terça-feira, 5 de abril de 2011

O PROBLEMA É A PÁGINA 8


Ano passado eu e o Luciano Leal[1] voltamos a falar sobre a possibilidade de produzir alguma hq juntos.

Entre uma idéia e outra, achamos melhor retomar um projeto (bem) antigo [2], SÍNDROME DE CASSANDRA, nada mais do que uma transposição da lenda de Cassandra para os dias de hoje. A história não tinha muitas pretensões, mas na época em que foi concebida, eu queria pirar um pouco em cima, deixar o esquema aristotélico meio de lado e tal.

Até então, existiam algumas páginas escritas e um punhado de notas.

Como os últimos meses não tem sido exatamente um mar de rosas, e como meus músculos ficcionais andam meio atrofiados, estou cozinhando esse roteiro por mais tempo do que deveria.

Entretanto, já que ainda terei algum tempo livre pela frente (devido a uma cirurgia feita no fim do mês passado), decidi que era hora de botar um ponto final nisso, e acabei de redigir a bagaça.

Embora nem sempre faça isso, prefiro fazer a revisão final no papel. Ajuda a manter o foco, o que acaba se traduzindo numa facilidade quase sobrenatural para encontrar erros de digitação e outras impurezas (é claro que não vou admitir, nem sob tortura, que a tela do computador é um portal para a dispersão infinita).

Na encarnação atual, SÍNDROME tem 16 páginas. Originalmente seriam 24. Resolvi cortar 1/3 do roteiro por vários motivos.

Um deles é a 1º lei da exequibilidade quadrinística brasileira: quanto menor o número de páginas do seu roteiro, maior a probabilidade dele ser desenhado completamente.

Isso, aliás, me lembra um ensaio escrito a quatro mãos por A. Moraes[3] e Jean Okada[4] - roteirista e desenhista, respectivamente (se é que você realmente não sabe disso) - onde ambos argumentam que, se os quadrinhos nacionais têm alguma particularidade, está é a conscisão. A propósito, agradeço se alguma boa alma me enviar o link para esse texto. Fiz uma busca rápida e não encontrei. UPDATE: O Fernandes deu a letra aí nos comentários: A.M. repostou o texto em seu blog, recentemente. Dá uma olhada lá[9].

Enfim, a história acabou ficando mais "redonda" do que o previsto, mas ainda havia algo que me incomodava, e hoje acabei identificando o motivo: a bendita página 8. Ela é muito importante, mas do jeito que está, não funciona e quebra o ritmo da narrativa. E, convenhamos, tá mal escrita mesmo. Reescrever necessário será.

P.S.: e já que estamos falando de HQ, parabenizo mais uma vez[5] meus camaradas Diego Aguiar[6] e Antonio Eder[7], finalistas no concurso da Editora Barba Negra[8] com seu projeto A VOLTA DO UMBIGO. Li o material e daria gosto ver essa HQ impressa e publicada.

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[1] avidaimitaodesenho.blogspot.com
[2] urobouro.blogspot.com/2005/04/hoje-estamos-eu-e-o-poodle-satnico-com.html
[3] amoraes.wordpress.com
[4] jean-okada.blogspot.com
[5] twitter.com/massula/status/55056016198483968
[6] passarosartificiais.blogspot.com
[7] antonioeder.blogspot.com
[8] editorabarbanegra.com.br/2011/04/04/finalistas-premio-barba-negra-e-rio-comicon/
[9] http://amoraes.wordpress.com/2011/04/13/idioma-nacional/
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Enviado do meu "cerular"

2 comentários:

  1. O Moraes 'repostou' o texto no seu brog. Cê viu lá, né?

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  2. Agora sim! Valeu pelo toque.

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