteirista de quadrinhos” (hahaha...) mostrar interesse por um livro que tem a palavra *desenhando* no título, certo? Errado.

Primeiro: apesar do nome, o livro não é sobre desenho em si. É sobre narrativa, algo que todo roteirista wannabe deveria se preocupar em conhecer. Na verdade, a tradução do título foi meio infeliz, uma vez que o original - MAKING COMICS - cobre um espectro maior do que o ato de desenhar, somente..

Segundo: qualquer atividade, seja criativa ou técnica, está relacionada a outras. O mínimo que alguém que deseja ser bom em algo precisa fazer é saber o que se passa à volta do seu ofício.

Terceiro: Eu sou fã do McCloud.

SCRIPPED.COM

Mais um formatador online para roteiros cinematográficos. De qualquer maneira, continuo preferindo o Zhura.

terça-feira, 6 de maio de 2008

SOPHOCLES SCREENWRITING SOFTWARE - R.I.P.?


Embora eu seja defensor ferrenho do Celtx e tenha feito o projeto do meu primeiro roteiro de longa nele, o roteiro em si foi redigido no Sophocles, que tem alguns recursos mais atraentes que o programa canadense. Cheguei mesmo a considerar seriamente a possibilidade de comprá-lo.

Mas, há dias o site do Sophocles está fora do ar, e bandeando pela internet acabei esbarrando neste fórum, que me levou a este outro, onde um longo tópico - que, evidentemente, termina descambando para outro assunto - tece teorias sobre o que realmente aconteceu.

Se o programa dançou mesmo, é uma pena. Era uma boa ferramenta.

ATUALIZANDO: E a coisa ganha contornos cada vez mais tragicômicos...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

MIRAGE MAN!!!

Kick Ass? Watchmen? La verga!

O negócio é Mirage Man, filme chileno que mistura pancadaria, vigilantismo e, por que não, humor.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O NOME DA ÁGUIA - CONVITE PARA O LANÇAMENTO

Bom, pessoal, segue abaixo o convite para o lançamento de O NOME DA ÁGUIA, livro do meu camarada Alexandre Lobão, que mencionei em meu último post.

Quem estiver em Brasília no dia 03 de Maio, apareça por lá.

sábado, 19 de abril de 2008

LIVROS, LIVROS E MAIS LIVROS

Sábado passado, chegando ao aeroporto de Curitiba, fui, como quem não quer nada, dar uma passadinha na livraria.

E não é que me surpreendo - e estamos falando de uma grata surpresa - com uma pequena pilha do O NOME DA ÁGUIA, novo livro do meu camarada digital Alexandre Lobão, junto aos best-sellers do momento (e não entremos aqui em méritos de valor estético de uns e de outros, certo?).

Mais tarde, fui a uma outra livraria, à cata d'O NOME. Não encontrei meu alvo, mas não é que me surpreendo - de novo! - com mais dois lançamentos dos quais não fazia a mínima idéia?

O primeiro a ser avistado foi KAFKA À BEIRA-MAR, catatau parido por Haruki Murakami. A propósito, só agora descobri o hotsite da Alfaguarara, selo editorial da Objetiva.

O segundo foi AS REVELAÇÕES PICANTES DOS GRANDES CHEFS, “novo” do escocês Irvine Welsh, autor de Trainspotting, Porno e outras doideiras.

Cofrei os dois.

Enquanto isso, terminei de devorar VOLÁTEIS, de Paulo Scott (?). Comprei esse livro há mais de um ano (28/2/2007, para ser mais preciso. Sim, tenho o - mau - hábito de anotar as datas em que compro meus livros, assim como povoar qualquer texto com travessões). Sei lá porque teimava em associar a literatura do Paulo a um certo nicho que não me faz muito a cabeça. Ledo engano. O romance é permeado de personagens interessantes - uns fazendo apenas rápidas aparições, a propósito. A narrativa é sólida, o texto flui e o final surpreende. O que mais um leitor poderia querer?

Voltando a'O NOME DA ÁGUIA, comprei meu exemplar um dia depois, e Lobão já começao livro chutando o pau da barraca logo nos agradecimentos, com uma pegadinha (bem, presumo que seja uma pegadinha) que vai passar batida para muita gente.

Por fim, trouxe na bagagem também WRITING FOR COMICS WITH PETER DAVID, cujo título se auto-explica. Embora continue momentâneamente resoluto em não perder mais tempo escrevendo roteiros de hq, o assunto sempre vai me interessar, e David é um dos roteiristas de quem mais gosto.

E, a propósito, o Absma dá mais um passo em direção ao milésimo blog. E meta é alcançar esse número nesssa encarnação. Vai lá!

segunda-feira, 31 de março de 2008

DEXTER, PRIMEIRA TEMPORADA.

Dexter é semelhante a vários outros programas de tv, que sempre quis assistir, mas nunca consegui.

De qualquer maneira, na época do DVD e do bitTorrent, tempo não é mais desculpa, e dentro em breve tentarei, aham!, matar minha vontade.

Anyway, acho do grandecíssimo caralho a imagem do box de DVDs da primeira temporada.

sábado, 29 de março de 2008

[ROTEIRO DE CINEMA]

Foi ao ar uma colaboraçao minha - a primeira de muitas, espero - para o site [roteiro de cinema], mantido pelo Fernando Marés.

E, como não poderia deixar de ser, a bola da vez foi minha ferramentinha preferida.

Siga o link.

domingo, 23 de março de 2008

SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL E OUTROS BICHOS

De um tempo pra cá, o assunto que dá nome a esse post tem me interessado por demais - prometo que tento desenvolver mais qualquer dia desses -, e hoje acabei esbarrando neste post interessantíssimo que fala da tentativa da Microsoft homologar seu OOXML como (*outro*) padrão ISO para documentos eletrônicos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

W.T.F.?

Sei que não ando atualizando muito o blog, e a situação deve permanecer a mesma por um bom tempo. De qualquer maneira, vez ou outra posto algum link ou bobagem no Twitter (do seu lado esquerdo, onde está escrito "Twitter Updates"), então, caso seja do seu interesse, dê uma passada de vez em quando.

sábado, 8 de março de 2008

PAGO PARA ANUNCIAR EM SEU CORPO

Não poderia ser mais engraçado.

Artigo do Fábio Fernandes, que fala sobre a Língua Patrocinada, que, por sua vez, tem muito a ver com o post aí de baixo.

E mais não digo.